Estátua de Maria da Cruz Rolão, (1) colocada à entrada de Porto Alexandre (actual Tombwa), nos inícios da década de 70, poucos anos antes da independência de Angola. Acabaria por ser demolida nesses tempos de nacionalismo exacerbado que se seguiram ao processo agitado de descolonização e independência do território.
Subscrevo totalmente este texto assinado por Manuel Gaspar:
"...Os africanos, por motivos que plenamente compreendemos, e dada a incapacidade de distinguir entre bons e maus colonos, entre o colono trabalhador do ambicioso colonialista, nunca perdoaram a colonização. E o radicalismo das posições não tem ajudado a compreender a verdade histórica de um povo que, ao arrepio da desconfiança desenvolvida face a teses de fácil aproveitamento, mas não menos reais, como a do "lusotropcalismo" de Gilberto Freyre, não possuia nem possui características racistas de outros povos, já que facilmente se miscigenou, fosse com índios, no Brasil, fosse com negros em África, formando uma população tri-híbrida.
Os portugueses quando partiram para a diáspora já carregavam consigo séculos de integração genética e cultural de povos europeus, como os celtas e os lusitanos, para além dos 7 séculos de convivência com mouros do norte de África e com judeus, relacionamento que deixou um importante legado a este povo. Lá virá um dia em que haverá a capacidade de interpretar a História, com o necessário distanciamento, e se há de ultrapassar preconceitos de má memória e de maus resultados, que apenas servem e continuam a servir àqueles que pretendem dividir para reinar! E tanto mais que não existe margem para dúvidas de que chefes tribais estiveram envolvidos no tráfico de escravos de má memória, numa fase em que os colonos ainda eram ausentes (1), e que hoje em dia chefes africanos encontram-se profundamente mergulhados na exploração dos seus próprios povos, numa época em que a ambição dos grandes está no auge, e que já ninguém duvida que ela não têm côr nem tem pátria!"
(1) Vidé declarações do historiador francês René Pelissiér : "Em
1904, até mesmo em 1907, a Angola realmente portuguesa representava no
máximo um décimo do território actual. E isso não era confidencial.
Estava escrito em “Angola – Dois Anos de Governo”, de Paiva Couceiro.
João de Almeida, que foi seu braço direito, contou as suas próprias
campanhas. Se ele empreendeu, a partir de 1845, 180 operações militares,
isso significa que a colónia não estava pacificada. Esta foi a chave
que demonstrou a falsidade do slogan “Cinco séculos de colonização
portuguesa em Angola”.

