Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












segunda-feira, 24 de agosto de 2020

O REI QUE EMPRESTOU SEU NOME À FORTALEZA DE MOÇÂMEDES

 


PINCON, Adolphe, 1847-1884
S. M. el Rey Dom Fernando / A. Pinçon. - [Paris? : s.n., entre 1867 e 1877?]. - 1 gravura : litografia, aguarelada ; 40x31 cm (imagem sem letra). BN
 
 
Dom Fernando II, de seu nome completo Ferdinand August Franz Anton Saxe Coburgo Saalfeld, era um príncipe alemão da Casa de Saxe-Coburgo-Gota-Kohary , nascido em Viena, no palácio da sua família materna, a 28 de outubro de 1816. Era filho do príncipe Fernando-Saxe-Coburgo-Gotha e da sua esposa, a princesa Maria Antónia de Koháry. Foi Rei de Portugal jure uxoris como o marido de D. Maria II , a partir do nascimento de seu filho em 1837. O seu reinado chegou ao fim com a morte de sua esposa em 1853, mas ele serviu como regente de seu filho e sucessor, D. Pedro V , até 1855. Ele e Maria fundaram a Casa de Bragança-Saxe-Coburgo e Gotha , que iria governar Portugal até 1910 . https://pt.blastingnews.com/cultura/2017/06/d-fernando-ii-o-rei-que-preferia-a-cultura-a-politica-001794945.html?fbclid=IwAR1LRtCLmoYkY6dM6-yMXEw1upCjc5V6VOvORom3_bSGMfhLwR5iKwYyemQ
 
Conhecido como o "Rei-Artista", D. Fernando II foi o segundo e último rei-consorte de Portugal. Era visto como um homem inteligente, egocêntrico, alegre, sedutor, que era dado a convívios, apreciava a cultura, e evitava envolver-se em questões políticas. No entanto, tinha uma caraterística menos favorável aos olhos de muitos... tinha uma voz profundamente anasalada. No nosso país deixou um legado sobretudo cultural, mas também nos garantiu a independência da Espanha. Revela-mosagora mais informações sobre o segundo marido da rainha D. Maria II.
Quanto à Fortaleza de S. Fernando em Moçâmedes, esta começou a ser erguida, após os estudos da costa e dos sertões da região, iniciados em 1839, quando o então Governador-geral da Província de Angola, Manuel Eleutério Malheiro determinou em Fevereiro de 1840, que se erguesse um forte na baía de Moçâmedes, época em que se iniciava a sua ocupação militar. Essa 1º fase da fortificação foi concluída em 1844, recebendo oficialmente a designação de Forte de S. Fernando pelo Ofício nº 249, de 12 de Junho de 1849, do Governador-geral ao Ministério do Ultramar em Lisboa. Era feita, dessa forma, uma homenagem a Fernando II de Portugal, esposo da rainha D. Maria II (1826-1828; 1834-1853). Foi seu primeiro comandante o Tenente de Artilharia João Francisco Garcia (1840-1845).
 
Os primeiros colonos civis de Moçâmedes foram os fundadores das primeiras feitorias que não vingaram e que acabaram por ter uma vida breve, no entanto decisivos o arranque da cidade foram dois grupos de portugueses que se retiraram da Província de Pernambuco, no Brasil, quando da Revolta Praieira (1848), e que em 1849 resolveram fixar-se em Moçâmedes, o 1º chefiado por Bernardino Abreu e Castro, o 2º chefiado por José Joaquim da Costa. 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

" OS VISCONDES DE GIRAÚL

 

Joaquim Bernardo Cardoso Botelho da Costa, 1º visconde de Giraúl
(Tarouca 1863 - Lisboa1926), título concedido por Decreto de 18 de Maio de 1899 de D. Carlos I como recompensa pelos serviços prestados à coluna de operações no Humbe. 
 
