Fotografias: Moraes, J.A. da Cunha, Álbum photographico e descriptivo, África Occidental. David Corazzi Editor, Lisboa, sem data.
A Villa de Mossâmedes
Trancreve-se na íntegra:
«A capital do districto e cabeça do concelho, denominada a Cintra d' Africa pela amenidade do seu clima, está situada em bella prespectiva no fundo de uma ampla e bem abrigada bahia em forma de ferradura na latitude do parallelo 15º.

Foi fundada em 1845 por um grupo de corajosos colonos que imigraram do Brazil e se estabeleceram na bahia da Angra do Negro, onde apenas havia uma feitoria iniciada em 1840.
As casas são lindas construcções modernas, em que as boas condições hygienicas andam a par com o bom gosto e solidez. Quasi todas são assoalhadas e forradas com boas madeiras da Europa. São bem divididas, bem orientadas e aceadas. Os seus tectos são chatos e as frontarias, pintadas com gosto, são dispostas com arte e belleza. Quasi todas possuem jardim e quintal, que fornece excellentes hortaliças e tem uma ranma d'onde se extrae a agua para os usos ordinários.
Existem largos e jardins publicos bem situados, com tanques d'agua para uso do publico.
Os seus principaes edifícios públicos são : o palácio do governo, o melhor das nossas possessões, bella obra de architectura montada com luxo e grandeza; n'elle estão installadas as principaes repartições publicas: a fortaleza de S. Fernando, construída sobre um rochedo, que domina a formosa bahia; serve de quartel ao 4º batalhão de caçadores: a alfandega, lindo edifício situado a meio da rua principal, próximo á praia; possue vastos armazéns e boas sallas; communica por meio de carris de ferro com a ponte-caes, boa construcção em ferro e madeira: o hospital em corpos separados formados de barracões, systema Tollet: a igreja, o matadouro situado optimamente á beira mar, o cemitério, bastante afastado da villa, a repartição do correio e das obras publicas, etc.
A leste da villa encontra-se um largo gradeado, em cujo centro foi
erigido por subscripção publica um monumento em honra do benemérito
governador Leal, que iniciou os grandes melhoramentos que tornam
Mossamedes a mais formosa cidade europea da costa occidental da Africa e
a única que pode compelir em aceio, regularidade e hygiene com as
cidades da Europa.
Entre os edifícios particulares encontram-se bellos e elegantes primeiros andares e rez-do-chão, que fariam honra a qualquer cidade europêa, destacando-se d'entre elles pela sua elegância, situação e commodidade o chalet da companhia telegraphica.
A Praça Leal
Entre os edifícios particulares encontram-se bellos e elegantes primeiros andares e rez-do-chão, que fariam honra a qualquer cidade europêa, destacando-se d'entre elles pela sua elegância, situação e commodidade o chalet da companhia telegraphica.
O Chalet da Companhia Telegraphica
Entre os edifícios particulares encontram-se bellos e elegantes primeiros andares e rez-do-chão, que fariam honra a qualquer cidade europêa, destacando-se d'entre elles pela sua elegância, situação e commodidade o chalet da companhia telegraphica.
A natureza não foi pródiga na distribuição dos seus benefícios a Mossamedes. O terreno sobre que assenta a villa é secco, arenoso e areno-calcareo ; a vegetação expontânea é rachitica: pois apesar de tão pouco favorecida, Mossamedes revela a que ponto chega o esforço da raça, que em 40 annos de trabalho persistente conseguiu transformar aquelle areal em uma formosa villa com jardins e hortas, onde os recursos são abundantes, a alimentação é excellente, barata e variada, com lojas onde se encontram todos õs géneros europeos e um mercado bem sortido.
Tudo quanto ali ha é devido á iniciativa e trabalho do europeu que se aclimou e produziu gerações sadias e robustas em 3º e 4º grau, que ali vivem e se desenvolvem sem manifestações apparentes que revellem resistências orgânicas á adaptação ao novo meio. A raça branca ali procreada progride de um modo evidente ; as creanças coradas, robustas e alegres não manifestam o menor vestígio da intoxicarão palustre.
Continua....
