Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












domingo, 22 de março de 2020

Recenceamento de moradores de Moçâmedes, em Angola, no início do século XX


Trata-se do recenseamento da população legível de Moçâmedes, em Angola, tendo por objectivo as eleições para a Assembleia Constituinte em 1911, no quadro da 1. Republica portuguesa implantada em 10 de Outubro de 1910, após a queda da Monarquia Constitucional, o sistema governativo que vigorava desde a Revolução Liberal de 1820, com a aprovação da Constituição de 1822. 



Abilio Augusto Mendes de Carvalho
Abilio Godinho
Abilio Rodrigues
Abilio Lopes Braz
Arnaldo Simões Rocha
Adolfo José Alves
Acácio Pereira Rodrigues
Agostinho Ferreira Junior
Agostinho Joaquim Ferreira
Albino Antunes da Cunha
Albano Martins Braz
Albano Simões da Fonseca
Albano Teixeira da Silva
Alberto Amado Trindade
Alberto Carlos Filipe Julio Zuzarte de Mendonça
Alberto Carlos das Neves Cabral
Alberto do Nascimento Miranda
Albino José de Oliveira


Alberto José Fernandes
Alberto Severo de Oliveira
Alexandre Carlos Chaves
Alexandre Toulson
Alfredo Alberto Ribeiro Magalhães
Alfredo Duarte d'Almeida
Alfredo Ernesto Lopes de Oliveira
Alfredo Gonçalves Ribas
Alfredo Quartin
Afredo Rosa Neves
Alfredo Rodrigues de Lima
Alvaro Forjaz do Monte e Freitas
Alvaro de Jesus
Alvaro Pedro de Campos
Alvaro? da Silva Nogueira
André Gonçalves Monforte
Antero da Silva
Anselmo Antonio dos Santos
Ántonio de Abreu
Antonio Augusto Campos
António Augusto Machado
Antonio Augusto Pereira
Antonio Avelino da Silva

Antonio Candido Gonçalves
Antonio César Correa Mendes
António da Conceição Pinheiro
António da Costa
António da Costa
António Corado da Silva
António Bispo
António Fernandes
António Fernandes
António Cardoso
António Caetano de Sousa
António Alexandre Toulson
António Carlos Fallante
António Cortez da Silva Curado
António do Espirito Santo
António Fernandes Leorne Figueiredo
António Ferreira Duarte Leitão
António Ferreira da Silva
António de Figueiredo
António Florentino Torres
António Franco Agra
António Francisco Coelho
António Francisco Mendes

Antonio Francisco dos Santos
Antonio Gabriel
Antonio Gomes da Silva
António Gonçalves Ferreira
António Joaquim Fragata
António Joaquim Nunes
António Joquim Ribeiro
António Joaquim Teixeira de Magalhães
António José Casinhas
Abtónio José Novaes
António José Pinheiro
António José dos Reis
António José Miranda
António Laneiros
António Lourenço Martins
António Lopes Russo
António Madeira
António Manuel Afonso
Antóni Marques
António Marques Teixeira
António Martins de Paiva
António Mestre
António Mestre Junior

Antonio Melim
Antonio Menandro Guerra
António Mendes Rosa
Antonio Norte
Antonio Nunes
Antonio Paes Baeta
Antonio d'Oliveira
António Paula
Antonio Piedade Vaz
Antonio Pinto de Miranda
Antonio dos Reis Ferreira
Antonio Ribeiro dos Prazeres
Antonio dos Santos Almeida
Antonio dos Santos Miranda
Antonio dos Santos Palma
Antonio Sequeira
António da Silva Estrella
Antonio de Sousa
Antonio dos Santos
Antonio Viegas Paula Nogueira
Antonio Viegas Pires da Graça
Antonio Viegas Seixal
Antonio Victorino dos Reis Júnior

Aurélio ? Peixoto Vieira
António? Augusto de Oliveira
Aristides Aníbal Coelho
Armenio? Concha Morgado
Arnaldo?Moreira
Arthur do Amaral Monteiro
Arthur Carlos Pereira Gomes
Arthur José Oliveira
Arthur Pedro de Campos
Augusto José dos Reis Figueiredo
Augusto Francisco Maria Rego
Augusto Maria Coutinho
Augusto Mendes da Silva 
Augusto Noronha Gonçalves
Augusto Pereira da Cruz
Augusto Rodrigues Santos
Augusto Torres de Jesus Soares
Augusto Borges de Azevedo
Augusto José Coelho
Augusto Peixoto
Bernardino Alves
Bernardino José Dias
Bernardino Moreira

