Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












quarta-feira, 30 de maio de 2007

RELAÇÃO DOS COMPONENTES DAS 1ª E 2ª COLÓNIAS DE PORTUGUESES (DE PERNAMBUCO-BRASIL) CHEGADOS A MOSSAMEDES (MOCAMEDES, NAMIBE) EM 4 DE AGOSTO DE 1849 E EM 26 NOVEMBRO DE 1950



Quadro histórico [representando] Brique "Douro" da Real Marinha Portuguesa chega a Moçâmedes no dia 1-8-1849, transportando os 1ºs colonos portugueses vindos de Pernambuco. Pintura de Brique "Douro" da Real Marinha Portuguesa. "Eram aguardados pelo major J.H.Ferreira Horta, mais autoridades e muitos habitantes da povoação." Pintura de Moraes Carvalho em Janeiro de 1965 e oferecido pelo autor em Lx 29-06-1967.Copyright. Arquivo Histórico Ultramarino, Calcada da Boa Hora, n.30, 1300-095 Lisboa Portugal

 






Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, Chefe da 1ª colónia chegada a Moçâmedes em 04 de Agosto de 1840


 
Se considerarmos colono, o europeu que partiu para África com a intenção de se fixar permanentemente – não sendo soldado, degredado ou membro do serviço colonial – seremos levados a concluir que a colonização portuguesa em Angola não começou antes de meados do século XIX, ou seja, não começou antes da colonização de Moçâmedes, inaugurada com a chegada à velha Angra do Negro a 1ª colónia de luso-brasileiros para dar início ao povoamento branco da região.  Aliás,
 convém sublinhar que a colonização de Moçâmedes foi uma oportunidade que surgiu ao governo português inesperadamente, que o mesmo governo não deixar escapar, uma vez que à época as famílias metropolitanas continuavam a preferir o Brasil e as Américas para emigrar, e a África continuava a ser vista como um destino não grato para europeus, terra de febres e doenças fatais, em pouco tempo consumidora  de vidas. A mola que impulsionou a fixação do primeiro contingente dos colonos em Moçâmedes foi uma insurreição armada que aconteceu em 1848, na cidade brasileira de Pernambuco,  que levou um grupo de portugueses e luso-brasileiros maltratados, a solicitar a Portugal transporte e ajuda para os primeiros tempos, para que pudessem fixar-se em qualquer lugar do globo terrestre onde tremulasse a bandeira portuguesa. E já a barca brasileira "Tentativa Feliz" vogava havia uma semana pelo Atlântico, capitaneada pelo brigue português "Douro", ainda no Parlamento português se discutia o montante irrisório da ajuda concedida, e os mais incrédulos na colonização apontavam para o Alentejo desertificado a carecer de gente como solução.

A fixação deste primeiro grupo de colonos em Moçâmedes  foi, pois, uma oportunidade inesperada que o governo soube aproveitar, e para a qual contribuiu Simão da Luz Soreano, então funcionário do quadro do Ministério da Marinha e Ultramar, que no contacto com determinadas leituras se apercebeu da bondade do clima de Moçâmedes e encaminhou o processo que culminou com a vinda dos colonos do Brasil, aos quais foram fornecidos meios de transporte, empréstimo para compra de alfaias e alguns alimentos para os primeiros tempos da fixação.

Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, foi o mentor e chefe dessa 1ª colónia agrícola de povoadores portugueses, que, vindos de Pernambuco (Brasil), na Barca "Tentativa Feliz", chegaram a Moçâmedes, Angola, no dia 04 de Agosto 1849 (ao todo 166, entre homens, mulheres e crianças).  


Segue a relação dos nomes, de homens, mulheres e crianças, que naquele ano de 1949 resolveram partir  rumo a essa odisseia que foi a fundação de Moçâmedes:

 RELAÇÃO DOS COMPONENTES DA PRIMEIRA COLÓNIA DE EMIGRANTES DE PERNAMBUCO (PORTUGUESES)CHEGADOS A MOSSAMEDES (MOCAMEDES, NAMIBE) NA BARCA "TENTATIVA FELIZ" EM 4 DE AGOSTO DE 1849. MUITOS DELES SEGUIRAM DEPOIS PARA A BIBALA, CAPANGOMBE,HUMPATA E HUÍLA :

ADELINO DUARTE DA NAZARETH - ALBERTO DA FONSECA ABREU E CASTRO - AMÉLIA PEREIRA TAVARES - ANA ANTUNES DE BARROS - ANA GUILHERMINA CAVALCANTI - ANA JOAQUINA DOS PRAZERES - ANA LUÍSA DE CASTRO ROCHA - ANA RITA DOS SANTOS (e filha MARIA) - ANTÓNIO AROUCA - ANTÓNIO COELHO DA MOTA - ANTÓNIO DA COSTA CAMPOS - ANTÓNIO COUTINHO - ANTÓNIO COUTINHO DE AZEVEDO - ANTÓNIO FERREIRA MENESES JÚNIOR - ANTÓNIO JOAQUIM DE ABREU AFONSO - ANTÓNIO JOAQUIM DE ABREU CARDOSO - ANTÓNIO JOAQUIM RODRIGUES - ANTÓNIO JOAQUIM DE SOUSA ARAÚJO - ANTÓNIO JOSÉ ALVES - ANTÓNIO JOSÉ PEREIRA DIAS GUIMARÃES - ANTÓNIO JOSÉ DOS SANTOS BRAGA - ANTÓNIO LOPES DA ROSA - ANTÓNIO MARTINS PEREIRA - ANTÓNIO MOREIRA DA SILVA E SOUSA - ANTÓNIO PEREIRA DA FONSECA (e seus filhos : ANTÓNIO e JOÃO) - ANTÓNIO PEREIRA DO NASCIMENTO - ANTÓNIO PINTO DE QUEIRÓS - ANTÓNIO ROMANO FRANCO (casado com JOANA RAQUEL DA SILVA) - ANTÓNIO DA SILVA TORRES -ANTÓNIO VASQUES (e sua filha JOSEFA) - ANTÓNIO VIEIRA COELHO - AUGUSTO CÉSAR DE ABREU MAGALHÃES - AUGUSTO LEBREMANN (casado com HELENA MARIA DA CONCEIÇÃO) - BALBINA GENEROSA DA CONCEIÇÃO - BÁRTOLO JOSÉ PEREIRA - BENTO DA PAIXÃO VASQUES - BENTO RESENDE PEREIRA - BERNARDINO ANTÓNIO RESENDE - BERNARDINO DA COSTA E SOUSA - BERNARDINO FRANCO PONTES - BERNARDINO FREIRE DE FIGUEIREDO DE ABREU E CASTRO - BERNARDINO JOSÉ BESSA - BERNARDINO JOSÉ DA SILVA - BERNARDINO VIEIRA DOS SANTOS BRAGA - CAETANO DE PAIVA FERREIRA - CLARA MARIA DO ROSÁRIO - DOMINGOS JOSÉ BRAGA - DOMINGOS LUÍS FERREIRA - ELISA DO ROSÁRIO PEREIRA - FILIPA JOAQUINA MARTINS DE LIMA - FIRMINO DE ALCÂNTARA GUIMARÃES - FRANCISCA LÚCIA DOS PRAZERES - FRANCISCA ROSA - FRANCISCO ANTÓNIO DE BRITO - FRANCISCO CECÍLIA - FRANCISCO DOMINGUES DOS SANTOS - FRANCISCO INÁCIO - FRANCISCO JOSÉ PEREIRA - FRANCISCO JOSÉ PINTO DE OLIVEIRA - FRANCISCO JOSÉ RODRIGUES DE CASTRO - FRANCISCO JOSÉ DA SILVA LOPES - FRANCISCO LEAL - FRANCISCO DE MAIA BARRETO - FRANCISCO PINTO FRANCO ROCHA - FRANCISCO RICARDO DA SILVA - FRANCISCO ROMANO MONIZ - FRANCISCO ROSA - FRANCISCO DA SILVA - FRANCISCO TAVARES - FRANCISCO TAVARES DA SILVA - GOTTLIEB HENRY (casado com JACINTA FLORA) - HELIODORO RIBEIRO DA FONSECA - HORTÊNSIA RAQUEL DA SILVA - INÁCIA UMBELINA DO ESPÍRITO SANTO - INÁCIO BRAZ DE OLIVEIRA (casado com GERTRUDES MARIA DA SILVA) - INÁCIO VASQUES - ISABEL DE ÁUSTRIA DE SOUSA PRADO - JOANA MARIA DA FONSECA - JOANA MARIA DO LIVRAMENTO - JOÃO BAPTISTA DE PASSOS - JOÃO BESSA - JOÃO FERNANDES MOREIRA - JOÃO FRANCISCO RIBEIRO - JOÃO LEITE DA COSTA BASTOS - JOÃO MARIA DA SILVA - JOÃO RODRIGUES COELHO - JOÃO SOARES BOTELHO - JOÃO VASQUES LUÍS - JOAQUIM DE ANDRADE PESSOA PIMENTEL - JOAQUIM ANTÓNIO DIAS DE CASTRO - JOAQUIM JOSÉ FERREIRA - JOAQUIM JOSÉ DA ROCHA - JOAQUIM DE PAIVA FERREIRA - JOAQUIM DA SILVA CONCEIÇÃO - JOAQUIM DA SILVA COSTA FRADELOS - JOSÉ DE ALMEIDA MONIZ (casado com JOAQUINA ROSA DE JESUS e filhas MARIA e FRANCISCA) - JOSÉ ANTÓNIO BRANCO - JOSÉ DA COSTA - JOSÉ DA COSTA GUIMARÃES - JOSÉ DO ESPÍRITO SANTO BRAGA - JOSÉ FERNANDES GUIMARÃES - JOSÉ FRANCISCO MOREIRA - JOSÉ GONÇALVES DA SILVA SOARES - JOSÉ JACINTO (casado com MARIA TEREZA JACINTO) - JOSÉ JACINTO DE MEDEIROS - JOSÉ JOAQUIM BENEVIDES - JOSÉ JOAQUIM DE MACEDO - JOSÉ JOAQUIM DE PINHO - JOSÉ JOAQUIM RODRIGUES DE CASTRO (casado com TERESA MARIA DOS PASSOS DE JESUS) - JOSÉ JOAQUIM DA SILVA PEREIRA (casado com TERESA DE JESUS) - JOSÉ LEITE DE ALBUQUERQUE - JOSÉ LEITE DA COSTA - JOSÉ MARIA BARBOSA (casado com MARIA ROSA DA CONCEIÇÃO) - JOSÉ MARTINS FERREIRA - JOSÉ MARTINS DA SILVA - JOSÉ DE MELO DA SILVA PIMENTEL - JOSÉ DE OLIVEIRA - JOSÉ PEDRO DE ALCÂNTARA - JOSÉ PEDRO LEITE - JOSÉ PEREIRA BASTOS - JOSÉ PINTO FRANCO ROCHA - JOSÉ RODRIGUES PIRES DA MAIA (MATA ?) - JOSÉ DA SILVA MONIZ - JOSÉ DA SILVA NOGUEIRA - JOSÉ DE SOUSA - JOSÉ TRILHO FONTES - JÚLIO DA GRAÇA BASTOS - MANUEL DUARTE - MANUEL GONÇALVES BOUCINHO - MANUEL GONÇALVES FERREIRA LIMA (casado com MARIA DA CONCEIÇÃO LIMA) - MANUEL JOAQUIM DE ABREU - MANUEL DUARTE- MANUEL JOAQUIM DA FONSECA - MANUEL JOSÉ ALVES BASTOS - MANUEL JOSÉ FERNANDES - MANUEL LUIS DE ALMEIDA - MANUEL PINTO DUARTE - MANUEL DO REGO CORREIA BARROS - MANUEL DA SILVA TAVARES - MANUEL VASQUES DA CRUZ - MANUEL VICENTE PEREIRA LAMEGO - MARIA CÂNDIDA DE AZEVEDO - MARIA CAROLINA DA CONCEIÇÃO - MARIA JOAQUINA PEREIRA DE BASTOS - MARIA MADALENA DE PAULA - MARIA DO ROSÁRIO ROCHA - MARTINHO DA SILVA PEREIRA - MINERVINA DE CASTRO FRANCO ROCHA - NARCISO FRANCISCO DE SOUSA - RITA MARIA DE JESUS - RODRIGO BARBOSA LEAL - SERAFIM BAPTISTA DA SILVA BASTOS

