Mausoléu de João Duarte d'Almeida, colono contemporâneo da fundação de Moçâmedes. Foto gentilmente cedida por um conterrâneo
Mausoléu de João Duarte d'Almeida, Colono contemporâneo da fundação de Moçâmedes. Foto gentilmente cedida por um conterrâneo.
Mausoléu de João Duarte d'Almeida. Colono contemporâneo da fundação de Moçâmedes. Foto gentilmente cedida por um conterrâneo (1)
Mausoléu do Dr.
João Cabral Pereira Lapa e Faro, o 1º médico-cirurgião contemporâneo da fundação de Moçâmedes. Embora não estivesse incluído no grupo dos de Pernambuco, Brasil, ali
chegados em 1849 e 1850, toda a sua vida foi vivida em Moçâmedes, onde faleceu. (2)
Na história da humanidade, a morte sempre foi a única certeza. Junto com ela veio o desejo de encontrar o caminho para a imortalidade. Os faraós do antigo Egito buscaram em suas pirâmides a vida eterna. Deixar seus feitos registados para a posteridade, foi a forma encontrada por heróis e reis da Grécia Antiga. A cidade dos mortos obedece em quase tudo à organização das cidades dos vivos.
Cemitérios possuem ruas e sepulturas numeradas, possuem capelas, sepulturas nobres e caras, simples campas de terra batida, zonas mais e menos valorizadas onde costumam estar sepultadas as personalidades mais influentes e menos influentes, criando-se uma hierarquização social que se estende além da vida.
Mausoléus aristocráticos como aqueles que ainda hoje podemos ver no Cemitério de Moçâmedes, em Angola, são verdadeiros monumentos históricos, que como tal devem ser considerados, porque eles ultrapassam as suas funções ritualísticas e religiosas, são lugares que guardam Historia, que suscitam memórias, que oferecem ao visitante um manancial de informações que desvelam os primórdios da formação de Moçâmedes.Um lugar digno de ser visitado pelo residente e pelo forasteiro..
Sob esses Mausoléus repousam os restos mortais de colonos fundadores que chegados a Moçâmedes no dia 04 de Agosto de 1849, ali se estabeleceram, ali viveram, ali trabalharam, ali tiveram filhos, netos e bisnetos, e ali acabaram por perecer.
Sob esses Mausoléus, a maioria dos quais mandado erguer pela Câmara da cidade, através de subscrições, repousam os restos mortais de colonos fundadores que chegados a Moçâmedes no dia 04 de Agosto de 1849, ali se estabeleceram, ali viveram, ali trabalharam e ali pereceram.
E assim sendo, andar por um Cemitério pode proporcionar muito mais do que um sentimento de tristeza e de dor pela perda irreparável de um ente querido. A arte tumular oferece-nos uma viagem no tempo. Cemitérios são espaços que contam histórias sobre a História das gentes que habitaram as cidades que os incluem, são testemunhos do ambiente político, económico, social, artístico da sucessão das épocas desde que foram construídos. A cidade dos mortos obedece, em quase tudo, à organização das cidades dos vivos. Cemitérios possuem ruas e sepulturas numeradas, possuem capelas, sepulturas nobres e caras, simples campas de terra batida, zonas mais e menos valorizadas onde costumam estar sepultadas as personalidades mais influentes e menos influentes, criando-se uma hierarquização social que se estende além da vida. hierarquização social que é reflexo de como se vivia em cada época. Mas a arte tumular, como arte que é, pode também despertar os sentidos, trazer prazer ao observador...
Com a avançar do século XX, entrada no século XXI, e a opção dos crematórios, os Cemitérios perderam o esplendor dos velhos tempos enquanto depósitos de corpos sem vida, para se tornarem verdadeiros museus ao ar livre, lugares de Arte, de Arquitectura, e de Escultura, lugares de História, de Arqueologia e de Genealogia. Por tudo isso, em grande número de países, os cemitérios tornaram-se espaços de visitação turística disputadíssimos, uma mais valia a conhecer e a explorar.
