Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

As águas das cheias do rio Bero em Mossâmedes (Moçâmedes-Namibe) transbordando para as furnas de Santo António



Era assim quando as águas do rio Bero transbordavam do leito, alagavam os terrenos marginais, e avançaram rumo à parte baixa da cidade… O carro que se vê na foto fazendo a travessia da Rua da Praia do Bonfim pertencia a um residente que morava nesta rua, de nome Cabral (o velho Cabral)



AS CHEIAS DA MINHA INFÂNCIA


Na nossa terra, em Angola, as cheias,
Sempre vieram e continuaram a vir
Dos altos abruptos da Xela, de roldão
 Lembro-me disso bem, não esqueci, não…
Saltavam do leito do Bero e cobriam a linha 
E as muitas fazendas que nas margens tinha,
Travando o Camacove(*) no Giraul, ou no Saco-Mar, 
Invadindo as aldeias  e Hortas que podia encontrar…

Arrasando povoados e destruindo plantações,
Deixavam Mossâmedes, sem o recurso à água pura
do Planalto e a beber da sua, após fortes ebulições,
filtrada em “Sanga de pedra”(1), para ser mais segura…

Cheias que na sua imparável e imponente cavalgada,
Chegavam a inundar as ruas e os ares da Baixa da Cidade,
Ameaça esta contra a qual a cidadela não estava preparada(2)
Pois, para um surto palustre,
  só a quina tinha tal capacidade…

Era ali que a inocência infantil se fazia atrevida e sem peias.
Era o tempo das crianças correrem descalços, sem meias…
Para todas, aqueles eram dias de muito rir, de muito brincar.

De pôr barcos de papel a navegar 
Sob  um céu d’andorinhas,
De correr e tentar apanhar aquelas lindas e velozes libelinhas,
Paradas sobre aquelas águas barrentas que o Sol fazia brilhar.
 
Tudo ia bem, até que frutas e verduras começavam a desaparecer.
Vinha então o tempo de irmos todos dias p’rá porta da kitanda.
Tínhamos que comprar frescos e frutas, desse lá por onde der.
E compravam-se até ervas mais velhas que o Kaparandanda(3)…

Mas não há mau tempo que não finde, nem bom que deixe de vir.
Um dia, lá chegava o Camacove com água e frescos p’ra a gente.
Ao porto chegam Fardos de Roupa e caixas de Quinino Americano
e, só nesse dia, fomos à praia inaugurar o nosso Verão desse ano…

Aguentem lá essas cheias, Manas,
Patrícias Minhas, Australianas

KANDANDOS
Do
NECO (NECO MANGERICÃO
6.03.2010





Era este o estado em que ficavam as Hortas de Moçâmedes. Trata-se da Horta do Torres, delicioso oásis pela abundância da sua arborização, pelas sombras e parques, flores e frutos, que faziam dela um lugar de eleição ...


O Challet das Hortas visto de perto, uma pérola da arquitectura da colonozação  que acabaria por se desmoronar uns 25 anos após a independência, precisamente por ocasião de uma dessas cheias. Em seguida foi arrancado o histórico portão em ferro da mesma e levado não se cabe para onde...

O caudal do Bero despenhando-se em cascata para o interior as «Furnas de Santo António» …


Outra prespectiva

As margens do rio Bero ainda não estavam reguladas, e em tempo de grandes chuvadas, as águas transbordaram do leito, alagaram os terrenos marginais, e avançaram rumo à parte baixa da cidade, levando o caudal na sua passagem a transvasar como se de uma cascata se tratasse, para o interior as «Furnas de Santo António» …






                                      Uma perspectiva das «furnas de Santo António»



Início 1950, senhoras de Moçâmedes visitam o Bero em tempo de cheias, mas já com ponte e com as margens do rio reguladas...


Aproveitando a morfologia do terreno, o Estádio Municipal foi mais tarde construído no sitio das "furnas de Santo António"...



Estádio no dia da inauguração




Em Moçâmedes raramente chovia, mas de vez em quando era a valer… Uma dessas vezes foi na década de 1940. Nessa altura, as margens do rio Bero ainda não estavam reguladas, a chuva foi tanta que as águas transbordaram do leito, alagaram os terrenos marginais, e avançaram rumo à parte baixa da cidade, tendo o caudal na sua passagem transvasado como uma cascata para o interior as «furnas de Santo António». As ruas ficaram de tal modo alagadas que algumas pessoas chegaram a utilizar pequenos barcos para poderem se deslocar de um lado para outro. As «furnas de Santo António» ficavam próximo do antigo aeroporto de Moçâmedes (o velho campo de aviação), e no ano de 1972, aproveitando a morfologia do terreno, foram ocupadas pelo novo Estádio Municipal, que pode ser visto, no dia da sua inauguração, clicando AQUI..


Sem o rio Bero não haveria Moçâmedes. O Bero, o "Nilo de Moçâmedes", foi o rio que tornou Moçâmedes possível!

