Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












domingo, 2 de novembro de 2008

Moçâmedes, a Cooperativa de Habitação "O LAR DO NAMIBE" e o seu presidente. E foi a partir de então que a cidade começou a encher-se de bonitas vivendas...



 



O Banco de Angola era à época o único no território,  não fazia empréstimos para habitação própria,
foi quando a  Sociedade Cooperativa de Construção «O Lar do Namibe» fez-se, 
e Moçâmedes encheu-se de belas vivendas...
Estas foram as primeiras a surgir, na continuidade da Rua das Hortasm cidade alta,  em seguida vivendas doa mais variados modelos, todas lindas e cheias de flores, espalharam-se por toda a cidade ... Mas já nãao apenas por Moçâmedes, também por Porto Alexandre  e por toda a Angola...

Belas vivenda, cuja aquisição de outro modo não seria possível... A pessoas não eram ricas nem havia créditos habitaçáo própria.




 Ainda hoje é possível contar-se quantas foram pelos inúmeros azulejos que suas fachadas ostentam... Esta o nr 21, a que vem a seguir 2867...





Elementos da direcção da Cooperativa de construção «O Lar do Namibe»,
do livro «Recordar Angola» 2. vol. Mariano Pereira Craveiro, o seu Presidente, à esq, de camisa branca   De entre outros,  da esq. para a dt; Santos (polícia), Simáo, Mariano,  esposa de Craveiro?, José Carlos de Freitas,  Arménio Matos,  ?,?,Jose Alves e Tavares Rodrigues  Uma reunião jantante entre elementos da direcção da Cooperativa de construção «O Lar do Namibe»,
do livro «Recordar Angola» 2. vol. de Paulo Salvador


Este largo merecia ter sido denominado "Largo Mariano Pereira Craveiro", por ser aquele que maior número de casas da Cooperativa reune, com todo o respeito pelos "Heróis de Mucaba". Mas Mariano era um opositor ao regime, que nas eleiçóes de 1958 esteve ao lado do Gereral sem Medo, Humberto Delgado, cntra Américo Tomás, da União Nacional.
  Largo "Heróis de Mucaba" no tempo colonial. Nesta fase da vida da cidade a CMM pugnava imenso pelo aspeto dos seus jardins floridos....
 
 
 
Foi graças à Sociedade Cooperativa « O Lar do Namibe», nascida em 16 de Fevereiro de 1950, data da assinatura da escritura pública, tendo como Presidente Mariano Pereira Craveiro, que os moçâmedenses, gente que na sua maioria vivia do produto do seu trabalho, puderam finalmente aceder ao velho sonho de ter casa própria, através de reduzidas quotizações mensais que iam ali depositando, sendo a aquisição do direito de construção efectuada através de três sistemas, um por sorteio mensal entre os associados, outro por número de ordem de antiguidade (número de ordem também ele efectuado por sorteio na fase de arranque da referida Cooperativa), e outro por leilão. Foi assim que começaram a surgir bonitas vivendas e moradias que ofereceram à cidade um toque de modernidade, enquanto se ia alargando em várias direcções, vencendo com determinação as areias do deserto.

Mas a actividade da «Cooperativa o Lar Namibe» não se limitou apenas à cidade que a viu nascer, ela acabou por se estender, numa primeira fase, à cidades de Porto Alexandre (hoje Tombwa), em seguida a Serpa Pinto (hoje Menongue), acabando por se expandir por toda a Angola e restantes ex-províncias ultramarinas, chegando mesmo à Metópole onde já havia associados.


Esta Cooperativa foi um bem para a cidade, uma vez que não existiam à data financiamentos bancários à habitação própria, e muito poucos podiam dispor de capitais próprios para por si próprios as mandar erguer. Faço aqui uma referência especial à cidade de Serpa Pinto que estava a ser praticamente urbanizada pela «Cooperativa o Lar do Namibe» que a transformou de uma pequena  vila do interior numa cidadezinha bonita e moderna, à base de lindas vivendas, em cujas fachadas ainda hoje se podem ver os azulejos com o distintivo desta Cooperativa.