 
 
 

Circula na Net, um aprofundado trabalho de pesquisa sobre a biografia de Joaquim Bernardo Cardoso Botelho da Costa, o Visconde de Giraul e de seus herdeiros titulares, a quem D. Carlos, rei de Portugal, concedeu o titulo , por proposta do Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Marinha e do Ultramar, que, por ser uma faceta pouco conhecida da colonização dos territórios africanos, a da concessão de uns poucos titulos nobiliárquicos a personalidades que sobressairam no tempo  da monarquia e a outras mesmo após a Implantação da República Portuguesa,
resolvemos abordar aqui,
 
 
 
e com o fim do sistema nobiliárquico, que mantiveram o título, como foi o caso do 2.º Visconde de Giraul, Manuel Alves Bastos Botelho da Costa, nascido em Moçâmedes, e mesmo de Guilherme Poças Falcão Bicudo Correia Botelho da Costa, 3.º Visconde de Giraul, e de Guilherme César Pestana Botelho da Costa, 4.º Visconde de Giraul.
 
Giraúl é o nome de uma das suas propriedades, nas margens do rio da mesma designação, próximo de Moçâmedes. E tornou-se um títumo, uma mercê 
 
 O título "Visconde do Giraul" foi uma mercê concedida pela 1ª vez ao facultativo de 1º classe do quadro de saúde de Angola, no ano de 1899, então já abastado proprietário na região do Giraul, distrito de Moçâmedes, como reconhecimento do apoio concedido na época a uma coluna militar dirigida à região sublevada do Humbe.
 
 Joaquim Bernardo Cardoso Botelho da Costa, o 1ºv Visconde do Giraul foi médico, militar, empresário agrícola e escritor.  Foi Facultativo de 2.ª Classe, com a graduação de Tenente. Exerceu no Hospital de Luanda e em Cabinda, e foi Delegado de Saúde no Ambriz, Cazengo e em Moçâmedes.  Em 1892 foi a Facultativo de 1.ª Classe, e ao posto de Capitão, e em 1902 a 2.º Subchefe, como Major, e a 1.ºSubchefe do Serviço de Saúde, como Tenente-Coronel.  Em 1900 foi Chefe Interino do Serviço de Saúde de Angola e São Tomé e Príncipe, e em 1902 assumiu a Direção do Serviço de Saúde de São Tomé e Príncipe e do Hospital daquela Provincia. Em 1911 foi nomeado Chefe do referido Serviço, com o posto de Coronel, em que se reformou, entregando-se depois à administração das suas Propriedades em Angola e na Metrópole e à administração das Companhias que fundou. Foi o Fundador da Companhia de Cuanza Sul e da Companhia do Sul de Angola, na segunda das quais foram incorporadas as suas propriedades agrícolas e industriais do Distrito de Moçâmedes. Foi Oficial da Ordem de Avis, Cavaleiro da Ordem da Coroa da Prússia, e condecorado com a Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar e com a Medalha de Assiduidade no Ultramar.  De entre as obras que publicou salientamos A Profilaxia do Paludismo nas Nossas Colónias, 1902; A Cultura do Algodão e da Borracha na Província de Angola, 1910;  Egomegalia Literária, Estudo de Psicopatologia, 1911; O Trabalho Indígena no Concelho de Moçâmedes, Carta Aberta ao Senhor Governador-Geral de Angola, Major Manuel Maria Coelho, 1911; A Escravatura em Moçâmedes, Carta Aberta a S. Ex.ª o Presidente da República por um Grupo de Agricultores, Industriais e Comerciantes de Moçâmedes, 1912;
 

Em Moçâmedes, Joaquim Bernardo Cardoso Botelho da Costa , o 1º visconde de Giraúl casou, em cerimónia ocorrida na cidade de Moçâmedes, na Igreja de Santo Adrião, em 28 de Setembro de 1895, com Amélia do Carmo Torres Bstos,   natural de Moçâmedes, onde nasceu em  6 de Março de 1872, filha de  Manuel José Alves Bastos e de Amélia Torres Bastos, a célebre viuva Bastos, participantes  da segunda colónia ida do Brasil (Pernambuco), em 1850. E ra neta materna  de Manuel Joaquim Torres (09-04-1813) e de Maria José da Costa Torres (Açores, S. Miguel, 1827+24.07.1912). Amélia do Carmo Torres Bastos, em Moçâmedes foi  também baptizada e  ali faleceu a 12 de Abril de 1896, repousando  seus restos mortais  em mausoléu no Cemitério de Moçâmedes (Namibe). 

