Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Alguma genealogia de pioneiros da colonização de Mossâmedes (Moçâmedes, Namibe), Angola: José Joaquim Pinho


                                                                                          



JOSÉ JOAQUIM DE PINHO, natural de Aveiro, Terra da Feira, c. de 1820, foi  componente da Primeira Colónia de portugueses que, saídos de Pernambuco, em Maio de 1849, na barca brasileira "Tentativa Feliz", acompanhada do brigue de guerra português "Douro",  chegou a Moçâmedes a 4 de Agosto do mesmo ano, para dar inicio ao povoamento branco do distrito. 

JOSÉ JOAQUIM DE PINHO foi, pois, um dos pioneiros da fundação da cidade de Moçâmedes,  onde foi proprietário de terras na região, de entre elas a fazenda da Várzea da Boa Esperança.  Viria a  falecer em Moçâmedes, em 27.11.1875, encontrando-se os seus restos mortais, junto com os da sua mulher, sepultados sob um mausoléu no cemitério local, mandado erguer pelos seus filhos.




 "Aqui jazem os restos mortaes de JOSÉ JOAQUIM DE PINHO, natural de Aveiro, e sua esposa D. Maria dos Anjos Pinho, natural da ilha de S. Miguel, falecidos, aquelle em 27 de Novembro de 1875, e esta a 1 de Maio de 1873. Seus filhos lhe mandaram erigir este mausoléu com prova de muita estima. Eterna recordação."

                                                                                                             
ALGUMA GENEALOGIA DE JOSÉ JOAQUIM DE PINHO
recolhida de Genea


Era filho de José Joaquim de Pinho e de Maria de Jesus Rodrigues  (in Genea=  filho de José Joaquim de Pinho e de Augusta Gomes). Casou com Maria dos Anjos Rodrigues,  natural da Ilha de São Miguel  (filha de António Rodrigues e Maria de Jesus Rodrigues, naturais dos Açores, São Miguel), falecida em Moçâmedes a 01.05.1873. 

DESCENDENTES:


José Joaquim de Pinho teve uma primeira união da qual nasceu Clara Pinho:
                                                   
1. Clara de Pinho
                                                                                     (nascida em Moçâmedes)

Clara de Pinho casou com Trindade e dessa união nasceram os seguintes filhos:
                               
1. Rita Pinho Trindade de Soares

2.  Alexandrina P. Trindade Faria
3. José de Pinho Trindade (pai de José Moreira de Pinho Trindade,  proprietário do «Jornal o Namibe», pai de Georgina Zulmira Alves Trindade, Clara Bela Alves Trindade, Roberto Alexandre Alves Trindade e Carlos Alberto Alves Trindade

4. Manuel de Pinho Trindade
5. Clara de Pinho Trindade



Do casamento de José Joaquim de Pinho e Maria dos Anjos Rodrigues nasceram :

2. Joaquim José de Pinho, nascido em Moçâmedes a 20.06.1869;

3. Perpétua de Pinho, nascida em Moçâmedes em 21.07.1871;

4. Maria da Conceição de Pinho (foto abaixo), nascida em Moçâmedes a 30.5.1872, casou com Emídio Augusto Pimentel de Figueiredo, que também se assinou Emídio Augusto  Pimentel Teixeira Simões de Sousa, ( da Casa dos Pimentel Teixeira de Maçãs de D. Maria e primo do chefe da 1ª colónia de Pernambuco,  Bernardino Freire de Figueiredo de Abreu e Castro), que vindo de Portugal, era então proprietário de fazendas em Moçâmedes; 

5. Amélia de Pinho n. em Moçâmedes, Santo Adrião, a 20.6.1869 ( irmã gémea de Manuel Joaquim), que casou com Alfredo de Oliveira Luso, ambos falecidos em Lisboa, (onde possuíam uma casa na Rotunda do Marquês de Pombal) e proprietários da Qtª. d`Além, em Torres Vedras. 
Nota: 

A folhas 4 v. e 5 do livro de Casamentos da freguesia de Santo Adrião, conselho de Moçâmedes, relativo ao ano de 1889, com o Nº 6 :