A Rota Europeia dos Cemitérios é hoje uma realidade entre os povos que melhor os preservaram e continuam a preservar porque mais cedo tomaram consciência do valor artístico, cultural e histórico da velha casa dos mortos. A prática de se visitar cemitérios pelo simples prazer de conhecê-lo tem até um nome: Necroturismo. Em Lisboa, há visitas guiadas duas vezes por mês, aos sábados, ao Cemitério dos Prazeres, a procura é cada vez maior, e as receitas são crescentes, com o aumento do turismo cemiterial. Nesse Cemitério, o terceiro maior da Europa, as visitas de turistas ao jazigo dos duques de Palmela, batem records. Como defende Francisco Queiroz, “a arte fúnebre foi criada para homenagear os mortos, mas também para os vivos desfrutarem dela”. As Câmaras em Portugal começam a investir na preservação dos Cemitérios seguindo o exemplo de outros países. Em Paris, a cidade das "Luzes", a prática da visitação turística aos Cemitérios instalou-se no início do século XIX.
Este assunto é trazido aqui porque talvez um dia Moçâmedes venha a ter o lugar que merece no Turismo nacional e internacional, e talvez este Cemitério possa vir a enfileirar o roteiro dos lugares a visitar. Ou até num tempo mais próximo se este Cemitério vier a ser visitado por estudantes tendo em vista trabalhos escolares, quando a História de Moçâmedes, no decurso de pesquisas, como por escritores, historiadores, curiosos, etc .
Cemitérios possuem ruas e sepulturas numeradas, possuem capelas, sepulturas nobres e caras, simples campas de terra batida, zonas mais e menos valorizadas onde costumam estar sepultadas as personalidades mais influentes e menos influentes, criando-se uma hierarquização social que se estende além da vida.
Mausoléus aristocráticos como aqueles que ainda hoje podemos ver no Cemitério de Moçâmedes, em Angola, são verdadeiros monumentos históricos, que como tal devem ser considerados, porque eles ultrapassam as suas funções ritualísticas e religiosas, são lugares que guardam Historia, que suscitam memórias, que oferecem ao visitante um manancial de informações que desvelam os primórdios da formação de Moçâmedes.Um lugar digno de ser visitado pelo residente e pelo forasteiro..
Sob esses Mausoléus repousam os restos mortais de colonos fundadores que chegados a Moçâmedes no dia 04 de Agosto de 1849, ali se estabeleceram, ali viveram, ali trabalharam, ali tiveram filhos, netos e bisnetos, e ali acabaram por perecer.
Sob esses Mausoléus, a maioria dos quais mandado erguer pela Câmara da cidade, através de subscrições, repousam os restos mortais de colonos fundadores que chegados a Moçâmedes no dia 04 de Agosto de 1849, ali se estabeleceram, ali viveram, ali trabalharam e ali pereceram.
E assim sendo, andar por um Cemitério pode proporcionar muito mais do que um sentimento de tristeza e de dor pela perda irreparável de um ente querido. A arte tumular oferece-nos uma viagem no tempo. Cemitérios são espaços que contam histórias sobre a História das gentes que habitaram as cidades que os incluem, são testemunhos do ambiente político, económico, social, artístico da sucessão das épocas desde que foram construídos. A cidade dos mortos obedece, em quase tudo, à organização das cidades dos vivos. Cemitérios possuem ruas e sepulturas numeradas, possuem capelas, sepulturas nobres e caras, simples campas de terra batida, zonas mais e menos valorizadas onde costumam estar sepultadas as personalidades mais influentes e menos influentes, criando-se uma hierarquização social que se estende além da vida. hierarquização social que é reflexo de como se vivia em cada época. Mas a arte tumular, como arte que é, pode também despertar os sentidos, trazer prazer ao observador...
Com a avançar do século XX, entrada no século XXI, e a opção dos crematórios, os Cemitérios perderam o esplendor dos velhos tempos enquanto depósitos de corpos sem vida, para se tornarem verdadeiros museus ao ar livre, lugares de Arte, de Arquitectura, e de Escultura, lugares de História, de Arqueologia e de Genealogia. Por tudo isso, em grande número de países, os cemitérios tornaram-se espaços de visitação turística disputadíssimos, uma mais valia a conhecer e a explorar.
A Rota Europeia dos Cemitérios é hoje uma realidade entre os povos que melhor os preservaram e continuam a preservar porque mais cedo tomaram consciência do valor artístico, cultural e histórico da velha casa dos mortos. A prática de se visitar cemitérios pelo simples prazer de conhecê-lo tem até um nome: Necroturismo. Em Lisboa, há visitas guiadas duas vezes por mês, aos sábados, ao Cemitério dos Prazeres, a procura é cada vez maior, e as receitas são crescentes, com o aumento do turismo cemiterial. Nesse Cemitério, o terceiro maior da Europa, as visitas de turistas ao jazigo dos duques de Palmela, batem records. Como defende Francisco Queiroz, “a arte fúnebre foi criada para homenagear os mortos, mas também para os vivos desfrutarem dela”. As Câmaras em Portugal começam a investir na preservação dos Cemitérios seguindo o exemplo de outros países. Em Paris, a cidade das "Luzes", a prática da visitação turística aos Cemitérios instalou-se no início do século XIX.