Bernardino da Silva Jorge
Bernardo Dias Costa
Bernardo Martins
Bonifácio Fernandes Andrade
Caetano Carvalhal Correia Henriques
Caetano Evaristo Ferreira Peixoto
Candido Correia
Carlos Augusto Ferreira Gaspar
Carlos José da Silva Maarques
Carlos Ferreira de Andrade
Carlos da Costa Russo
Carlos Luis do Cabo Carvalho
Carlos Maximiano de Oliveira
Carlos da Pereira Gaspar
Carlos de Pina Manique Soeiro
Carlos Ponce de Oliveira Pres
Carlos Ribeiro Maciel
Casimiro Dias
Casimiro Ventura da Silva
Cassiano da Fonseca
Celestino de Almeida e Silva
Celestino Tomás Caetano
?  Simões Lopes


Bernardino da Silva Jorge
Bernardo Dias Costa
Bernardo Martins
Bonifácio Fernandes Andrade
Cristiano Carvalhal Correia Henriques
Carlos Evaristo Ferreira Peixoto
Cândido Correia
Carlos Augusto Ferreira Gaspar
Carlos José da Silva Marques
Carlos Ferreira d' Andrade
Carlos da Costa Russo
Carlos Luis do Cabo  Carvalho
Carlos Maximiano de Oliveira
Carlos Pereira Gaspar
Carlos de Pina Manique Soeiro
Carlos Ponce de Oliveira Pires
Carlos Ribeiro Maciel
Casimiro Dias
Casimiro Ventura da Silva
Celestino da Fonseca
Celestino d`Almeida e Silva
CelestinoThomas Caetano
César Lopes
Custódio Correia
? de Sousa Nabo?
Daniel Duarte dos Santos
Daniel de Freitas
Daniel Rodrigues
? Dias Ferreira
Domingos Alexandrino da Silva
Domingos Gomes
Domingos José do Carmo
Domingos José d Abreu
Domingos Leal dos Santos
Domingos Machado Godinho
Domingos Martins Nunes
Domingos Portela
Domingos Viegas Seixal
Domingos Vieira
? Marques Cabral
?Freire de Figueiredo
? Pereira Dinis
? Gaspar
? de Oliveira
? do Valle
? do Valle Junior


Eugénio? de Oliveira de Guimarães
Eesébio? Soares
Feliciano Caetano de Sousa
Félix? de Brito
Fernando António
Fernando Ezequiel de Moura Viena ?
Fernando Pestana
Florentino da Silva
Francisco
Francisco António dos Santos
Francisco António Trabulo
Francisco Antunes Salvador
Francisco Alexandrino da Silva
Francisco Augusto da Fonseca
Francisco Callado
Francisco Duarte Fortuna
Francisco Ferreira Nunes
Francisco Freire
Francisco de Freitass
Francisco Gomes do Armazém
Francisco José Rodrigues
Francisco dos Santos

Francisco José Serra
Francisco José da Silva
Francisco Lourenço
Francisco Marques da Silveira
Francisco Martins Nunes
Francisco Martins Nunes Junior
Francisco Martins Pereira
Francisco de Paula Sodré Pereira
Francisco Paulo de Senna
Francisco Pedro da Cruz
Francisco Pereira 
Francisco Peres da Cruz
Francisco Pinto da Rocha
Francisco Pinto da Rocha Junior
Francisco Ricardo dos Santos
Francisco  Rodrigues Pinto da Rocha
Germano d' Oliveira
Gregório de Freitas
Geraldino Graça
Guilherme Augusto da Silva e Mello
Guilherme de Sousa Ganho
Henrique Antunes Pintassilgo
Henrique Herculano de Moura