" Aos vinte e tres dias do mês de Junho de mil oitocentos e oitenta e nove, nesta Vila e freguesia de Santo Adrião de Moçâmedes, diocese de Angola e Congo, e casas do falecido General Honorato José de Nendonça, compareceram perante mim os nubentes que sei serem os próprios, Alfredo de Oliveira Luso e D. Amélia Pinho, com todos os papéis do estilo correntes e sem impedimento algum canónico ou civil para o casamento, ele, de idade de vinte e um anos incompletos, natural da freguesia de Santo António do Recife, Província de Pernambuco, Império do Brasil, filho de Joaquim Antero de Oliveira Luso e de D. Filonila da Costa Luso e ela de idade de dezanove anos, solteira, natural desta freguesia de Moçâmedes, filha legítima de Joaquim José de Pinho e de D. Maria dos Anjos de Pinho, os quais nubentes se receberam por marido e mulher e eu os uni em matrimónio, procedendo em todo este acto segundo o Rito da Santa Madre Igreja Católica, Apostólica, Romana. Foram testemunhas presentes, que sei serem os próprios:- o comendador Manuel José Alves Bastos, sua esposa D. Amélia do Carmo Torres Bastos, António Florentino Torres , negociante, a sua esposa D.Maria Júlia de Mendonça Torres, todos residentes nesta freguesia de Santo Adrião de Moçamedes. E para constar, lavrei em duplicado este assento que, depois de ser lido, conferido e achado conforme, assino com os nubentes e tetemunhas presentes. Era ut supra. (...) Cónego Diogo Damião Rodolfo de Santa Brígida e Sousa, arcipreste".In Geneallnet

6. Manuel Joaquim de Pinho* 20.06.1869

7. Jacinto de Pinho
                            
                                                      
Do ramo Maria da Conceição de Pinho e Emídio Augusto Pimentel de Figueiredo (conf.Genea): 


 Maria da Conceição de Pinho 30.05.1872, 
Moçâmedes. Casou com Emídio Augusto Pimentel
de Figueiredo 
Emídio Augusto Pimentel
de Figueiredo casado com Maria da Conceição de Pinho 


Descendência :  

Silvina de Pinho Pimentel de Figueiredo

                1. Silvina de Pinho Pimentel de Figueiredo
                 (casou com Joaquim Augusto da Costa Simões Canova* 1891)
2. Joaquim José Simões Pinho de Figueiredo
Moçâmedes, Santo Adrião, 23.19.1893+ Cascais, Parede 1976
Casou em Cascais 1918 com Ida de Almeida Ramil

3. Maria da Conceição Simões Pinho Freire de Figueiredo 
* Moçâmedes, Santo Adrião 06.07.1903. Casou com José Braz Simões c.1900

Em 1969, a Agência-Geral do Ultramar editou o n.º 8 da sua colecção «Figuras e Feitos de Além-Mar», intitulado «Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, Fundador de Moçâmedes», do autor o Padre José Vicente, que à mesma figura já tinha dedicado alguns artigos no jornal regional «A Comarca de Arganil», de que era redactor em Lisboa. Nesse livrinho, encontra-se um recorte do «Diário de Notícias» com a notícia do óbito da escritora e publicista Maria de Figueiredo (* Mossâmedes 1906 + Lisboa 26-12-1971), cujo nome completo – D. Maria da Conceição Pinho Simões Pimentel Teixeira Freire de Figueiredo. Presume-se seja  a mesma Maria da Conceição Simões Pinho Freire de Figueiredo


 
             4. Maria Maximina de Pinho Pimentel Figueiredo
  * 1889 + 1972
       Casou com Joaquim Salgueiro Rêgo

Maria Rosa de Pinho Pimentel de Figueiredo
5. Maria Rosa de Pinho Pimentel Teixeira
1896-1973
Casou com Tomás de Aquino Vaz Pereira Simeão

*

(1) Cfr pp. 480 da obra «Moçâmedes», da autoria de Manuel Júlio de Mendonça Torres, que inclui também fotografia José Joaquim de Pinho, vem publicado, em extra-texto, entre pp. 358 e 359, os seguintes dizeres: "José Joaquim de Pinho, natural de Aveiro, componente da Primeira Colónia, foi proprietário duma fazenda situada na várzea da Boa Esperança. Faleceu em 27 de Novembro de 1875. Repousa, sob gracioso mausoléu, no cemitério da cidade" (sic).