Este assunto é trazido aqui porque talvez um dia Moçâmedes venha a ter o lugar que merece no Turismo nacional e internacional, e talvez este Cemitério possa vir a enfileirar o roteiro dos lugares a visitar. Ou até num tempo mais próximo se este Cemitério vier a ser visitado por estudantes tendo em vista trabalhos escolares, quando a História de Moçâmedes, no decurso de pesquisas, como por escritores, historiadores, curiosos, etc .
Posto isto, passaremos a debruçar-nos sobre o perfil de pelo menos dois homens da fundação de Moçâmedes aqui sepultados sob mausoléu aristocrático, que embora não tivessem feito parte dos grupos de pioneiros fundadores da cidade, ali chegados nos anos 1849 e 1850, vindos de Pernambuco, Brasil, são consagrados na obra “O Distrito de Moçâmedes na Fase da sua Origem e Primeira Organização: 1485-1859”, de Manuel Júlio de Mendonça Torres, como ombreando ao lado desses mesmos fundadores.
Sobre João Duarte d' Almeida (n.1822), sabemos que era natural de Midões, Beira Baixa - Portugal, filho de João Duarte d' Almeida (Bacharel em medicina) e de D. Ana Emília Duarte de Almeida ( Ana Emília Brandão, prima co-irmã do célebre João Brandão, político caído em desgraça). Casou com D. Amélia Josefina da Costa, filha de José Joaquim da Costa, chefe do segundo agrupamento de colonos ido de Pernambuco para Moçâmedes, em 1850. Tiveram 6 filhos: Alfredo, Amélia, Laurentino, Adelaide, Albertina e Elisa Duarte de Almeida.
Orfão de pai, muito cedo João Duarte d' Almeida resolveu partir para o Brasil em busca de fortuna, tendo em meados do século XIX (1838?) viajado para Angola, onde se encontrou com Bernardino Freire de Figueiredo de Abreu e Castro, em Moçâmedes, após estadia em Benguela. No livro "Bernardino Freire de Figueiredo de Abreu e Castro, fundador de Moçâmedes", escrito pelo padre José Vicente (Gil Duarte), podemos ler a notícia de que quando Bernardino chegou a Moçâmedes, em 04 de Agosto de 1849, chefiando a 1ª colónia vinda de Pernambuco, já ali encontrava João Duarte de Almeida, "dedicado à indústria de charqueação e da colheita de urzela".
A "urzela" é um liquen que medra nas pedras, do qual
se obtém uma tinta azul arroxeada de forte concentração usada em
carimbos e cópias tornando-as impossíveis de falsificação. Existe em
rochas à beira mar. Cabo Verde foi um grande produtor de urzela.
Outro produto que também se lhe atribui a exploração levada a cabo em Moçâmedes, é a "goma copal", uma resina especial à qual os produtos sintetizados vibraram um duro golpe.
Sabe-se que João Duarte d' Almeida tornou-se um grande produtor de algodão e de cana-de-açúcar nas suas fazendas "S. João do Norte" e "S. João do Sul", no Cooóca, em Porto Alexandre. Há referências que logo em 1859 era proprietário de três fazendas, em vias de desenvolvimento, uma, situada na Várzea dos Casados, outra, em S. Nicolau, e a terceira no Coroca. E que já no decénio de 1849-1859 se dedicava, no distrito, a outros ramos de actividade, como a indústria de "charqueação" .
Outras notícias referem que no princípio da década de 1860, 10 anos após a chegada dos primeiros colonos vindos de Pernambuco, João Duarte de Almeida possuía já 11 fazendas no distrito de Moçâmedes, onde cultivava algodão, empregando entre trabalhadores escravos e libertos o total de 350, sendo sua a maior das fazendas da região. A produção anual nessa época calculava-se em 1780 arrobas de algodão. E que em 1890, João Duarte de Almeida possuía o maior empreendimento agrícola da Colónia de Angola, com 1300 hectares de terreno cultivados e com 400 serviçais a trabalharem para si.
Duarte de Almeida, foi o maior possuidor de algodoais nas suas fazendas de S. João do Norte, de S. João do Sul e de S. Nicolau, e principal exportador de algodão do Distrito, Agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo.