Alguns dos componentes desta 1ª colónia, chegados dispersaram-se pela Bibala, Capangombe, Humpata e Huila.

Em 1850 um novo grupo de emigrantes luso-brasileiros partiu de Pernambuco para Moçâmedes, agora na Barca Bracarense , igualmente capitaneada pelo brigue Douro.


RELAÇÃO DOS COMPONENTES DA 2ª COLÓNIA DE PORTUGUESES (DE PERNAMBUCO) SAIDOS A 13 DE OUTUBRO DE 1950 E CHEGADOS A MOSSAMEDES (MOCAMEDES, NAMIBE) EM 26 DE NOVEMBRO DE 1950 NA BARCA PORTUGUESA "BRACARENSE" COMBOIADA PELO NO BRIGUE NACIONAL "DOURO". SUBSCRIÇÂO PROMOVIDA PELA COLÒNIA PORTUGUESA DO BRASIL, MUITOS DOS QUAIS SEGUIRAM DEPOIS PARA O "CHÃO DA CHELA"(BUNGO)E HUILA :

ANICETO MONIZ BESSA - ANTÓNIO CARDOSO CALDEIRA - ANTÓNIO FRANCISCO NOGUEIRA - ANTÓNIO JOSÉ MENDES - ANTÓNIO JOSÉ DA ROCHA - ANTÓNIO RIBEIRO DA COSTA PORTO - CLAUDINO FERREIRA PINTO - DIOGO JOSÉ DE OLIVEIRA - FRANCISCA MARIA DA CONCEIÇÃO - FRANCISCA MARIA DE SANTANA E SILVA (com seus filhos : DOMINGOS e MARIANA) - FRANCISCO ANTÓNIO DE MESQUITA (casado com JOANA DA CONCEIÇÃO MESQUITA e sua filha IDALINA) - FRANCISCO BOAVENTURA FERREIRA - FRANCISCO FERREIRA RANGEL PINTO - FRANCISCO INÁCIO FERREIRA - FRANCISCO JOSÉ DA COSTA - FRANCISCO JOSÉ PAVÃO (casado com ANTÓNIA JOAQUINA, acompanhados por seus filhos : MARIA, JOAQUIM, JOSÉ e RICARDA) - FRANCISCO JOSÉ RICARDO FERREIRA - FRANCISCO JOSÉ RODRIGUES - FRANCISCO JOSÉ DA SILVA MORAES - FRANCISCO DE LIMA - FRANCISCO RODRIGUES PINTO DA ROCHA, natural de Lamego - GERÓNIMO INÁCIO VALADÃO, natural de Pernambuco (com seus filhos : ANGELA, ANTÓNIA, ANTÓNIO, CLARA, COSME, DAMIÃO, JOÃO e MARIA) - GUILHERME EVANGELISTA CRITTONOVICHI - HENRIQUE DE ALMEIDA RODRIGUES - IDALINA SOARES DE AL-BERGARIA - INÁCIO AUGUSTO DE AGUIAR - INÁCIO JOSÉ DA COSTA - ISABEL AMÉLIA DE SOUSA - JACINTO DE COUTO FALCÃO - JACINTO SIMÕES DE ÁVILA -JOÃO ANTÓNIO DA SILVA - JOÃO DA COSTA MANGERICÃO (casado com BERNARDA DE JESUS e seus filhos : ANA, JOSÉ e TERESA) - JOÃO EVANGELISTA PIRES (casado com JOAQUINA MARIA PIRES) - JOÃO JACINTO DE CARVALHO - JOÃO JACINTO PEREIRA CABRAL - JOÃO JOSÉ DE OLIVEIRA - JOÃO DE SOUSA MOREIRA - JOAQUIM DA COSTA - JOAQUIM GONÇALVES VIEIRA -JOAQUIM JOSÉ ANDRÉ - JOAQUIM JOSÉ BENTO, natural do Porto - JOAQUIM PEREIRA DOS SANTOS - JOAQUIM PEREIRA DA SILVA - JOAQUIM SOARES BARBOSA - JOAQUINA MARIA DA CONCEIÇÃO - JOAQUINA MARIA DOS SANTOS - JOSÉ ANTÓNIO LOPES DA SILVA, natural de Santiago de Vila Seca-Braga- JOSÉ ANTÓNIO PINTO GUIMARÃES - JOSÉ CORREIA NUNES - JOSÉ FERNANDES TORRES - JOSÉ FRANCISCO DE AZEVEDO - JOSÉ FRANCISCO DE PAULA - JOSÉ JOAQUIM DA COSTA (casado com FRANCISCA ALEXANDRINA DA SILVA COSTA e seus filhos : ADELAI0.DE, AMÉLIA, EDUARDO, IRONDINA, MANUEL e NESTOR) - JOSÉ LUÍS MENDES - JOSÉ PEDRO DE SOUSA PINTO - JOSÉ PEREIRA DE ALMEIDA - JOSÉ RAMALHO DE SOUSA - LUÍS JOSÉ DIAS BRANDÃO - MANUEL CARDOSO DE SOUSA - MANUEL FERREIRA DA CUNHA - MANUEL JOAQUIM MARQUES DA FONSECA - MANUEL JOAQUIM TORRES (casado com MARIA JOSÉ DA COSTA TORRES e sua filha AMÉLIA) - MANUEL JOSÉ MACHADO - MANUEL JOSÉ MOREIRA - MANUEL JOSÉ DE OLIVEIRA - MANUEL JOSÉ PEREIRA (e seus filhos : ANTÓNIO, EUFRÁSIA, JOSÉ e MARIA) - MANUEL JOSÉ RIBEIRO DE FIGUEIREDO, natural de Vizeu - MANUEL JOSÉ RODRIGUES (casado com FRANCISCA ROMANA SALGUEIRO e seus filhos : FRANCISCO e JOÃO) - MANUEL JOSÉ SANTIAGO (casado com MARIA ROSA DA CONCEIÇÃO) - MANUEL LÁZARO DE BARROS - MANUEL MONIZ GESTEIRO - MANUEL RODRIGUES PINTO DA ROCHA, natural de Tendais, distrito de Vizeu - MANUEL SOARES DE BRITO - MANUEL VIEIRA DOS SANTOS - MARGARIDA DE JESUS - MARIA FILIPA DA CONCEIÇÃO - MARIA JOAQUINA DUARTE MONTEIRO - MATEUS FERREIRA FRANCO - PAULINO ANTÓNIO GONÇALVES PEREIRA - ROSA MARIA DO NASCIMENTO - ROSA DE MEDEIROS - SIMEÃO PINTO VITORINO - TEOTÓNIO JOAQUIM DA COSTA (casado com EMÍLIA CÂNDIDA DE LACERDA) - FRANCISCA MARIA DA CONCEIÇÃO e VITORINO DE MELO PUGA . VOLUME (1837/1912)


Alguns dos componentes da 2ª colónia, dispersaram-se pelo chão da Chela (Bumbo)  e Huila.


