Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












terça-feira, 27 de novembro de 2007

O Chafariz da Praça Leal em Mossãmedes, depois Moçâmedes, actualmente cidade do Namibe, em Angola










Este edificio de 1º andar só encontrei nesta foto do inicio do século XX. Soube mais tarde que incendiou. É um  testemunho silenciosos da Mossâmedes  do tempo das Campanhas do Sul de Angola, como se encontra assinalado no verso. Este cenário mostra parte do ambiente em que a tropa portuguesa se movimentou. Em 1915, depois de desembarcar em Moçâmedes, o tenente-médico Monteiro d'Oliveira, integrado na expedição de Pereira d’Eça subiu ao planalto e prosseguiu para Leste e na direcção do Cunene. O objectivo era enfrentar a ameaça alemã vinda do Sudeste Africano e as populações sublevadas naqueles territórios. Seu neto encontrou num envelope com a inscrição "Mossamedes 1914", duas colecções de postais sobre esta cidade.





 










                           Enquadramento da Praça Leal na cidade, junto da Alfândega e do Jardim
 



Mais recente, mas ainda do tempo colonial. Chafariz muito bem enquadrado ma paisagem urbana. Entretanto deitaram abaixo o edificio à esq. e no seu lugar foi construído um edificio de 1º andar , moderno, sem carácter, e completamente desenquadrado.
Autor: João Manuel Mangericão
Várias perspectivas da Praça Leal de Moçâmedes, hoje cidade do Namibe. Esta Praça ostenta a meio um artistico chafariz que segundo informações foi construido por Manuel da Costa Mangericão, um dos componentes das colónias de emigrantes vindas do Brasil 1849/50 para dar início ao povoamento branco da região,


Quando, entretanto, Moçâmedes começou a ter os primeiris táxis, esta Praça passou também a ser conhecida como a Praça de Táxis.   Recordo outros taxistas de Moçâmedes, tais como o velho Sereeiro (finais da década de 40, princípios dos anos 50). O velho Sereeiro, como lhe chamávamos, era uma figura "sui generis", de grandes bigodes retorcidos, à moda antiga, pai do Zé e do Álvaro (tocador de maracas do célebre conjunto "Os Diabos do Ritmo"). Sua esposa, D. Beatriz, fazia as melhores bolungas da cidade (bebida fermentada feita de fuba (farinha de milho) ou de cascas de abacaxi, que faziam concorrência à melhor laranjada do Pereira Simões, Sereeiro era proprietário de um mini-taxi, conhecido na época pelo «bébé do Serieiro»,  o ganha pão da família. Antes de aceitar a corrida, Sereeiro perguntava sempre: «Vai para longe?».

Recordo outros taxistas de Moçâmedes nas décadas de 50/60/70, um, de nome Pinto, um deles jogou futebol no Atlético Clube de Moçâmedes e mais tarde no Ginásio Clube da Torre do Tombo . Lembro-me ainda de outros taxistas, tal como Manuel Guedes, Morais Leite, e Quinha Almeida. Ficam mais esta recordações!



















E Mossãmedes foi crescendo e tomando as areias ao deserto do Namibe...



Fotos de Mossâmedes que nos dão várias e interessantes perspectivas de como era a cidade no limiar da 4ª década do século XX. São fotos de Nelson Nóbrega, tiradas de avioneta e oferecidas pelo seu avô materno, José Pereira Craveiro às suas filhas Maria de Lourdes Craveiro Nóbrega e Maria Delfina Craveiro Coimbra,  todos nascidos naquela cidade. Fotos datadas de 3 de Junho de 1939."

Impressionante nesta foto a densidade do arvoredo, sobretudo na zona do antigo Horto Municipal e das casuarinas que ficavam mais à dt, e mais próximas e da Praia das Miragens. Ampliando com um clic, podemos ver, entre outros o edifício do Banco de Angola e o edifício da Alfândega , este à época ainda ladeado por dois jardins, o da Praça Leal ou Praça de Táxis, e o Jardim da Colónia, onde nos anos 1940 foi erguido o Cine Moçâmedes. Nesta foto, mais a esq. podemos ver também o edifício do antigo Posto Metereológico que foi mais tarde demolido
 
Aqui uma zona bem central da Avenida, em frente do edifício da Alfândega,  onde se pode ver , à esq. o  Obelisco em memória do paladino da abolição do tráfico de escravos, o Visconde de Sá da Bandeira. e à dt. deste,  um pequeno quiosque em ferro. O Obelisco encontrava.se desde 1869  e até aos anos 1930 no centro de uma Praça, a Praça Sá da Bandeira, que ocupava o  quarteirão onde nessa mesma década foi erguida a Escola Portugal, Nos anos 1940 foi transladado de novo, agora para o local onde ainda se encontra, numa Praça junto do Bairro da Facada.