Henrique Pereira Trindade
Henrique Santos Rosa
Ignácio do Espirito Santos Ramires
Ignácio Quartin
Ivo Garcia de Mascarenhas
Isidoro de Mello
Jacintho
Jacintho Ignácio d'Abreu
Jacintho Miguel da Rosa Ferreira
Jayme? Pinto da Rocha
Jayme? Roberto dos Santos
Jeronymo Benvindo
Jerónymo Francisco Russo
João Alberto de Sousa
João Agostinho de Almeida
João António Calão
João António Castilho
João Baptista Pereira dos Santos
João Carvalhal
João Coelho Nóbrega
João da Cruz Calleres
João da Cruz Morgado
João da Cruz Morgado Júnior

João Duarte
João da Encarnação
João Baptista Luis
João Fernandes Abano
João Fernandes Carvalhal
João Faustino da Sousa
Joáo Ferreira da Silva Gato
João de Freitas Piedade
João Geraldo da Silveira
João Gonçalves Bento
João Guedes da Silva
João Guedes da Silva Junior
João Henriques de Azevedo
João Ignácio Bezerra
Joáo Laurentino Torres
João Lopes Carvalho Junior
João Martins Molle
João Martins Abano
João Marques Rodrigues
João Mesquita
João Miranda
João Nunes de Almeida
João Nunes da Costa
João Nunes dos Reis
João de Oliveira
Joáo de Paixão
Joáo de Paixão Junior
João Pereira da Costa
João Ramos
João Reynoldes Melin
João Ribeiro Guimarães
João Ribeiro dos Santos Mello
João Rodrigues Feio
João Rodrigues Nobrega de Mattos
João Rodrigues Tavares
João Rodrigues Trindade
João da Rosa Machado
João dos Santos
João da Silva Estrella
João da Silva
João da Silva Jardim
João da Silveira Pires
João de Sousa Ferreira
João Teixeira da Silva
João Thomás da Fonseca
João Viegas Seixal


João Viegas Ventura
João Xavier dos Reis
Joaquim Alves
Joaquim António Octávio
Joaquim António Estudante
Joaquim Cortês
Joaquim Correia da Graça
Joaquim Dias Costa
Joaquim Dias da Silva
Joaquim Fernandes Bento
Joaquim de Figueiredo
Joaquim Guedes da Silva
Joaquim José Alves
Joaquim José d' Abreu
Joaquim José Pereira
Joaquim Lopes
Joaquim Malaguerra
Joaquim Manuel Correia Mendes
Joaquim Maria Valente
Joaquim Marques
Joaquim Martins Nunes
Joaquim Oliveira Russo
Joaquim Pedro Campos

Joaquim Pinto de Sousa Quaresma
Joaquim Reis Pereira Reis
Joaquim Ribeiro Arrabalde
Joaquim Rosa
Joaquim Sequeira Jacob
Jorge Julo Zuzarte de Mendonça
José Alfredo da Costa
José d'Albuquerque Serafim
José António Martins
José António Martins da Cruz
José Anthero Rodrigues
Joaé Anthero Leitão
José Antunes Salvador
José d ´Araujo
José Augusto d'Andrade
José Augusto Arthur Fernandes Torres
José Augusto Fernandes
José de Campos
José Cândido Borges da Cunha
José Carlos de Freits
José Claudio
José de Deus ou José Maria de Sousa
José Duarte Bandeira
José Viana da Costa Senna
José Vasconcelos Peyrotheu
José Victor
José Viegas Costa
Júliio Augusto
Julio Ernesto de Moura
Julio Gaspar
Julio Rogado Leitão
Justino José Sousa Pinto
Juvencio Osmundo Tulson
Leovegildo Augusto Nogueira de Figueiredo
Lino Jacintho
Lourenço Martins Morgado
Lourenço Martins Morgado Junior
Luis António Loureiro Vasconcelos Junior
Luis Aristides Tavares
Luis Augusto Mendes Cardoso
Luis Candido da Silva Patacho
Luis Filippe Fernandes Alves
Luis Marreiros
Luis Miguel dos Reis

José Felizardo Vieira
José Fernandes
José Fernandes Bento
José Ferreira Mattos
José Francisco Lopes
José Francisco Machado
José Gerardo
José Gomes Freitas
José Gomes Junior
José Gonçalves Panasco
José Gonçalves Pereira
José Guerreiro Cardoso
José Heliodoro Pires da Maia
José Ignácio da Costa
José Ignácio
José de Jesus
José Joaquim Gomes
José Joaquim dos Santos Paixão
José Joaquim Fragata
José Jorge da Rosa
José Julio Zuzarte de Mendonça
José de Lima
José Lino dos Reis