A obra de José Bento Duarte -Senhores do Sol e do Vento refere: "... foi grande o desapontamento que tiveram os primeiros colonos vindos de Pernambuco, Brasil, fugidos da revolução praieira, quando, ao entrarem na baía de Moçâmedes, levados pela barca brasileira "Tentativa Feliz", em 04 de Agosto de 1849, enxergaram angustiados as fugidias pinceladas de vegetação da foz do rio Bero e a monotonia dos areais sem fim. dos quais sobressaia o recorte severo da fortaleza de S. Fernando, onde lhes estava destinado erguerem os seus novos lares, que de início não foram mais que meia dúzia de choupanas de pau-a-pique e alguns barracões de paredes de madeira e coberturas de palha. 
José Bento Duarte refere também que : "... Freire de Abreu e Castro ter-se-ia sentido igualmente decepcionado, ao confrontar-se com um vasto areal desértico, servido por um rio seco, mas mais tarde viria a referir-se ao mesmo rio como o "Nilo de Moçâmedes", isto porque na época das chuvas as águas das enxurradas ao invadirem as margens, levavam consigo fertilizantes naturais para novas sementeiras, gerando uma espécie de microclima temperado que fazia das "Hortas" verdadeiros oásis. Foi então que, repartindo-se pelos campos marginais do Bero, os colonos procuravam os terrenos mais aptos para as culturas, e, informados das inundações periódicas, exteriorizaram algum optimismo sobre as possibilidades da região e começaram as lides agrícolas mantendo com os cuvales das vizinhanças relações aquilo que o autor designaria de uma "cordialidade distante", e esquadrilharam meticulosamente os subúrbios da povoação.  Porém o triénio de 1850 a 1852 foi um período de calores sufocantes e de águas escassas, as primeiras águas, empurradas do planalto, desapareceram com celeridade no chão martirizado, o Bero tornou-se numa língua de areias crestadas, com as margens revestidas por uma crosta acastanhada de lodo velho e seco, e dos céus patrulhados por ruidosas esquadrilhas de corvos, não se despegava um sinal de chuva, enquanto os homens vagueavam abatidos por ali acima, até muitas léguas da foz, remediando-se com cacimbas escavadas nas proximidades ou nos quintais das residências. Cobertos de andrajos e com os víveres esgotados, os colonos sobreviviam graças à caridade dos seus compatriotas de Benguela e Luanda. Foi este o quadro em que a povoação viu, apesar de tudo, ampliada a sua população branca: a 26 de Novembro de 1850 desembarcaram na baía mais cento e sete colonos oriundos de Pernambuco, transportados pela Barca Bracarense. Outros núcleos, mais reduzidos, se lhes seguiram, provenientes do Rio de Janeiro e da Baía. Cerca de três centenas de refugiados procuravam dar corpo ao projecto português no Sul de Angola. As águas, abundantes, chegaram de um dia para o outro, escoadas das distantes cadeias montanhosas. Juntamente com o húmus providencial vieram na correnteza algumas exóticas novidades - carcaças de elefantes, búfalos, antílopes e outros animais, arrebatados ao sertão pela violência das enxurradas. "

Bero um rio seco a maior parte do ano... O que acontece? Como acontece?


"...O Bero recebe as aguas duma grande extensão da vertente oeste da Chella e aindade uma grande parte do seu platcau. Estas derivam da Bata-Bata pelo Calombo, Bcmgolo e Cangalombe formando o Chacuto, do Jau e Onaheria pelo Quambambe e Munhere que formam o Tampa, e do Panguero pelo Tchipeio. Todos estes conservam corrente permanente até alcançarem o sopé da serra, depois de se terem despenhado pela vertente. Alem destes, outros afluentes de cursos periódicos, torrenciaes com as grandes trovoadas, formam o Bero, taes como o Hoke e Elephanlc que originam o Saiona e se lança nelle apenas no seu terço inferior. O Cambunga, Metaca, e outros que, seguindo para norte até se unirem ao Tampa, desviam depois para noroeste. O curso deste em tudo similhante ao Giraul e S. Nicolau, é de todos os da zona do litoral aquelle que conserva maior volume d'aguas correntes e estas se manifestam até mais próximo do mar. E isso é devido não só ao facto do seu curso ser também o mais directo entre a serra e o litoral e á grande quantidade de aguas que constantemente recebe do planalto, mas ainda á natureza dos terrenos em que abre o seu leito, o qual, sendo rochoso e duro, está atulhado de pedras e areias, não permittindo a infiltração nem facilitando a evaporação. No terço inferior, porem, alastra sob extensa camada arenosa, formando lençol, até ao litoral da vasta bahia de Mossâmedes e a agua, a não ser nas enchentes, só pode descobrir-se cavando na areia. O Bero é habitado no seu curso inferior junto aos Cavalleiros, e em todas as margens dos seus afluentes no curso superior até á confluência do Saiona, sendo nalguns pontos muito densa a população como em Bata-Bata, Ongheria e Tchipeio.


O Bero, vem referido nos Annaes do Município de Moçâmedes de 1858, era pelos autóctones conhecido por "Belo". Porém Bero e não Belo surge rectificado pelo tenente Garcia nas suas "Memórias das Explorações de 1839"


MariaNJardim


Créditos de Imagem:

Antunes Salvador (1ª e 4ª)

Victor Torres (2ª e 3ª)

Olimpia Aquino Arvela (5ª)

Ascensão Bacharel (8ª)


           



Ver também aqui:
MariaNJardim
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Edifício do Cabo Submarino (Moçâmedes -Angola)







 
O edifício do Cabo Submarino em Moçâmedes, Angola, também conhecido com o «Chalet da Companhia Telegraphica» ,,,


Já quase ninguém se lembra deste bonito edifício de traça colonial e detalhes ornamentais que denunciam a origem inglesa do projecto. Todo construído em ferro e madeira, era conhecido, também, como o «Chalet da Companhia Telegraphica» pela sua elegância, situação e comodidade, e assim era designado em relatos de viajantes (1). Ninguém se lembra porque por volta de finais da década de 1950 este belo edifício foi completamente desmantelado.




Qual a importância desta construção?


Neste edifício, intimamente ligado à colonização do sul de Angola, em relação ao qual se desconhece quem o projectou, bem como a data precisa da sua construção, funcionou a partir do último quartel do século XIX, uma Central de Comunicações por cabo telegráfico submarino(1) que fazia a ligação de Moçâmedes à cidade do Cabo, na África do Sul, e às cidades de Luanda e Benguela no território de Angola.

Vejamos o que a este respeito nos diz a obra 
 
"Os Portuguezes em Africa, Asia, America, e Occeania": Obra classica, Volumes 7-8

"...A 9 de julho de 1884 fez o governo um contracto provisório com o conde Okaska para o estabelecimento de um cabo submarino que ligasse a ilha de S. Vicente de Cabo Verde com a ilha de S. Thiago, esta com Bolama e Bissau, ilha do Principe, S. Thomé e Loanda. N'esse mesmo anno se estabeleceu a ligação entre a ilha de S. Vicente e de S. Thiago. Os contractos de 1885, ampliando o primitivo, ligaram ainda telegraphicamente Loanda com Benguella, Novo Redondo e Mossâmedes, e esta ultima povoação com o Cabo da Boa Esperança. No caso da empreza estabelecer cabo submarino para o Estado Livre do Congo, obrigou-se a ligar essa estação telegraphica com a margem portugueza do Zaire. O governo garantia á empreza um trafico de 165 contos annuaes, durante vinte e cinco annos. Este cabo que não só liga telegraphicamente todas as possessões portuguezas da Africa Occidental, mas cinge a Africa toda com a sua rede, está funccionando já, realisando assim e ampliando a aspiração infructifera de Andrade Corvo manifestada em 1876."