Do Boletim Geral Ultramarino XXVll  322 por Manuel Júlio de Mendonça Torres: "A Dessiminação colonizadora do Distrito de Moçâmedes e a formação dos seus aglomerados demográficos":

Os colonos de 1849/50 fixaram-se não só em Moçâmedes, mas também se disseminaram pelas margens do Béro e Giraúl (arrabaldes campestres), pelos rios do Norte (Carunjamba e S Nicolau), pelas margens de um rio do sul ( Coroca), e pela região interior (Bumbo).

Formaram assim, além da povoação de Moçâmedes, capital do Distrito, os primeiros aglomerados rurais com 95 propriedades (Hortas, Boa Vista, dos Casados, da Boa Esperança, dos Cavaleiros, da Macala) e as de outros vales. E não apenas núcleos agrícolas, construíram também aglomerados marítimos instalando 22 pescarias no Distrito, 18 das quais em Moçâmedes, 1 na Baía das Pipas, 1 no Baba, 1 na Lucira e 1 em Catara.

(...)
O governador do Distrito Fernando Augusto da Costa Cabral, em relatório datado de 19/06/1877 indica-nos os aglomerados rurais do seu tempo (1877-78), que constituíam as fazendas agrícolas das cercanias da vila, situadas nas margens do rio Bero (Hortas, Quipola, Cavaleiros) e do rio Giraúl, com menção dos nomes dos seus donos. Hei-los, com designação dos respectivos proprietários:

Hortas:  António Moreira da Silva e Sousa
              António Acácio de OLiveira Carvalho
              António Jacinto Neves
              João José de Oliveira
              Manuel de Oliveira Soares
              Rodolfo Antão
Quipola:António Moreira da Silva e Sousa
              António Rodrigues Boa Tarde
              Aires Correia de Sousa
              Casal de Manuel Ferreira de Lima
              Domingos Gomes Galambas
              Inácio Saraiva Ferrão Pimentel
              Joaquim de Paiva Ferreira
              José Joaquim da Costa
              José Augusto Liberman
              José António Todo Bom
              Luis Soares Ferreira
              Manuel Pinto e Silva
              Manuel P. Duarte
              Manuel Moreira da Silva
              Manuel José Machado
Cavaleiros
              Augusto Tomás dos Santos
              Aguiar e Bire
              Casal de Justino António da Silva
              Ferreira de  Carvalho
              Casal de Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro
              Dameso M. da Silva e Sousa
              Elias Fortunato
              José Ferr Soares
              Maria Madalena da Silva e Sousa
              e Simão José de Abreu
Giraúl    Aires Borges de Azevedo
              Francisco José Moreira
              Inácio Eugénio Ribeiro
              José Joaquim da Costa
              José Ferr Duarte Leitão
              Liberman & Pereira
              Manuel de Almeida Soares
              e Moreira & Irmão

No tempo do Governador Costa Cabral existiam  nos arredores de Moçâmedes, como consta do citado relatório do Governador, 39 propriedades, todas muito importantes e produtivas. As das "Hortas" e sobretudo a dos "Cavaleiros" que se estendiam pelos fertilíssimos terrenos das 2 margens do Bero, abundavam em plantações de cana; e as do Giraúl, situada a 4 léguas da vila extremavam-se em culturas de algodão.

Havia ainda durante este ciclo, mas já bastante desviadas do centro populacional da capital do distrito, mais 10 fazendas agrícolas, cujos proprietários também vem indicados no relatório de Costa Cabral de 19/06/1877. Umas situadas a norte, nas margens do rio S. Nicolau, outras ao sul marginando o rio Coroca. De umas e doutras as mais importantes merecem registo específico, o que faremos a seguir.
(...)
Pg 41 do Boletim Geral Ultramar XXVIII 322, 1952
                                                                                                              



Seguem mais algumas fotos  conseguidas de colonos que nas listas acima vêm assinalados a bond :


                                                                            
António Moreira da Silva, componente da 1ª colónia vinda de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes em 1849.



João Duarte de Almeida, componente da 1 colónia, o maior possuidor de algodoais nas suas fazendas de S. João do Norte, de S. João do Sul e de S. Nicolau, e  principal exportador de algodão do Distrito, Agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo. 
 Amélia Duarte de Almeida

Amélia Duarte de Almeida, componente da 2ª colónia vinda de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes em 1850. 




 Manuel Joaquim Torres, natural dos Açores, São Miguel, 09.04.1813, casou com Maria José da Costa, 1827 . Consta que eram  pessoas endinheiradas quando partiram do Brasil, e em Moçâmedes foram proprietários, entre outros, de uma fazenda na Várzea dos Casados. Seus restos mortais repousam em mausoléu «aristocrático» no Cemitério de Moçâmedes (Namibe), no qual se encontram gravados os seguintes dizeres: «Cidadão digno e soldado valente, derramou o seu sangue pugnando pelas liberdades pátrias nas lutas fratícidas de 1822».




MARIA JOSÉ DA COSTA TORRES



José Joaquim Pinho,  natural de Aveiro, Terra da Feira, c. de 1820, foi componente da Primeira Colónia de portugueses que, saídos de Pernambuco, em Maio de 1849, na barca brasileira "Tentativa Feliz" acompanhada pelo brigue de guerra português "Douro", de entre os quais sobressaiu, Bernardino Freire de Figueiredo de Abreu e Castro, o chefe da colónia, chegaram a Angola a 4 de Agosto de 1849, e fundaram a cidade de Moçâmedes. Era proprietário de terras na região, entre elas a fazenda situada na Várzea da Boa Esperança. Era filho de JOSÉ JOAQUIM DE PINHO e de MARIA DE JESUS RODRIGUES. (in Genea= era filho de José Joaquim de Pinho e de Augusta Gomes). JOSÉ JOAQUIM DE PINHO teve de uma primeira união (ainda solteiro), da qual deixou descendência. Casou com MARIA DOS ANJOS RODRIGUES, natural da Ilha de São Miguel (filha de ANTÓNIO RODRIGUES e MARIA DE JESUS RODRIGUES, naturais dos Açores, São Miguel), falecida em Moçâmedes a 1.5.1873, da qual deixou descendência. Era proprietário de terras na região, entre elas a fazenda situada na Várzea da Boa Esperança.  Repousa no cemitério de Moçâmedes onde foi mandado erguer, pelos seus filhos, um mausoléu no lugar em que está enterrado junto a sua mulher (legítima).


 

José Rodrigues Pires da Maia, componente da 1ª colónia vinda de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes em 1849.


Joaquim Paiva Ferreira


Joaquim Paiva Ferreira, componente da 1ª colónia vinda de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes em 1849. Fez parte da Comissão para a formação em Moçâmedes da Escola Lusitana, de raiz maçónica.  

 
Manuel José Alves de Bastos
 

Amélia Torres Bastos
  Amélia Torres era casada com Manuel José Alves Bastos, componentes da 1ª colónia vinda de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes em 1849. Amélia Torres era filha de Manuel Joaquim Torres de de Maria José da Costa. Manuel José Alves de Bastos era comerciante e proprietário  dedicou-se ao comércio de marfim e gado, às actividades agrícola com plantações, e também à pesca e à exploração de salinas. Com João Duarte de Almeida, eram os dois homens mais ricos na época. Repousam em jazigo de Família, no cemitério de Moçâmedes.
 