José ? Alexandre
José ? da Cunha
José ? da Rosa
José ? Gomes
José Maria Alves
José Maria Bodião
José Maria da Costa
José Maria Henriques de Paiva
José Maria Ignácio
José Maria Medeiros
José Maria dos Santos Pereira
José Maria dos Santos Maia
José Marques
José Mendes
José Moreira
José do Nascimento Ribeiro da Cruz
José das Neves
José Nogueira da Silva
José Palhares Malafaia
José da Paixão
José Pedro Bauleth
José Pedro Gouveia
José Pereira Craveiro

José Pereira Dinis
José Pereira Serra
José Pereira da Silva Xavier
José Pina Martins de Abreu e Castro
José Pinho Trindade
José dos Reis
José da Rocha da Cruz Mattos
José Rolinho de Andrade
José de Sá
José do Sacramento
José dos Santos
José dos Santos
José dos Santos
José dos Santos Malaquias
José dos Santos Pestana
José dos Santos Serra
José Simões da Silva
José de Sousa Estevão Faquinha
José de Sousa Honrado
José de Sousa Neves
José Teixeira de Sampaio
José Teixeira da Silva
José Teixeira
Manuel Garcia Tavares
Manuel Gomes Barreto
Manuel Gomes
Manuel Gonçalves Vaz Pereira
Manuel de Jesus Fonseca
Manuel de Jesus Lopes
Manuel Joaquim
Manuel Joaquim
Manuel Joaquim
Manuel Joaquim de Pinho
Manuel José Cardoso Guimarães
Manuel José Rodrigues do Giro
Manuel Lopes
Manuel Lopes Pinto
Manuel Lucas Monteiro
Manuel Lopes Brito
Manuel Lucas dos Reis
Manuel Martins
Manuel Marques
Manuel Nicolau de Andrade
Manuel Nunes Viveiros
Manuel d' Oliveira Leitão
Manuel Pereira

? Soares Martins
?  Viegas Junior
? da Câmara
Manuel de Abreu
Manuel de Abreu
Manuel de Almeida Soares
Manuel  Alves Cordeiro
Manuel  Viegas Ilha
Manuel Antonio Maiote
Manuel  Baptista Lisboa
Manuel Fernandes Ventura
Manuel  Ferreira Rodrigues
Manuel de Freitas

Manuel Pestana
Manuel Pinto de Miranda
Manuel Rymundo da Cruz
Manuel Rodrigues de Carvalho

Manuel da Silva Balhão
Manuel de Sá
Manuel da Silva Brazão
Manuel da Silva Dias
Manuel Simões ou Manuel Simões Gomes
Manuel Simões da Fonseca
Manuel Taiixeira
Manuel Teixeira
Manuel Viegas Galambas
Manuel Viegas Galambas Junior
Manuel Viegas Seixal
Manuel Vieira
Manuel Vieira Barrela
Marcelino Augusto Fernandes
Marcelino de Jesus
Mário Alfredo Sottomayor Pizarro
Mário Armando
Mário Lapa Salema
Mathias Ambrósio da Silva


? Mendes
? José Ferreira
? Santos Rocha
Miguel? Duarte Loureiro de Almeida
? Filipe Borges
? Pires da Silva
? de Jesus
? Roma
? Concha Morgado
 dos Santos
Porfirio? Augusto Gomes
? Rodrigues Simões
? Sousa Rangel
? Silva Rodrigues
? Candido Lourenço Rocha
? Concha Morgado
? Marques da Costa
? Pacheco
Raul Radich 
Rodrigo dos Santos
? da Costa
? dos Reis
? Fortunato de Abreu


536 eleitores conf Livro de Recenceamento Eleitoral de 
04 de Julho de 1911


? d' Almeida
? Castro Barbosa
? Simões Dias
? Simões Freire de Figueiredo Junior
? Fernandes Monteiro
? Francisco Pataco
Thomás de Sousa Guedelha
Thomás de Sousa Guedelha Junior
Tito Livio? Ferro Beça
? Martins da Cruz
Valentim José Lapa e Faro
Vliberaltino de Sousa
? Henriques Soares de Freitas
Virgilio Costa
Virgilio Pinto da Rocha

…………………………………………………………………………………………………………..