Os seus esforços levaram a que Mendonça Torres no seu livro sobre Moçâmedes daquele tempo lhe conferisse a reputação de maior cultivador de algodão e de cana de açúcar para aguardente, e ainda de activo descobridor da "almeidina", em 1883, um produto com uma boa percentagem de borracha, a partir de um suco leitoso, extraído por meio de incisões no tronco da caçoneira Euphorbea Thirucale que comercializou com êxito (vidé Relatório da Alfandega de Benguela, relativa ao ano de 1915, pág 96, José Napoleão do Sacramento e Sousa, Angola). A "almeidina" foi introduzida no mercado europeu por Edwards Brothers de Liverpool (correspondente). Duarte de Almeida e Alves de Bastos, eram à época os dois homens mais ricos da colónia de Angola, ambos de Moçâmedes.
Outro produto que também se lhe atribui a exploração levada a cabo em Moçâmedes, é a "goma copal", uma resina especial à qual os produtos sintetizados vibraram um duro golpe.
Sabe-se que João Duarte d' Almeida tornou-se um grande produtor de algodão e de cana-de-açúcar nas suas fazendas "S. João do Norte" e "S. João do Sul", no Cooóca, em Porto Alexandre. Há referências que logo em 1859 era proprietário de três fazendas, em vias de desenvolvimento, uma, situada na Várzea dos Casados, outra, em S. Nicolau, e a terceira no Coroca. E que já no decénio de 1849-1859 se dedicava, no distrito, a outros ramos de actividade, como a indústria de "charqueação" .
Outras notícias referem que no princípio da década de 1860, 10 anos após a chegada dos primeiros colonos vindos de Pernambuco, João Duarte de Almeida possuía já 11 fazendas no distrito de Moçâmedes, onde cultivava algodão, empregando entre trabalhadores escravos e libertos o total de 350, sendo sua a maior das fazendas da região. A produção anual nessa época calculava-se em 1780 arrobas de algodão. E que em 1890, João Duarte de Almeida possuía o maior empreendimento agrícola da Colónia de Angola, com 1300 hectares de terreno cultivados e com 400 serviçais a trabalharem para si.
Duarte de Almeida, foi o maior possuidor de algodoais nas suas fazendas de S. João do Norte, de S. João do Sul e de S. Nicolau, e principal exportador de algodão do Distrito, Agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo.
Os seus esforços levaram a que Mendonça Torres no seu livro sobre Moçâmedes daquele tempo lhe conferisse a reputação de maior cultivador de algodão e de cana de açúcar para aguardente, e ainda de activo descobridor da "almeidina", em 1883, um produto com uma boa percentagem de borracha, a partir de um suco leitoso, extraído por meio de incisões no tronco da caçoneira Euphorbea Thirucale que comercializou com êxito (vidé Relatório da Alfandega de Benguela, relativa ao ano de 1915, pág 96, José Napoleão do Sacramento e Sousa, Angola). A "almeidina" foi introduzida no mercado europeu por Edwards Brothers de Liverpool (correspondente). Duarte de Almeida e Alves de Bastos, eram à época os dois homens mais ricos da colónia de Angola, ambos de Moçâmedes.
Seria necessário termos uma noção um pouco mais clara e abrangente daquilo que era o Portugal desse tempo, um tempo de mudanças impulsionadas pelos ventos da Revolução Francesa que, soprando de além Pirinéus, levou à penetração da maçonaria e dos ideias iluministas de Liberdade Igualdade e Fraternidade que contribuíram para o fim a velha ordem absolutista, a sociedade dos 3 Estados (Clero, Nobreza e Povo) em que os dois primeiros usufruíam de todos os privilégios, enquanto sobre o povo e a burguesia emergente, (o 3º Estado), caia a carga dos trabalhos e dos impostos.
Este o panorama em que tiveram lugar as invasões francesas, a fuga do Rei e da Corte para o Brasil, a revolução de 1820. a independência do Brasil (1822), as lutas entre liberais e absolutistas, o triunfo do liberalismo (1834), a disputa do poder pelas facções liberais que percorreram todo a 1ª metade do século XIX português.
Este o contexto em que teve início a colonização de Moçâmedes, em 1849, numa altura em que no Parlamento português, enquanto uns passaram a olhar a África, e sobretudo Angola, a colónia mais rica, como um novo Brasil em África, outros contrapunham a necessidade de povoar o Alentejo abandonado à sua sorte, num pais carente de gente para si mesmo, necessitado de uma total Regeneração.
