Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












terça-feira, 22 de janeiro de 2019

O conde de Almoster

Foto do Conde de Almoster publicada em  Portugal em Africa: revista scientifica, Volume 5

Antes de darmos inicio à publicação integral do texto  publicado em "Portugal em África", revista scientifica, Volume 5, pgs 218 a 221, dedicado ao Conde de Almoster, convém saber que o mesmo texto se integra no contexto da resistência africana em face da partilha de África, numa época em que uma epidemia, um fenómeno da natureza ou qualquer outra catástrofe, poderia ser atribuida à presença do colonizador, aquele estranho ser que levara para África todas as suas mazelas, incluindo as  epidemias que dizimaram o gado, uma maldição advinda dos brancos, fossem portugueses ou alemães. 

Por volta de 1897 a região sul de Angola foi atingida por uma epidemia proveniente da África do Sul que rapidamente atingiu as regiões da Damaralândia e Ovampo, e se espalhou pelo sul de Angola,  devastando o gado bovino que era a principal actividade económica dos autóctones. Em face do acontecido, os administradores coloniais resolveram-se por uma campanha de vacinação nos rebanhos, sendo para tal convocada a Companhia dos Dragões do Planalto de Moçâmedes sob o comando de José Eugénio da Silva e do tenente Almoster. E como de entre os colonos portugueses José António Lopes dominava a técnica da vacinação de bois, este foi convidado a integrar aquela Companhia conforme refere  A. A da Silva Guardado in "O Massacre dos dragões do Conde de Almoster, in Cadernos Colonias, n.34, 1939, publicação que nos ajuda a compreender o ocorrido. A vacinação dos bois era efectuada através de uma técnica que consistia em injectar nos animais sãos as bílis dos bois ligeiramente atacados, processo que dava como média de 50 a 60% de animais salvos. Desconhecia-se ainda a vacinação com soro obtido do sangue de bois imunes à peste, processo que levaria à salvação de animais na ordem dos 90%, e possibilitava vacinar animais já atingidos pela doença, salvando alguns. A equipa foi convencer o soba de uma aldeia para essa necessidade de vacinar os rebanhos parecendo à primeira vista que o soba concordara com a ideia e até teriam manifestado contentamento. Porém no dia seguinte quando iam proceder à vacinação puderam verificar um grande ajuntamento de anciãos que se apresentavam com pequenos barretes feitos de fibra de embondeiro na cabela, quais solidéus cardinalícios, simbolo da autoridade. Eram secúlos ou sobetas da região que representavam o soba nas povoações mais impostantes. Depois de reunidos em assembleia e de terem debatido seus pontos de vista sobre a vacinação, entrou em cena o soba que veio dizer à autoridade que não podia cumprir e combinado da véspera com os oficiais porque o seu povo reunido se opunha, uma vez que o gado era pertença ou bens do sobado e não do soba que apenas podia usufruir do seu rendimento. E que eles sabiam que do outro lado do rio tinham posto remédio no gado e este morria. Não foi possível convencer o soba por mais esforços que fizessem. Resumindo toda essa tentativa que fizeram avançando mato a dentro, acabou num falhanço porque a maioria dos nativos, desconfiados não aceitava e como resultado a epidemia acabara por devastar seus rebanhos.  Foi no regresso que o drama do massacre das tropas portuguesas aconteceu, e morreu. ALMOSTER. Para mais informações consultar o artigo "A Revolta da Vacina- Made in Africa-  Mossâmedes
, Sankofa. Revista da História da África e de Estudos da Diáspora Africana, 1897. José Bento Rosa da Silva. Vai o link:
126

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:reIX4AKhJGcJ:www.revistas.usp.br/sankofa/article/download/88815/91696/+&cd=10&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt&client=firefox-b

De Portugal em Africa: revista scientifica, Volume 5, transcrevemos  na íntegra as pgs 218 a 221, o texto dedicado ao


 CONDE DE ALMOSTER.



"....João Carlos de Saldanha Oliveira. e Daun, segundo conde de Almoster, nasceu em Barcellos no dia 11 de agosto de 1858.

Era neto do heroico marechal duque de Saldanha e filho do segundo duque e da actual duqueza.

Assentou praça no regimento de cavallaria n.° 2, lanceiros da Rainha, no dia 2 de outubro de 1878. Foi promovido a alferes em 7 de janeiro de 1881, a tenente em 30 de junho de 1890 e a capitão em 11 de novembro de 1897.