As duas listas que seguem, não conseguimos saber se se trata igualmente de moradores da cidade de Moçâmedes, uma vez que tem outra numeração e especto, o papel é diferemte, e pelos nomes atrevo.me a dizer que se trata de eleitores de Porto Alexandre (actual Tombwa), na mesma data.

 
Agostinho Ferreira
? Augusto de Sampaio Nunes
Antonio Alves
Antonio da Cruz Viegas ?
António Joaquim da Cruz Viegas ?
Antonio Maria Gaspar
Adelino N. Correia
Décio Alberto Rodrigues Leitão
Edmundo Augusto da Costa
Fernando Bacalhau
Francisco Bento Viegas 
Francisco Fernandes de Carvalho
Ftancisco Nunes Callere
Francisco Pacheco Costa Cabral
Francisco de Sousa Martins Junior
Francisco Silva
Ignãcio do Espirito Santos Ramires
João Dolbeth e Costa


Januário Mendes Tendinha
Joaquim José Dolbeth e Costa
Joaquim Pereira
Joaquim de Oliveira Silva
José Carlos de Freitas
José Fortunato
José Joaquim Fernandes Inocèncio
José de Sousa Martins
José dos Santos Peleira
Lourenço Viegas
Manuel Nunes de Carvalho
Manuel do Ó Faustino
Manuel do Ó Faustino Junior
Manuel José Russo
Manuel Pereira Martins
Manuel da Cruz Barreto
Manuel da Cruz Viegas Bezouro
Manuel Martins
Manuel Martins Carapinha
Manuel de Albuquerque Corte Real
Manuel Drumond Telles
Manuel do Sacramento Martinho
Paulo Dolbeth e Costa
Sebastião Formosinho Pereira?
Romão de Laboreiro
Torquato Martins da Cruz


Este foi o primeiro recenseamento de cidadãos elegíveis que se realizou em Moçâmedes, em Angola, no quadro da 1. República Portuguesa. 


Nas primeiras eleições legislativas de 28 de Maio de 1911, o primeiro acto eleitoral da República Portuguesa, apenas votaram os cidadãos alfabetizados e os chefes de família (homens), maiores de 21 anos. Interessante encontrar um recenseado sem profissão, o que faz pressupor que a lei ao ser aplicada, não eliminava homens  solteiros não ocupados.  Abrangia chefes de família, homens, mulheres é que não! (1) O sufrágio universal foi afastado.

Por esta altura a mulher não tinha ainda adquirido o direito ao voto, este direito apenas contemplava o chefes de família. Aliás, foi nestas eleições que a primeira mulher portuguesa exerceu o direito de voto; Carolina Beatriz Ângelo, médica, viúva e chefe de família, defendeu que havia uma ambiguidade na lei que não excluía efetivamente o género feminino da capacidade eleitoral ativa, reclamando em tribunal a sua inclusão no recenseamento eleitoral.
Encontramos nestas listas uma grande variedade de profissões, gente dedicada ao comércio, agricultores, marítimos, pescadores, proprietários, industriais, emp. publicos, emp. comércio, emp.agricolas, emp. escritório, farmacêutico, alfaiate, pedreiro, serralheiro, pintor, fundidor, pintor, carpinteiro, tarefeiro, barbeiros, soldados, continuos, fogueiros, tanoeiros, professores, farmacêuticso, maquinistas, enfermeiros, musico, advogado, etc etc. Por esta altura ainda que as actividades do distrito estivessem grandemente assentes nas actividades marítimas, como podemos facilmente verificar, olhando a maioria das profissões, os pescadores e os marítimos  não ocupam no censo o número  que julgaríamos ocupar.