Tudo começou, a partir da África do Sul. Em 1 de Maio de 1889 a CS Scotia lançou os cabos telegráficos pela costa atlântica africana. A "West African Telegraph Company",  na Cidade do Cabo, ficou ligada a Moçâmedes, em Angola. No mesmo ano, a IRGP estendeu o cabo de Moçâmedes (Namibe) a Benguela e a Luanda. Quatro anos depois o cabo dava literalmente a volta ao mundo, revolucionando as comunicações. (Informe-se sobre a instalação do cabo submarino em History of the Atlantic Cable & Submarine Telegraphy - Cable & Wireless.)

Segundo informações recolhidas, o decreto que autorizou um acordo entre a West African Telegraph Company e a African Direct Telegraph Company, respeitante à construção e exploração de cabo telegráfico submarino para a costa ocidental de África, foi publicado em 15 de Abril de 1886, no ano a seguir à Conferência de Berlim (1884-1885), a célebre Conferência que foi a mola impulsionadora que fez confluir em África avultados meios humanos, financeiros e tecnológicos que visavam a exploração daquele vasto, rico, porém,mal conhecido e explorado continente.

Portugal seguia assim o percurso das outras potências com pretensões coloniais, preparando-se para assegurar o seu domínio nos territórios africanos de difícil locomoção.

A telegrafia sem fios, as linhas de telégrafos e os cabo submarinos, ainda que não tivessem o mesmo impacto que a via terrestre na vida económica e social dos autóctones, possuíam uma importância capital na comunicação, quer entre a África e a Europa, quer entre as diferentes regiões da África central e austral. O telégrafo morse, iria ser o grande ganhador das comunicações.

A ligação entre Luanda e a Cabo da Boa Esperança, tocando Moçâmedes e Benguela insere-se, pois, no quadro dos interesses das potências europeias e ocidentais pelo Continente Africano, e no estabelecimento do princípio da ocupação efectiva dos territórios africanos, apenas para os países com meios para os ocupar de facto, acontecimentos que levaram ao reforço na consciência colectiva portuguesa de apego ao Império colonial, mas também (ou acima de tudo) à intenção de o defender e consolidar. Não esqueçamos os interesses coloniais germânicos se faziam sentir (1880), relacionados com a ampliação da sua esfera de influência ao norte do Cunene, nos territórios situados ao norte da catarata de Ruacaná. Havia também que acompanhar o que se passava na Europa, e o enorme desenvolvimento tecnológico e industrial em todo o mundo, sobretudo no velho continente e nos EUA.

Foi em 1884/5 que Pinheiro Chagas enviou para o sul de Angola cen
tenas de colonos, sobretudo da Madeira, para contrabalançar a influência considerada «desnacionalizadora» dos boers. E foi na mesma altura que os exploradores Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens deram início a nova exploração, primeiro entre a costa e o planalto da Huila e depois através do interior até Quelimane, estabelecendo a desejada ligação por terra entre as costas de Angola e de Moçambique, e explorando as vastas regiões do interior entre estes dois territórios. 
 
O edifício do Cabo Submarino de Moçâmedes, marco de uma época na história da colonização portuguesa de Angola, poderia ser hoje um edifício centenário de valor simbólico a valorizar o património cultural e a memória da cidade do Namibe, tal como o é o Edifício do Cabo Submarino de Benguela, hoje conhecido pelo «edifício da Cultura», que foi recuperado em 2001, já após a independência de Angola, sinal evidente da preocupação das  autoridades angolanas em preservar aquilo que os portugueses na década de 1950, não tiveram a capacidade de valorizar, ao desmantelarem. Assim as mesmas autoridades saibam preservar o centro histórico da cidade do Namibe, de incalculável valor, por aquilo que significa, não apenas para História da cidade, como para a própria História da colonização de Angola. Esse centro histórico, não esqueçam, vem descrito em imensa literatura do século XIX, ainda hoje patente e preservada nas Bibliotecas Nacionais de todo o mundo. E não só através da escrita (livros), mas também documentado com fotografias! 


Pesquisa e texto de 
MariaNJardim


(1)  Um Cabo submarino é um cabo telefónico especial, que recebe uma protecção mecânica adicional, própria para instalação sob a água, por exemplo, em rios, baías e oceanos. Normalmente dispõe de alma de aço e de um isolamento e protecção mecânica especiais Este tipo de cabo telefónico é utilizado principalmente em redes internacionais de telecomunicações, que interligam países e continentes.


Alguma bibliografia sumária:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabo_submarino.
Os Portuguezes em Africa, Asia, America, e Occeania: Obra classica, Volumes 7-8
History of the Atlantic Cable & Undersea Comunicações
«Angola transportes» de Beatriz Heintze


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EXCERTO DA NOTÍCIA “O TELÉGRAFO SUBMARINO"
 ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA, 28 DE ABRIL DE 1913, N.º 375, LISBOA, PP.527-528.


"A The Eastern Telegraph Company quasi envolve o mundo com os seus cabos sob o misterio dos oceanos. De Marrocos aos Cabo pussue as costas d’Africa, envolve o Brasil, a Argentina até ao Peru, a India é dominada, a Asia e parte da Oceania comunicam pelas suas linhas. (...) O galope do pensamento, o cavalo aereo de que todas as narrativas da juventude nos falam não é nada com o positivo do cabo submarino, a linha das surpresas, que nos faz saber n’um espaço breve as revoluções da Russia, os combates do Japão, os ciclones da America, as fomes da India, as miserias, as grandezas, os crimes, as virtudes do mundo pelo simples movimento de uns aparelhos d’um extremo ao outro do universo. Por isso, ali, n’aquela sala larga da estação do telegrafo submarino, na quinta Nova de Carcavelos, diante dos rapazes que estavam atentos aos seus aparelhos, nós diziamos com uma vaga inveja ao chefe que nos acompanhava: Os Senhores daqui dominam o mundo (...)."
FONTE: FUNDAÇÃO PT


Em tempo: Acabei de saber que um  incêndio de grandes proporções na madrugada de 28 de março de 2015, destruiu o Cabo Submarino de Benguela que funcionava como sede das direcções provinciais da Cultura e da Família e Promoção da Mulher naquela cidade. 
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O edifício do Cabo Submarino e o Desporto em Moçâmedes




Quando estas fotos foram tiradas deixara já de existir a função para a qual este belo edifício havia sido construído. Sabe-se que o mesmo fora alugado a uma grande empresa construtora (OMES), e que na década de 1950 acabou por ser demolido, tal como demolidos nessa mesma década do pós 2ª Grande Guerra, foram o Observatório Metereológico, e o velho Coreto que ficava no epicentro da Avenida da República.  Na década de 1950 foram libertadas verbas para finalmente se avançar com o plano quinquenal, paralisado por força da guerra, e o resultado, entre outros, foi esse. Moçâmedes perdeu três grandes testemunhos da sua História, um deles este edificio, outro o Observatório Metereológico, e ainda outro o Piquete da Alfândega de arquitectura romântica, para náo falar do velho Coreto, onde aos domingos bandas de música iam tocar!

