O projecto de um sonho irrealizado...
Foto Salvador
A ideia da formação do Rádio Clube de Moçâmedes surgiu pela primeira vez no
jornal "O Lobito" de 11/06/1938, onde se anunciava a formação de uma
Comissão organizadora para angariar fundos com vista à criação da sua
emissora.
Com uma verba de apenas
153 contos, a Comissão viu aprovados os Estatutos
do Rádio Clube em Fevereiro de 1945. No entanto, a data
oficial da sua criação é 20 de Novembro de 1944, e foi para o ar com um emissor de 50 W, em 1945.
O
Rádio Clube Moçâmedes como todos os Rádios Clubes de Angola, nasceu como uma associação clubística, e por tal
necessitada de suporte financeiro, daí que tendessem a tornar-se em verdadeiras empresas para através da publicidade e da
comercialização dos seus programas caminharem no sentido duma crescente
profissionalização dos seus colaboradores eventuais e não remunerados.Até lá havia que sobreviver com os
proventos que giravam à volta da
publicidade, e tal como os clubes desportivos da cidade, também das quotizações
mínimas dos seus associados, que não eram muitos, para além do produto
de algumas festas que levavam a cabo pelo carnaval, fim de ano,
Programas da Simpatia, subscrições, etc. Muita coisa se ia fazendo
graças à carolice de uns quantos habitantes da cidade que dela se
orgulhavam e se esforçavam por a melhorar. Inda assim, o Rádio Clube Moçâmedes foi sem dúvidas, um grande impulsionador do desenvolvimento da
cidade, naqueles 40 anos em que o território angolano superou todos os índices
de crescimento, tendo a sua actividade, para além do campo informativo, cultural e lúdico se expandido ao desporto através da promoção regular de relatos de
futebol, de hóquei em patins e de basquetebol masculino e feminino.
Dirigentes, locutores e colaboradores junto da sede do Rádio Clube de
Moçâmedes quando esta ainda funcionava no prédio junto do antigo campo
de futebol, ao fundo da Avenida da República (de cima para baixo e da
esq. para a dt.) : 1. Raul Gomes, Dr Marques Mano, Raul Gomes Jr. /Lito
Baía, Firmo Bonvalot, Estevão Coelho, Santos César , Martins, Alfredo
Falcão, Santos Osório, Pedro Malaguerra, J. Oliveira (Maboque),
Evaristo Fernandes,
Norberto Gouveia (Patalim), Nito Santos,
Álvaro Mendes, Armando Campos, José Luís Ressurreição, José Antunes
Salvador e Carlos Cristão. 2. Leonor Bajouca, Manoca, Noelma de Sousa
(Esteves), Júlia Gomes, Manuela Evangelista (Carvalho), Dr Romão
Machado (Pres. do RCM) e esposa, Maria Manuela Bajouca, Julieta
Bernardino, Lili Trabulo, Maria Emilia Ramos, Arminda Alves de Oliveira
(pianista) e Rosa Bento (César), pianista.
Foto Salvador.
Interessante foto dos primeiros tempos do RCM, que juntou inúmeros colaboradores: Ana Liberato e Rui de Mendonça Torres.
Foto Salvador
Aqui podemos ver Celeste Gouveia (a Néné Carracinha) e Herondina Mangericão, entusiasmadíssimas no seu trabalho.
Foto Salvado
Fernando Andrade Vieira, Orlando Salvador, Francisco Velhinho, Raúl de Sousa Fr/Lico Sousa, e... Lico de Sousa. Este chegou a ter um programa cómico em que vestia a figura do negro "Canganiça" no qual ficou célebre a sua frase "Cada um é como cada qual e ninguém é como evidentemente!. Foto Salvador
?, Frederico Costa, Rodolfo Ascenso, e à frente, Oliveira (Maboque),
César (electricista do RCM), Rui Bauleth de Almeida e António José
Carvalho Minas.