Em 23 de janeiro de 1896 embarcou para Angola com destino ao esquadrão de dragões do planalto de Mossamedes, em cujo servico manteve os creditos de official disciplinador e como tal erajustamente considerado por toda a população portugueza do planalto. Ás brilhantes qualidades de bravura, patriotismo, nobreza de caracter e a verdadeira affeição aos seus soldados, que o adoravam, alliava a mais perfeita comprehensão dos deveres militares, mantendo com inquebrantavel firmeza as boas tradições deixadas no esquadrão pelo bravo e illustrado official de artilheria, o capitão Mascarenhas Gaivão, seu organisador e primeiro commandante.

Era o conde de Almoster um sincero admirador da acção civilisadora das missões catholicas sobre os indígenas africanos, sendo um dedicado amigo dos missionarios, aos quaes sempre dispensou as mais respeitosas attenções, merecendo-lhes elogiosas referencias pelas suas idéas generosas em favor da regeneração da raça negra.

A sua attitude benevola para os indígenas era conhecida em todo o planalto, citando-se, como exemplo digno de ser imitado, a generosidade com que conduzia os prisioneiros de guerra, a quem tratava com brandura, dispensava commodidades, procurando por todo os meios ao seu alcance suavisar-lhes as armaguras da prisão e separação violenta dos seus lares. Sob este ponto de vista poucos officiaes conhecemos na Africa tão generosos e pacientes para os soffrimentos dos pretos, como o conde, a ponto de privar-se de artigos do seu uniforme para abrigar os prisioneiros dos rigores do frio! ao contrario do que vimos fazer, que é amarral-os com grossas cadêas de ferro e obrigal-os a marchar ãs coronhadas, á. chuva, ao frio, mal dormidos e peor alimentados, sem consideração pela sua posição hierarchica, nem pela edade. Regulos ou os mais desprezíveis bandidos, velhos ou novos, todps marcham acorrentados para o exílio no meio das vaias, encontrões e pancadas da soldadesca, quando não ficam extenuados pela fadiga, fome e frio. 

É do domínio público o lamentável desastre que enlutou a familia militar portuguesa com o massacre da força do esquadrão de Mossâmedes, sob o comendo do conde em terras do Humbe, em que foram trucidados pelos indígenas revoltados o valente oficial e 23 soldados.  A fim de auxiliar os serviços sanitários para obstar à propagação da peste bovina que ameaçava invadir as populações creadoras de gado estabelecidas nas bacias do Rio Cunene e Caculovar, foi enviado para a fronteira do Humbe o esquadrão de dragões que pouco depois era mandado  retirar do Humbe por efeito de desintelligências e conflictos havidos entre o seu commandante e o chefe do concelho. A retirada do esquadrão  fez-se por pelotões que partiram separados , uns dos outros, com intervalos de três a quatro dias. O último 'pelotão, sob o comando do conde de Almoster seguia quatro dias depois da partida do passo das forças formado pelos 2º e 3º pelotões sob a direcção do commandante do esquadrão, o sr. capitão Silva.

O pelotão do conde era formado por 30 praças,  das quaes 19 eram doentes dos outros pelotões, deixados em tratamento na enfermaria da fortaleza e cuja conducção fora confiada ao conde, que para esse serviço apenas contava com 11 homens válidos , capazes de pegar em armas. Alguns doentes seguiam a cavallo por não poderem marchar a pé, outros, mais gravemente atacados de febres, nem mesmo a cavallo podiam seguir, eram levados aos ombros dos companheiros. A força seguia lentamente, sendo preciso fazer frequentes altas em attenção ao estado dos doentes.

Chegada ao sitio Catequere, na fronteira noroeste do Humbe, acampou a força, sendo enviados dois soldados à procura de água para o rancho, Os indígenas, em represália por extorsões soffridas por parte dos pelotões anteriores, acolheram hostilmente os soldados, perseguindo-os à zagaia e à flecha; estes clamaram por socorro sendo defendidos da sanha dos selvagens por um pequeno grupo dos nossos,  formado pelo conde e quatro soldados.
Chegados ao local do acampamento e vendo a impossibilidade de ali demorar-se perante a atitude hostil dos indígenas, resolveu seguir para o próximo acampamento  no Chicusse sobre o rio Caculouvar onde devia encontrar os outros pelotões sob o commando do capitão Silva. 

