Esplanada do Quiosque, vendo-se o Cine Moçâmedes ai fundo. Foto cedida por um conterrâneo.
Mas
a Avenida da República não servia
apenas de "picadeiro" aos domingos ao entardecer, após o matinées no
Cinema do Eurico. Era o centro em volta do qual iam acontecendo inúmeros eventos no decurso dos tempos. Um desses eventos foi um "corso"
de carros alegóricos ali realizado em 1955, por ocasião do Carnaval, periodo em que também ali aconteciam as célebres "batalhas de cocotes de
farinha" que deixavam a Avenida irreconhecível, como mostram as fotos que seguem,
A Avenida era o local privilegiado para fotografias... Aqui estou eu a posar para a posteridade. 1956

A mesma zona da foto anterior
A minha filha e as primas...
Corso em Moçâmedes. 1955. Foto do meu álbum.
O carro vencedor: Banco de Angola
Foto do meu albúm. Espóleo de Florinda Jardim
Foto do meu albúm. Espólio de Florinda Jardim
Foto do meu albúm. Espólio de Florinda Jardim
Foto do meu albúm. Espólio de Florinda Jardim
Foto do meu albúm. Espólio de Florinda Jardim
Bilibaus e Tragateiros, os foliões do Carnaval, cujo desfile acontecia à volta da Avenida.Foto do meu albúm. Espólio de Florinda Jardim
Doto cedida por um conterrâneo
Fotos das batalhas de cocotes que deixavam a avenida toda enfarinhada. Foto do meu albúm. Espólio de Florinda Jardim
Mas também passavam por aqui, desfilando, cantando e batucando, os kazekutas do Carnaval... Ou seja as chamadas danças indígenas. Foto do meu albúm. Espólio de Florinda Jardim
E também Gigantones e Cabeçudos a anunciar o inicio das Festas do Mar...
...e os carros alegóricos que desfilavam exibindo a jovem em cada ano eleita a "Miss Mar" , que em 1971 foi Paula Chalupa, que na foto se encontra ao lado de Riquita, a moçamedense que foi Miss Portugal 1971
E a recepção a Riquita, em 1971
Seguem fotos do último desfile ocorrido na Avenida da República na era colonial: 1974
1974. Passando pela Rua da Praia do Bonfim... Foto cedida por um conterrâneo
1974. Foto cedida por um conterrâneo
1974. Foto cedida por um conterrâneo

Desfile em 1974. Foto cedida por um conterrâneo.
Postal da minha colecção
Mas esta Avenida foi em outras eras palco de eventos militares, ligados à fase da ocupação do sul de Angola e da definição de fronteiras, de que restam estas recordações. Na foto podemos ver a passagem de revista efectuada pelo Governador Geral a um contingente militar desembarcado em Moçâmedes, em trânsito para a fronteira sul.
Já em 1907, por ocasião da subida da vila de
Moçâmedes a real cidade, a Avenida tinha sido palco de uma grande recepção ao Príncipe D. Luiz
Filipe, filho do rei de Portugal, D. Carlos I, e da Rainha D. Amélia.
E outras recepções mais foram tendo lugar, como as fotos a seguir testemunham. Foi o caso em 1938 da calorosa recepção ao
Presidente da República, Óscar de Fragoso Carmona, que
envolveu, de entre outros eventos, um desfile de povos indígenas das
mais diferentes etnias, um desfile dos
alunos de todas as escolas do Distrito de braços esticados para a
frente, em saudação olímpica (vulgo saudação nazi), enquanto o Presidente e Comitiva assistiam
do alto
da Tribuna ali erguida para o efeito. E também uma festa com distribuição de brinquedos e gulodices ás crianças do Distrito.



Para ver mais, clicar
AQUI.
Nesta altura a ll Grande Guerra, de 1939-45, aproximava-se a passos largos, a Alemanha de Hitler manifestava intenções expansionistas, quer em relação à Europa quer em relação aos territórios africanos ocupados por Portugal que faziam fronteira com o Sudoeste Africano alemão (actual Namibia). O Sul de Angola estava em perigo, caso a Alemanha nazi viesse a ganhar a guerra. O Presidente Carmona procurava mostrar ao mundo que portugueses e africanos estavam ao lado do Portugal! A situação política em Angola, obrigava a estas exibições.