Estes seriam ainda alguns dos chamados "colonos velhos", alguns descendentes dos colonos pioneiros fundadores, que chegaram a Moçâmedes nos anos 1849 e 1850, vindos de Pernambuco, Brasil, fugidos da Revolução Praeeira, e que ali se dedicaram ao comércio e à agricultura,  outros, descendentes de primeiros olhanenses e algarvios que ali se estabeleceram desde 1861, por sua conta e risco, sem ajudas governamentais, famílias inteiras viajando em palhabotes, caíques e outros barcos à vela, e que ali se dedicaram esmagadoramente à faina da pesca. Outros ainda ali estabelecidos posteriormente, oriundos dos mais variados pontos do Portugal metropolitano, dedicados às mais diferentes actividades .


A 1. Republica portuguesa foi implantada em 10 de Outubro de 1910, após a queda da Monarquia Constitucional, o sistema governativo que por sua vez tivera lugar na  sequência da Revolução Liberal de 1820, e da aprovação da Constituição de 1822. 


Nos finais do século XIX, as tentativas de modernização do país, através da construção de pontes, caminhos-de-ferro  conseguidas através de empréstimos  ao estrangeiro, a juros altos,  agravaram o endividamento externo, levaram ao desequilíbrio financeiro, obrigaram o Estado  ao lançamento de impostos geraram o descontentamento social, enquanto a monarquia era acusada de ineficácia, e a causa de todos os males.  

Portugal deste tempo mantinha uma economia de base agrícola, o analfabetismo era superior a 80%,  perpassada pela inflacção e pelo desemprego onde acabou por se concretizar a bancarrota em 1889.  Apesar dos esforços realizados pelos governos regeneradores da segunda metade do século, que pretendiam dotar o país de infra-estruturas que permitissem o desenvolvimento da indústria e do comércio, a verdade é que as medidas tomadas ficaram aquém das expectativas, e os gastos da corte através de fundos das contas públicas eram mal vistos enquanto o país padecia de fome. E quando D Carlos subiu ao trono em 1889, Portugal atravessava uma grave crise económica. 

Para complicar a situação, em Janeiro de 1890 os portugueses sofreram uma afronta: o "Ultimato Inglês", no qual a Inglaterra exigia que o governo português mandasse retirar os exércitos que se encontravam entre as colónias de Angola e Moçambique, ou declararia guerra ao país. O governo cedeu e os portugueses sentiram-se humilhados e atribuíram as culpas à insuficiência política do rei. Os republicanos aproveitaram esta oportunidade para reforçar a ideia de que a monarquia devia ser derrubada. Houve em todo o país inúmeras  manifestações contra o Ultimato e os jornais encheram-se de artigos violentos contra a Inglaterra, contra o rei e contra a monarquia,  foi um rude golpe em meio pouco instruída e incapaz de perceber a impotência militar e diplomática do país em 1890. Os últimos anos da Monarquia verificava-se um rotativismo partidário sem produzir resultados positivos. O número de militantes republicanos era cada vez maior e os seus apoios incluíam organizações secretas como a Maçonaria e a Carbonária. A dureza das medidas acabou por radicalizar a oposição, levar a um redobrar da conflitualidade social e políticas, a lutas entre o Governo e a Igreja Católica, a divergências entre os mesmos  republicanos, maçons e carbonários, que conduzir ao regicídio em Fevereiro de 1908, e originaram a revolução de 5 de Outubro.Com  morte do Rei D Carlos, o trono foi ocupado por D. Manuel, que restabeleceu as instituições democrática, mas a monarquia não conseguiu  recuperar a credibilidade perdida nem o apoio da população.  


A 1.' República veio romper com o Constitucionalismo Monárquico nos campos políticos, sociais, culturaís e pedagógicos,  durou pouco menos de dezasseis anos, de 5 de Outubro de 1910 a 28 de Maio de 1926, quando uma parte do exército português, perante a complacência da maioria da população lhe pôs um termo.

Excepto a Suíça, Portugal foi a segunda República a ser criada de forma duradoura na Europa e a primeira a nascer no século XX, num contexto internacional muito duro, de instabilidade política assinalável. 


Nada menos que "...quarenta e tal governos, seis presidentes, eleições parlamentares em média de dois em dois anos, vinte e cinco revoltas e motins, ... " (Martins, 1998, 70). Portugal era nos primeiros trinta anos do século XX, um país pobre e iliterato inserido num cenário de crise social económica e política mundial. 



MariaNJardim