Metidos os doentes no centro da pequena força, seguia ela para a frente, quando pouco depois vê-se cercada por todos os lados por numerosos bandos de gentios que a perseguiam a tiro, zagaia e flecha. Sem perder o ânimo perante a força numérica do inimigo, mandou o bravo official  fazer três descargas a fim de abrir caminho na direcção do Chicusse e avançou com toda a ordem debaixo de fogo do inimigo.  Durante duas horas marchou a nossa diminuta força  sob  fuzilaria do gentio, sendo preciso três vezes formar quadrado para varrer as hordas de selvagens que tentavam esmagar a ferro frio os nossos bravos  soldados. Durante o primeiro quadrado ficou ligeiramente ferida uma praça num dedo.  Durante o segundo recebeu um grave ferimento no joelho o sargento, e o conde foi attingido por uma bala n'uma perna.  Vendo o bravo official que o gentio era cada vez mais numeroso, e que começavam a escassear as munições de guerra, resolveu mandar avisar o capitão Silva no Chicusse,  de que o seu pelotão corria imminente perigo de ser trucidado pelo gentio. Offereceu-se para levar o aviso o sargento Rocha que, apesar de gravemente ferido num joelho, montou no cavallo do conde e pôde a galope cerrado passar por entre as hostes inimigas. O gentio comprehendendo que aquelle cavaleiro ia em busca de socorro urgente das forças acampadas no Chicusse, resolveu cair sobre o pelotão e acabar de vez com os nossos heroicos soldados.

Recrudesceu a fusilaria do inimigo sendo o conde gravemente ferido no ventre. Um soldado preto tomou-o sobre os hombros, enquanto  enquanto a nossa força seguia rapidamente pelo centro de uma floresta queimando os últimos cartuchos. Às 6 horas da tarde, consumidas todas as munições de guerra, mandou o conde formar quadrado e callar bayoneta, e n'uma lucta homérica  de um contra cem, foram os nossos bravos soldados esmagados pelos indígenas. Ficaram estendidos no campo da honra o  heróico conde Almoster, e vinte e três dos seus valentes companheiros, escapando os restantes mercê do escuro da noite. 

Morreu o bravo militar combatendo gloriosamente pelo prestígio da nossa bandeira no cumprimento rigoroso do seu dever militar.

O elogio d'este glorioso feito de armas do neto do Marechal Saldanha , foi celebrado em toda a imprensa e ecoou nas dias casas do parlamento em termos de consagração à memória dos nossos heroicos vencidos.

Por iniciativa do illustre par do reino, o brioso general D. Luis da Câmara Leme, em sessão da câmara dos Pares, de 7 de Janeiro do corrente anno, foi apresentado um projecto de lei concedendo a cada um dos filhos do bravo conde de Almoster a pensão annual de 120$000 reis, e por proposta do mesmo digno Par foi lançado na acta, foi lançado na acta da sessão de 4 do mesmo mêsum voto de profundo sentimento pela morte dos nossos soldados  trucidados no Humbe, e referindo-se à morte do Conde lamentou que ainda não se tivesse erguido um monumento ao Duque de Saldanha, avô do illustre extincto.  No discurso da Corôa, por occasião da abertura do parlamento , o Augusto Chefe do Estado referindo-se ao desastre do Humbe, expressou-se nos seguintes termos: "A notícia de um desastre no Humbe, cujos pormenores não são todavia conhecidos, causou, como era natural dolorosa impressão, mas resta-nos a convicção de que os valentes alli victimados cumpriram o seu dever, e que dentro em pouco as nossas armas saberão castigar os rebeldes."

Terminamos este breve esboço biográphico do illustre conde de Almoster, transcrevendo as apreciações dos principais dos peincipais orgãos da imprensa periódica sobre a morte heroica do bravo official e dos seus companheiros.

Do Tempo:
"Depois d'um grande e aturado combate, exgotadas todas as munições de guerra que o esuqdrão levava, o valente official lembrando-se do nome do seu heroico avô, e não querendo offuscar o nome e título que tinha,  preferiu morrer a aviltar-se, entregando-se ao inimigo ou fugindo com os seus soldados.
Podemos imaginar as terríveis agonias do seu coração., lembrando-se que deixava na orphandade cinco filhos, todos creanças, e na viuvez sua infeliz e saudosa esposa. Mas entendeu aquelle descendente  do marechal Saldanha que a honra do seu nome e do seu país se opunham a uma cobardia. e por isso preferiu morrer combatendo. Paz è sua Alma.

Do Correio da Noite:

"Não pode haver consolação para um tal desastre. Entretanto deve registar-se com orgulho como foi intemerata a attitude desses bravos, como a sua coragem e o seu amor à bandeira  que defendiam falou mais alto do que o natural humano amor à vida. Sabiam que luctavam contra o inimigo que os havia de esmagar, mas isso não os entibiou. Enquanto tiveram munições empregaram-nas contra os inimigos da sua nação, e quando ellas faltaram formaram quadrado, armaram bayonetas para deterem o arranco dos adversários, que continuaram a victimál-os a tiros e a zagaias, e esperaram heroicamente a morte, dando serenamente a vida pelo dever.