Mas o edifício do Cabo Submarino em Moçâmedes, nesse ínterim, entre a sua desmobilização e o derrube final, foi palco de outras actividades que as fotos que seguem nos farão recordar. Estas fotos têm a particularidade de nos mostrar as traseiras desse edifício, numa altura em que decorria ali uma espécie de "feira popular", e no recinto de jogos se confrontavam as equipas de hóquei em patins do Sporting Clube de Moçâmedes e do Independente de Porto Alexandre (juvenis). 
 
Em tempos de feira, à volta do recinto, por esse tempo podiamos ver um pavilhão restaurante, e pequenas barracas onde à boa maneira portuguesa se vendia de tudo um pouco, rifas, pequenas estatuetas, tabaco, caixas de bom-bons, bebidas, etc., se praticva tiro ao alvo, enquanto pequenos altifalantes lançavam para o ar marchinhas e baiões que animavam a recinto. Feira, jogos, jogos e feira… E quando terminava o jogo, a feira mantinha-se e o pequeno recinto cimentado servia de pista de dança.

Também ainda no início da década de 1950 o edifício do Cabo Submarino servia de dormitório aos jovens hoquistas da equipa dos Maristas de Sá da Bandeira quando desciam a Chela rumo ao Namibe, para disputarem encontros de hóquei em patins, nesse tempo em que a modalidade tinha começado a despontar entre nós.

Convém referir que em tempos mais atrás, o edifício do Cabo Submarino de Moçâmedes serviu de alojamento a funcionários daquela Companhia inglesa que se revelaram grandes desportistas e influenciaram o desporto (futebol) em Moçâmedes, e que foi por sua influência que surgiu o primitivo "Royal Clube de Mossâmedes", mais tarde transformado no Atlético Clube de Moçâmedes.

MariaNJardim
(fotos do meu album pessoal)

Sobre os pioneiros do hóquei em patins:
https://princesa-do-namibe.blogspot.com/2007/03/crianas-e-adolescentes-de-momedes-1951.html
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O edifício dos Correios Telégrafos e Telefones de Moçâmedes na década de 1950






Este é o edifício dos Serviços de Correios, Telégrafos e Telefones de Moçâmedes, construido na década de 1950 pela CICOREL, situado em local privilegiado, na então denominada Rua Alves Bastos, a rua que descendo a Fortaleza, desembocava no largo  onde fica o edifício de traça classizante dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes.

Até aos anos 50 do século passado estes Serviços funcionavam no edifício da Alfândega, numa das alas que convergia com a Praça Leal onde ficava a Praça de táxis. Moçâmedes cresceu demograficamente, alargou-se vencendo as areias do Deserto, e a construção deste edíficio veio colmatar uma necessidade preemente.

Por esta altura, no quadro do Estado Novo era o estilo "Português Suave", também conhecido como estilo nacionalista, tradicionalista e Estado Novo, foi o resultado das ideias de vários arquitectos portugueses que procuraram criar a “genuína arquitectura portuguesa”, resultando desta corrente a criação de um estilo de arquitectura que utilizou as características modernistas da engenharia, mascaradas por uma mistura de elementos estéticos exteriores emprestados da arquitectura portuguesa dos séculos XVII e XVIII e das casas tradicionais das várias regiões de Portugal. Este  modelo arquitectónico era usado em edifícios públicos, desde Correios, pequenas escolas rurais elementares a grandes escolas secundárias e campus universitários, quartéis militares, tribunais de justiça, hospitais, e assim por diante.  

Tipicamente, são utilizados elementos decorativos como pedra rústica, socos, cunhas e faixas, telhados de água inclinados com beirais e telha vermelha, falsos cornijas, pináculos, pilastras nas varandas, etc. Também é comum a existência de arcos e torres de evocação medievais com coruchéus (piramidais ou cônicos) encimados por esferas armilares (simbolizando o império), ou com respiradouros de vento, mais presentes nas aldeias. As colunatas também desempenham um papel importante nos elementos arquitectónicos do Edifício estilo "Português Suave". A verticalidade e o facto de se repetirem ao longo da fachada, provocam um espaço de entrada muito austero e forte, característica usada principalmente em prédios administrativos e judiciais (ministérios, tribunais, etc.) pelo papel que representavam na sociedade quotidiana da época.  

O estilo foi severamente atacado por um grande número de jovens arquitetos portugueses influenciados pelo modernismo brasileiro que o acusaram de provinciano e destituído de imaginação. O termo pelo qual é conhecido, “Português Suave” foi dado ironicamente pelos seus críticos, que o compararam a uma marca de cigarros de mesmo nome. O maior golpe no estilo foi atingido pelo 1º Congresso Nacional de Arquitetura de 1948, o que significa que ele gradualmente foi abandonado para obras públicas e privadas. Mais tarde começaram a surgir em Moçâmedes obras modernistas como o Mercado Municipal, Cine Esplanada Impala, a Igreja de S. Pedro e um Cine-estúdio que não chegou a ser inaugurado devido à debandada dos portugueses em 1975, quando da independència de Angola e da guerra entre movimentos independentistas na luta pelo poder custe o que custar com auxilio da URSS e dos EUA. China, Cuba.

