
Foto: João Thomás da Fonseca (pai)

Foto: João Thomás da Fonseca (pai) , ao centro, com o seu bigode de ponta torçida, como era moda na época, e indumentaria em conformidade com a sua posição de industrial de pesca bem sucedido, aqui reunido com alguns companheiros do seu tempo, naturalmente em Moçâmedes, Angola. 1920?
O Mucuio visto do mar... À direita o famoso chalett, moradia do proprietário naquela praia do sul de Angola, norte de Moçâmedes...
Tudo começou para João Tomás da Fonseca (pai), algarvio de Tavira, conhecido então pelo "Bandeirinha", nos tempos críticos que antecederam a implantação da lª República (1910-1926), quando resolveu migrar para Angola, onde foi por algum tempo contramestre de caíque que operava por toda a costa, até que um dia resolveu, com as facilidades governamentais obtidas e o dinheiro amealhado ao leme do veleiro, estabelecer-se no Mucuio, E foi ali, naquela praia desértica, pequena e inacessivel, perdida nas escarpas do deserto do Namibe, distrito de Moçâmedes, a sul de Benguela, onde vales secos substituem os que ali iam desaguar, onde montou a sua pescaria, requisitou pessoal indígena, comprou os primeiros barcos à vela e a remos, pagou mestres de terra algarvios que mandou vir para a sua pescaria, montou três armações à valênciana, e depressa prosperou e ganhou respeito e influência no meio industrial limitado da Moçâmedes de então.
Foto: A pescaria do Mucuio nos seus tempos áureos. Denota-se um grande sentido de organização, ordem e até de bom gosto da parte do proprietário. Ao fundo, a ponta de Stª Gertrudes
Foto: As instalações da pescaria do Mucuio. Junto das tarimbas de peixe seco: João Tomás da Fonseca (filho), ao centro, e à dt., Faria, o encarregado da pescaria, pessoa muito estimada pelos proprietários, que ali trabalhou durante 50 anos. 1942?
Na continuidade do Mucuio, navegando para norte de Moçâmedes ficam a
Mariquita, o Chapéu Armado, S. Nicolau, Bába, Lucira, Vissonga,
e a sul, a Baía das Pipas. Chegados Moçâmedes e navegando para sul,
encontram-se Porto Alexandre e a Baía dos Tigres.
De início os luso-brasileiros vindos de Pernambuco nos anos 1849 e 1850
preferiram as praias a norte de Moçâmedes. Já a preferência dos
olhanenses, quando começaram a chegar a partir de 1861, preferiram Porto
Alexandre e a Baía dos Tigres, praias a sul de Moçâmedes. Com o decorrer do tempo, em todas estas baías e
enseadas isoladas, de uma uniformidade que fadiga e desola, os algarvios
foram se estabelecendo. Para ali levaram as primeiras armações, ali montaram as primeiras
pescarias e lançaram ao mar as primeiras redes. Para saber mais, clicar
AQUI.
Tudo começou para João Tomás da Fonseca (pai), algarvio de Tavira, conhecido então pelo "Bandeirinha", nos tempos críticos que antecederam a implantação da lª República (1910-1926), quando resolveu migrar para Angola, onde foi por algum tempo contramestre de caíque que operava por toda a costa, até que um dia resolveu, com as facilidades governamentais obtidas e o dinheiro amealhado ao leme do veleiro, estabelecer-se no Mucuio, E foi ali, naquela praia desértica, pequena e inacessivel, perdida nas escarpas do deserto do Namibe, distrito de Moçâmedes, a sul de Benguela, onde vales secos substituem os que ali iam desaguar, onde montou a sua pescaria, requisitou pessoal indígena, comprou os primeiros barcos à vela e a remos, pagou mestres de terra algarvios que mandou vir para a sua pescaria, montou três armações à valênciana, e depressa prosperou e ganhou respeito e influência no meio industrial limitado da Moçâmedes de então.
Quem o conheceu não esquece sua
postura, sempre vestido com casaco de bom talhe, paletó, corrente de
relógio suiço no bolso, autêntico retrato de um
burguês bem de vida!
Segundo informações colhidas do livro "Baía dos Tigres", o Mucuio era uma importante pescaria que nos seus tempos áureos possuía salinas, fábrica de conservas e de farinha e óleos de peixe, salga e seca, uma pequena congelação e estaleiro, para além de uma traineira de 80 toneladas, 2 sacadas só para a pesca do cachucho e da garoupa e 2 armações, que, para funcionarem precisavam no mínimo de 4 barcos para efectuar a pesca à valenciana, e mais de 20 pequenas embarcações.