Os soldados portugueses eram commandados pelo conde de Almoster, Este nome resume uma epopeia de heroicidades. Foi em Almoster que o duque de Saldanha ganhou o maior título de glória de toda a sua carreira militar. o neto do grande soldado soube honrar o nome histórico que herdara. Que a sua memória e a dos seus infelizes companheiros viva eternamente na saudade e na gratidão dos que prestam culto à honra do nosso exército e que se orgulham por ver que elle continua a manter honradamente as tradições do velho e destemido Portugal."

Do Diário da Manhã:

"Vinte e três victimas do dever ficaram, pois, no campo incluindo o heroico neto do marechal Saldanha. miserável e cobardemente azagaiado pelos negros! Triste sina a d'esses bravos certamente predestinados a mais gloriosos feitos ! Malbaratada valentia.
Cumpriram, porém religiosamente o seu dever, de militares briosos na defesa da pátria, e isso basta para que nos sintamos orgulhosos da sua heroicidade, qualidade, por assim dizer innata do nosso soldado, e tenhamos pela sua saudosa memória a mesma veneração e respeito que sempre tributamos pelas victórias de outros mais felizes que tem conseguido sobreviver para glória e renome do exército português."

Do Universal:

Curvamo-nos reverentes perante a sepultura desses bravos heroes mártires da pátria que tão conscientemente emmolaram  as próprias vidas para mais uma vez honrarem  as brilhantes tradições do exército portuguêz.

Vinte e três incencíveis morreram no seu posto de honra, levantando com esse assombroso sacrificio ao seu auge a glória da patria.

Foram muito alem do dever. Excederam tudo o que o brio nacional  e o amor da patria pode impor aos servidores do pais.
Immortalisaram-se morrendo!
N'este triste desmanchar da feira , em que o egoismo falla mais alto do que todos os deveres civicos, consola poder registar-se ainda feitos tão nobres e levantados.
Com o conde Almoster termina a linhagem masculina do primeiro soldado portuguez d'este seculo. O ultimo representante do nome do immortal marechal Saldanha acaba de levantar sobre o seu proprio cadaver o maior monumento que se poderia consagrar ao glorioso vencedor de Almoster.

Faz orgulho poder registar semelhantes provas de abnegação, valor e civismo»


Do Reporter :


«Este telegramma lança já. alguma luz sobre os acontecimentos, de que resultou ser victimada uma pequena força portugueza no Humbe Vê-se por elle que o neto do vencedor de Almoster soube honrar brilhantemente as tradições gloriosas de sua familia, e que devido ao seu arroio e valentia é que perdeu a vida com os seus heroicos companheiros...


Do Jornal do Comércio:

-Se alguma cousa nos pode consolar n'esta desgraça. é a valentia. a heroicidade com que se bateram os nossos, ficando materialmente derrotados, mas moralmente gloriosos. Honra mais uma vez aos nossos valentes soldados` que sabem morrer heroicamente, e honra a esse nobre moço o sr. conde de Almoster, que foi fiel as suas gloriosas tradições de familia e que era digno de usar o nome que recordava a primeira batalha ganha por seu immortal avô, o duque de Saldanha!

J.P.N

Fim de citação

Ver tb AQUI: https://docplayer.com.br/60831726-Ii-angola-e-a-resistencia-colonial-o-caso-do-massa-cre-dos-dragoes-do-conde-de-almoster-armando-augusto-siqueira-1.html

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

QUEM DISSE QUE MAUSOLÉUS do CEMITÉRIO DE MOÇÂMEDES NÃO SÃO MONUMENTOS HISTÓRICOS?



Mausoléu de João Duarte d'Almeida, colono contemporâneo da fundação de Moçâmedes. Foto gentilmente cedida por um conterrâneo

 

Mausoléu de João Duarte d'Almeida, Colono contemporâneo da fundação de Moçâmedes. Foto gentilmente cedida por um conterrâneo.

Mausoléu de João Duarte d'Almeida. Colono contemporâneo da fundação de Moçâmedes. Foto gentilmente cedida por um conterrâneo (1)

 

 

  Mausoléu do Dr. João Cabral Pereira Lapa e Faro, o 1º médico-cirurgião contemporâneo da fundação de Moçâmedes. Embora não estivesse incluído no grupo dos de Pernambuco, Brasil, ali chegados em 1849 e 1850, toda a sua vida foi vivida em Moçâmedes, onde faleceu. (2)
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 
 


 
 







Na história da humanidade, a morte sempre foi a única certeza. Junto com ela veio o desejo de encontrar o caminho para a imortalidade. Os faraós do antigo Egito buscaram em suas pirâmides a vida eterna. Deixar seus feitos registados para a posteridade, foi a forma encontrada por heróis e reis da Grécia Antiga. A cidade dos mortos obedece em quase tudo à organização das cidades dos vivos.