1º Centenário: 04 Agosto 1949. Foto cedida por um conterrâneo
Onze anos mais tarde, esta Avenida encheu-se de barracas e pavilhões, para comemorar esse evento singular e inesquecível, para quem a ele assistiu, que foram as festividades do Centenário da cidade, iniciadas no dia 04 de Agosto de 1949. Por mais de uma semana decorreu na Avenida um festivo e bem organizado arraial, que atraiu para ali gente vinda de todos os cantos da cidade e de todo o Distrito. Na foto vê-se ao fundo o velho Coreto, e
nas laterais, várias barracas e pavilhões, para além de grupos de pessoas deslocando-se na Avenida, para assistir aos eventos.
A foto que segue mostra-nos um dos carros alegóricos que desfilaram à volta da Avenida no dia 04 de Agosto de 1949, integrado no desfile de carros alegóricos ocorrido por ocasião do Centenário. Recorda-se assim a "Tentativa Feliz", a barca brasileira que trouxe até Moçâmedes os colonos fundadores, vindos de Pernambuco, Brasil e ali chegados 100 anos atrás, capitaneados pelo Brigue português "Douro". Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro foi o chefe dessa 1ª colónia, e a personalidade que deu o primeiro impulso à colonização, dando força aos seus companheiros nas horas de desalento.
E outras recepções foram tendo lugar...

Na foto, caras conhecidas da Moçâmedes de 1949. Jovens senhoras que colaboraram como puderam e com os meios que tinham à mão para o abrilhantamento das festas. São, da esq. para a dt: ?, Ludovina Leitão, Maria Eugénia Alves, Salomé Inácio, Zuleika cabeleireira, Noelma Veli, Cilinha, Lúcia Gavino e Arminda Alves (pianista). Foto Salvador.
Foto Salvador
Carro alegórico por ocasião do Centenário, evocando a fauna do Deserto do Namibe e a caça. Ainda no interior do velho campo de futebol de terra batida, preparava-se para o desfile em torno da Avenida.
Um dos Pavilhões erguidos na Avenida em 1949, para as festividades do Centenário: o pavilhão do do BAR com as suas femininas colaboradoras
Foto cedida por uma conterrânea
O BAR com sua femininas colaboradoras. Da esq para a dt: Julinha Pestana, Alice Castro, Orbela Guedes, Manuela Bajouca, Fátima Cunha, Zuleika?, Celeste (Carracinha), Lizete Ferreira, Etelvina Ferreira, Ruth, ?, Teresa Ressurreição, Maria Parreira e ?
A página já vai longa. Falta ainda fazer uma referência às procissões, aos circuitos automóveis, às corridas de bicicletas e a outros eventos mais que tiveram por centro esta Avenida, num tempo que a voragem do tempo levou, e dele hoje em dia apenas restam estas recordações. Eis alguns desses momentos...
Procissão pelas ruas da cidade, por ocasião da peregrinação da Imagem de Nossa Senhora de Fátima por terras de África, com passagem por Moçâmedes, em 1948
Procissão por ocasião da peregrinação por terras de África da imagem de Nossa Senhora de Fátima, vinda da Cova da Iria
Corridas de bicicletas em torno da Avenida, tendo por campeão Marreiros, no início da década de 1950
Foto cedida por um conterrâneo
Manifestação de jubilo à chegada da equipa de hóquei em patins (Juniores) do Atlético Clube de Moçâmedes , a "equipa maravilha", vencedora por 4 anos seguidos da modalidade e categoria em campeonatos em Angola.
À
volta da Avenida disputavam-se também a partir do início da década de 1950 várias provas automobilistas, sobretudo
antes da construção da pista asfaltada da marginal. Após a construção da referida pista as provas passaram também a fazer-se desde o início dos
anos 60.
Foto cedida por um conterrâneo
Foto cedida por um conterrâneo
Foto cedida por um conterrâneo
Foto cedida por um conterrâneo
Foto cedida por um conterrâneo
Vista para o topo sul da Avenida, a partir da década de 1950. Foto cedida por um conterrâneo.
MariaNJardim
(1) Dedicados inteiramente ao trabalho e à gana de vencer que os movia,
parece terem passado ao lado dessa fase menos simpática que foi a dos
desembarques da soldadesca metropolitana, na ponte de Moçâmedes, com
armas e munições, rumo à fronteira sul. Desde a Conferência de Berlim, iniciada em 1884 onde foram definidas as regras para a partilha de África pelas potencias europeias, tivera inicio a corrida desenfreada
para
a ocupação daquele continente riquissimo de solo e subsolo, e isso implicou o envio maciço de tropas e a
consequente escalada dos conflitos, principalmente com as tribos
africanas.