Também em extra-texto, entre pp. 326 e 327, vem publicada a fotografia de seu primo Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, chefe da Primeira Colónia, referindo-se que se trata da reprodução de uma fotografia, no verso da qual se lêem algumas notas biográficas, de entre as quais cito as seguintes palavras: "Homem (...) pugnador incansável dos benefícios dos pobres e dos órfãos... e mais útil aos estranhos que a si próprio" (sic).


Encontrei em GeneallNet a seguinte informação que passo a transcrever:

 "...A mãe da minha avó Maria da Conceição de Pinho, chama-se Maria dos Anjos e morreu muito cedo, de parto. O pai, José Joaquim de Pinho, era natural de Ovar , ou Ilhavo ( Nota minha:- segundo a certidão de nascimento de Maria da Conceição, n. em Moçamedes em 1872, da qual possuo uma cópia, o pai nasceu nas Terras da Feira), e também morreu novo, mas morto por um criado negro, bêbado, que lhe espetou uma faca durante um banquete (...) Tinha vindo para Moçamedes , com cerca de 20 anos, acompanhado por um seu conterrâneo, Manuel Torres. Quando morreu, os filhos e filhas ( minha avó , Maria Amélia , Perpétua e Jacinto ), ficaram a viver em casa de Manuel Torres e sua mulher , Maria Torres. Este tinha um filho António Torres (...) fim de citação. (ass. Luis Piçarra)
"...Para já, chamou-me a atenção a certidão de casamento entre os nossos tios já remotos, Alfredo de Oliveira Luso e Maria Amélia de Pinho, pois julgo que as informações que possuis, apontam para ele ter nascido em Moçâmedes. No entanto não é o que consta do assento de casamanto de que tenho uma fotcópia que passo a transcrever. A folhas 4 v. e 5 do livro de Casamentos da freguesia de Santo Adrião, conselho de Moçâmedes, relativo ao ano de 1889, com o Nº 6 :

" Aos vinte e tres dias do mês de Junho de mil oitocentos e oitenta e nove, nesta Vila e freguesia de Santo Adrião de Moçâmedes, diocese de Angola e Congo, e casas do falecido General Honorato José de Nendonça, compareceram perante mim os nubentes que sei serem os próprios, Alfredo de Oliveira Luso e D. Amélia Pinho, com todos os papéis do estilo correntes e sem impedimento algum canónico ou civil para o casamento, ele, de idade de vinte e um anos incompletos, natural da freguesia de Santo António do Recife, Província de Pernambuco, Império do Brasil, filho de Joaquim Antero de Oliveira Luso e de D. Filonila da Costa Luso e ela de idade de dezanove anos, solteira, natural desta freguesia de Moçâmedes, filha legítima de Joaquim José de Pinho e de D. Maria dos Anjos de Pinho, os quais nubentes se receberam por marido e mulher e eu os uni em matrimónio, procedendo em todo este acto segundo o Rito da Santa Madre Igreja Católica, Apostólica, Romana. Foram testemunhas presentes, que sei serem os próprios:- o comendador Manuel José Alves Bastos, sua esposa D. Amélia do Carmo Torres Bastos, António Florentino Torres , negociante, a sua esposa D.Maria Júlia de Mendonça Torres, todos residentes nesta freguesia de Santo Adrião de Moçamedes. E para constar, lavrei em duplicado este assento que, depois de ser lido, conferido e achado conforme, assino com os nubentes e tetemunhas presentes. Era ut supra. (...) Cónego Diogo Damião Rodolfo de Santa Brígida e Sousa, arcipreste" (ass Luis)

Ainda sobre esta familia 


Moçâmedes/Genealogias
Pesquisa e composição do texto de MariaNJardim


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José Moreira de Pinho Trindade, descendente dos pioneiros da colonização de Moçâmedes. O jornal «O Namibe», a poesia, etc...