Cemitérios possuem ruas e sepulturas numeradas, possuem capelas, sepulturas nobres e caras, simples campas de terra batida, zonas mais e menos valorizadas onde costumam estar sepultadas as personalidades mais influentes e menos influentes, criando-se uma hierarquização social que se estende além da vida.

Mausoléus aristocráticos como aqueles que ainda hoje podemos ver no Cemitério de Moçâmedes, em Angola, são verdadeiros monumentos históricos, que como tal devem ser considerados, porque eles ultrapassam as suas funções ritualísticas e religiosas, são lugares que guardam Historia, que suscitam memórias, que oferecem ao visitante um manancial de informações que desvelam os primórdios da formação de Moçâmedes.Um lugar digno de ser visitado pelo residente e pelo forasteiro..

Sob esses Mausoléus repousam os restos mortais de colonos fundadores que chegados a Moçâmedes no dia 04 de Agosto de 1849, ali se estabeleceram, ali viveram, ali trabalharam, ali tiveram filhos, netos e bisnetos, e ali acabaram por perecer.

Sob esses Mausoléus, a maioria dos quais mandado erguer pela Câmara da cidade, através de subscrições, repousam os restos mortais de colonos fundadores que chegados a Moçâmedes no dia 04 de Agosto de 1849, ali se estabeleceram, ali viveram, ali trabalharam e ali pereceram.

E assim sendo, andar por um Cemitério pode proporcionar muito mais do que um sentimento de tristeza e de dor pela perda irreparável de um ente querido. A arte tumular oferece-nos uma viagem no tempo. Cemitérios são espaços que contam histórias sobre a História das gentes que habitaram as cidades que os incluem, são testemunhos do ambiente político, económico, social, artístico da sucessão das épocas desde que foram construídos. A cidade dos mortos obedece, em quase tudo, à organização das cidades dos vivos. Cemitérios possuem ruas e sepulturas numeradas, possuem capelas, sepulturas nobres e caras, simples campas de terra batida, zonas mais e menos valorizadas onde costumam estar sepultadas as personalidades mais influentes e menos influentes, criando-se uma hierarquização social que se estende além da vida. hierarquização social que é reflexo de como se vivia em cada época. Mas a arte tumular, como arte que é, pode também despertar os sentidos, trazer prazer ao observador...

Com a avançar do século XX, entrada no século XXI, e a opção dos crematórios, os Cemitérios perderam o esplendor dos velhos tempos enquanto depósitos de corpos sem vida, para se tornarem verdadeiros museus ao ar livre, lugares de Arte, de Arquitectura, e de Escultura, lugares de História, de Arqueologia e de Genealogia. Por tudo isso, em grande número de países, os cemitérios tornaram-se espaços de visitação turística disputadíssimos, uma mais valia a conhecer e a explorar.

A Rota Europeia dos Cemitérios é hoje uma realidade entre os povos que melhor os preservaram e continuam a preservar porque mais cedo tomaram consciência do valor artístico, cultural e histórico da velha casa dos mortos. A prática de se visitar cemitérios pelo simples prazer de conhecê-lo tem até um nome: Necroturismo. Em Lisboa, há visitas guiadas duas vezes por mês, aos sábados, ao Cemitério dos Prazeres, a procura é cada vez maior, e as receitas são crescentes, com o aumento do turismo cemiterial. Nesse Cemitério, o terceiro maior da Europa, as visitas de turistas ao jazigo dos duques de Palmela, batem records. Como defende Francisco Queiroz, “a arte fúnebre foi criada para homenagear os mortos, mas também para os vivos desfrutarem dela”. As Câmaras em Portugal começam a investir na preservação dos Cemitérios seguindo o exemplo de outros países. Em Paris, a cidade das "Luzes", a prática da visitação turística aos Cemitérios instalou-se no início do século XIX.

Este assunto é trazido aqui porque talvez um dia Moçâmedes venha a ter o lugar que merece no Turismo nacional e internacional, e talvez este Cemitério possa vir a enfileirar o roteiro dos lugares a visitar. Ou até num tempo mais próximo se este Cemitério vier a ser visitado por estudantes tendo em vista trabalhos escolares, quando a História de Moçâmedes, no decurso de pesquisas, como por escritores, historiadores, curiosos, etc .
 

Posto isto, passaremos a debruçar-nos sobre o perfil de pelo menos dois homens da fundação de Moçâmedes aqui sepultados sob mausoléu aristocrático,  que embora não tivessem feito parte dos grupos de pioneiros fundadores da cidade, ali chegados nos anos 1849 e 1850, vindos de Pernambuco, Brasil, são consagrados na obra “O Distrito de Moçâmedes na Fase da sua Origem e Primeira Organização: 1485-1859”, de Manuel Júlio de Mendonça Torres, como ombreando ao lado desses  mesmos fundadores.