Portugal enviou tropas para todas as regiões de
África que
reivindicava na altura. As populações do sul de Angola eram um mosaico de pequenos
núcleos de origem europeia, que coexistiam com a esmagadora maioria de
populações negras de diferentes etnias. Estavam os
boers, instalados na Huíla, e também colonos idos da ilha da Madeira; em Moçâmedes os luso-brasileiros de 1849-50 e os algarvios de Olhão que desde 1861 tinham começado a chegar. Várias correntes religiosas procuravam exercer a sua
influência: católicos, protestantes, espiritanos franceses, luteranos, e
outras. Havia o tráfico de armas, como as Martini-Henry e as Westley
Richards, algumas provindas da guerra civil americana, outras da
África do Sul. As tribos africanas não só estavam organizadas –
possuindo meios rudimentares de comunicação militar, por exemplo – como
estavam armadas com armas de fogo das mais diversas origens. Não era fácil a vida
dos soldados portugueses, obrigados a longas caminhadas muitas vezes a pé pelo terreno desértico ou semi-desértico, ou a cavalo, carroças boer, etc, a teram combater os alemães (1914), por estes terem invadido o sul
de Angola, mas continuavam a ser os negros os piores adversários. Os
soldados quando não morriam nos combates, morriam de sede e
de doenças provenientes, muitas vezes, de beberem água inquinada. Destacam-se as revoltas do Humbe (1885-1886 , 1891, e 1897-1898). Sofreram a vitória dos
Cuamatos (uma tribo Ovambo), na batalha do Vau de
Pembe, cujas baixas portuguesas foram centenas, entre mortos e
desaparecidos.
Manuel Júlio de Mendonça Torres, na obra intitulada « O Distrito de Moçâmedes nas Fases da sua Origem e Primeira Organização» refere
também os estudos para elaboração do futuro cais acostável , aquando da
visita do governador Silva Carvalho ao sul da Colónia, bem como os
planos examinados pelo major Sarmento para o campo de aviação do Posto
Experimental do Caraculo, que se pretendia munido de uma pista de mil e
duzentos metros, de modo a permitir a aterragem de aviões destinados a
prestação de assistência técnica e sanitária rápida a toda a região
definida como ideal para a produção de gado Karakul. Do
ponto de vista económico, Manuel Júlio de Mendonça Torres citava as
indústrias marítimas como aquelas que
à época apresentavam o maior desenvolvimento no Distrito, atingindo
exportações em números elevados, e também a indústria do Karakul que
estava despertando o interesse dos criadores, a quem os poderes publicos
conferiam facilidades, sector para o qual, à data, tinham sido feitas
quinze concessões de cinco mil hectares cada uma, e com possibilidades
de se criaram mil cabeças por concessão, ficando outros cinco mil
hectares reservados a cada concessionário para expansão futura da sua
indústria, segundo informações colhidas no Diário de Notícias da época.
Salientava ainda o impulso dado pelo governador Silva Carvalho, sob a
égide do capitão Teófilo Duarte, o Ministro das Colónias.
Livingstone explorara a África austral em 1840. Verney e Cameron, foram encarregues pela Sociedade de Geografia de Londres de continuar as suas explorações, bem como de Stanley que em 1877 desce o rio Zaire até ao Atlântico, contribuíndo para o conhecimento do interior da África sub-equatorial e para a distinção das bacias interiores, dos lagos e dos rios dessa região. E, 1875, a exemplo da Sociedade de Geografia de Berlim, (surgida em 1828), da de Paris (fundada em 1821), e da de Londres (criada em 1830), é criada a Sociedade de Geografia de Lisboa.com o apoio do rei D. Luís. Tempo de intensa actividade industrial por toda a Europa desenvolvida, de necessidade de escoamento da produção, de obtenção crescente de novas áreas de influência sócio-política e exploração económica, em que a partilha da África ganha cada vez mais vigor bem como a ocupação de facto. Em Portugal D. Luís declara-se “Protector da Sociedade de Geografia de Lisboa”. A Revoluçao Industrial veio acompanhada de um rápido desenvolvimento tecnológico, evolucao nos navios com cascos de aço, máquina a vapor, rodas e hélices propulsores, electricidade, surgiram os explosivos químicos, as armas de precursão central e tiro rápido, os torpedos, as tecnologias, tudo isso tornou inútil muito dos equipamento antigos. A corrida a África pelas potências europeais industrializadas obrigava à pacificação em várias zonas do exercício da soberania No caso português, o desenvolvimento da Armada teve o Rei-Marinheiro como promotor, com a sua cultura e sensibilidade para as questões navais. Foi assim que a Sociedade de Geografia de Lisboa decidiu organizar as viagens de Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, com o objectivo de reconhecer a bacia do Zaire e a relação com o Zambeze e os Grandes Lagos, iniciativa que coincidia com a intervenção de Brazza na África Central, ao mesmo tempo que a missão de Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens percorria as regiões de Benguela, as terras de Iaca, e definia os cursos dos rios, e Serpa Pinto marchava de Benguela ao Bié, identificando as nascentes do Cuanza. Em 1880, no dia 10 de Junho, verificaram-se as Comemoração do Tricentenário da Morte de Camões com a onda republicana a fervilhar. Em 1886 é celebrado o Convénio com a França que aceita o projecto português de ocupar uma parte do território entre Angola e Moçambique, e é assinado um convénio com a Alemanha onde o depois chamado Mapa Côr de Rosa reconhece aquele direito, desde que não contestado por terceira potência. O principio da ocupação efectiva, consagrado na Conferência de Berlim de 1885, afastava o princípio do direito histórico que abonava as ambições do Mapa Côr de Rosa, e o Ultimato Inglès de 1890, impondo o seu projecto do Cabo ao Cairo, com o qual cortou, de Sul a Norte, os projectos transversais das restantes potências da frente marítima atlântica, acabou por fornecer a emoção mobilizadora da adesão popular, do luto nacional expresso no luto da estátua de Camões, nas explosões de cólera que se seguiram e acabaram no regicídio que ceifou a vida do Rei D. Carlos e do jovem Príncipe Real Luís Filipe, dissolveu as fidelidades à Coroa acabaria por levar à implantação da República.