Narciso Francisco de Sousa

Narciso Francisco de Sousa

Narciso Francisco de Sousa, natural do Porto, Lordelo de Ouro, 02.08.1830,  componente da 1ª colónia vinda de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes em 1849, por ocasião da onda de anti-lusitanismo gerada pela revolução praeeira. Era filho de Joquim Francisco de Sousa e de Joaquina Maria Paiva. Era casado com Antónia Leopoldina Correa Bettencourt Pereira. Foi  comerciante de urzela em S. Nicolau


José Leite de Albuquerque
José Leite de Albuquerque componente da 1ª colónia vinda de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes em 1849, por ocasião da onda de anti-lusitanismo gerada pela revolução praeeira. Estabeleceu-se na colónia de Capangombe e Bumbo (foto do Boletim Geral do Ultramar),  a algumas léguas de Moçâmedes, prosperou na cultura da cana e da mandioca, e era o que mais se distinguia na zona pelos seus trabalhos agrícolas. Outros colonos seguiam o seu exemplo. In Annais Conselho Ultramarino- Parte não oficial-

António Francisco Nogueira

António Francisco Nogueira, componente da 2ª colónia vinda de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes em 1850. Autor do livro «A raça negra».



Francisca Alexandrina da Silva Costa
Francisca Alexandrina da Silva Costa

Francisca Alexandrina da Silva Costa , componente da 2ª colónia vinda de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes em 1850. Esposa do chefe da 2ª colónia, José Joaquim da Costa, do qual nao constam fotos.. 


Hirondina da Costa Brito

Hirondina da Costa Brito

Hirondina da Costa Brito, componente da 2ªcolonia vinda do Brasil para Moçâmedes, em 1850. Filha do Chefe da 2ª colonia, José Joaquim da Costa.

 

 



Manuel José Ribeiro de Figueiredo, (1821-1881)
 Manuel José Ribeiro de Figueiredo

Manuel José Ribeiro de Figueiredo, (1821-1881), componente da 2ª colónia vinda de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes em 1849.




Manuel Rodrigues Pinto da Rocha

Manuel Rodrigues Pinto da Rocha

Manuel Rodrigues Pinto da Rocha, componente da 2ª colónia vinda de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes em 1850. Era casado com Idalina Soares Albergaria e natural de Tendais (Vizeu

Idalina Soares de 
Albergaria


Idalina Soares de Albergaria

Idalina Soares de Albergaria, componente da 2ª colonia vinda de Pernambuco para Moçâmedes em 1850. Era esposa de Manuel Rodrigues Pinto da Rocha, componente da 1ª colónia (foto acima).
Informações colhidas, entre outros em:
«Moçâmedes» 1º Volume, de Manuel Júlio de Mendonça Torres
-Texto integral- ao qual anexei algumas fotos a que tive acesso

Annais Conselho Ultramarino- Parte não oficial-


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Pg 41 do Boletim Geral Ultramar XXVIII 322, 1952
                                                                                                              


Segunda viagem a sul do Equador pelo Navegador Diogo Cão em 1485 (por Amadeu Matta)



Réplica Caravela Bartolomeu Dias

"...D. João II, desejoso de apertar relações com o rei do Congo, Nzinga-a-Kuvu, de fazer regressar os indígenas de lá trazidos, de recolher os emissários e de prosseguir na descoberta do caminho marítimo para a Índia, enviou no segundo semestre de 1485, Diogo Cão nesta segunda viagem, com duas caravelas. Para o rei do Congo, Nzinga-a-Kuvu, uma embaixada com ricas prendas ofertas de amizade, seguiriam também recomendações para renegar aos ídolos, feitiçarias e abraçar a religião cristã.
Dirigiram-se para a Mina (S. Jorge da Mina), como era habitual.

Castelo de S. Jorge da Mina (Ghana – África)
Depois seguiram para o estuário do Zaire, onde aportou a M’Pinda, 10 Km da ponta do Padrão, residência do Manisoyo Dois meses era o tempo necessário para chegar ao Rio Poderoso (Zaire ou Congo), depois de ter sido aparelhado na Mina, chegou em Outubro. Tendo-se apercebido que os emissários anteriormente enviados ao Rei do Congo, ainda não se encontravam em M’Pinda, e também de suspeitar que por esta via poderia ter acesso mais rápido ao Índico, já que na exploração anterior não fora mais além das imediações de Nóqui, decide zarpar rio acima. O Mito de Diogo Cão “...Um guia acompanhou, pois, a expedição portuguesa rio acima, até Noki, onde desembarcaram. O navio ficou fundeado no sítio chamado Nsuku a Nsambi a Nzombo, onde havia uma grande pedra com uma mulembeira que lhe crescera no topo. Desse modo evitava-se subir até Matadi, "por causa dos ventos violentos da região, originados pelas montanhas". Prosseguiram a viagem por terra ao encontro do Nekongoe da sua corte, que lhe ofereceram um grande banquete. Note-se que o Nekongo, avisado por mensageiros, já sabia da chegada dos portugueses e já os esperava. O visitante deu ao Ntotila como presente um rico pano que se chamou Nkampa. O mito de Diogo Cão parece, enfim, pôr em relevo algumas particularidades da consciência solongo. Nele se recorda com especial vigor a dependência do rei do Soyo para com o rei do Kongo, seu soberano. Este aspecto não tem porém uma intenção didáctica pura, mas ele é, muito mais, o resultado do movimento de aproximação com Mbanza Kongo e portanto com o poder central por tradição, que crescia no Soyo à data da recolha do mito (1990). Contudo sabe-se pertinentemente pela documentação existente , que os contactos de Diogo Cão com o dito "Mani Soyo", foram numerosos e até frutuosos, pois inclusive o chefe solongo fez-se baptizar. Além disso a narração pretende mostrar através dum contorno simbólico que o culto actual (e bastante antigo) de St. Maria, surge da igreja católica (vem com Diogo Cão), mas em oposição a ela. Recordemos que a santa, devendo ter "regressado" com o navegador como sucedeu a St. António, preferiu ficar no Soyo. Enfim, para o historiador, há neste mito numerosos elementos significativos inspirando um mínimo de segurança que lhes permita serem tratados como factos históricos, quer pelo número muito elevado de informantes que os reconheceram -- o que dá fixidez a uma cultura histórica envolvente -- quer pela sua semelhança com a realidade concreta conhecida. No episódio histórico de Diogo Cão fala-se de uma "pedra" (na ocorrência, o Padrão); essa "pedra", de que, no mito, o Navegador é miticamente (e não explicitamente) portador (ou criador) contém dois santos da religião católica: St. António e St. Maria, o primeiro, tanto na versão antonina do Soyo como na do Kongo desaparece, abstratiza-se e só se manifesta indirectamente através da sua eleita, a santa; o itinerário mítico da expedição pelo rio Zaire conduzindo a uma "pedra" que evoca a descoberta de Yelala, facto histórico e por fim um Senhor do Soyo, um "Mani Soyo" que na narração mítica se chama Ndom Malele Kya Nsi e na narração histórica toma o nome de D. Manuel da Silva. O que é pois o dito "Mito de Diogo Cão", senão a representação que o povo solongo se faz do facto histórico, modelado pela linguagem mítica local e pela ideologia dominante? Assim sendo é também uma das fontes da história do Soyo cuja leitura implica a descodificação de um mito. Devemos notar que durante a época dos Descobrimentos houve 3 períodos de marcação das terras descobertas a favor de Portugal: No Primeiro Período usou-se a Cruz de Madeira Alta para os descobrimentos do Porto Santo, Madeira, Cabo Verde e Açores. Mas estas cruzes apodreceram. No Segundo Período compreendeu fazeram-se gravações em pedras ou rochas à beira dos rios ou nas praias- Pedras de Ielala na África e a Pedra de Dighton na América do Norte. No Terceiro Período compreendeu a colocação de Padrões. O Diogo Cão executou o Segundo e Terceiro Períodos. 

Itinerário do curso superior Rio Zaire ( Cataratas de Ielala ) – 92 milhas náuticas da foz

Viajando até 170 Km da foz ( 92 milhas náuticas) dá com as cataratas de Ielala, onde acaba a navegabilidade do Zaire. Entre recifes, na margem esquerda, adiante de Matádi, e a montante de Vivi, num sítio chamado Nsadi- Qumbidinga (rio de peixe ), chegaram a uma ponta que fica a uns duzentos metros dos rochedos onde haveriam de efectuar a gravação, desembarcaram, e descalços por ser completamente impossível seguir calçados por sobre pedras escorregadias, de onde, caíndo, inevitavelmente iam ao rio, onde a morte seria certa.
Os nautas com enormes dificuldades conseguiram andar alguns metros, até que chegaram a um ponto onde a todos faltou o ânimo para continuar. Tinham na sua frente, por único caminho, um despenhadeiro de alguns metros de altura, cortado a pique sobre o rio, sem outra cousa a que se segurassem, que não fosse alguns fios de erva ( capim ) e as raízes de uma árvore (lianas)! Houve alguém que se arrojou a transpor aquele precipício e os que seguiam foram atras. Ao fim de algum tempo encontravam-se sobre o rochedo onde iria ficar a inscrição. Ali, em frente de tamanho espectáculo, vendo o rio, em baixo soltando rugidos de leão, é que avaliaram a intrepidez de tamanha façanha que acabavam de efectuar. De seguida gravaram as armas de Portugal, o escudo usado naquela época, a cruz de Cristo e nomes de vários nautas deixando para a posteridade a permanência dos portugueses naquele lugar. O escudo, os castelos, as quinas gravadas revelam que são posteriores à reforma decretada por D. João II (Março de 1485).
D. João II (1481-1495)
D. João II (1485-1495)
De Março de 1485

D. João II retirou das armas reais os remates flores-de-lis (pontas da cruz verde floretada da Ordem de Avis). Fundo branco. Cinco quinas azuis dispostas em cruz (as laterais apontam para baixo, como as do centro). As quinas possuem cinco besantes brancos (dois pontos – um ponto – dois pontos) Bordadura vermelha. Sete castelos dourados na bordadura (por vezes oito castelos). Caption??? Goes where ??
Gravação nas pedras de Ielala – Rio Zaire ou Congo ( a 92 milhas náuticas da foz).