 
 
 Se houve pessoas que marcaram presença no desenrolar da vida, das vivências e convivências na cidade de Moçâmedes,  Namibe, uma delas foi José Trindade, proprietário do "Jornal o Namibe" e de uma tipografia situada na Rua dos Pescadores.

José Trindade era  descendente de um pioneiro da colonização, José Joaquim de Pinho (1820-1875)*, natural de Aveiro, que juntamente com outros portugueses idos de Pernambuco (Brasil) na barca brasileira "Tentativa Feliz" para Moçâmedes, ali chegou a 4 de Agosto de 1849. Vinham dar inicio ao povoamento branco do distrito.  José Joaquim de Pinho foi proprietário de terras na região, entre elas a fazenda da Várzea da Boa Esperança.  Faleceu em Moçâmedes, em 27.11.1875, encontrando-se os seus restos mortais, junto com os da sua mulher, sepultados sob um mausoléu no cemitério local, mandado erguer pelos seus filhos.

Mas José Trindade para além de proprietário do "Jornal o Namibe" e de uma tipografia, também era jornalista; era ele próprio escrevia muitos dos artigos que eram publicados no seu Jornal, os quais assinava ora como J. Trindade, ora como Carlos Alberto, e ainda como REX, para além de dominar a arte de versejar, faceta pouco desconhecida de quantos habitavam a cidade de Moçâmedes.

Seguem dois dos seus poemas que me foram gentilmente enviados, juntamente com a foto acima, pelo seu filho e meu ex-colega de escola, Roberto Trindade.
 
 
Moçâmedes e o Mar



Entre as águas azuis do mar uivante

e a areia fulva do deserto agreste

- como presa nos braços de um gigante-

foi, Princesa, que tu aqui nasceste!


Nasceste em terra dura e ressequida

E tens mesmo a welwitschia por irmã,

e, à força de viveres esta vida.

conquistaste a coragem de um titã!


Venceste as bravas ondas turbulentas,

enfrentaste as garrôas do Deserto,

e, após tremendas lutas bem cruentas,

mudaste a rota a um destino incerto!


Tornaste natural o que era estranho

ao dominar os fortes elementos:

nas areias fizeste o seu amanho

e ao Mar foste colher os alimentos:


Consumidos cem anos em batalhas,

és tão pobre como eras no começo,

mas, rica em fidalguia, tu trabalhas

p`r atingir as estradas do Progresso!


Agora, à custa desse teu Namibe

e da formosa Praia das Miragens

como quem ao olhar do Mundo exibe

belezas naturais, raras imagens -


Tu voltaste de novo a triunfar!

fazendo de ambos um cartaz berrante,

passaste a festejar o velho Mar,

companheiro do povo navegante.


Carlos Alberto

 



Em Moçâmedes poucos escapavam a uma alcunha, e  José Trindade coube era conhecido por «Zé Côco». Era um fumador inveterado que não parava de fumar enquanto escrevia e orientava os trabalhos na sua Tipografia. Era cigarro atrás de cigarro, até virar «beata» a queimar-lhe a ponta dos dedos...

A respeito desta faceta de seu pai assim escreveu seu filho Roberto: 
"...Ele e o Antenor Carranca só viviam para o jornal. É pena que o Antenor tenha desistido tão cedo !  O meu pai era um tanto ou quanto lunático. Ia pelo passeio com o cigarro a arder na boca, não ia a fumar, só a fumegar. Ia a pensar naquela rima que lhe faltava para o soneto que estava a escrever ... À noite no seu quarto, mergulhava no monte de jornais que recebia de todo o lado, queimava montes de cigarros que ficavam a arder no cinzeiro. Tamborilava os dedos no tampo de mesa para contar as sílabas e encontrar a célebre rima. Deitava-se às 3 da manhã e às 8 já estava à minha espera para irmos para o Jornal ... Se demorasse ele ia a pé."


Quanto à faceta poética de José Trindade, e a respeito do TABACO, ele mesmo escreveu um poema numa altura em que devido à seca a indústria tabaqueira angolana passava por uma grave crise, ao ponto de ter faltado tabaco nos locais de venda em Moçâmedes, situação que agitou os ânimos dos viciados.  Eis o poema:



Não há tabaco!