Sobre  João Duarte d' Almeida (n.1822), sabemos que era natural de Midões, Beira Baixa - Portugal, filho de João Duarte d' Almeida (Bacharel em medicina) e de D. Ana Emília Duarte de Almeida ( Ana Emília Brandão, prima co-irmã do célebre João Brandão, político caído em desgraça). Casou com D. Amélia Josefina da Costa, filha de José Joaquim da Costa, chefe do segundo agrupamento de colonos ido de Pernambuco para Moçâmedes, em 1850. Tiveram 6 filhos: Alfredo, Amélia, Laurentino, Adelaide, Albertina e Elisa Duarte de Almeida. 

Orfão de pai, muito cedo João Duarte d' Almeida resolveu partir para o Brasil em busca de fortuna, tendo em meados do século XIX (1838?) viajado para Angola, onde se encontrou com Bernardino Freire de Figueiredo de Abreu e Castro, em Moçâmedes, após estadia em Benguela. No livro "Bernardino Freire de Figueiredo de Abreu e Castro, fundador de Moçâmedes", escrito pelo padre José Vicente (Gil Duarte), podemos ler a notícia de que quando Bernardino chegou a Moçâmedes, em 04 de Agosto de 1849,  chefiando a 1ª colónia vinda de Pernambuco, já ali encontrava João Duarte de Almeida, "dedicado à indústria de charqueação e da colheita de urzela".

A "urzela" é um liquen que medra nas pedras, do qual se obtém uma tinta azul arroxeada de forte concentração usada em carimbos e cópias tornando-as impossíveis de falsificação. Existe em rochas à beira mar. Cabo Verde foi um grande produtor de urzela.

Outro produto que também se lhe atribui a exploração levada a cabo em Moçâmedes, é a "goma copal", uma resina especial à qual os produtos sintetizados vibraram um duro golpe.

Sabe-se que João Duarte d' Almeida  tornou-se um grande produtor de algodão e de cana-de-açúcar nas suas fazendas "S. João do Norte" e "S. João do Sul", no Cooóca, em Porto Alexandre. Há referências que logo em 1859 era proprietário de três fazendas, em vias de desenvolvimento, uma, situada na Várzea dos Casados, outra, em S. Nicolau, e a terceira no Coroca. E que já no decénio de 1849-1859 se dedicava, no distrito, a outros ramos de actividade, como a indústria de "charqueação" .

Outras notícias referem que no princípio da década de 1860, 10 anos após a chegada dos primeiros colonos vindos de Pernambuco, João Duarte de Almeida possuía já 11 fazendas no distrito de Moçâmedes, onde cultivava algodão, empregando entre trabalhadores escravos e libertos o total de 350, sendo sua a maior das fazendas da região. A produção anual nessa época calculava-se em 1780 arrobas de algodão. E que em 1890, João Duarte de Almeida possuía o maior empreendimento agrícola da Colónia de Angola, com 1300 hectares de terreno cultivados e com 400 serviçais a trabalharem para si.

Duarte de Almeida, foi o maior possuidor de algodoais nas suas fazendas de S. João do Norte, de S. João do Sul e de S. Nicolau, e principal exportador de algodão do Distrito, Agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo.

Os seus esforços levaram a que Mendonça Torres no seu livro sobre Moçâmedes daquele tempo lhe conferisse a reputação de maior cultivador de algodão e de cana de açúcar para aguardente, e ainda de activo descobridor da "almeidina", em 1883, um produto com uma boa percentagem de borracha, a partir de um suco leitoso, extraído por meio de incisões no tronco da caçoneira Euphorbea Thirucale que comercializou com êxito (vidé Relatório da Alfandega de Benguela, relativa ao ano de 1915, pág 96, José Napoleão do Sacramento e Sousa, Angola). A "almeidina" foi introduzida no mercado europeu por Edwards Brothers de Liverpool (correspondente). Duarte de Almeida e Alves de Bastos, eram à época os dois homens mais ricos da colónia de Angola, ambos de Moçâmedes.

Seria necessário  termos uma noção um pouco mais clara e abrangente daquilo que era o Portugal desse tempo, um tempo de mudanças impulsionadas pelos ventos da Revolução Francesa que, soprando de além Pirinéus, levou à penetração da maçonaria e dos ideias iluministas de Liberdade Igualdade e Fraternidade que contribuíram para o fim a velha ordem absolutista, a sociedade dos 3 Estados (Clero, Nobreza e Povo) em que os dois primeiros usufruíam de todos os privilégios, enquanto sobre o povo e a burguesia emergente, (o 3º Estado), caia a carga dos trabalhos e dos impostos.
 