Foto Salvador
Orlando Salvador, José Roberto e Adriano Parreira. Foto Salvador
Colaboradores/as do Rádio Clube de Moçâmedes. Da esq. para a dt: Néné
Alves de Oliveira ao acordeon, ?, Julia Gomes à guitarra (fadista) e
Manuela Evangelista (viola). Inauguração da sede do RCM? Foto Salvador.
Carlos
Moutinho e Cecília Victos (ao centro) rodeado de outras figuras ligadas
ao RCM, entre as quais Lico de Sousa, Arlete Pereira, à dt e Rui
Bauleth de Almeida atrás.
Foto Salvador
Entre outros, da esq. para a dt: Luciano Sena, Evaristo Sena Fernandes,
Sousa Santos, Soares e Silva, Domingos Barra, Embaixo: Rui Bauleth de
Almeida, ?, Carlos Moutinho, Cecília Victor, Calila, ?, Antóno José
Minas. Em cima, 1ª fila, Bica, Salvador, ?, Rui Torres, ?.
Foto Salvador
Sebastião Coelho
Joana Campina
Carlos Meleiro
Salientam-se algumas figuras pioneiras na história do Rádio Clube de Moçâmedes, nomes
como o de Augusto Cantos de Araújo, de Carlos Cristão, Joana Campina (senhora de vasta cultura, licenciada em Letras e conhecida como declamadora de grande mérito) , Sebastião
Coelho (foi contratado pela primeira vez, em 1951, para chefiar a
produção do Rádio Clube de Moçâmedes, facto memorável logo pela razão de
ser o primeiro radialista natural de Angola que
se tornava profissional da Rádio) 1. E ainda Maria Manuela, Costa Pereira, Carlos Moutinho (Chefe de produção) ,
Carlos Meleiro (Chefe de produção), Ernesto de Oliveira, José Manuel Frota, Arlete Pereira,
Rui Rodrigues Costa. Rui Bauleth de Almeida , António José Carvalho
Minas, Edgar Teixeira, etc,etc.
Outros que deram a sua contribuição na fase do arranque da associação foram Magalhães Monteiro, Adriano Parreira, Norberto Gouveia, Ana Liberato, Rui de Mendonça Torres, Celeste Gouveia (a Néné Carracinha), Herondina Mangericão, José Roberto, Cruz Almeida,
Evaristo Sena Fernandes, Alfredo Falcão, Carlos
Cristão, Raul de Sousa (Lico), Rodolfo Ascenso, César
(electricista do RCM), Luciano Sena, Sousa Santos, Soares e Silva,
Domingos Barra,
etc, etc.
O Rádio Clube de Moçâmedes (CR6RM) “nasceu” numa casa que dividia com o
Sindicato dos Empregados do Comércio (SNECIPA), frente ao Caminho de
Ferro de Moçâmedes, ao lado da loja de tecidos, a Casa Pinheiro
(Pirilau). Dada a proximidade, quando havia relatos de futebol
estendiam um cabo que ligava o relator à “regie”. Era assim que faziam as transmissões. O mesmo se passava
quando havia jogos de interesse para Moçâmedes, em Sá da Bandeira, que
eram transmitidos através da linha telefónica do C.F.M. No exterior
utilizavam uma carrinha emprestada pelo Sindicato de Pesca,
conduzida por Domingos Alves Figueiras, da qual existe uma
foto.
No início dos anos 50, a famosa década que
mobilizou toda uma população desde os mais jovens até aos de meia
idade, quandofoi lançada a ideia da organização de um conjunto ou
"orquestra do Rádio Clube de Moçâmedes", tendo à cabeça o fotógrafo e
músico amador, José Antunes Salvador, saxofonista e chefe da orquestra,
para além dos pianistas Afra Leitão, Arminda Alves de Oliveira, Rosa
Bento e Martins da Alfândega, dos violinistas Santos César e Fernando
Osório (do Banco de Angola), do acordeonista, Raúl Gomes Filho (que
também tocava guitarra e viola), e dos bateristas Firmo Bonvalot e
Albertino Gomes, não esquecendo o trompetista, Anselmo de Sousa que há
época trabalhava na empresa de Abilio Simões.