(Referência alegre à cruciante à tragédia tabaqueira ocorrida há dias)


As armas e os barões assinalados

que os tempos vão maus, muito envinagrados!

Não há tabaco e estamos desgraçados!

A seca foi atroz e foi completa

de deixar um parceiro mui pateta!


Desta vez não houve contemplações:

não fumaram pobres, ricos e ladrões!


Conheço fumadores consagrados

que agora apenas ... chucham rebuçados!

Conheço até uma Domingas ,

que é minha lavadeira e confidente.

Sei que adora o tabaco e as boas pingas.


E, como continua sorridente,

indaguei da maneira que ela usava

pr´enfrentar o problema. E essa avis-rara

disse: - Eu não perdi tempo , e sem mangonha

fui comprar umas doses de cangonha!...


A situação tristonha e angustiosa

veio pôr a cidade em polvorosa.

Os cigarros de filtro e os tais sem ponta

são luxo com que a gente já não conta:


Não há Deltas, Marinas, Francesinhos

e até Negritos já não têm os barzinhos!

Fumar é vício lindo que morreu

e, p´ra vida ser feita de veludo,

vamos fumar p´la ponta de um canudo,

recordando a beata que já ardeu!


E como um bom charuto custa caro,

Não fumes disso, ó meu judeu avaro!



(José Trindade)





Estas eram algumas marcas de tabaco que se vendia em Angola

 

 




Do "Jornal Namibe" apresentamos a seguir um derradeiro artigo, publicado em 1975, quando Portugal se preparava para pôr a funcionar, com a ajuda de potências estrangeiras, uma «ponte aérea» sem retorno que haveria de promover o repatriamento massivo dos portugueses do território de Angola  naquilo que redundou numa autêntica "limpeza étnica".





 


                                             
                                                             

  
Clarabela e Gina, as duas meninas de José Trindade já rapariguinhas, em 1953/4? envergando a camisola do Benfica, "o clube de sempre" das duas manas Trindade.

 
Sem desprestígio para a mana Gina que também era uma excelente basquetebolista, Clarabela, era sem dúvida a alma da equipa de basquetebol feminino do Sport Moçâmedes e Benfica na década de 1950. Era aquela que, com a sua rapidez, as suas esquivas jogadas e os seus infalíveis lances de bola ao cesto, fazia vibrar os  adeptos benfiquistas que não cessavam de a ovacionar. Ver Memórias Desportivas AQUI




  Aqui podemos ver Roberto Trindade (em cima à esq) integrando o grupo de finalistas masculinos da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, em 1956. Ver AQUI


Para terminar vou lembrar uma situação que se passou entre José Trindade e a Câmara Municipal de Moçâmedes, que revela o quanto às vezes as pessoas que detêm algum poder são levadas a actos prepotentes, mesmo em situações em que os ventos não correm a favor dos organismos que representam.




Eis a situação:



José Trindade era há já um tempo credor da Câmara Municipal de Moçâmedes, por trabalhos prestados pela sua Tipografia que não havia meio de serem pagos. Cansado de esperar, tomou uma decisão: ele que fora sempre cumpridor das suas contas, resolveu pura e simplesmente deixar de pagar a conta da água e da luz eléctrica que a Câmara fornecia à Tipografia. Resultado, logo no dia seguinte bateu à porta da mesma um funcionário municipal que ali se deslocou para cortar o fornecimento de água. Porque lei é lei, para o organismo, não para as pessoas! Quanto ao resto apenas sei que o problema levantou grande celeuma, que José Trindade fez barulho, protestou, e que pelos vistos o problema acabou resolvido, pois a Tipografia, da qual dependia não apenas o seu sustento e da sua família, como sustento de mais algumas famílias que dependiam do salário dos que ali trabalhavam, lá continuou a funcionar.



A respeito de Jornais, a proveito para colocar aqui estas referências a jornais que no século XX foram editados em Moçâmedes:


1.O Sul de Angola, semanário independente de Moçâmedes, fundado em 1921 e dirigido por Mário Trabullo, seu proprietário.
2.Correio de Angola, de Moçâmedes, dirigido por José Manuel da Costa.
3. Mossâmedes, semanário dirigido por Joaquim Augusto Monteiro.
4.O Académico, de Moçâmedes, dirigido por José Pestana.
5.Sport de Moçâmedes, quinzenário desportivo, dirigido por A.A. Torres Garcia.