Ao Parlamento havia chegado em 1848 uma Petição subscrita por portugueses de Pernambuco maltratados na voragem da "Revolta Praieira", que solicitavam ao Governo português passagens e ajudas nos primeiros tempos, para todos os que quisessem transferir-se dali para qualquer ponto do globo onde tremulasse a bandeira portuguesa. E assim nasceu Moçâmedes, com esse grupo de pioneiros chefiados pelo professor de História no Colégio Pernambucano, Bernardino Freire de Figueiredo de Abreu e Castro, com quem João Duarte de Almeida se foi encontrar, quando resolveu partir para o Brasil em busca de fortuna,em meados do século XIX (1838?), fixando-se primeiro em Benguela. Dos seus restos mortais de Bernardino, considerado o fundador de Moçâmedes, não repousam neste Cemitério, constando que havia falecido pobremente, no dia 14 de Novembro de 1871, aos 62 anos de idade, quando regressava de Luanda, onde se tinha deslocado ao serviço da comunidade. Causa da morte: uma pneumonia dupla. Teria sido atirado ao mar? Memoriais: somente o grande quadro a óleo no salão nobre da Câmara Municipal de Moçâmedes, e um busto muito simples no jardim da cidade, implantado cerca de 90 anos depois da sua morte, retirado em 1975. As autoridades portuguesas nunca lhe prestaram a homenagem devida.
Segundo Cecilio Moreira, o dr. Lapa e Faro caiu gravemente enfermo, e escreveu ao seu querido amigo, o naturalista José Anchieta, na altura a fazer explorações no interior de Caconda, a pedir para lhe tratar dos doentes, como aconteceu, mas em Moçâmedes os medicamentos estavam esgotados (o clássico quinino usado nesta altura para a cura desses males à base de leite, que a experiência de longos amos pelos matos de Angola, em contacto com os nativos lhe havia ensinado com bons resultados. Lapa e Faro ficou preso à imponência do Deserto do Namibe. Por outro lado, colonos foragidos ao nativismo brasileiro em 1849 e 1850, tinham vindo da outra banda do Atlântico fundar a colónia de Moçâmedes. tendo à sua frente, de inicio, homens de vulto, como colonos e como governantes, e mesmo como deportados políticos que naquela altura por ali passaram.
Cecilio Moreira dá-nos de Lapa e Faro uma visão clara da forma como e onde estavam a funcionar os Serviços de Saúde locais, Administrativos, sobre a Fortaleza de S, Fernando, a igreja e o começo da construção do palácio do Governador. Fala-nos também sobre os europeus e os nativos, sobre as habitações da vila, e sobre as propriedades agrícolas nos subúrbios. Em 17 de Março de 1863, publicou algumas considerações sobre o estado sanitário da vila de Moçâmedes devidas a um estudo do notável médico João Pereira Lapa e Faro (...). Encontra-se esta referencia num artigo publicado na Revista Portuguesa Colonial Marítima» de 1897/98, pág. 779. Quando Lapa e Faro ali chegou, levantaram-se as primeiras moradias e os primeiros sobrados que mais tarde vieram a formar a bela cidade do Namibe.
MNJARDIM
No Diário da Câmara dos Deputados de 18 de
Janeiro de 1878 conta-se ter sido levado a debate o assunto da
construção da casa para o tribunal de justiça, a construção do palácio
do governo, estudos para uma ponte de embarque o desembarque, e de uma
estrada de Moçâmedes para Huila, e ainda estudos para a construção da
casa para repartição de obras publicas, deposito e Observatório
Meteorológico, casa para cadeia, casa para escola, hospital, quartel, e
para a conclusão da terraplanagem no interior da fortaleza. Cunha
Moraes, no seu "Album Photografico Descriptivo", publicado por volta de
1888, sobre as obras do Palácio-residência do Governador de Moçâmedes,
iniciados em 1858, por ordem do Governador Fernando da Costa Leal, e
concluído trinta e um anos depois, continuado mais tarde, conta que
estas decorreram segundo um risco de Lapa e Faro que veio sofrendo
várias modificações.
MNJARDIM
Este texto, de minha autoria, já se encontra publicado em Moçâmedes, Registos e Factos e tem direitos de autor. Incorre em
PLÁGIO, devassa da propriedade intelectual, quem daqui o retirar e republicar sem a menção da autoria
Ver tb;
https://www.marinha.pt/Conteudos_Externos/Revista_Armada/1985/index.html#p=392



























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