E quanto a vozes que abrilhantaram programas de "Variedades", citaremos as de Isabel Maria Sena Costa, Noelma de Sousa (Velim), Maria Emilia Ramos (que se destacou no dia em que cantou La vien Rose), Octávia de Matos com as suas marchinhas brasileiras (a Carmen Miranda do Namibe). De destacar a grande fadista do Namibe, Júlia Gomes, filha do Raúl Gomes, o guitarrista oficial da cidade que nos surpreendia em todas as actuações acompanhadas à viola pelo seu irmão "Baía" e pelo seu pai, à guitarra. No rol dos cançonetistas do RCM que dia a dia aumentava, recorde-se, ainda, as bonitas vozes de Rosa Bento, Nélinha Costa Santos, Lili Trabulo com o seu cantar lânguido, Néne Evangelista "Boneca" que casou com o Turra, o romântico José Luis da Ressureição que nos deliciava com o reportório do saudoso Francisco José. Sobre o Zé Luis, está ainda na minha memória o lindo e sentido fado, com musica e letra do juiz da Comarca Dr. Marques Mano, intitulado NAMIBE. O José Luis entregava-se de alma e coração cantando este fado com o estilo "Coimbrão" . Também cantava fados de Coimbra, o amigo Estevão que trabalhava na Robert Hudson.
Não quero esquecer a voz de Adriano Parreira, o Mário Lanza do Namibe,
sempre presente nestes programas de variedades.
Carlos Moutinho entrevistando a foca "Boni-Bonita"
O Rádio Clube de Moçâmedes, como todos os Rádios Clubes da época, pela sua
natureza associativa clubistica, com direções democraticamente eleitas, como bem dizia Leonel Cosme. "eram o único espaço de relativa autonomia onde
se manifestava a "opinião pública" das populações angolanas. Mas havia um sonho difícil de concretizar: a construção da futura sede do Rádio Clube de Moçâmedes, obra que teve como seu grande
impulsionador o radialista e Chefe de produção, Carlos Moutinho, e um punhado de "carolas" que graciosamente dirigiam aquela associação radiofónica, nunca chegou a ser concluída, e no ano da independência de Angola, devido à carência de verbas, reflexo da
penúria dos meios e da ausência de ajuda do Estado à altura de projectos deste
género, já se encontrava paralisada.
Em
15/08/1952 foi lançada a 1ª pedra a sede do Rádio Clube de Moçâmedes, um edifício a
construir exclusivamente para o efeito. Eram sonhos que falavam demasiado alto, e
não chegaram a ser concretizados, devido à carência de meios e à ausência de ajudas oficiais
Quem
viveu em Angola naquele tempo sabe bem que este tipo de iniciativas
dependia sempre da boa vontade das populações mais que de ajudas
estatais, e que neste campo, o campo dedicado ao lazer das populações,
tudo era conseguido a ferros e a toque de subscrições públicas. Foi o que
aconteceu com o Complexo Desportivo do Sport Moçâmedes e Benfica, outra
obra inacabada que já foi por nós abordada, através de uma postagem.
Numa Angola riquíssima, Moçâmedes chegou-se à
independência como uma cidade harmoniosa e com belas vivendas,
em grande parte, graças aos esforços dos seus moradores. Ao nível da
habitação, não fosse Mariano Pereira Craveiro e
outros "carolas" fundadores da sociedade cooperativa "O Lar do Namibe",
Moçâmedes chegaria a 1975 reduzida ao velho casario do seu centro
histórico ou pouco mais, pois sequer havia créditos bancários destinados
a habitação. O próprio Clube Nautico conseguiu completar o seu
edifício, graças à ajuda dos industriais de Pesca, grande número dos
quais a residir no bairro da Torre do Tombo, que contribuíram para tal
com uma determinada percentagem que lhes era descontada por cada mala de
peixe seco que entregavam no Grémio da pesca de Moçâmedes.

