Faustino, o proprietário do Quiosque de Moçâmedes, e esposa
No início da década de 1950 esta Avenida foi objecto de grandes melhoramentos, e transformou-se num local ainda mais atrente, rodeado de canteiros cobertos de flores de variadíssmas qualidades e das mais diversificadas cores, que era um encanto ver. Bancos de jardim surgiram em maior número, num verdadeiro culto ao divertimento e ao lazer. A Avenida era o nosso "Picadeiro", ou melhor, era um verdadeiro "Passeio Público", onde ranchinhos de rapazes e de raparigas passeavam para cá e para lá, em doce confraternização. O Rádio Clube de Moçâmedes, sob a direcção de Carlos Moutinho levava a cabo aos domingos, em plena Avenida, a seguir às matinés das 5h da tarde do Cine Moçâmedes, programas de rádio que eram transmitidos através de altifalantes pendurados em árvores que entrevistavam pessoas, lançavam para o ar música a pedido, que incluia tangos de Gardel e outros géneros musicais que faziam partir de emoção os jovens corações. Lá para os finais dos anos 1950 os bailes de finais de tarde, aos domingos, então disputados entre os salões do Atlético e do Casino, passaram a ser mais frequentes, os encontros desportivos multiplicaram-se, surgiram outros divertimentos e estes usos e costumes são ultrapassados.
Batalha de "cocotes" de farinha, entre Bilibaus e Tragateiros, por ocasião do Carnaval de 1955, nos jardins da Avenida da República, em frente ao "Quiosque do Faustino".
Frequentava na época essa zona, não o Quiosque, mas ali perto, uma figura típica, natural de Moçâmedes, um homem que possuia uma bem timbrada e forte voz, e em tempos havia sido um brilhante administrativo, mas que por motivos que desconheço acabaria por perder o tino, e levava os seus dias sentado num banco do jardim que funcionava como fosse o seu local de trabalho, o "escritório" : era conhecido por Faria das Baleias. Faria apesar de indigente, nunca perdeu a sua educação e cumprimentava sempre, atenciosamente, toda a gente que via e que por ali passava. Abandonado pelos seus, como se dizia, recolhia-se ao fim do dia para pernoitar no interior de um velho moinho em ruinas, onde tinha por companheiros os seus muitos cães.
Sabemos que recentemente a côr do Quoisque foi mudada para amarelo laranja, uma côr mais ao gosto dos povos dos trópicos. Também sabemos que este Quiosque sofreu algumas alterações na sua estrutura, com o acrescento de mais um pequeno andar. Ladeando lateralmente os jardins da Avenida, do lado da Praia das Miragens, ficava um belo caramanchão onde cresciam trepadeiras cobertas de flores vermelhas que era um gosto de se ver.
Mas recuemos no tempo até aos anos 1930 e 1940... Como podemos ver pela foto que segue o edificio da Alfândega de Moçâmedes tinha na altura, à sua frente, em plena Avenida, onde foi construido o definitivo Quiosque, um obelisco de grande sobriedade que fora para ali trazido, proveniente da "Praça Sá da Bandeira", (1) uma praça que existiu ocupando o quarteirão onde foi construída a Escola Portugal. Este este monumento de grande sobriedade, também conhecido por monumento ao “Esforço da Colonização”, foi erguido sobre um plinto prismático, o qual ostentava referências, escritas e gravadas, aos heróis da gesta colonizadora. Desconhece-se o seu estado actual.
Havia também, a uns metros mais a sul, um primitivo Quiosque de ferro, bastante mais pequeno e estreito, pintado de verde escuro, com o tecto beje, e com idênticas funções,
porém acabou por ser também retirado, e nunca mais ninguém soube o que foi feito dele. Era, como se pode ver pelas fotos, um quiosque de estilo romântico idêntico aos que hoje em dia ainda podemos ver numa ou noutra rua de Lisboa.

http://www.africanos.eu/ceaup/uploads/EB087.pdf
O obelisco foi transferido para o largo em frente à casa comercial de João Pereira Correia (foto imediatamente acima), próximo do «Bairro da Facada», onde ainda hoje se encontra, porém já sem a histórica dedicatória, o que é de lamentar. Por curiosidade acrescentarei que o transporte do referido obelisco foi efectuado em «vagonetas» rolando sobre carris, que foram na altura colocados apenas para o efeito, na estrada, ao longo da Avenida e até ao novo local, sendo em seguida retirados.














































Diversos trabalhos mundiais sobre a Welwitschia encontram-se em exposição em vários