Manuel José Alves Bastos, um dos componentes da primeira colónia chegada a Moçâmedes em 1849, vinda de Pernambuco, Brasil, em consequência da perseguições aos portugueses que se negavam em abdicar da sua nacionalidade, e se estabeleceu na região, onde foi comerciante e proprietário e se dedicou ao comércio de marfim e do gado, às actividades agrícola com plantações e também à pesca e à exploração de salinas. Com João Duarte de Almeida, eram os dois homens mais ricos da região, na época. Repousa em jazigo de Família, no cemitério de Moçâmedes.


D. Amélia do Carmo Bastos, quando do seu casamentoco o 1. Visconde Giraul , era já viúva de Teodósio Coutnho de Lencastre, de quem tnha uma flha, D. Maria do Carmo Bastos Coutnho de Lencastre. E dcasamento com  Joaquim Bernardo Cardoso Botelho da Costa , o 1º visconde de Giraúl, e  Amélia Torres Bastos, foram pais de Manuel Alves Bastos Botelho da Costa,  o primogénito, nascido em Moçâmedes, em 1897, que foi militar, engenheiro, professor e ferroviário português, e usou o título de 2.º Visconde de Giraúl por autorização de D. Manuel II de Portugal no exílio em data desconhecida. Casou com Maria da Luz Poças Falcão Bicudo Correia.
 
 
O 1º visconde de Giraúl Joaquim Bernardo Cardoso Botelho da Costa morreu de cancro no pâncreas, às 00.30h de 23 de Junho de 1926, em Lisboa, e foi aqui sepultado bem como diversos membros da sua família, conforme mencionado no referido trabalho.
 
 

 
Ver aqui o link da proveniência do texto;

 
Manuel Alves Bastos Botelho da Costa, o 2º Visconde do Giraul, nascido em Moçâmedes, em 1897, era filho de Jaquim  Bernardo Botelho da Costa, o 1º Visconde do Giraúl,  .e de Amélia do Carmo Bastos , casou com Maria da Luz Poças Falcão Bicudo Correia.
 


Foi um militar, engenheiro, professor e ferroviário português.

Matriculou-se em 1914 no Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa e, em 1917, com o Curso Geral do referido Instituto, assentou praça no Corpo de Alunos da Armada e foi promovido a Aspirante de Marinha em Outubro do mesmo ano e a Guarda-Marinha em 1921, ano em que seguiu, a bordo do cruzador Carvalho Araújo, para Macau, viagem que, por ordem do governo, foi interrompida em Porto Said, em razão do movimento revolucionário de 19 de Outubro.

Regressando a Lisboa, retirou-se do serviço da Armada, e em 1922 matriculou-se novamente no Instituto Superior Técnico, onde completou o curso de Engenharia Civil, em 1925.

Entrou como Engenheiro Praticante na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses em 1926 e, ao mesmo tempo, foi Assistente Interino das Cadeiras de Caminhos de Ferro e de Estradas do IST, no impedimento do Efetivo, lugar de que pediu a demissão em 1928.

Foi nomeado Engenheiro-Ajudante em 1928, Engenheiro-Adjunto em 1930, Subchefe em 1937 e Engenheiro-Chefe da Divisão de Exploração em 1943.

Foi também Assistente do Instituto Comercial de Lisboa em 1930 e seu Professor Interino, e Professor do Instituto Industrial de Lisboa. Publicou vários trabalhos.

Usou o título de 2.º  Visconde de Giraúl por Autorização de D. Manuel II de Portugal no exílio de data desconhecida.

Casamento e descendência:

Casou em Lisboa a 30 de Janeiro de 1922 com Maria da Luz Poças Falcão Bicudo Correia (Ponta Delgada - ?), filha de Francisco Manuel Raposo Poças Falcão Bicudo Correia (filho de Francisco Manuel Raposo Bicudo Correia) e de sua mulher Ângela Maria Dias, da qual teve cinco filhos e filhas.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Alves_Bastos_Botelho_da_Costa













 
Foto actual com ponte sobre  rio Girául
Foto actual com estrada atravessando o Girául