Ruínas que entristecem...
Foto Salvador
As novas e
inacabadas instalações ficavam para os lados da "Sanzala dos Brancos"
Visita do Governador Nunes da Ponte à antiga sede do Rádio Clube de
Moçâmedes, em 1956/7 ? tendo à sua esq. e à sua dt, Albérico Sampaio e Mário
Rocha, ambos elementos da Direcção do RCM na altura. A antiga sede ficava na Rua da Praia do Bonfim, ao fundo,
próximo do velho campo de futebol, em frente da Avenida.

Vem referida nesta foto a visita Governador do Distrito Salles Grade às novas instalações do RCM
em 1956, acompanhado pelo "Capitão do Porto", comandante Marrecas
Ferreira, Joyce Chalupa, Newton da Silva, Mário Rocha e Ferreira da
Silva. Orlando Salvador e Sousa Jr. dão conta das modernas
características dos novos gira-discos.
Na
verdade já parecia uma praga, essa história das obras inacabadas:
edifício do Rádio Clube de Moçâmedescuja planta prometia uma obra de
valor e de grande embelezamento para aquela zona da cidade; Cine-Estúdio
Satélite; Cine Estúdio "Satélite", o inacabado de arquitectura futurista revestido de belos
painéis alusivos às actividades do Distrito, à cidade, ao deserto e ao
mar, construido na zona alta da cidade, que fazia lembrar uma nave
espacial pousada na "Cidade do Deserto"; complexo desportivo do Sport
Moçâmedes e Benfica, também na cidade alta. Ficou-se pelo campo de
jogos, a aguardar por melhores dias para a sua conclusão...
Em meio a tanta carolice, alguns projectos surgiram em
termos de organização e gestão do RCM, mas que não passaram de sonhos.
O projecto do Rádio Clube de Moçâmedes foi um desses projectos que não passou disso mesmo: Projecto!
MariaNJardim
(1) Sebastião Coelho, à frente da emissora de Moçâmedes, dá guarida e
colabora, em parceria com Leston Martins, então naquela cidade, num
programa de divulgação dos jovens poetas angolanos, que era igualmente
apresentado no Rádio Clube de Benguela, em colaboração com a jornalista
Helena Soeiro (Mensurado, por casamento com outro jornalista, José
Mensurado também ele um dos dinamizadores da Mensagem. Na pequena e mais puxada ao Sul cidade de Angola - fundada, só na
segunda metade do século XIX, por colonos luso-brasileiros fugidos de
Pernambuco às defenestrações nativistas e sem assinaláveis tradições
culturais - tem particular significado a acção quase "missionária" de
Sebastião Coelho, apoiando a entronização, no Namibe, de um Movimento da
"novi-angolanidade", que os seus promotores já queriam ver distinto do
"lusotropicalismo teorizado pelo brasileiro nordestino Gilberto Freyre,
aproveitado pelo regime colonial e, ainda hoje, como que travestido numa
difusa "crioulidade" que é, no fundo, um desvio da "angolanidade"
defendida pelos "mensageiros" com o sentido de afirmação de uma
personalidade autónoma e prospectivamente africana. (Leonel Cosme)
Ainda sobre o RCM: OUTROS SONHOS...
RÁDIO CLUBE NÁUTICO DE MOÇÂMEDES
Houve um tempo em que um grupo de amigos teve um sonho que ficou sempre
no segredo dos deuses. Já não sei se a idéia terá sido minha, se do
Mário , se do Andrade, que fazia parte do corpo directo do Rádio Clube,
se do Alegria, locutor com o programa “O Calhambeque”, se a memória não
me atraiçoa. Éramos todos amigos e colegas no Banco, o que por si só
era meio caminho andado para transformar o sonho em realidade. Para lá
do próprio projecto em si, o plano para a sua concretização era
engenhoso, mas muito simples, e imbuído de boa fé e de um genuino
idealismo que só existe enquanto a juventude não nos foge.
Mas,
afinal, qual era o nosso sonho?