Mariano Pereira Craveiro, o Presidente da Sociedade Cooperativa «O Lar do Namibe», era um Republicano de raiz maçónica oposicionista ao regime. Ele fez parte, juntamente com Carlos Martins Cristão e outros moçamedenses, da campanha a favor do General Humberto Delgado, o General sem Medo,(*) nas eleições presidenciais realizadas no ano de 1958 contra o Almirante Américo Tomás. Recordo ainda o discurso arrebatador proferido por Carlos Martins Cristão que, sentado a seu lado no palco do Cine-Teatro de Moçâmedes, com a sua forte e bem timbrada voz, dizia, referindo-se ao regime vigente: «Eles é que têm as armas...eles é que têm os canhões, nós só temos os braços para trabalhar...?


Aqui fica a minha humilde homenagem à memória do grande «Patrono» que foi MARIANO PEREIRA CRAVEIRO, figura que merece ser erguida das brumas do esquecimento e ser para sempre lembrada, mesmo ainda hoje na cidade do Namibe (ex-Moçâmedes), na Angola independente,. Aliás, Mariano Pereira Craveiro mereceria, desde logo e ainda hoje, ter o seu nome ligado ao grande largo existente na cidade de Moçâmedes que se encontra totalmente rodeado por casas construídas pela «Cooperativa o Lar do Namibe».

* - Video discurso de Salazar sobre Hu
 
 Ver aqui A EPOPEIA  DE MUCABA:
 