Nas gravações dos rochedos de Ielala, na margem esquerda do rio vê-se o seguinte:

O Escudo português, constituído por cinco quinas todas viradas para baixo e uma cruz da ordem de Cristo e a inscrição “Aqui chegaram os navios do esclarecido rei D.João II de Portugal – Diogo Cão, Pero Anes, Pero da Costa”. 
 
As Inscrições nos rochedos das cataratas de Ielala – Rio Zaire (Out/Nov de 1485)
 
Noutro rochedo dois nomes – Álvaro Pires, Pero Escolar e uma sigla . Noutro rochedo os nomes João de Santiago, Diogo Pinheiro (por cima do D, o sinal de uma cruz reduzida), Gonçalo Álvares e Antão e outra sigla. Nesta pedra lêem-se também as palavras “ da doença”, precedidas de uma cruz ┼,
seguida do nome João ou (Gonçalo) Álvares !?, o que quer dizer que o nauta morreu por doença. O estudo epigráfico desta inscrição revela ser posterior às outras inscrições. A letra (grafia) utilizada é diferente. Há uma opinião sobre este assunto no capítulo das “curiosidades”. O sinal de uma cruz reduzida por cima do D de Diogo Pinheiro, significaria que o nauta se encontrava afectado pela doença?! Diogo Cão, explorou o Rio Poderoso (Zaire ou Congo) até Ielala, não foi mais adiante pelo facto de ter notícias desoladoras de que o rio era intransponível, das muitas cachoeiras no percurso superior, encontrar uma rota por esta via até ao Índico, estava fora de questão. PEDRA DE IELALA, com a incrição deixada por Diogo Cão, c. 1485.


Na foto um oficial da marinha Portuguesa, finais da década de 60, princípios de 70, séc. XX.

O limite de navegabilidade do rio Zaire ficou assinalado com o marco simbólico
do ponto a que puderam chegar os navios « do esclarecido

Rei Dom João o segundo». Encontrando-se próximos da residência (M’Banza) do rei do Congo, Manicongo, cerca de 100 Km para sudeste, Diogo Cão, enviou 2 dos 4 negros agora chegados de Portugal, bem vestidos e a falar a língua portuguesa a comunicar a chegada dos portugueses, para uma futura amizade e aliança a encetar com o rei de Portugal. Esta embaixada teve também como objectivo a recuperação dos 2 emissários anteriormente enviados e que ainda não tinham sido recuperados. Ficou o monarca do Congo encantado, ao ouvir da boca dos seus súbditos, já um pouco aportuguesados, notícias precisas a respeito dos portugueses. Os recém chegados causaram admiração, respeito e alegria na corte congolesa. Segundo o cronista Garcia de Resende, o rei do Congo viajou até Nóqui, o qual “hindo polla dita cofta com assaz perigo, e trabalho, foi ter com a dita armada ao rio de Manicongo”. (Itinerário de M’Manza Congo a Nóqui a tracejado vermelho) Como exemplo cita-se o trecho seguinte no qual o cronista narra o acontecimento. “ O qual hindo polla dita cofta com affaz perigo, e trabalho, foy ter com a dita armada ao rio de Manicongo, (…) o qual rio, e terra de Congo he de Portugal mil e fetecentas legoas, onde por fer tão lomge da outra terra de Guiné já defcuberta não fe poderão entender com a gente da terra, e levando muytas lingoas nenhua entendia, nem fabia aquella lingoagem”. (Garcia de Resende, Crónica de D. João II e Miscelânea, Lisboa:INCM, 1991, pág. 221) Deste modo, Diogo Cão não foi à residência do Rei do Congo (Banza Congo- ex - S.Salvador), como quis pretender o cronista João de Barros. Os capitães não se ausentavam dos navios por longos períodos. Para se encontrar com o Rei do Congo era necessário percorrer de Nóqui até M’Banza Congo, aproximadamente 20 léguas ( 100 Km ), uma caminhada a 5 dias de distância por lugares desconhecidos dos portugueses, e tanto mais os emissários enviados dois anos antes (um dos quais Martim Afonso e outro Fernão Martins?) ainda não tinham regressado da M’ Banza (residência) do rei . Alguns dias de caminho em assaz perigo e trabalho, foi ele (rei do Congo), Nzinga-a-Kkuvu, ter com a dita armada ao rio do Manicongo, onde os navios se encontravam fundeados (ancorados) perto de Nóqui, lugar de melhores acessos. Rio Zaire, perto das pedras de Ielala Ofereceu ao rei do Congo um rico tecido de damasco e outros objectos, a mando de D. João II, servindo de intérpretes os negros agora chegados, porque os portugueses não se “ entendiam com a língua da gente da terra “. O rei por sua vez, ofertou peças de marfim e objectos de arte e peles, como sinal de futura amizade a encetar com o Rei de Portugal. Deu-se assim, início à duradoura aliança entre os reis do Congo e de Portugal. Os dois emissários regressaram às caravelas e houve contentamento de todos. Martim Afonso, já conhecedor da língua congolesa trouxe conhecimentos das gentes e das terras da região. Diogo Cão saiu das cataratas em Novembro de 1485, partido para Sul em busca da passagem para o Índico, dois anos antes Setembro de 1483 estavam convencidos que tinham atingido a proximidade do Promontório Prassum, onde começa o Golfo Arábico! Passando o cabo do Lobo, e chegando ao cabo Saco, ultimo ponto atingido na viagem anterior, verificaram com muita surpresa, a entrada de uma angra cuja trajectória seguia para Sul.

Baía de Moçâmedes (conhecida por Angra de João de Lisboa )
“Com efeito, enquanto os nautas seguiam em direcção a Sul, em Roma, pelo resultado alcançado por Diogo Cão na viagem anterior (1482-1484), na Oração de Obediência que o Rei D. João II envia ao papa Inocêncio VIII e que é lida pelo embaixador Vasco Fernandes de Lucena em 11 de Dezembro de 1485, afirma, que no ano anterior tinham os portugueses chegado até perto do “ Promontório Prasso”, onde começa o Golfo da Arábico. Tendo feito uma larga exposição dos serviços prestados pelos nautas na expansão da fé cristã, o Dr. Lucena continuou: « A tudo isto acresce a esperança bem fundada de explorar o Golfo Arábico, onde reinos e povos que habitam a Ásia, mal conhecidos de nós por notícias muito incertas, praticam escrupulosamente a fé santíssima do Salvador, dos quais, a dar crédito a experimentados geógrafos, já a navegação portuguesa se não encontra senão a alguns dias de viagem. Efectivamente, descoberta já uma parte enormíssima da costa africana, chegaram os nossos no ano passado até perto do Promontório; foram explorados os rios, praias e todos os portos que desde Lisboa, numa extensão de mais de 45 centenas de milhares de passos, estão enumerados com exactíssima observação do mar, das terras e dos astros ( o texto latino destas afirmações ocupa, na 1ª edição da Oração de Obediência – Roma, 1485, as últimas linhas da 10ª página e as primeiras da 11ª ) 1486 Iludidos por aquela orientação da costa, ilusão que certamente não foi só sua, seguiu mais adiante. A 16 de Janeiro de 1486, Diogo Cão e os nautas , dão com um cabo a que chamaram de Cabo Negro, 15º 42´ lat. sul, onde ergueram o Padrão do Cabo Negro, seguida de celebração de missa. Visão da costa angolana, perto do Cabo Negro, onde foi implantado o Padrão do Cabo Negro A seguir entram na Angra das Duas Aldeias ( Porto Alexandre, actual Tombua), a que foi posto este nome por nela os nautas terem achado duas grandes aldeias de negros, gente pobre que se mantinha de pescarias, única riqueza da terra, “ nesta terra nam há proueyto “ , nesta terra não há proveito.

Padrão do Cabo Negro e angra duas aldeias, actual Tombua – Porto Alexandre -Angola

(Padrão do Cabo Negro, Sociedade de Geografia Lisboa),

O Padrão do Cabo Negro, encontra-se em mau estado de conservação, as inscrições são iguais ao Padrão do Cabo (Cape Cross).?, a inscrição nela gravada, está quase completamente destruída. Os vestígios dessa inscrição estão no fuste e no capitel. Este facto e a feição geral do monumento – o corpo superior do padrão aproxima-o ao Padrão do Cabo da Serra (Cape Cross) Trecho da costa angolana a Sul da Baía de Moçâmedes (Namibe) à Baía dos Tigres Porto Alexandre – actual Tombua - Angola Navegando à vista duma costa baixa e correndo nordeste sudoeste com a Angra das Aldeias, a quinze léguas, os nautas acharam uma enseada, a que deram o nome de Manga das Areias (Baía dos Tigres), e que se estendia por terra a dentro cinco ou seis léguas, com doze a quinze braças de fundo. A terra continuava sem qualquer espécie de arvoredo, estendendo-se o areal a perder de vista. Os negros miseráveis, que viviam do peixe, aproveitavam as costelas das baleias que davam à costa para com elas construírem abrigos cobertos de seba do mar e das próprias areias. Não era possível encontrar água ou qualquer abastecimento, além do peixe, em que a costa era riquíssima.