A partir de meados dos anos 60, as obras públicas patrocinadas pelo Estado começaram a usar estilos arquitetônicos mais modernos. Apesar das críticas de muitos intelectuais, o estilo revelou-se popular, correspondendo aos gostos de um segmento do povo português. Suas características, embora atenuadas, voltaram e podem ser vistas em vários edifícios privados construídos desde a década de 1990. Hoje o estilo é muito apreciado.
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Sobre os CTT

Da revista «Destaque» passarei a transcrever o seguinte artigo:
Comunicações em Angola. Para a História

A necessidade de um serviço regular de correios em Angola foi expressa pela primeira vez em 7 de Setembro 1770 por D. Maria I, Rainha de Portugal, depois de se terem utilizado durante muitos séculos os meios primários de comunicação, entre os quais os instrumentos acústicos e os estafetas.

Esse projecto, só em 1796 tomou corpo, depois do Ministro Sousa Coutinho, ter encarregado Almeida e Vasconcelos, na altura Governador de Angola, de elaborar o primeiro "estudo diagnósticodo serviço de correio de cartas" em Angola.

Em 20 de Janeiro de 1798, no tempo em que era Governador Geral da Colónia, Miguel António de Melo,foi publicado pelo Reino de Portugal um "Alvará de estabelecimento de Correios Marítimos", e em 7 de Dezembro do mesmo ano, publicado o texto orgânico da primeira organização dos correios. Esta primeira Lei conservou durante quase dois séculos muitos dos seus princípios.

Ainda em 1798 os "correios" foram estabelecidos em Luanda e Benguela, ficando os seus administradores dependentes directamente do Governador.

A 18 de Junho de 1800, ainda na vigência do governo de Miguel António de Melo, foi aprovado o "plano de instruções para o estabelecimento dos Serviços de Correios", feito pela Junta Geral de Fazenda de Angola.

A partir daí os serviços de correios foram se expandindo por todo o território, introduzindo-se nele as alterações e inovações necessárias, que começaram pelo aparecimento de caixas de correio.

Em 1849, o então Governador Acácio da Silveira Pinto mandou publicar o "Regulamento para Inspecção e Administração dos Correios de Angola", cuja principal característica era a unificação da organização, ficando a partir daí a estrutura de Benguela sob dependência de Luanda. Nos outros distritos, os serviços de correio permaneceram sob a autoridade hierárquica dos "chefes e comandantes nos distritos e presídios".

Os problemas foram-se então apresentando com uma dimensão cada vez maior. Em 1856, o Governador Coelho do Amaral declara que a "introdução do sistema de selos" é difícil, mesmo em Luanda, e impossível no interior da Colónia, pelo que "o uso de tais selos requer inteligência e até um grande hábito de correspondências, que não há no território". Surgem então as primeiras preocupações com a formação de pessoal.

O dia 16 de Abril de 1874 marca uma data em que foi dado um grande passo com a autorização para o estabelecimento de uma ligação telegráfica com Portugal. O regulamento provisório do serviço telegráfico foi publicado em Novembro de 1877. Carvalho de Meneses, na sua qualidade de Governador, dá parte, em 25 de Julho de 1879, ao Ministro da Marinha e Ultramar, da dificuldade que então se sentia em elaborar um "Plano racional para a organização dos correios, sem a existência de estradas e melhores estímulos salariais para o recrutamento de pessoal habilitado".

As décadas de 80 e 90 do século XIX foram profícuas para as comunicações no território de Angola. Aos 27 de Dezembro de 1884, por portaria régia, foi declarado em vigor em Angola o regulamento provisório dos serviços telegráfico e postal vigente em Portugal. Constatando-se os bons resultados conseguidos com os dois telefones modernos existentes nessa época, o Governador Geral de Angola, Francisco Joaquim Ferreira de Amaral remeteu aos 14 de Maio de 1885 um ofício ao Ministro da Marinha e Ultramar sobre o estabelecimento da rede geral de telefones em todas as estações oficiais e casas particulares. Para os primeiros assinantes, fez-se a primeira encomenda de 50 telefones à Alemanha.

Em 1898 foi harmonizado o regulamento telegráfico interno com o regulamento telegráfico internacional, passando a secção telegráfica, que desde 1880 dependia da "Direcção das Obras Públicas", a ser uma Direcção Autónoma. Aos 9 de Julho de 1884, é assinado o contrato provisório entre o conde Thadeu Oksza e o Governo Português para o estabelecimento de um cabo telegráfico submarino entre Lisboa e Luanda tocando em S. Tomé e com ramais para o Senegal e Bissau.

Em 5 de Junho de 1885 é assinado o contrato definitivo com o conde Thadeu Oksza em relação ao cabo telegráfico submarino Senegal-S.Tomé-Luanda, e na mesma data é autorizada a transferência para Índia Ruben Culta Penche and Telegraph Worke da concessão dada ao Conde
Thadeu Oksza relativa ao cabo telegráfico submarino de Luanda-Capetown.

No dia 15 de Abril de 1886 é publicado o decreto que autorizou um acordo entre a West African Telegraph Company e a African Direct Telegraph Company, respeitante à construção e exploração de cabo telegráfico submarino para a costa ocidental de África.

Em 28 de Setembro do mesmo ano, em comemoração do aniversário do Rei D. Carlos, é solenemente inaugurado o Serviço Telegráfico Submarino entre Lisboa e Luanda.

Em l de Maio de 1889 é inaugurado o cabo telegráfico submarino entre Luanda e a Cabo de Boa Esperança, tocando em Moçâmedes e Benguela.

Como se vê, durante muito tempo os Serviços de Correio e os Serviços Telegráficos, foram executados por providências tomadas pelos diversos governos locais. Os diplomas que organizaram e regularam esses serviços nos anos de 1885 e 1886 eram então, praticamente,
reproduções da legislação metropolitana de 1800. Contudo, registou-se a partir de 1900, uma evolução extremamente rápida na regulação dos serviços. Efectivamente, a 8 de Outubro de 1900 foi regulada a impressão, emissão e venda das franquias postais para todas as colónias portuguesas e regulado por decreto de 19 do mesmo mês, o serviço de permutação de fundos.

Em consequência de uma proposta de Lei apresentada ao Parlamento a 11 de Janeiro de 1901, e no sentido de se reformular e codificar toda a legislação dispersa dos correios e telégrafos coloniais, publicou-se em 1902 o "Regulamento dos Correios Ultramarinos", que centralizou os vários serviços num único organismo os "Correios, Telégrafos e Telefones", e que se conservou em vigor até 29 de Novembro de 1916. A rede dos CTT existente em 1910 era composta por:
• 44 estações postais;
• 122 estações telégrafo/postais;
• 22 estações rádio/telegráficas;
• 2 estações telegráficas.