Nesta foto podemos ver, em toda a sua extensão,  o jardim da Avenida da República que ate 1910 se chamava Avenida D. Luiz, um monarca da Monarquia Constitucional. Por esta altura tinham terminado as obras de continuidade da Avenida que subiu até quase ao Palácio. Em breve iam começar as obras da contrsução do Palácio da Justiça, que lá do topo ficaria a  dominar toda a zona norte da cidade da cidade e arredores, retirando essa visibilidade que até então era privilégio do Palácio do Governador, enquanto este ficaria apenas a dominar a dominar a baía e  algumas lateridades.
 
 
 
 Mais a norte do ponto onde termina a mancha ocupada pelas casuarinas, ameio deta foto, podemos vfer a Estação do Caminho de Ferro, e junto à praia, os  armazéns dos Caminhos de Ferro. À  esq. da Estação ficava o velho campo de futebol de terra batida.
 
  
Esta é uma perspectiva da Avenida, de norte para sul, a  partir do ponto onde termina junto do velho campo de futebol que aqui se vê quase na íntegra.
 
Através destas fotos tiradas lá do alto, podemos ver ainda a imensidão de quintais que ficavam nos espaços interiores dos quarteirões rectangulares, que eram preenchidos pelo térreo casario voltados para duas ruas paralelas e duas transversais.a junto ao mar

 
Aqui já se vê a zona mais a norte da cidade,  a caminhar  para a foz do rio Bero,  zona ribeirinha  conhecida por Praia do Chiloango.



Familias antigas de Moçâmedes: Costa Santos e Gomes de Almeida




1ª foto:
Mais uma foto de familias antidas de Moçâmedes. Esta, da família Costa Santos.

Sentadas as avós Balbina (à dt.) e Júlia Augusta (à esq.). De pé,
Manuel e Hortense Costa Santos acompanhados dos quatro filhos mais velhos: Julieta (frente à mãe); Manuel (frente à avó Balbina, à esq.); Isabel, ao colo da avó Júlia, ao centro); Júlio (ao colo do pai, à esq.). Mais tarde, de Manuel e Hortense nasceriam ainda José Enoch, Fernanda, Henrique (Quito) e Albano (Carriço). Todos naturais de Moçâmedes, nascidos na Rua dos Pescadores.
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Alguns dados genealogicos:

Albano da Costa Santos c. 1875 e Balbina Amelia David de Jesus c. 1875 eram os pais de Manuel da Costa Santos, nascido em Santarém, Tremes, Santiago c. 1900 + Angola, Mossâmedes 1951, casou com Hortensia Pestana c. 1900. Foram pais de  Julieta da Costa Santos, Isabel Pestana da Costa Santos (casaa com Norberto Santos) , Manuel Pestana da Costa Santos (casado com Aurora N), Fernanda Pestana da Costa Santos, 17.08.1925 (casada com Jose Lopes Corado), Jose Onoh da Costa Santos (casado com Maria Eugenia Almeida Carvalho), Henrique Pestana da Costa Santos (casado com Helena N.) e Albano da Costa Santos (Carriço - casado com Olga de La Sallete)





 

2ª foto:
 

José Almeida (enfermeiro), Francelina Gomes Almeida e os seus filhos, Júlio Gomes de Almeida à esq. Paulo Almeida (ao colo) e Zeca Almeida, à dt., todos eles nascidos em Moçâmedes. Data da foto: década de 20.

Júlio Gomes de Almeida viria a ser solicitador e a casar com Lita Pestana, tendo como filhos Minelvina Almeida e Julio Almeida. Paulo Almeida viria a casar com Maria do Céu Almeida, filha do venerando «ti» Oscar de Almeida. Zeca Almeida trabalhava nas Finanças .



Os modos de se vestir e de se apresentar para o mundo revelam o modo de ser de cada época da história da humanidade. Nesta época, anos 20 do século XX, como se pode ver pela foto, era chic  vestirem-se as crianças com de fato de marujo, assim como era comum verem-se crianças de colo do sexo masculino vestidas como meninas, cabelos compridos, caracóis.
Mudam os tempos, mudam as vontades e as modas também, mas ficam registos interessantes como este, que para além de trazerem à recordação familiares antigos, ficam para sempre inscritos na história da moda de determinada época, país, região...

Foto cedida por Calinhas a Sanzalangola.
i
dem cedida por Minelvina Almeida

texto de MariaNJardim



GENEALOGIA DA FAMILIA COSTA SANTOS