Este o panorama em que tiveram lugar as invasões francesas, a fuga do Rei e da Corte para o Brasil, a revolução de  1820. a independência do Brasil (1822), as lutas entre liberais e absolutistas, o triunfo do liberalismo (1834), a disputa do poder pelas facções liberais que percorreram todo a 1ª metade do século XIX português. 
 
Este o contexto em que teve início a colonização de Moçâmedes, em 1849, numa altura em que no Parlamento português, enquanto uns passaram a olhar a África, e sobretudo Angola, a colónia mais rica, como um novo Brasil em África, outros contrapunham a necessidade de povoar o Alentejo abandonado à sua sorte, num pais carente de gente para si mesmo, necessitado de uma total Regeneração. 
 
Ao Parlamento havia chegado em 1848 uma Petição subscrita por portugueses de Pernambuco maltratados na voragem da "Revolta Praieira", que solicitavam ao Governo português passagens e ajudas nos primeiros tempos, para todos os que quisessem transferir-se dali para qualquer ponto do globo onde tremulasse a bandeira portuguesa.  E assim nasceu Moçâmedes, com esse grupo de pioneiros chefiados pelo professor de História no Colégio Pernambucano, Bernardino Freire de Figueiredo de Abreu e Castro, com quem  João Duarte de Almeida se foi encontrar, quando resolveu partir para o Brasil em busca de fortuna,em meados do século XIX (1838?), fixando-se primeiro em Benguela.   Dos seus restos mortais de Bernardino, considerado o fundador de Moçâmedes, não repousam neste Cemitério, constando que havia falecido pobremente, no dia 14 de Novembro de 1871, aos  62 anos de idade, quando regressava de Luanda, onde se tinha deslocado ao serviço da comunidade. Causa da morte: uma pneumonia dupla. Teria sido atirado ao mar? Memoriais: somente o grande quadro a óleo no salão nobre da Câmara Municipal de Moçâmedes, e um busto muito simples no jardim da cidade, implantado cerca de 90 anos depois da sua morte, retirado em 1975. As autoridades portuguesas nunca lhe prestaram a homenagem devida.
 

Mas neste Cemitério, entre tantas outras figuras gradas da colonização de Moçâmedes,  está sepultado o Dr. João Cabral Pereira Lapa e Faro,  1º médico-cirurgião da terra,  sob Mausoléu artístico mandado erguer por subscrição da população de Moçâmedes. Embora não tendo pertencido aos grupos que chegaram à velha Angra do Negro, em 1849 e 1850, chefiados por Bernardino Abreu e Castro e por José Joaquim da Costa,  respectivamente, segundo Manuel Júlio de Mendonça Torres no seu livro sobre Moçâmedes publicado em 1854,  Lapa e Faro "activa e dedicadamente prestou inolvidáveis serviços ao Distrito e às suas gentes na fase da sua formação, pelo que a sua veneranda memória se tornara credora da singela, mas expressiva homenagem, que aqui deixamos reproduzida.   De índole popular, o Dr Lapa e Faro  não se limitou a exercer clínica, a entrar para salvar as gentes da terra, tanto no Palácio como na mais humilde palhota dos arredores. Além de médico e articulista foi um elemento activo na vida de Moçâmedes, a quem são devidas várias realizações.  Lapa e Faro fez parte, com o segundo-tenente Carlos Frederico de Almeida Afonso, do grupo do major Marcelino Antónío Norberto Rudzki, encarregado de fundar um estabelecimento militar no Pinda que ficava na margem esquerda do rio Curoca, junto à foz . Este estabelecimento antecedeu a fundação de Porto Alexandre, que somente  teve  lugar em 1860. O grupo de Rudzki chegou à baía do Pinda no brigue de guerra Serra do Pilar, acompanhado do brigue-escuna Trindade, em 6 de Dezembro de 1854. A construção das novas instalações militares duraram até Agosto de 1855, data em que regressaram a Luanda. Rudzki ali deixando um quartel militar com boas acomodações, bem como uma granja cheia de vegetais, frutas, hortaliças, e relações amistosas com a gente da região, os curocas, dizia-se num relatório. Regressado a Luanda Lapa e Faro não foi colocado em Moçâmedes, em principias de 1857. Em 1858, fez publicar um trabalho a que chamou «Breve Noticia Sobre Moçâmedes». Cunha Moraes no seu "Album Photografico Descriptivo", publicado por volta de 1888, referindo-se às obras do Palácio-residência do Governador de Moçâmedes,iniciados em 1858 por ordem do Governador Fernando da Costa Leal, e concluído trinta e um anos depois, conta que estas decorreram segundo um risco de Lapa e Faro que veio sofrendo várias modificações . Lapa e Faro, dada a sua personalidade artística, mandou erguer em Moçâmedes a célebre casa da rua Calheiros, de arquitectura de inspiração romântica, em "Arte nova", ou "Arte nouveau", que remonta a 1868, a um tempo em que Moçâmedes pouco mais era que um imenso deserto, a maioria das casas eram ainda precárias, e difícil e até mesmo impossível era a obtenção do material necessário para a construção, uma vez que tudo vinha de longe. Para este edifício Lapa e Faro fez viajar para Moçâmedes técnicos metropolitanos na arte da construção. Outra obra sua foi o Palacete da Horta do sítio da Nação, Aguada, em ambos os casos um riquíssimo património a preservaram infelizmente o belo edifício da Rua Calheiros, carente de conservação e de restauro, encontra-se em risco de queda eminente  e de  perda total, se nada entretanto vier a ser feito, como aliás se prevê.  O "Arte Noveau" surgido em Paris e na Bélgica, na 2ª metade do século XIX,  espalhou-se pela Europa e pelo mundo, fruto das mudanças estéticas que acompanharam as inovações trazidas pela sociedade industrial essencialmente burguesa, cujos gostos, opondo-se ao classissismo aristocratizante, veio promover uma verdadeira revolução ao nível da arte e da arquitectura. Em Portugal houve a conjugação de elementos manuelinos e outros pormenores e foi sem duvida  uma época em que o património nacional enriqueceu com obras geniais, verdadeiros tesouros artísticos repletos de belas cantarias, estatuária, vitrais, ferragens, gradeamentos, pinturas e frescos, estuque , motivos florais,  soalhos, mobiliário, etc. 
 