Um passo que se mostrou de relevante importância foi a publicação em 19 de Setembro de 1913 da portaria, que criou a "Escola de Correios e Telégrafos de Angola".

Em 29 de Novembro de 1916 foi publicado o Decreto n.° 2862, que aprovou a nova organização dos Serviços de Correios e Telégrafos coloniais, substituindo o regulamento de 1902.
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Literatura dobre os CTT de Angola

I – Introdução
Estamos em 1936, e frequentemente a imprensa angolana, fazendo eco das lamentações dos comerciantes procurava chamar a atenção dos governantes para o deficiente e moroso serviço postal entre Portugal e a Colónia de Angola. Praticamente estavam reduzidos a duas malas regulares mensais que eram conduzidas pelos vapores que faziam também a carreira de Moçambique porque os outros vapores tinham uma periodicidade irregular tocando vários portos de escala pela costa africana. Reclamava-se insistentemente pelos elevados prejuízos que acarretava para a economia empresarial o deficiente serviço postal prestado pelos Correios.
(...)
O estado de insatisfação era latente porquanto a vizinha província de Moçambique já desde 1934 tinha ligações aéreas regulares com Portugal e a Europa em conexão com a Imperial British Airways.

Porém, há algum tempo os serviços dos Correios de Angola vinham trabalhando no sentido de encontrar uma saída para a inexistência de um serviço postal por via aérea. A solução mais cómoda e económica passava pela negociação com a SABENA para que os seus aviões pudessem fazer uma ligação quinzenal Leopoldville-Luanda. Mas perante o parecer negativo do Conselho Nacional do Ar, o Governo Central, em Lisboa, recusou esta solução, não tanto por questões técnicas mas sim por razões políticas. A Colónia de Angola contrariamente à de Moçambique não tinha aviação civil, e aceitar a entrada da companhia de aviação belga em Angola sem que em contrapartida uma hipotética homóloga de Angola o fizesse em relação ao Congo Belga era perante a comunidade internacional sinónimo de incapacidade de Portugal poder desenvolver economicamente os seus territórios ultramarinos.

Entretanto, desde finais de 1935 que já existiam contactos com os Correios de Moçambique tendentes a colher informação acerca de processos administrativos e documentação relacionados com o correio aéreo, pois aqueles já detinham grande experiência no novo serviço postal.

Em Janeiro de 1936 em plena preparação da 1ª. Conferência Económica do Império Colonial Português, com início marcado para 8 de Junho de 1936 em Lisboa, o presidente da Delegação de Angola àquela Conferência, Coronel António Brandão de Melo, oficiou o Director dos Correios de Angola, no sentido de ser informado acerca da situação em que se encontrava o processo de implementação do “Correio Aéreo” na Colónia, pois era sua intenção apresentar para debate como tema prioritário o problema das comunicações quer internas como externas em Angola, com o pormenor de também ser tratada e até talvez delineada, a autorização para o início de negociações sobre o transporte de correio aéreo dentro de Angola e também desta para o exterior.

VER AQUI SELOS
e AQUI
e AQUI
 

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Retomo a apresentação da marcofilia do CF de Angola, apresentando uma marca do CF de Moçâmedes não catalogada em CORREIA (1998):


Tipo - MSS2
Medida - 39,5 mm x 9 mm
Cor - Preta
Continuando a exibição de marcofilia originária de Moçâmedes, apresento seguidamente o carimbo elíptico REGISTADA/CORREIO DE MOSSAMEDES:


Marca cedida por um amigo filatelista;
usada num BP circulado para França

A par desta, surge uma outra marca, bem batida. Pertence ao 11º grupo (20 de Abril 1917) catalogado por Guedes de Magalhães. Em cima apresenta a legenda CORREIOS DE ANGOLA. A denominação da localidade aparece em baixo. Segundo Guedes de Magalhães (1986: 46), esta marca teve diminuta divulgação, aparecendo sobretudo associada aos serviços de registo, vales e encomendas, saí a ocorrência das letras R, V e E subpostas ao grupo datador .DAQUI
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https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi6AR7I5-uHutYj6JAfDr1kdezeeYZOV4seGNYKgT6SHpjsVVmxn2OHgASbDmai8x_tJqazOLZAlIJln9yWXphAvx_o16RRWyHk-5yUzrG-XDxsCJeWxs3wOykJ9NJDCcNXCCM9PXIPwn65/s400/selos+1.JPG

 

sábado, 12 de dezembro de 2009

Sul de Angola: Militares Portugueses no Lubango e em Mossãmedes, Janeiro de 1915

Militares Portugueses no Lubango, Janeiro de 1915
(...)

Em 1915, depois de desembarcar em Moçâmedes, a expedição de Pereira d’Eça subiu ao planalto e prosseguiu para Leste, mantendo-se a alguns dias de marcha do Cunene, para evitar incidentes na preocupante fronteira com a colónia alemã do Sudoeste Africano.

Nas deslocações de uma coluna militar, a cavalaria tinha por missão explorar o terreno na vanguarda e nos flancos, em constante movimentação, procurando evitar que a infantaria fosse surpreendida.

(...)

O itinerário da expedição tinha sido preparado pelo “serviço de etapas”, fixando os locais de abastecimento, em especial os cursos de água, onde homens e animais poderiam dessedentar-se. No entanto uma seca rigorosa gorou as expectativas, e depois de atravessarem vários leitos secos, houve que inflectir para o Cunene. Foi uma longa marcha, sempre a passo para evitar a transpiração, mas sem paragens, até porque nos últimos quilómetros nada detinha os animais, nem os fazia desviar do caminho do rio. Apesar de toda a sua fidelidade, os cavalos podiam virar a cabeça, apertados pelo freio dos cavaleiros, e tentavam acelerar o passo na direcção da água que já pressentiam, e a que conseguiram chegar nos limites da desidratação.

A cavalaria era uma arma fundamental nas vastidões africanas, mas seguindo o ditado português de que “quem não tem cão caça com gato”, quando não havia cavalos, os dragões montavam muares. Naquelas condições a sua segurança era dramaticamente reduzida, porque a vantagem da cavalaria era a rapidez. Com as mulas não se pode andar a “mata cavalos”, porque quando estão cansadas empinam-se, escoucinham, mas não avançam. Os dragões que só conseguiam mulas para as suas missões de patrulha despediam-se em grande pranto dos camaradas, porque dificilmente conseguiriam regressar.