O Mucuio não possuía água potável, era a partir de Moçâmedes que a água
era de início transportada em enormes pipas, em barcos e em carroças
puxadas por bois, mais tarde em camiões. A pescaria do Mucuio foi evoluindo, (a industria piscatória tinha os seus altos e baixos), e João Tomás da Fonseca (pai) rodeou-se de todo o conforto possível,
mandou construir naquela praia deserta, perdida nas escarpas do deserto,
o
seu bonito Chalet,onde nada faltava, inclusive um sistema de
aquecimento e de canalização de água. E por se encontrar num ponto elevado do terreno, do Chalé qualquer pessoa podia a partir dali contemplar o oceano, observar os galeões que entravam
e saiam, para receberem a carga que transportavam para o norte de Angola
(Cabinda), Ponta Negra, Gabão e Golfo da Guiné, levando dali o que havia (ovas, peixe seco,
barbatanas de tubarão), e recebendo a troco de bordão, madeiras, etc., ao mesmo tempo que ia observando à distância a azáfama da
laboração pesqueira que percorria a pescaria.
Segundo informações colhidas do livro "Baía dos Tigres", o Mucuio era uma importante pescaria que nos seus tempos áureos possuía salinas, fábrica de conservas e de farinha e óleos de peixe, salga e seca, uma pequena congelação e estaleiro, para além de uma traineira de 80 toneladas, 2 sacadas só para a pesca do cachucho e da garoupa e 2 armações, que, para funcionarem precisavam no mínimo de 4 barcos para efectuar a pesca à valenciana, e mais de 20 pequenas embarcações.
Foto:
João Thomás da Fonseca (pai) com um grupo de convidados, entre os quais
alguns oficiais da Marinha, a caminho do Mucuio onde possuía a sua
pescaria. Foto tirada em 1914/15?
Não
sei se terá algo a ver com esta foto, onde podemos ver alguns oficiais
da Marinha, mas em 1914, dado o receio de uma ofensiva por destacamentos
alemães sobre o planalto da Huila, vinda do Sudoeste Africano, e também
sobre Moçâmedes e Porto Alexandre, agitou sensibilidades e pôs a região
em polvorosa. Em consequência, Moçâmedes transformou-se num importante
núcleo de defesa, no quadro das operações terrestres realizadas no Sul
de Angola, tendo o seu porto desempenhado um importante papel no decurso
da movimentação de forças militares portuguesas contra investidas
alemães e levantes de populações insubmissas, como porto de desembarque e
de evacuação, e estação de depósito de material bélico.
É interessante notar que na foto as senhoras estão sentadas em cima de caixotes, caixotes esses que naquele tempo acondicionavam 2 latas de 20 lts de gasolina, neste caso, da marca Sphinx. Isso acontecia porque não havia estações de serviço e a gasolina era importada em latas, havendo ainda publicidade da citada marca na Serra da Chela, tempos mais tarde. Conforme vem descrito por Luiz Chinguar em "Ossos da colonização", "...
É interessante notar que na foto as senhoras estão sentadas em cima de caixotes, caixotes esses que naquele tempo acondicionavam 2 latas de 20 lts de gasolina, neste caso, da marca Sphinx. Isso acontecia porque não havia estações de serviço e a gasolina era importada em latas, havendo ainda publicidade da citada marca na Serra da Chela, tempos mais tarde. Conforme vem descrito por Luiz Chinguar em "Ossos da colonização", "...
Até meados da década de 1950 obtinha-se gasolina comprando latas (20
litros) ou tambores (200 litros), que depois se transportavam nas
viagens, uma vez que nos “bicanjos” não havia bombas para abastecimento.
Nas povoações do mato havia bombas sim, mas manuais oferecidas pelos
produtores de petróleo do Texas. Eram constituídas por um carrinho, de
duas rodas, que fazia lembrar as quadrigas romanas, só que em vez do Ben
Hur (condutor) estava um tambor de 200 litros... A quadriga tinha uma
“torre” de 2,5 m de altura que terminava em dois reservatórios de 5
litros, para onde era elevada a gasolina através de uma bomba manual de
êmbolo, num sistema de vai-vem. Enquanto se esvaziava um reservatório
para o carro, por gravidade, bombeava-se a gasolina para o outro
reservatório, e assim sucessivamente, em golfadas de 5 litros. As latas e
os tambores vazios eram depois aproveitadas para transporte de água.
Uma água que, durante uns tempos, tinha um leve travo a gasolina, isto
para não dizer que cheirava e sabia mesmo a gasolina" . Africa era
assim! ver OS ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS

Um das últimas fotos dos herdeiros desta pescaria, filhos de João Thomás da Fonseca (pai), no Mucuio.