In «O districto de Mossamedes» , de José Pereira do Nascimento
0 Críticas. Typographia do jornal As Colonias Portuguezas, 1892 - 172 páginas
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A Praça Sá da Bandeira
"A leste da villa encontra-se um largo gradeado, em cujo centro foi erigido por subscripção publica um monumento em honra do benemérito governador Leal, que iniciou os grandes melhoramentos que tornam Mossamedes a mais formosa cidade europea da costa occidental da Africa e a única que pode compelir em aceio, regularidade e hygiene com as cidades da Europa."
Nota:
O texto acima, de José Pereira do Nascimento,
que agora repetimos refere a existència de um largo a leste da villa, em honra do benemérito
governador Leal. Ora o texto parece não referir um outro largo , bastante maior de que
temos notícia, desde a década de 1930 ocupado pela ESCOLA PORTUGAL (Escola 55),
hoje "Pioneiro Zeca", iniciada ainda no quadro da 1ª Republica (1910.1926) e terminada já no Etado Novo. O largo apresenta ao centro um OBELISCO à memória do General de Sá da Bandeira, o político do liberalismo português que após a queda definitiva do
absolutismo em 1834, e no quadro da revolução setembrista, não perdeu tempo, e
tomou importantes medidas legislativas mandando publicar, em 12 de Dezembro de 1836, o Decreto da abolição do tráfico de
escravos. O OBELIsCO ali colocado em 1869, foi dali transferido na década de 1930, para a Avenida da República, em local próximo do edificio das Alfândega no local onde na década seguinte foi erguido um quiosque, quando mai uma vez o OBELISCO foi transferido para a Praça onde hoje ainda se
encontra, para os lados do Bairro da Facada.
Ainda com relação a este OBELIsCO, Manuel
Júlio de Mendonça Torres no Boletim Geral do Ultramar XXX - 348 e 349,
de Junho-Julho de 1954, págs. 125 a 129, na parte dedicada aos edifícios
e obras municipais existentes neste ciclo, sob a designação "Conspecto
imobiliário do Distrito de Moçâmedes no ciclo de 1850 a 1879", refere o
seguinte:
...Consta no Relatório do governador Costa Cabral, de 19 de Junho de 1877, que num dos ângulos da Praça Sá da Bandeira se erguia um pequeno prédio, já concluido, "servindo de Casa da Câmara". Supomos que a casa a que se refere Costa Cabral é aquela em que hoje está instalada a Administração do Concelho. Só muito mais tarde é que a Câmara Municipal fora definitivamente instalada no edifício em que funciona hoje os serviços dos Paços do Concelho. Devia ter ficado pronto e a funcionar, segundo o Graça, de 13 de Julho de 1869, no dia 1 de Janeiro de 1870. Outro ângulo da Praça estava ocupado pela casa, já em paredes e telhado, destinada a "Casa do Tribunal".
...Observava Costa Cabral que esta casa, cuja conclusão já pouco importaria era indispensável, por ser Moçâmedes sede de comarca. Informava também que as dimensões desta casa eram acanhadas para ter o destino que lhe estava dado; faltavam divisórias, como sala para julgamento, gabinete para juiz e delegado, dois cartórios, sala para réus e outra para testemunhas; para tudo isto não tinha capacidade. Desconhecemos se foi nesta casa que funcionou o primeiro tribunal da comarca. No terceiro ângulo, alvitrava o governador seria construida uma casa com condições de "Escola para o sexo masculino", mas nada se fez. Sobre o assunto, refere, já expusemos o que bastava no capítulo "Os serviços de instrução". E continua: no quarto ângulo tinha sido construida uma casa, que já estava em paredes, destinada a "Cadeia". Era impróprio o lugar porque nessa casa se haviam de aglomerar indivíduos de hábitos desmoralizadores, sendo, portanto, inconvenientíssima a vizinhança, se na mesma praça fosse construida a Escola, como se pensou.
...Segundo o relatório do governador Graça, de 13 de Julho de 1869, a "Praça de Sá da Bandeira" media 14.000 metros quadrados. Parece-nos exagerada tal área. Presumimos que esta praça tivesse sido limitada pelo gradeamento colocado tempo depois, ficando, por este motivo, situados fora dela os edifícios construidos em cada um dos seus ângulos.