Reagrupada e reabastecida a expedição, foi decidido que só uma progressão muito rápida sobre os objectivos conseguiria surpreender o inimigo, e concluir com sucesso a expedição. Rapidez significava naquelas circunstâncias, significava andar a mais de 30 quilómetros por dia, que era a velocidade de transmissão das mensagens dos “tantans” africanos. Assim os soldados, subalimentados e desidratados, foram obrigados a uma marcha forçada, que provocava frequentes desfalecimentos.

Certamente havia macas, mas não havia maqueiros, e o Dr. Monteiro d’Oliveira, movimentando-se na rectaguarda, recolhia os soldados desfalecidos, atravessava-os no cavalo, e levava-os até um carro de bagagem , onde ficavam estendidos o resto do dia. Como medicamentação recebiam um remédio precioso pela sua escassez: ¼ de água das pedras. A terapêutica era eficaz a 100% e no dia seguinte os soldados já marchavam ao lado dos camaradas.

A pronta recuperação de tantas baixas acabou por ser notada pelo general Pereira d’Eça, que mais tarde exarou um louvor ao tenente-médico António Monteiro d’Oliveira.

Finalmente a vila de N’giva (futura vila Pereira d’Eça) surgiu à vista da coluna. Era um dos principais objectivos da missão. Os dragões carregaram, a população fugiu, e quando a infantaria chegou a embala estava abandonada. A tomada de NGiva foi um sucesso, não só pelo reduzido número de baixas, mas também pela captura de documentação, nomeadamente uma curiosa carta de um missionário luterano, desaparecido na confusão do ataque, que comunicava aos seus superiores no Sudoeste Africano que a coluna portuguesa tinha sido totalmente derrotada...

[Copiado de Antigamente... ]

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A DEFESA DAS COLÓNIAS DE ÁFRICA, DE 1914 A 1920

Forças expedicionárias a caminho de África, em 1914
CRONOLOGIA DA PARTICIPAÇÃO PORTUGUESA NAPRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
A DEFESA DAS COLÓNIAS DE ÁFRICA, DE 1914 A 1920

[Retirado de O Portal da História]

O general Alves Roçadas

Alves Roçadas, nasceu em Vila Real, em 6 de Abril de 1865 e faleceu em 28 de Junho de 1926.
Foi governador do distrito de
Huíla no Sul de Angola e, em Outubro de 1914, comandou a força expedicionária portuguesa de 1600 homens, que foi enviada de Portugal, para Angola, com a finalidade de defender o território colonial e de combater o exército alemão situado na Damaralândia.
[Texto retirado da Wikipédia]
+++
(...)
Voltou a Angola em 1905, nomeado governador do distrito da Huíla, devido ao massacre de Pembe de uma força de 500 homens destacada da coluna que ia submeter os Cuanhamas, tribo sedeada no baixo Cunene.
Alves Roçadas começou por submeter a região dos Mulondo, a leste de Huíla, entre os rios Calculevar e Cunene, tendo morto o soba Haugalo. Em 1906, atacou a sul em direcção ao baixo Cunene, ao longo do rio Calculevar, ocupando Pocolo, Bela-Bela e Jau. Atravessou o Cunene, fundando o Forte Roçadas, em terras dos Cuamato. O avanço além Cunene, para ocupação da parte portuguesa do Ovampo, foi preparado com expedição de novas tropas. Para comandar esta expedição é nomeado em Maio de 1906 o capitão Alves Roçadas. As forças expedicionários saíram do Forte Roçadas em 27 de Agosto de 1907, sendo atacadas logo de seguida em Mufilo. Roçadas mandou formar um quadrado que conseguiu suster o ataque, sendo a cavalaria a decidir o combate. Seguiram-se vários outros combates, até que a embala de Nalueque foi finalmente ocupada. A campanha acabou em Outubro, com a pacificação das tribos do baixo Cunene, os Cuamatos.
(...)
Em 1914, quando se organizou a primeira expedição a Angola, para defender o sul da colónia, que fazia fronteira com a colónia alemã do Sudoeste Africano, Roçadas foi escolhido para a comandar. O incidente de Naulila, nas margens do Cunene, perto da fronteira entre as duas colónias, incidente entre forças militares portuguesas e alemãs, acontecido em 18 de Outubro, fez com os alemães atacassem o posto isolado de Cuangar, nas margens do Cubango. Alves Roçadas decidiu então, com as poucas forças de que dispunha, atravessar o Cunene e procurar as forças alemãs que tinham entrado no território português. Mas foi derrotado em Naulila, em 18 de Dezembro, e obrigado a atravessar o Cunene e o Caculevar, concentrando-se à volta do Forte Gambos. Devido a esta retirada os povos do Humbe revoltaram-se. Alves Roçadas foi, por isso, chamado a Portugal, embarcando em princípios de Maio de 1915.
(...)
[De José Augusto Alves Roçadas em O Portal da História].

A GUERRA EM ANGOLA

1. As primeiras operações militares
A força expedicionária. Preparação das operações
Incidentes de fronteira: Maziúa, Naulila e Cuangar
O novo plano de operações 2. Combate de Naulila - Retirada sobre os Gambos
3.
Situação político-militar depois do combate de Naulila
4. Preliminares das operações militares em 1915
O novo comando
A situação vista de Lisboa
A situação vista de Luanda
5. Execução das operações e ocupação do território do Baixo-Cunene
Reocupação do Humbe, futura base de operações
Operações além-Cunene: combates da Môngua
Operações além-Cunene: a chegada do destacamento do Cuamato
Operações além-Cunene: ocupação militar do teritório
[Retirado de O Portal da História]

SEguem algumas fotos e postais encontrados na net sobre a materia
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http://www.postcardman.net/138489.jpg

António Aniceto Monteiro (matemático), a irmã e os pais em Mossãmedes seu berço natal (ex-Moçâmedes, actual Namibe)



Os agradecimentos para esta e outras fotografias, são devidos ao Eng. Edgar Ataíde.
Digitalização de Jorge Rezende.
© Família de António Aniceto Monteiro
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António Aniceto Monteiro