Segundo Cecilio Moreira, o dr. Lapa e Faro caiu gravemente enfermo, e escreveu ao seu querido amigo, o naturalista José Anchieta, na altura a fazer explorações no interior de Caconda, a pedir para lhe tratar dos doentes, como aconteceu, mas em Moçâmedes os medicamentos estavam esgotados (o clássico quinino usado nesta altura para a cura desses males à base de leite, que a experiência de longos amos pelos matos de Angola, em contacto com os nativos lhe havia ensinado  com bons resultados. Lapa e Faro ficou preso à imponência do Deserto do Namibe. Por outro lado, colonos foragidos ao nativismo brasileiro em 1849 e 1850, tinham vindo da outra banda do Atlântico fundar a colónia de Moçâmedes. tendo à sua frente, de inicio, homens de vulto, como colonos e como governantes, e mesmo como deportados políticos que naquela altura por ali passaram. 

Cecilio Moreira dá-nos de Lapa e Faro uma visão clara da forma como e onde estavam a funcionar os Serviços de Saúde locais, Administrativos, sobre a Fortaleza de S, Fernando, a igreja e o começo  da construção do palácio do Governador. Fala-nos também sobre os europeus e os nativos, sobre as habitações da vila, e sobre as propriedades agrícolas nos subúrbios. Em 17 de Março de 1863, publicou algumas considerações sobre o estado sanitário da vila de Moçâmedes devidas a um estudo do notável médico João Pereira Lapa e Faro (...). Encontra-se esta referencia num artigo publicado na Revista Portuguesa Colonial Marítima» de 1897/98, pág. 779. Quando Lapa e Faro ali chegou, levantaram-se as primeiras moradias e os primeiros sobrados que mais tarde vieram a formar a bela cidade do Namibe. 
 
 


MNJARDIM



Este texto, de minha autoria, já se encontra publicado em Moçâmedes, Registos e Factos e tem direitos de autor. Incorre em
PLÁGIO, devassa da propriedade intelectual, quem daqui o retirar e republicar sem a menção da autoria

No Diário da Câmara dos Deputados de 18 de Janeiro de 1878 conta-se ter sido levado a debate o assunto da construção da casa para o tribunal de justiça, a construção do palácio do governo, estudos para uma ponte de embarque o desembarque, e de uma estrada de Moçâmedes para Huila, e ainda estudos para a construção da casa para repartição de obras publicas, deposito e Observatório Meteorológico, casa para cadeia, casa para escola, hospital, quartel, e para a conclusão da terraplanagem no interior da fortaleza. Cunha Moraes, no seu "Album Photografico Descriptivo", publicado por volta de 1888, sobre as obras do Palácio-residência do Governador de Moçâmedes, iniciados em 1858, por ordem do Governador Fernando da Costa Leal, e concluído trinta e um anos depois, continuado mais tarde, conta que estas decorreram segundo um risco de Lapa e Faro que veio sofrendo várias modificações.

Ver tb;
https://www.marinha.pt/Conteudos_Externos/Revista_Armada/1985/index.html#p=392