Da pag. do Facebook de seu filho Roberto:

“ZÉ CÔCO”

O meu velho pai era conhecido por “ZÉ CÔCO” pois quando começou a escrever usava o pseudónimo de «ZÉCO». Sabem como os moçamedenses eram exímios na arte de inventar alcunhas.

Foi jornalista e proprietário de “O Namibe”, que existiu durante 20 anos, até que as luzes se apagaram ! ...

Anees colaborava no “Jornal de Aveiro”, cidade onde foi estudante, e depois no “Sul de Angola”, “Diário de Luanda” e “Angola Norte”.

Deitava-se muito tarde, e no dia seguinte de manhã iamos encontrar dezenas de papelinhos rabiscados e um cinzeiro cheio de beatas e de cinza ! ... Qualquer papel servia para escrever, era o que estivesse mais próximo, nem que fosse papel de embrulho !

Era eximio nesta coisa das rimas, o que me levou a ser um observador e um pouco crítico nessa área difícil. Observo, muito calado, o que aqui se publica de verdadeiramente novo. A minha veia não deu para poeta.

Tenho pena de não poder consultar a Biblioteca Nacional, onde há muita coisa publicada em Angola, neste caso em Moçâmedes, para poder trazê-las para aqui. Todos os jornais éram abrigados a enviar uns tantos exemplares de tudo o que fosse publicado, por isso deve haver lá muita coisa.

Certa vez “ganhei” um daqueles concursos de quadras que lá se faziam, desta vez patrocinado por uma marca de cigarros, representada pelo J. Freire. Eis a quadra :

À porta do Paraíso,
Imerso em tédio mortal,
S. Pedro coça a careca
por lhe faltar um SITAL !

Lembo-me ainda que em certa altura, teve a ideia de fazer comparações entre a vida de Adão e Eva com a dos nossos tempos, claro que jocosamente e em verso. Publicava regulamente um por semana. Vou recordar, de cor a introdução :

Quando o Bom Deus notou tão triste andar Adão,
que até do mono a vida estava em prejuízo,
para lhe amenizar um pouco a solidão,
em longo matutar deu voltas ao juízo ! ...

Pensou primeiramente em lhe oferecer um guizo,
um boneco, ou talvez, um colorido balão !
Mas notou que Adão, embora em pleno paraíso,
para brinquedos tais, já era um matulão ! ...

É claro que me recordar desta parte, de cor, até merece palmas. Daqui para diante, evolui a história do Adão e Eva. Lembro-me que nesta sequência a certa altura Deus disse :

— O que aos Adóes faz falta é sempre uma mulher ! ...

E ofereceu a Adão uma Eva ...

Tenho muita pena de tão pouca coisa me recordar."


É com carinho que deixo aqui mais estas recordações de gente que viveu na nossa terra até às vésperas da independência de Angola em 11 de Novembro de 1975, e que, como tantas outras teve que partir, porque já não dava para continuar...


MariaNJardim


 
 
 
 
 
 
 

3 comentários:

  1. Vanda de Fátima faria campos reis6 de agosto de 2011 às 14:32

    Sou neta de Abel Trindade Faria que era filho de Alexandrina Pinho Trindade Faria que era filha de Clara de Pinho filha da primeira uniao de José Joaquim Pinho. Queria questionar se existe forma de eu confirmar que esta uniao de José Joaquim de Pinho com mulher de nome desconhecido ? Sera que existe forma de eu saber o nome da esposa? Parabens pelo blog estou muito feliz por ter encontrado. Tenho 43 anos e chamo.me Vanda de Fátima Faria Campos Reis.

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  2. Se me der o seu email poderei encaminhá-la para um familia descendente deste ramo, meu conhecido
    que melhor a informará.
    Cumprimentos e obrigada pela visita
    MariaNjardim

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  3. Queria saber mais a respeito da 2°união de josé joaquim pinho sobre os filhos e parentesco...

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