Foto Satélite – Costa de Angola – de Porto Alexandre à Baía dos Tigres
A navegação a partir de agora tornava-se difícil, por causa da calema larga que ia quebrar-se contra a costa, tornando cada vez mais penoso o trabalho de bordo. Prolongando a marcha para sul, passaram sem darem por isso a foz do rio Cunene. Rio Cunene – Sul de Angola Depois mais para sul , reconhecem sucessivamente a Ponta Verde e o Golfo das Baleias. Trecho da costa da Namíbia a Sul do rio Cunene De seguida, á latitude 21º 47’ sul, atingem um cabo, chamado de Cabo do Padrão da Serra, onde ergueram outro padrão, o mais meridional de todos, num sítio que hoje se chama Cape Cross, sinalizando o último ponto e a primeira presença europeia, em terras situado a cerca de 130 Km de Swakopmund de hoje (Namíbia). Cabo do Padrão da Serra, modernamente Cape Cross - Namíbia

Cabo do Padrão, modernamente Cape Cross - Namíbia

Cabo do Padrão da Serra, actual Cape Cross –Namíbia
Depois, ainda percorreram mais 50Km de costa para Sul do Cabo do Padrão da Serra, até à ponta dos Farilhões, Hentiestbaai de hoje e foi aí que a expedição terminou. O termo exacto da viagem, deve-se a uma legenda de um mapa de 1489 de Martellus, cujo texto sugere que Diogo Cão aí terá morrido. Se assim aconteceu, poderá ter sido essa a razão porque os navios não avançaram mais para sul ?

Padrão do Cabo (Cape Cross) museu do Institut fur Deutsche Geschichte, Berlim-Leste
O Padrão do Cabo é constituído por uma peça do calcário vulgar das pedreiras dos arredores de Lisboa, com a forma de uma coluna sobrê-punjada de um cubo. Numa das faces do cubo encontra-se o escudo nacional português, mas já com as modificações nele introduzidas por D.João II- supressão da Cruz de Avis, redução do número de castelos a sete, modificação da posição dos escudetes laterais, que deixam de ser apontados ao centro, para o serem a baixo como os três restantes. Há duas inscrições: Uma em latim, outra em português. Foram lidas pelo Prof. Scheppig que comunicou o seu teor a Luciano Cordeiro. Este publicou-as na sua monografia. O texto latino é o seguinte: A mundi creatione fluxerunt ani 6684 et a Christi nativitate 1485 quum excelentissimus serenissimusque Rex d. Johanes secundus portugaliae per iacobum canum ejes militem colunam hic situari jussit O Texto português é o seguinte: Era da criação do mundo de bjm bjc lxxxb e de xpto de IIIclxxxb o eycelente esclarecido Rei dom Jº s.º de Portugal mandou descobrir esta terra e poer este padram por dº cão cavº de sua casa. Correntemente: “Era da criação do mundo de 6685 e de Cristo 1485 o excelente esclarecido Rei D. João II de Portugal mandou descobrir esta terra e pôr este padrão por Diogo Cão cavaleiro de sua casa”. Da inscrição em latim, o Professor Scheppig teve dúvidas, quanto ao último algarismo do ano da era cristã, em virtude de estar muito mal conservado, podendo ser 4 ou 5 Luciano cordeiro entendeu que “ esse algarismo embora parecido aos que têm evidentemente o valor de 4…, deve considerar-se como uma das variantes que até ao séc. XV se encontram na maneira de escrever o algarismo 5 “. E estabelecendo a relação entre datas da criação do mundo e do N. de Cristo achou: 6 684 – 5 199 = 1485 Partindo deste cálculo considerou errada a data 6 685, da era da criação, que se encontra na inscrição em português. Ravenstein, estudando novamente este assunto “ The voyages of Diogo Cão and Bartolomeu Dias, no Geographical Journal de Dezembro de 199 ( Vol. XVI, pág. 625- 665” , considera errada a data da inscrição latina, 6684, estabelecendo as datas 6685 e 1485 da inscrição em Português – as quais de facto, coincidem desde 1 de Setembro a 31 de Dezembro – e conclui que só dentro deste lapso de tempo teria Diogo Cão partido : “ Como a ano 6685 da era Eusebiana começa a 1 de Setembro de 1485, Cão deve ter partido depois deste dia e antes do fim do ano”… Uma análise da inscrição latina e portuguesa do Padrão do Cabo do Padrão: O ano de 6684, pelo cômputo da era Eusebiana começou no dia 1 de Setembro de 1484 e terminou em 31 de Agosto de 1485. Ao analisar-se as inscrições em latim como em português no padrão, elas correspondem ao que o Prof. Scheppig comunicou a Luciano Cordeiro, isto é, na inscrição latina a criação do mundo é o ano de 6684, e a era cristã o ano é 1485. Na inscrição portuguesa a criação do mundo é o ano de 6685 e era cristã, o ano de 1485. Porque razão o ano da criação do mundo, tanto da inscrição latina como da inscrição portuguesa não coincidem?!... De facto a inscrição latina foi efectuada ou gravada antes do dia 31 de Agosto de 1485 ou mesmo nesse dia, o que coincide com o ano de 6684 da criação do mundo. Na inscrição portuguesa, o ano da criação do mundo é 6685, pelo motivo desta inscrição ter sido gravada após o dia 01 de Setembro de 1485, ou mesmo nesse dia. Embora, o ano da criação do mundo, não sejam coincidentes, tanto numa como noutra inscrição, o que é certo, é que o ano da era cristã da inscrição latina 1485? é mesmo o ano de 1485, o que valida igualmente o ano da era cristã da inscrição portuguesa, que se encontra bem legível 1485. Dá-se assim crédito ao ano de 1485, por motivo de D. João II ter decretado a modificação do escudo, a partir de Março. Assim sendo, a 2ª viagem de Diogo Cão, teve início após o dia 1 de Setembro de 1485 e antes do fim do ano (conclusão de Ravenstein), que se aceita como correcta. Em 1884 a Namíbia foi proclamada por Bismarck, protectorado da Alemanha, após o fim da 1ª guerra (1914-1918), passou a ser um protectorado da África do Sul. No tempo da Alemanha de Bismarck, em 1893, Beder, comandante do cruzador alemão Falte, recolheu num cabo que algumas cartas antigas chamam Cabo do Padrão, e modernamente tem o nome de Cape Cross, um padrão que levou para a Alemanha. Encontra-se no museu do Institut fur Deutsche Geschichte, Berlim-Leste, sendo o único de todos os Padrões de Diogo Cão que conserva a cruz como cimeira original. A cruz de pedra que o descobridor português colocou na actual (Costa do Esqueleto) em 1486, foi assim no final do século 19 retirada para Berlim, pela então potência colonial, a Alemanha, e mais tarde substituída por uma imitação (réplica).

Réplica do Padrão do Cabo da Serra em Cape Cross Namíbia

Uma lápide comemorativa em (Português, Alemão e Inglês),
junto à réplica do Padrão em Cape Cross
Em 1998, o governo da Namíbia (Sudoeste Africano), pediu às autoridades alemãs a devolução do padrão erigido há 512 anos, no litoral daquele país africano por Diogo Cão, para poder exibi-lo na Expo-98, em Lisboa, o que nunca chegou a concretizar-se. Em plena Costa dos Esqueletos, no local que hoje a cartografia refere como Cape Cross, surge uma réplica do padrão que ali foi deixado em 1486 por Diogo Cão, o primeiro navegador europeu a chegar à Namíbia e atingir as proximidades do Trópico de Capricórnio ( 23º e 27’ Lat. Sul). Para o visitante, será difícil de imaginar a reacção da armada de Diogo Cão ao encontrar uma colónia de focas que chega a reunir cerca de 100 mil animais.