Mossâmedes (Angola), 31 de Maio de 1907 -
- Bahía Blanca (Argentina), 29 de Outubro de 1980
 
António Aniceto Monteiro nasceu em Mossâmedes, Angola, em 31 de Maio de 1907. Angola era a sua terra natal. Mossâmedes era a designação desssa época, mais tarde (anos 20?) mudada para Moçâmedes. O nome depois da independência passou a ser Namibe. Os oito primeiros anos da sua vida, até à morte do pai, em 1915, passou-os o menino António Aniceto em pleno cenário de guerra. A mesma guerra que acabaria por matar o pai, tenente de infantaria, deixando uma viúva e dois órfãos.
Aqui serão colocadas ligações que podem ter interesse para a compreensão da História de Angola e da vida de António Aniceto Monteiro:

1) Angola - parte de Country Studies (USA).
...
Expansion and the Berlin Conference
SETTLEMENT, CONQUEST, AND DEVELOPMENT
The Demographic Situation
Military CampaignsAdministration and Development
ANGOLA UNDER THE SALAZAR REGIME
Angola under the New State
Salazar's Racial Politics
RISE OF AFRICAN NATIONALISM

-                                                                  Reprodução por meios fotográficos de Elza Amaral
                                                                           © Família de António Aniceto Monteiro

Os pais de António Aniceto Monteiro

O pai de António Aniceto Monteiro, alferes de infantaria, foi requisitado para desempenhar uma comissão de serviço dependente do Ministério da Marinha e Ultramar na construção do caminho de ferro de Mossâmedes por decreto de 4 de Julho de 1905, menos de um ano após o desastre de vau de Pembe. Seguiu para o sul de Angola em 7 de Julho de 1905. Exactamente 10 anos depois (7 de Julho de 1915) faleceu em Mossâmedes, de doença, como morriam muitos soldados naquela altura, após uma missão de reconhecimento à serra da Chela. Para sabe mais, clicar AQUI


Reprodução por meios fotográficos de Elza Amaral
© Família de António Aniceto Monteiro


António Aniceto Monteiro; António Aniceto Monteiro e a irmã; António Aniceto Monteiro, a irmã e o pai.
António Monteiro e Lídia durante o casamento (29 de Julho de 1929)

Reprodução por meios fotográficos de Elza Amaral
© Família de António Aniceto Monteiro
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António Aniceto Monteiro casou-se em 29 de Julho de 1929 em Lisboa, na 8ª Conservatória do Registo Civil, com Lídia Marina de Faria Torres, nascida em 31 de outubro de 1910, natural de Mossâmedes. Do casamento nasceram dois filhos – António, em 8 de Fevereiro de 1934, e Luiz, em 5 de Outubro de 1936.

Digitalização de Jorge Rezende
© Instituto de Odivelas
A irmã mais velha de António Aniceto Monteiro, no Instituto Feminino de Educação e Trabalho, actual Instituto de Odivelas (fotografia anterior a 1922 ou de 1922).
Digitalização de Jorge Rezende
Billhete de identidade da irmã de António Aniceto Monteiro, Maria Petronila, no Instituto Feminino de Educação e Trabalho (actual Instituto de Odivelas).

Digitalização de Jorge Rezende
© Família de António Aniceto Monteiro
Maria Petronila, irmã de António A. Monteiro, em 20 de Outubro de 1958
Natural de Mossâmedes

 Retirado DAQUI

Agradecimento da Câmara de Mossâmedes ao alferes Monteiro (21 de Dezembro de 1909)



© Família de António Aniceto Monteiro
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" Mais uma vez a Camara da minha presidencia tem o prazer e honra de agradecer a V.Excia. a preciosa coadjuvação que tão gostosa e desinteressadamente de ha muito lhe vem dispensando, quer na elaboração da planta da cidade, trabalho proficiente e completissimo, que só por si representa um alto valor de progresso e melhoramento para este municipio, quer na elaboração da planta do mercado, quer ainda nas varias vezes[?] em que a tem illucidado em trabalhos de especialidade, alta competencia e capacidade de V.Excia.
Tudo isso, que tanto trabalho tem revelado a par de profundos conhecimentos tecnicos, muito calculo, muita ponderação e estudo aturado, esta Camara já mais o esquecerá, e faltaria aos mais sagrados dos deveres de gratidão se lhe não demonstrasse, como demonstra, o seu alto reconhecimento e mais profundo agradecimento.
É para esta Camara de bem intensa magua a retirada de V.Excia d'esta cidade; e fazendo votos por uma feliz viajem, deseja que a fortuna e felecidade o galardôem sempre tão grandemente,  quanto os predicados de V.Excia o exigem.»

-
Nota: A assinatura que se vê é, muito provavelmente, de Seraphim Simões Freire de Figueiredo, que seria, então, Presidente da Câmara (ver Fernando da Costa Leal, quinto governador de Mossâmedes (1854-1959)). Seraphim Simões Freire de Figueiredo e o alferes Monteiro foram padrinhos de casamento dos pais de Lídia Monteiro. 

(...)
No fim desse ano [1909], dá-se uma viragem na vida de António Ribeiro Monteiro e nunca mais regressou à construção dos caminhos de ferro. Em 27 de Dezembro de 1909, por opinião da junta de saúde, veio para Portugal. Desconheço se a família o acompanhou.
(...)
O relatório finaliza com o parágrafo seguinte:
“Tamanha é a gratidão dos habitantes de Mossamedes e tão profundas simpathias alli deixou que a pedido d’aquella cidade vae o alferes Monteiro, muito brevemente, desempenhar alli uma nova comissão de serviço publico”.
Ao ler estas quatro páginas manuscritas que elogiam o alferes Monteiro, é difícil não ver nos traços de carácter descritos, aqueles que viriam a ser os do seu filho, António Aniceto: a grande inteligência, a versatilidade e a amplidão das suas aptidões intelectuais, o sentido prático aliado à competência teórica, a capacidade de comunicação e transmissão dos seus conhecimentos, a simpatia e a coragem.
Em Dezembro de 1910, o recém promovido tenente Monteiro regressou a Angola, tendo embarcado no dia 2 e chegado a Luanda no dia 16.
(...)
[In Angola e António Aniceto Monteiro]

 http://antonioanicetomonteiro.blogspot.pt/search/label/Angola%201884-1915