Nessa Europa em busca de matérias-primas e mercados de produtos acabados, esta acção levada a efeito com o apelo à sociedade civil apoiada pelo Rei D. Luiz foi capaz de ultrapassar a desordem política, nesses tempos em que o avanço da Revolta Republicana fez explodir o Regime Monárquico tendo como ponto central do conflito, a defesa da dignidade nacional ofendida pelo Ultimato, e defesa da integridade do conceito estratégico que o novo Regime proclamava assumir com maior eficácia do que a Monarquia. A República instaurada em 1910 deu continuidade à defesa do ultramar,
O ANTIGO CORETO
A certa altura as forças vivas de Moçâmedes resolveram construir uma grande e bonita fonte luminosa.
Foi boa a ideia, só não sei se foi bom o local. Ficou assente, embora com alguma reserva de quem queria a fonte construida noutro local, que se fizesse “implodir” o velho coreto, para aí se construir a fonte luminosa de Moçâmedes ! ...
Mais protesto, menos protesto, lá foi erguida a linda fonte, de que Moçâmedes muito se orgulhava ! ...
Foi construída com a “prata da casa e o artista que fez os moldes em madeira, foi o mesmo que exculpiu o tecto dos CTT. - Augusto Alves.
A Fonte era linda, encimada por uma grande taça, sobreposta por outra mais pequena, todas desenhadas em gomos e para onde jorravam fortes esguichos de água, entrecruzados, que com a iluminação projectada do fundo do lago, davam um lindo efeito ! ...
Entretanto morreu o velho coreto ! ...
Estava um pouco degradado, mas era airoso. Tinha um tablado a cerca de 2 metros do chão, um corrimão a toda a volta, de onde partiam pequenas colunas em ferro fojado, que sustentavam a cobertura ! ...
Na sua cave, guardavam os jardineiros da extensa Avenida da República, os seus apetrechos de jardinagem. Foi ali que também armazenaram os milhares de lamparinas que serviram para bordejar os lancis dos canteiros, dando luz à memorável noite em que Moçâmedes completou 100 anos de idade ! ...
O certo é que com o tempo, as lamparinas foram desaparecendo, não sei se com destino a algumas macumbas ou magia negra ! ...
Para falar verdade, o nosso coreto não tinha propriamente uma história. Não havia em Moçâmedes músicos de coreto. Os que nós conheciamos eram todos músicos de conjuntos ! ...
Tenho informações de que, cerca de 38 (ainda eu estava a fazer estágio pré-natal), foi dali que falou ao povo o Gen. Carmona, que estava em visita oficial. Nesse dia, houve distribuição de brinquedos às crianças, no coreto ... Coisas do Estado Novo ! ...
O nosso coreto, teria servido, sim, se tivesse durado mais uns anitos, para durante as Festas do Mar, ali se apresentar a Banda do Cassequel, que simpaticamente a fábrica de açúcar mandou durante alguns anos para abrilhantar as nossas Festas ! ...
Os elementos que compunham a banda, cerca de 20, ficavam alojados num edifício muito antigo, frente à esquina do Hotel Moçâmedes. Diziam as más-línguas que a gerência do hotel, havia previamente mandado instalar uma canalização de vinho tinto, directamente da adega do Hotel para as referidas instalações.! .