...A Praça Sá da Bandeira, de vastas dimensões e confinada pelo seu aparatoso gradeamento, fora aberta no local onde hoje se erguem a "Escola Portugal" e algumas outras edificações. No centro via-se, erecto, um obelisco dedicado à memória do estrénuo libertador dos escravos nos nossos domínios ultramarinos. Há muitos anos, mas ainda nos nossos tempos, efectuara-se definitivamente a retirada dos gradeamentos e fora, outro ssim, transladado o obelisco para a Avenida da República. próximo do sítio quase fronteiro ao antigo edifício dos Correios. E, ultimamente, há bem poucos anos, determinou a Câmara a deslocação daquele monumento para uma praça que havia sido aberta a Nascente da cidade, entre as ruas Calheiros, Hortas e Mendes Leal.
...Consta no Relatório do governador Costa Cabral, de 19 de Junho de 1877, que num dos ângulos da Praça Sá da Bandeira se erguia um pequeno prédio, já concluido, "servindo de Casa da Câmara". Supomos que a casa a que se refere Costa Cabral é aquela em que hoje está instalada a Administração do Concelho. Só muito mais tarde é que a Câmara Municipal fora definitivamente instalada no edifício em que funciona hoje os serviços dos Paços do Concelho. Devia ter ficado pronto e a funcionar, segundo o Graça, de 13 de Julho de 1869, no dia 1 de Janeiro de 1870. Outro ângulo da Praça estava ocupado pela casa, já em paredes e telhado, destinada a "Casa do Tribunal".
...Observava Costa Cabral que esta casa, cuja conclusão já pouco importaria era indispensável, por ser Moçâmedes sede de comarca. Informava também que as dimensões desta casa eram acanhadas para ter o destino que lhe estava dado; faltavam divisórias, como sala para julgamento, gabinete para juiz e delegado, dois cartórios, sala para réus e outra para testemunhas; para tudo isto não tinha capacidade. Desconhecemos se foi nesta casa que funcionou o primeiro tribunal da comarca. No terceiro ângulo, alvitrava o governador seria construida uma casa com condições de "Escola para o sexo masculino", mas nada se fez. Sobre o assunto, refere, já expusemos o que bastava no capítulo "Os serviços de instrução". E continua: no quarto ângulo tinha sido construida uma casa, que já estava em paredes, destinada a "Cadeia". Era impróprio o lugar porque nessa casa se haviam de aglomerar indivíduos de hábitos desmoralizadores, sendo, portanto, inconvenientíssima a vizinhança, se na mesma praça fosse construida a Escola, como se pensou.
...Segundo o relatório do governador Graça, de 13 de Julho de 1869, a "Praça de Sá da Bandeira" media 14.000 metros quadrados. Parece-nos exagerada tal área. Presumimos que esta praça tivesse sido limitada pelo gradeamento colocado tempo depois, ficando, por este motivo, situados fora dela os edifícios construidos em cada um dos seus ângulos.
...A Praça Sá da Bandeira, de vastas dimensões e confinada pelo seu aparatoso gradeamento, fora aberta no local onde hoje se erguem a "Escola Portugal" e algumas outras edificações. No centro via-se, erecto, um obelisco dedicado à memória do estrénuo libertador dos escravos nos nossos domínios ultramarinos. Há muitos anos, mas ainda nos nossos tempos, efectuara-se definitivamente a retirada dos gradeamentos e fora, outro ssim, transladado o obelisco para a Avenida da República. próximo do sítio quase fronteiro ao antigo edifício dos Correios. E, ultimamente, há bem poucos anos, determinou a Câmara a deslocação daquele monumento para uma praça que havia sido aberta a Nascente da cidade, entre as ruas Calheiros, Hortas e Mendes Leal.
http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2020/02/a-praca-sa-da-bandeira-em-mocamedes-e-o.html
que iniciou os grandes melhoramentos que tornam
Mossamedes a mais formosa cidade europea da costa occidental da Africa...." e
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