Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

INDÍGENAS DO LIMITE DE MOÇÂMEDES


Mondombes, povos do Dombe que  passaram a viver na região de Moçâmedes, Inicio sec xx
 

Mulheres Mondombes. Inicio sec xx
 

Crianças Mondombes. Inicio sec xx
 
 
 
 
INDÍGENAS DO LIMITE DE MOSSAMEDES



Quando os primeiros grupos de portugueses desembarcaram em Mossãmedes no dia 04 de Agosto de 1848, vindos de Pernambuco (Brasil) para darem início à colonização daquele  Distrito, encontraram três tribus de negros de cerca de 900 pessoas, dispersas pelo valle dos Cavaleiros, nas margens dos rios Bero,  Giraul e Coroca (Croque).

«...Existem aqui três tribus de negros, e vem a ser  a denominada Mini-Quipóla, que habita no valle dos Cavalleiros, e nas proximidades da Boa Esperança; a Giraul, que vive no rio do mesmo nome; e a Croque, que pertence ao rio do mesmo nome, sendo a mais afastada d'esta villa. Estas tribus terão novecentas pessoas de ambos os sexos; tem o nome de Mondombes os que pertencem ás duas primeiras, e também assim se chamam os indivíduos de mais algumas tribus do interior.

Pouca alteração tem tido os seus costumes do contacto com os brancos; apenas trocaram os vestidos de couros pelos das fazendas que usam em pannos. Antes da chegada da colónia plantavam só milho, feijão e abóboras; hoje cultivam também alguma mandioca, cará e batatas, devendo notar-se que, não obstante o terem-lhe sido tirados os melhores terrenos, colhem hoje mais mantimentos, e têem mais gado do que d'antes; a rasão d'este augmento é obvia em relação aos mantimenlos; quanto aos gados, provém o augmento de não terem sido roubados pelas guerras gentílicas, as quaes receiam os brancos aqui estabelecidos.
  
Um terço dos ditos Mondombes anda errante com os gados em busca de pastos. As suas habitações são miseráveis, tem toda a similhança com um forno, e são por fora barradas cora excremento do gado. Como todos os indígenas de África a polygamia é usada entre elles, porém o perverso costume de escravisarem seus filhos lhes é desconhecido. O seu governo pouco differe do de todos os negros; têem um soba, que é o chefe, mas que decide as questões ouvindo os seus macotas (conselheiros).  

É costume dar-se o nome de pannos a bocados de fazenda que os negros cingem ao corpo. Esta gente tem idéa de um Ente Supremo, a que chama IIuco; mas pouca adoração lhe presta; o seu idolo são os gados, que ela celebra com cantigas e libações; não os vende, aproveita-se do leite que produzem; e muito os poupa por não matar. Acredita n'uma outra vida depois da morte, e que as almas lhe vem causar este ou aquelle damno. Enfim esta mesma gente vive em harmonia com os brancos, e lhes presta alguns serviços já como carregadores, já como apanhadores de urzella. (...)  Mossamedes, 
 
In de Fevereiro de 1858.= João Cabral Pereira Lapa e Faro, Cirurgião de segunda Classe da Armada, em commissão. Annais do Concelho Ultramarino- Parte não Oficial- série 1- Setembro de 1858.
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