Se bem se lembram, a construção do
edifício do Rádio Clube de Moçâmedes foi uma iniciativa, a todos os
títulos louvável, do locutor Carlos Moutinho, professional competente
que revolucionou a rádio da cidade. Simplesmente, por falta de apoios e
vontade política, que era coisa que não existia naqueles tempos, o
edifício acabou por ficar a meio, transformando-se num autêntico escarro
no coração de uma zona que se estava a transformar num bairro bonito,
graças à Cooperativa “O Lar do Namibe”.
Por outro lado, o Clube
Náutico tinha sido projectado, de raíz, para levar um 1º andar,
destinado aos seus serviços administrativos, coisa que viria a não se
concretizar por falta também de verbas.
O nosso sonho era, pois,
vender ao Lar do Namibe o inacabado prédio do Rádio Clube, com os seus
terrenos adjacentes, e com os proventos daí resultantes construir o 1º
andar do Casino, nome popular do Clube Náutico, e ali instalar o Rádio
Clube. Ora, para se obter esse desiderato era necessário, obviamente,
conseguir-se a fusão dos dois clubes. que passaria, então, a designar-se
por “Rádio Clube Náutico de Moçâmedes”. Mas essa fusão era o principal
problema a ser ultrapassado, pois havia interesses instalados que tinham
de ser removidos . A maioria das pessoas não se dava conta, mas a
gestão do Rádio Clube girava à volta da publicidade, fonte substantiva
das receitas, que era facultada de modo pouco transparente e pro bono a
algumas, muito poucas, empresas da cidade; no Casino, o problema era de
outro cariz e de muito mais fácil resolução: o clube tinha poucos
associados, a maioria dos quais nem as quotas mensais pagava e estava
entregue a uma vintena de sócios, apaixonados pela sala de jogos e pelo
poquer. Os proventos resumiam-se às receitas originadas pela utilização
do salão de festas por ocasião do carnaval, fim de ano e matinés
dançantes aos fins de semana, suficientes para uma gestão equilibrada.
Havia, pois, necessidade de “tomarmos de assalto” de uma forma legal as
duas direccões, o que se presumia fácil dado que, pela nossa
experiência de sócios de ambos os clubes, sabíamos que nas assembleias
gerais anuais as presenças resumiam-se sempre a meia dúzia de sócios. E
no que toca ao Clube Náutico, era extremamente fácil vencer as
eleições. O mais complicado, e que exigia uma maior cautela na
manutenção do segredo, era o Rádio Clube, que possuia uma grande massa
de sócios facilmente manipulada com as conhecidas procurações de última
hora.
Era preciso, pois, que o nosso núcleo se expandisse em
segredo absoluto apenas e tão só até a um número mínimo que nos
garantisse a vitória na eleição do Rádio Clube. E sem nunca reveler o
propósito final nem qualquer ligação com a Assembleia Geral do Clube
Náutico, no qual detínhamos a maioria face ao irrisório número de sócios
nele existente. Era um plano talvez maquiavélico, mas de uma pureza
impoluta face ao idealismo que emanava da nossa juventude. E tínhamos a
forte convicção de que iríamos não só engrandecer os dois clubes, como
valorizar o edifício do Casino, em termos arquitectónicos, com reflexos
directos para toda a envolvência da Praia das Miragens.
Mas naquela
noite não houve nem lua cheia nem luar e o nosso sonho se esboroou
quando, ao cair do pano, apareceram na assembleia geral do Rádio Clube
as famigeradas procurações.
Sonhávamos um “Rádio Clube Náutico de
Moçâmedes” como verdadeiro ex-líbris da cidade do sol, sal e mar,
fundada por uns sonhadores que ali chegaram na Tentativa Feliz e a
erigiram a partir do absolutamente nada.
Mas, desgraçadamente, a
história mostra-nos que em todos os lados e em todas as latitudes
existe sempre um Miguel de Vasconcelos à mão de semear.
E nós tivemos o nosso. Por um prato de lentilhas
(ass) Arménio Jardim