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Foto satélite – A costa desértica da Namíbia – Deserto do Calaári. Seta a tracejado deserto de Moçâmedes a vermelho Cape Cross
A costa da Namíbia é uma terra inóspita que se esparrama por 1600 Km ao longo da sudoeste da África. O mar de dunas, a névoa desorientadora, a falta de água, os horizontes intermináveis e os leões estão sempre à espera de uma presa indefesa. O deserto da Namíbia ocupa uma faixa litorânea que chega até 50 Km de largura, depois surge uma vasta região semi-árida e montanhosa, igualmente remota e hostil. É um dos desertos mais antigos do mundo. Há 80 milhões de anos, a areia vem sendo pacientemente depositada ao longo da costa. Quase toda a areia da Namíbia vem do mar, carregada pelo aluvião do Rio Orange, ao sul, até o Oceano Atlântica, e daí levada pela corrente marítima e pelo vento até ao litoral da Namíbia. O resultado deste longo trabalho é um interminável manto de dunas que se debruça sobre as águas frias do Atlântico e redesenha o mapa da Costa do Esqueleto a cada dia. Praias, baías e ilhas que os navegadores portugueses mapearam já não existem mais. Algumas das dunas chegam até 300 metros de altura. São, pelo que se diz, as mais altas do mundo. Isso tudo seriam belas praias tropicais se chovesse mais do que os 15 milímetros por ano que gotejam sobre a Costa do Esqueleto (a precipitação anual da Amazónia é de 2500 milímetros por ano). No lugar da chuva, quem dá as caras por ali é uma névoa espessa que, toda manhã, invade o deserto e se alastra por até 50 Km sobre o continente. Obra do singular encontro da fria Corrente de Benguela com o ar quente do deserto, a névoa, em seu caminho, vai se depositando nas poucas espécies de plantas que vivem no deserto. Plantas essas que servem de alimento a animais como elefantes, girafas e antílopes. È assim que a vida se sustenta no Namibe. Uma das plantas vem se alimentando dessa forma há milhares de anos.
É a Welwistschia mirabilis, apelidada por Charles Darwin de “ ornitorrinco do reino vegetal”. A planta, endêmica do Namib, é um milagre da evolução. Só com a névoa matinal, cada exemplar pode viver cerca de 2 mil anos. Por causa da sua estranha forma – apenas duas folhas rígidas e fibrosas acopladas a um caule grosso e achatado – os botânicos consideram a Welwitschia uma espécie de árvora anã.

Welwistschia mirabilis do deserto do Calaári - Namíbia
Outra planta que sobrevive bem às duras condições do deserto é o melão !nara ( o ponto de exclamação significa um estalido com a língua no idioma falado pela tribo nama). Com sua raiz de 40 metros de profundidade, a planta tira do lençol freático toda a água de que precisa para viver. Névoa pode ser bom para insectos e plantas, mas para quem está disposto a tentar escapar das armadilhas do deserto pode ser o fim. Imaginemos alguèm perdido no meio de uma névoa costeira que não lhe permite ver um palmo adiante e que, para piorar, vem acompanhada pelo ronco gelado do vento sodoeste que sopra sobre as dunas. Agora imagine-se como seria para os antigos navegantes enfrentar um mar revolto repleto de recifes e bancos de areia- e no meio da neblina. É fácil supor por que a Costa do Esqueleto era considerada um dos litorais mais traiçoeiros do planeta. O litoral inteiro da Namíbia está tomado pelo deserto. Não se espere encontrar a foz de um rio derramando água fresca e farta sobre o oceano. O litoral da Namíbia tem apenas dois rios perenes: O Cunene, ao norte que faz fronteita com Angola, e o Orange, ao sul, que delimita a divisa com a África do Sul. Entre ambos, só o deserto e o seu punhado de rios sazonais. O que já basta. Os especialistas chamam a esses rios de “ oásis lineares”, responsáveis por abrigar quase toda a vida do Namib. Também aparecem leões, vieram do semi-árido, caminhando lentamente pelo leito dos rios até chegar à costa. E, como a vida animal não é tão abundante como a da savana, tiveram de se adaptar ao cardápio disponível. E acabaram descobrindo uma nova fonte de alimento nas focas e nas baleias encalhadas que ocupam as praias da costa do Esqueleto. Refeição que eles compartilham com hienas e chacais, Ali em Cape Cross os leões vão à praia. Defendida por um mar turbulento que atira qualquer barco contra a costa, tem sido ao longo dos séculos cenário de vários naufrágios, que hoje são recordados pelos muitos restos de navios que surgem presos nas armadilhas da areia da praia. É a presença destes destroços que dá origem ao nome desta longa linha de areia que se estende até Angola : Costa dos Esqueletos. Mais a sul fica a serra Parda, (22º 10’ S )e foi a aí que a expedição terminou, depois de ter atingido a ponta dos farilhões. O MAPA DE HENRICUS MARTELLUS GERMANUS 1489 É a seguinte a legenda da carta de Henricus Martellus, de 1489, da qual consta que Diogo Cão, tendo colocado um padrão no Monte Negro ( o actual Cabo Negro ) seguiu avante mais mil milhas, até à Serra Parda e ali morreu: “ ad hunc usquemontem qui vocatur niger pervenit classis secudi regis portugalie cujus classis prefectus erat diegus canus qui in memoriam rei erexit colunam marmoreã cum crucis in signe et ultra processit usque ad Serram Pardam que distat ab mõte nigro mille miliaria et hic moritur”. Correntemente: “ Até este monte que se chama Negro chegou a armada do rei de Portugal [ João ) segundo, da qual armada era comandante Diogo Cão, que erigiu uma coluna de mármore com o sinal da cruz e seguiu avante até à Serra Parda, que dista do Monte Negro mil milhas e aqui morre “. Esta interpretação tem a seu favor certas afirmações contidas num parecer de peritos espanhóis apresentada na conferência luso-espanhola de 1524, reunida em Badajoz « .... Diogo Can .... em outro viagem desel dicho Monte Negro pasó á Sierra Parda, donde muerio » Publicado por Navarrete ( Coleccion de los viages Y descubrimientos, tomo IV, pág. 343 a 355 ). Mas outros aceitaram a leitura, segundo a qual a frase quereria dizer que aí acabava a serra. O conhecimento de um mapa do cartógrafo veneziano Pietro Coppo, datado de 1520, terá resolvido a questão ?!: aí está escrito “reversus est in regno”, aludindo ao navegador, que assim volveu ao reino mas do qual nunca mais houve notícia. Pietro Coppo, terá mesmo resolvido a questão? Se Diogo Cão volveu ao reino, porque motivo desaparecem todas as menções oficiais do navegador? E com ?!: aí está escrito “reversus est in regno”, aludindo ao navegador, que assim volveu ao reino mas do qual nunca mais houve notícia.


in "A História das viagens e morte de Diogo Cão no contexto dos descobrimentos portugueses" com a autorização do Autor: Amadeu F. Mata

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Tradução do Esmeraldo Situ Orbi de Duarte Pacheco Pereira ( Do Cabo Stª Catarina 2º 10' lat. Sul- Gabão - a Cape Cross - Namíbia- 21º 47' lat. Sul - Livro  elaborado após o ano de 1500