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Origem do Nome. Escreve-se MOcuio ou MUcuio?
Escreve-se MOcuio ou MUcuio?
Àrvores:- Mucuio (figueira brava), Mulemba, Mucua, Muthiati e por aí além.
Raças humanas:-
Mucubal,
MuMhuíla, Mudimba,
Mucuanhama,
Mukancala, etc.
Conforme informação de João Carlos Robalo (um dos netos do fundador do Mocuio) a quem muito agradecemos:
Considera-se que a denominação Mocuio tenha provindo do facto de no
local, existir árvores do Género Ficus sp. Conforme Raul D’ Oliveira
Feijão - autor do Elucidário Fitopatológico - ed. do Instituto Botânico
de Lisboa, o nome vulgar daquele género botânico é Mocuio. O Dicionário
Cândido de Figueiredo, ed. 1913 refere Mucuio, como “árvore angolense”.
É exacto que, em vários dialectos de Angola, a dita árvore denomina-se
“Mucuio”. Como os termos escritos em dialecto ou com natureza de
dialecto, não passam de uma mera locução estabelecida naquele local e,
por definição e determinação filológica, não desfruta de regra
transponível para as normas e formas da Língua portuguesa, um Idioma
distinto, independente e soberano.
Aliás, em português, os nomes próprios, apenas são traduzíveis ou
modificados, quando provêm de idioma para idioma - exemplo: [Lisbon (em
idioma inglês) para Lisboa (idioma português) ou vice-versa], e jamais
de dialecto para idioma [Mucuio (dialecto do sul de Angola) para Mocuio
(idioma português)]. Se ocorrer tradução advém uma grosseira corruptela,
por modificação e adulteração inapropriada dos vocábulos, tanto mais
que linguisticamente, qualquer dialecto não tem, nem preceitos, nem
ordem, apenas semântica e a Língua portuguesa tem-nos bastante
consistentes, estáveis e inflexíveis.
Relembro que a 1ª menção, que se conhece a “ Mocuio” (região) consta de 7
de Outubro de 1785 e, já na época, era assim documentadamente redigido.
Averiguemos até, confiramos ainda e confirmemos também que escrituras,
diplomas, declarações e demais documentos oficiais, bem como textos
literais em português figurar Mocuio. Perante o exposto inferir-se-á que
em português não se deverá escrever Mucuio, mas sim Mocuio.
Na foto, o prato de loiça de um dos serviços do Chalet onde se pode ver
gravado MOCUIO com “O” e não “U”. Todas as peças de loiça detinham esta
estampagem de personalização com a nomenclatura Mocuio ou então, com um
entrelaçado com as iniciais do seu nome JTF.
Vejamos em seguida a posição sobre o mesmo assunto de um outro neto do mesmo fundador, João Thomás da Fonseca:
"...Não quero ser polémico nem contestar ninguém mas pela experiência
que tive da minha vivência de Àfrica, embora não sendo filólogo ou
especialista em línguas, faz-me mais sentido que se escreva com “Mu”,
pela simples razão que é um prefixo usado para definir o nome de uma
raça humana no sul de Angola ou o nome de árvores.
Dou alguns exemplos.Àrvores:- Mucuio (figueira brava), Mulemba, Mucua, Muthiati e por aí além.
Raças humanas:-
Mucubal,
MuMhuíla, Mudimba,
Mucuanhama,
Mukancala, etc.
Possivelmente o meu avô João Thomaz tenha usado a forma aportuguesada, pois realmente toda a louça do nosso chalet está com o nome MOCUIO.
Obrigado pela oportunidade de poder dar a minha opinião.
Um abraço.
Foto: Há um bom e abrigado fundeadouro a sotavento da ponta Sudoeste, que fica a umas milhas de precedente, à latitude 14º 50' Sul.
É rasa, cheia de areia e escura.
É rasa, cheia de areia e escura.
Foto: Baía do Mucuio, Angola. Foto actual
Mucuio, outrora uma progressiva pescaria, hoje um destino para turistas?
Nota: As fotos antigas que tomei a liberdade de colocar aqui, foram publicadas no Facebook por João Thomás da Fonseca (neto). Elas não devem ser utilizadas para outros fins sem a sua autorização.
Nota: As fotos antigas que tomei a liberdade de colocar aqui, foram publicadas no Facebook por João Thomás da Fonseca (neto). Elas não devem ser utilizadas para outros fins sem a sua autorização.
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MariaNJardim
Ver também o blog Tropicália: http://afmata-tropicalia.blogspot.pt/2010/01/1-viagem-de-exploracao-maritima-da.html









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