 
OUTRAS NOTÍCIAS SOBRE O COOPERATIVISMO NAS COLÓNIAS
4.1. Cooperativismo em Moçâmedes
De Angola, o Boletim Cooperativista nº 104, de junho de 1962, publica o artigo «O LAR DO NAMIBE» -
UMA COOPERATIVA DE CONSTRUÇÃO EM FRANCO PROGRESSO, de autoria de Alberto Alves Carneiro.
São as mais animadoras e sem dúvida entusiásticas as informações que constantemente nos chegam sobre o modelar funcionamento e proveitosa actividade, da sociedade Cooperativa «O Lar do Namibe», com sede em Moçâmedes, Angola.Fundada em 16 de Fevereiro de 1950, data da assinatura da escritura pública, esta teve a outorgá-la elevado número de sócios fundadores, e desde então o seu desenvolvimento tem-se acentuado de maneira notável com realizações dignas de registo, facto que muito tem contribuído para a valorização da propriedade, em sistema colectivo, de várias localidades em África.Se bem que a sua sede seja em Moçâmedes, a acção construtiva da Cooperativa estende-se, com indiscutível projecção, a outras terras de todo aquele continente africano.Pontos de vista interessantíssimos e grandemente favoráveis no que se refere a benefícios e direitos dos respectivos associados tornam em moldes diferentes a organização de «O Lar de Namibe» de muitas outras sociedades congéneres existentes em terras da Metrópole.O número de sócios em 31 de Março último elevava-se a 9714, e as construções efectuadas desde a sua fundação em fins de Dezembro do ano findo eram representadas por 291 habitações, 28 apartamentos, 26 estabelecimentos, 2 sedes destinadas a colectividades, 1 capela e 1 hotel.
Perante os trágicos acontecimentos ocorridos no princípio do ano de 1961, em Angola, em que muitas foram as famílias que se retiraram da Província, foi de notar, por tal motivo, a falta de pretendentes às habitações construídas.A instituição, num alto sentido de objectividade dos princípios que representa e defende, não fez paralisar as construções que tinha a seu cargo e responsabilidade, garantindo dessa forma o trabalho ao pessoal da construção civil, como procurou ainda adquirir, num local muito central da cidade de Moçâmedes, um amplo terreno para início de novas construções onde pudesse aplicar as verbas disponíveis de capital, previstas nos Estatutos.Um imóvel de positivo valor - uma Estalagem, no sentido mais digno e nobre da palavra - aí teria a sua edificação, com o fim de testemunhar, aos vindouros, um exemplo dado pelos moçâmedenses levado a efeito numa hora séria e grave.As diligências para que tal imóvel apareça aos olhos da população de Moçâmedes, ou aos seus futuros visitantes e residentes, prosseguem, activa e inteligentemente, por parte da Direcção da Cooperativa, dado que certas dificuldades surgiram a tão simpático empreendimento, da entidade oficial que superintende e autoriza as respectivas construções citadinas.Como no início se afirma, a acção de «O Lar do Namibe», abrange toda a terra portuguesa, e a prová-lo está o facto de, a seguir a um sem número de consultas, ter construído a sua primeira Delegação, cabendo à cidade do Porto, essa honra.Desde Maio do corrente ano, que uma metódica e insistente propaganda está sendo feita por intermédio de comunicados oficiais, publicados e distribuídos directamente a uma parte da população e firmas comerciais da referida cidade, no sentido de tornar bem conhecidos os elevados objectivos que animam e orientam a Instituição, interessando aquelas entidades, pessoais ou colectivas, nas finalidades sociais que são a razão da existência da Sociedade «O Lar do Namibe». Desta forma, em contacto com a Delegação agora criada, os inscritos residentes no País, ficam com a faculdade de, com mais possibilidades, estabelecerem as suas relações sociais com a sua Cooperativa.O «Boletim Cooperativista», que é distribuído aos sócios do «Lar do Namibe», graças à simpática decisão dos amigos que compõem a Direcção da Cooperativa, ao adquirir certo número de exemplares, não podia deixar de se referir a mais uma iniciativa - a sua Delegação - que vem muito valorizar a acção dos dirigentes cooperativistas que, em terras de África, procuram com inteligência, dedicação e alta visão social, resolver um problema de interesse vital, a construção de uma casa para cada sócio.
Tal como em Moçambique, as cooperativas de habitação terão sido o ramo cooperativo mais pujante na outra ex-colónia portuguesa do sul de África.A menção à abertura de uma delegação na metrópole, no Porto, e a referência feita ao início da guerra independentista na colónia, pode significar que os membros se estariam a precaver para o caso de terem de abandonar o território. Mas apesar de uma outra notícia sobre a cooperativa surgida mais adiante no tempo, nada se conhece sobre o andamento do dito projeto do Porto, e depois de Abril não existe registo de que a delegação da cooperativa tenha funcionado.Ainda ligada à cooperativa «O Lar do Namibe», o Boletim Cooperativista, no seu nº 106, de agosto de 1962 epigrafa um artigo com COOPERATIVA EDITORIAL ANGOLANA.__________________________________________________________________________________________________________________________________Sob o patrocínio da Sociedade Cooperativa «O Lar do Namibe», com gente sua e para seguir a mesma rota de trabalho, foi constituída em Moçâmedes, por escritura pública de 15 de Janeiro p. p., a «Cooperativa Editorial Angolana».Como determinam os Estatutos, a Cooperativa é absolutamente alheia a qualquer espécie de manifestações de carácter político e religioso e podem ser sócios dela, todos os indivíduos, maiores, de ambos os sexos, e menores quando devidamente autorizados por seus pais ou tutores, e também as entidades comerciais, industriais, agrícolas, culturais, de recreio, ou quaisquer outras, quando devidamente legalizadas.São considerados sócios fundadores, todos aqueles que fizerem a sua inscrição até ao dia 30 de Setembro de 1962.Os sócios estão divididos por várias categorias, a saber:
Efectivos - Pagando o mínimo de 10 acções, no valor de 100$00 cada, mas podendo estas ser liquidadas mensalmente, no mínimo de vinte prestações de 50$00, acrescidas de 10%, para encargos de administração. Nesta qualidade de sócios efectivos, não ficam obrigados a outros encargos futuros, a não ser de 2$50 mensais, para a construção do Edifício Sede da «Cooperativa Editorial Angolana».Sócios Auxiliares - Sem encargos de Acção, pagam a quota mínima, mensal, de 5$00, que pode ser cobrada nas condições que o sócio indicar. Esta qualidade de sócio, não tem direitos de voto nem de discussão nas Assembleias, nem sobre os destinos da Cooperativa. Limitam-se a colaborar financeiramente nos objectivos sociais da Cooperativa.Sócios Beneméritos - São todos aqueles que contribuem com um mínimo de 5.000$00 (cinco mil escudos), pagáveis num máximo de 10 prestações.Sócios Honorários - São todos aqueles que prestem à Cooperativa, auxílios de qualquer natureza, de ordem moral ou financeira.A traços ligeiros foi dito, quais os propósitos da «Cooperativa Editorial Angolana» e a orgânica no que se refere à admissão de associados.O QUE OFERECEMOS?Quem entra para qualquer agregado social visa, regra geral, conhecer as benesses de ordem material que possa escolher. Essas são ínfimas na «Cooperativa Editorial Angolana» O fim dela não é o balcão, nem operações rendosas que ofereçam garantias ao pequeno capital a despender por quem venha a inscrever-se na Cooperativa.No entanto, o Artigo 8º dos Estatutos prevê um desconto de 10% nos livros editados e 5% em jornais ou revistas, para todas as categorias de sócios.Com o tempo, o sócio receberá a compensação, mas dos que vierem até nós é de esperar a compreensão de utilidade social que representamos e não rentabilidade da sua cooperação financeira, porque, como foi dito, à parte o encargo inicial, o sócio efectivo não mais terá quotas a pagar, a não ser o mínimo de 2$50 mensais para fins de construção da Sede. À juventude, à mocidade estudiosa e aos homens para quem os problemas angolanos fazem parte da sua razão espiritual de ser, oferece a «Cooperativa Editorial Angolana» campo vasto para em livros e folhetos poderem apresentar as suas ideias
Um Conselho Técnico formado em condições que o Regulamento Interno mencionará, fará a apreciação e decidirá quais as obras que de preferência deverão ser editadas.É evidente que será dada primazia às produções intelectuais dos associados, mas não obsta que se considere também o trabalho de indivíduos alheios à Cooperativa. Dirigimo-nos, pois, não apenas aos que têm sede e fome de justiça, mas, acima de tudo, àqueles que vêem no Homem um valor a elevar, a dignificar, a respeitar.__________________________________________________________________________________________________________________________________Como se fosse um anúncio, e na primeira página, este artigo mostra-nos uma cooperativa com incursões pelos ramos da cultura e da produção editorial. Porém, ao contrário da Coop de Moçambique, a atividade levou à criação de uma nova cooperativa e não ao alargamento de atividades da cooperativa ‘mãe’, a de habitação.No Boletim Cooperativista nº 118, de agosto de 1963, surge-nos uma derradeira referência à cooperativa de habitação criada em Moçâmedes:_________________________________________________________________________________________________________________________________
SOCIEDADE COOPERATIVA «O LAR DE NAMIBE»Tomámos conhecimento com prazer do Relatório da Gerência de 1962 desta cooperativa de habitação cuja sede é em Moçâmedes.Do mesmo relatório transcrevemos:«Nunca viemos, em qualquer ano da existência da nossa cooperativa, perante a massa associativa, declarar um recuo quanto ao aumento populacional e arrecadação de receitas.Assim acontece também este ano, que com íntima satisfação podemos dizer nesta Assembleia, que mais outro ano rodou sobre a vida da Cooperativa e com ele, mais um salto progressivo, embora Angola tivesse sofrido e continue sofrendo, a guerra e o terrorismo.Nem por isso estes factores impediram o progresso e engrandecimento da nossa organização podemos mesmo afirmar que todos os sectores se apresentam em franco progresso, que a verdade dos números se encarregará de demonstrar, com bastante eloquência».Durante o ano de 1962 foram admitidos 1059 sócios, havendo em 31 de Dezembro, no activo, 6500.Saudamos a Cooperativa «O Lar de Namibe» esperando que continue em franco progresso Cont....
 

4 comentários:

  1. Quem foi José do Espírito Santo?
    Qual a origem da denominação de Largo José do Espírito Santo?

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  2. Por favor, se alguém poder me fornecer fotos da construção do Largo do Espírito Santo no antigamente agradeceria muito...

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  3. preciso que me forneçam fotos da construção do Largo do Espirito Santo...

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  4. Ao Largo Herois de Mucaba no pós independencia , em 1975 foi dado o nome Largo Espiriro Sanro, em homenagem a José Espirito Santo, filho de Republicano, o soba de Porto Alexandre , José Espirito Santo era funcionário do Banco de Angola de Moçâmedes, e aderiu ao MPLA, ainda antes da independencia, Dizia.se que foi assassinado no Tundavala (Huila) por partido concorrente, quando de carro por ali passava , no decurso de uma viagem a Luanda, antes da independencia, .

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