Adiante do cabo Catarina (Gabão) são achadas umas barreiras vermelhas sobre o nível do mar as quais distam uma légua mais ou menos. Ao longo da ribeira são razoalvelmente altas e jazem do dito cabo de Catarina noroeste e sueste e toma a quarta de este e oeste e a vinte léguas na rota e estas se apartam em latitude da linha equinocial contra o pólo antárctico cinco graus? e desta terra é de muito arvoredo e povoados e ali há nela muitos elefantes e outros muitos animais de diversas espécies.
Doze léguas além das ditas barreiras vermelhas são achadas duas grandes moitas (moutas) sobre o nível do mar que é mais alto o seu arvoredo que todo o outro e ao longo da ribeira tudo é praia e costa brava e esta terra não é alta nem muito menos é baixa senão num meio razoado e jazem as ditas barreiras vermelhas com estas moitas noroeste e sudeste e tem as ditas doze léguas como dito é.
Partindo das ditas duas moitas com vinte e cinco léguas de caminho ao sul - sudoeste é achado um grande rio a que nós agora chamamos o rio do padrão o qual mandou descobrir o sereníssimo Dom João o segundo por Dieguo Caão[ Diogo Cão] cavaleiro de sua casa do ano de nosso Senhor de mil cccc e oitenta e quatro anos?(data chegada a Portugal) e este rio se aparta da linha equacional contra o pólo antárctico sete graus(real 6º ) em latitude; e no inverno desta terra que é do mês de Abril até fim de Setembro trás este Rio tão grande corrente de água doce que em trinta léguas em mar (150 Km da foz para o oceano)se sente a força dela e porque quando o descobriram puseram na terra da boca na parte dalém do sul um longo padrão de pedra com três letreiros (apenas 1 letreiro todo escrito em Português arcaico, à semelhamça do Padrão de Stº Agostinho, colocado no Cabo de Stª Maria) ..sendo… um em língua latina o outro em português o outro em língua arábica por esta causa lhe puseram nome do Rio do Padrão do qual tem no canal de sua boca oito a dez braças de água de altura e aqui é o reino do Congo no qual no capítulo seguinte falaremos e os ditos letreiros falam do Rei que o mandou descobrir e em que tempo.
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Além deste Rio de que atrás falamos com trinta e cinco léguas de caminho pouco mais ou menos é achado um rio pequeno que se chama o rio de Mondego (Rio Bengo)e ali faz a terra uma pequena enseada que será pouco mais duma légua em roda da boca da qual estão duas ilhas pequenas baixas e rasas de pouco arvoredo que chamam as Ilhas das cabras e estas estão muito perto da terra e são povoadas de negros do senhorio de manicongo e ainda vai adiante a terra do Congo e nestas ilhas apanham os ditos negros uns búzios pequenos que não são maiores que pinhões com sua casca a que eles chamam de Zimbos os quais em terra de manicongo correm por moeda e cinquenta deles dão por uma galinha, e trezentos valem uma cabra e ali outras coisas segundo são e quando manicongo quer fazer mercê a alguns seus fidalgos ou pagar algum serviço que lhe fazem manda lhe dar certo número destes zimbos pelo modo que nossos príncipes fazem mercê da moeda destes reinos a quem lha merece; e na terra do Beni de que já é escrito no quarto item do sétimo capítulo do segundo livro usam uns búzios por moeda um pouco maiores que estes Zimbos de manicongo aos quais búzios no beny chamam Iguou e todas as coisas por eles compram e quem mais deles tem mais rico é; e do Rio do padrão até ao Rio de Mondego e Ilhas das cabras a terra ao longo do mar é baixa e de muito arvoredo; e esta costa do dito Rio do padrão até às ditas Ilhas jaz norte sul e tem trinta e cinco léguas na Rota como em cima se faz menção e estas ilhas das cabras se apartam em latitude a linha equacional contra o pólo antárctico nove graus (real 8º 46')e por isto se podem conhecer; e ao mar destas ilhas nas trinta braças há muita infinda pescaria.
Item: Passando vinte léguas além da Ilha das cabras está um ponta que chamam a ponta das Camboas e este nome lhe puseram porque quando Dieguo Caão Cavaleiro criado del Rei Dom João que Deus tem, esta terra descobriu, achou ali umas Camboas (Canoas) em que os negros pescavam e por isso lhe pôs o dito nome; e esta ponta é muito apracelada (aprazível) e além desta acharam um Rio muito pequeno à maneira desteiro (sazonal)(lat. real 10’ 05’)e aqui não há comércio nem coisa digna de ser escrita somente que esta ponta jaz com a dita Ilha das cabras nor-noroeste e sul-sudeste e tem as ditas vinte léguas da rota e se aparta em latitude da linha equinocial contra o pólo antárctico dez graus e meio(10º 30’) real ( 9º 58’)
Item; Jaz a Ponta das Camboas e a Ponta de São Lourenço (Porto Amboim) norte e sul e tem vinte léguas na rota e esta terra toda é muito baixa e não é de tanto arvoredo como atrás fica.
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Item; Além da ponta de São Lourenço(10 de Agosto de 1483)) da qual atrás no derradeiro Item do segundo capítulo desta terceiro livro é escrito e começa uma angra de Santa Maria(15 de Agosto) e ali vai à costa dali por diante direita e em dezoito léguas de caminho contando da angra de São Lourenço (actual Porto Amboim em diante faz a terra uma ponta que há nome há ponta preta ( Cabo do Lobo mais tarde Cabo Stª Maria - 28 de Agostode 1483)por quanto se faz ali uma manilha negra e a esta ponta lhe puseram este nome, e jaz a ponta de São Lourenço com a ponta negra norte e sul e tem as ditas dezoito léguas na Rota e esta terra não é de tanto arvoredo como que atrás fica e esta ponta preta (cabo Stª Maria) se aparta em latitude da linha equinocial contra o pólo antárctico treze graus e dois terços. (13º 40’)real (13º 25’)
Item; Jaz a ponta preta e monte negro norte e sul e tem vinte e cinco léguas na Rota e este monte está sobre o mar e não é muito alto e porque a terra em redor é de muita areia e ele tem um mato baixo e raso que faz uma mostra mais preta que toda a outra terra por isso lhe puseram nome monte negro e esta costa é quase deserta e de muito pouca povoada o qual monte se aparta em latitude da linha equacional contra o pólo antárctico quinze graus e vinte minutos (15º 20’).real 15º 40’
Item; oito léguas adiante do monte negro se faz uma grande angra que entra uma légua e meia pela terra dentro que se chama angra das aldeias e este nome puseram porque no tempo que Dieguo Caão (Diogo Cão)descobriu esta costa por mandado del Rei Dom João que Deus tem achou dentro nesta angra duas grandes aldeias e por isso lhe pôs o dito nome; os negros desta terra são gente pobre que não se mantêm nem vivem senão de pescaria que aqui há muita, são Idolatras e nesta terra não há proveito e do monte negro até aqui se corre a costa nordeste e sudeste e tem as ditas oito léguas na Rota e toda esta terra ao longo do mar é baixa.
Item; além da angra das aldeias é achada uma enseada que terá duas léguas em largura na boca que se chama a manga das areias ( Baía dos Tigres)e esta se estende por dentro pela terra cinco ou seis léguas e na mesma boca e dali por dentro tem doze e quinze braças de fundo e esta terra é deserta e nenhum arvoredo tem porque tudo é areia e dentro desta manga há muita pescaria e em certos tempos do ano vem aqui do sertão alguns negros a pescar os quais fazem casas com costelas de baleias cobertas com seba do mar e cima lançam areia e ali passam sua triste vida; e esta manga das areias se corre com angra das areias nordeste e sudoeste e tem quinze léguas na Rota; A qual mangas se aparta em latitude da linha equinocial contra o pólo antárctico dezasseis graus e meio(16º 30’)= real 16º 30’.
Item; seis léguas adiante da margem das areias faz a terra uma ponta baixa toda coberta de areia que se chama a ponta das pedras (ainda na Baía dos Tigres a Sul))e este nome lhe puseram porque quase no rosto desta ponta e ali além dela estão muitos e grandes penedos e até que se corre esta costa nordeste e sudeste e toma a quarta de leste e oeste e tem as ditas seis léguas na Rota; e esta terra é muito baixa e má de conhecer mas quem quiser ter conhecimento dela veja como se aparta da linha equinocial dezasseis graus e dois terços (16º 40’)contra o pólo antárctico; e esta é a melhor conhecença que tem.
Item; Jaz a ponta das pedras e o cabo negro norte e sul e tem dez léguas na Rota; e este cabo é muito baixo e a terra em redor dele é toda areia senão quando sobe a ponta deste cabo está uma malha negra, e por isso lhe puseram este nome de cabo negro o qual não parece cabo senão quando homem está uma língua em mar dele e sendo três ou quatro léguas ou mais, parece tudo costa direita, esta terra é trabalhosa de navegar, o seu inverno é do mês de Abril até fim de Setembro; as naus que vão para a Índia sempre se metem em mar e se arredam desta costa duzentas e cinquenta léguas e mais em maneira que não se chegam a ela;
Item; adiante do cabo negro dezanove léguas são achados uns “mendoos” dunas de areia ao longo do mar em que haverá seis ou sete montes da dita areia e estas são alguns tanto mais altos que a outra terra e esta costa toda é deserta e sem gente e do cabo negro até aos “mendoos” dunas se corre norte e sul têm as ditas dezassete léguas na Rota os quais mendoos dunas se apartam em latitude do círculo da equinocial contra o pólo antárctico dezanove graus (19º ).
Item; Jazem os “mendoos” dunas e a angra de Rui Pires norte e sul e de meio caminho em diante toma a quarta de nordeste e sueste e tem vinte léguas na Rota, e esta terra toda é muito baixa e areia e deserta e nesta angra caberão seis ou sete navios pequenos e a um tiro de bombarda da terra podem poisar em fundo (fundear) de oito braças tudo limpo a qual angra se aparta em latitude contra o pólo antárctico vinte e meio (latitude Sul 21º 30’).
Item; Jaz angra de Stº Amaro e os areais norte e sul e tem 12 léguas na Rota e esta costa é deserta por ser toda areia e por isso lhe puseram nome os areais os quais se apartam da linha equinocial em latitude contra o pólo antárctico 22º 20’; e dez (10) léguas adiante dos areais parece uma ponta que se chama o cabo do padrão (Cruz= Cross); o qual tem um padrão de pedra com três letreiros…f….(constam apenas dois letreiros um em latim e outro em português arcaico) o qual cabo se corre com os areais norte e sul e tem as ditas dez léguas da Rota como dito é e esta se aparta da linha equacional em latitude contra o pólo antárctico 22º 45´(real 21º 46’)(diferença de 1º grau), e esta terra é baixa e má de conhecer e o melhor conhecimento que tem ali são as alturas do pólo antárctico e graus em que se aparta em latitude da linha equacional .
Item; Jaz o cabo do padrão e a praia das pedras norte e sul e tem doze léguas (60 Km - Henties Bay) (real 22º 12' )na Rota e esta praia será de 5 ou 6 léguas ao longo do qual a maior parte dela é toda cheia de penedos e no cabo dela há uma angra muito pequena (real lat. sul 22º 27') e esta jaz debaixo do trópico de Capricórnio? pontualmente? (O Trópico de Capricórnio 23º 27´ passa a Sul de Welvis Bay) e por isso se aparta em latitude do círculo polar equinocial contra o pólo antárctico 23º 33´; toda a costa é deserta e toda a terra são areias e costa de muita infinda pescaria e para diante trabalhosa de navegar; e no mês de Junho, Julho; Agosto se acontece acudirem aqui os ventos norte e noroeste com que para o cabo de boa esperança à popa fazem caminho.


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