
Imagem: Genealnet
No longo e difícil processo de consolidação territorial da colónia
de Angola, os Portugueses enfrentavam, a meio do século XIX, a cobiça de
potências estrangeiras, desejosas de os substituirem naquelas paragens.
A efectiva ocupação do território imposta pela Conferência de Berlim (1884-5) passou a ser para as potências
europeias, o principal factor para reivindicar os seus os ricos
territórios africanos, ao contrário da visão colonial portuguesa da
altura que assentava ainda nos direitos históricos.
Mais de três séculos
depois de as caravelas de Diogo Cão terem chegado à embocadura do rio Zaire e se estabelecerem relações com os povos locais, a ocupação do território
com a respectiva delimitação de fronteiras estava ainda muito longe de
estar consolidada. A zona de Moçâmedes era vital para os Portugueses.
Foi então que em 1840 foi decidida a instalação de uma colónia em Moçâmedes, na ampla e abrigada baía, encravada
entre as águas do oceano e o vasto e árido deserto. A Moçâmedes chegaram alguns comerciantes oriundos sobretudo de Benguela e de Luanda, e ali nasceram as primeiras feitorias em plena praia. Nesse ano decidiu-se a construção da fortaleza de S. Fernando e por
coincidência, anos depois, de Pernambuco no Brasil chegou uma petição às
autoridades lusitanas enviada por um grupo de portugueses perseguidos ,
após a independência, solicitando que fosse providenciada a sua retirada
para qualquer ponto do império onde tremulasse a bandeira portuguesa. O Governo ofereceu-lhes o
embarque para a longínqua baía, onde deveriam fundar uma
colónia agrícola. No dia 23 de Maio de 1849, saiu do Recife rumo às
costas de África, a barca Tentativa Feliz escoltada pelo brigue Douro
com 174 refugiados, a quem tinha sido prometido um paraíso na terra. Ao
fim de 2 meses e meio de navegação em difíceis condições, os
passageiros têm enfim à vista a desmaiada vegetação da foz do rio Bero, a
monotonia dos areais sem fim e a desolação dos seus novos lares: meia dúzia de choupanas com coberturas de palha. Foram calamitosos os
primeiros anos dos colonos, devido a um período de 3 anos de calores
sufocantes e águas escassas, que levou a que a colónia vacilasse. Águas
abundantes chegaram de um dia para o outro e das águas brotou a
ressurreição de Moçâmedes. A eles se juntaram um novo grupo de pernambucanos, e a partir de 1861 grupos de familias algarvias de Olhão. Mais tarde, e precisamente nos anos em que decorria a Conferência de Berlim (1884-5), que resultou na "Partilha de África" entre potências europeias, chegaram a Moçâmedes duas "levas" de madeirenses, e com o decorrer do tempo Moçâmedes passou a ser um
importante entreposto comercial com o interior, com os navios nacionais
e estrangeiros que a necessitar de aprovisionamento.
Segue uma interessante publicação de Nuno Pinto da França Craveiro Lopes que encontrei na Net relacionada com a colonização de Moçâmedes, na parte que tocou a elementos da sua familia:
"...O relato que segue é da vida de 3 famílias, na saga de pacificação e colonização de Moçâmedes: João Teixeira Pinto (1810-1896), meu tetra-avô, José Júlio Zuzarte de Mendonça (1847-1911), meu trisavô, e António da França Pinto de Oliveira (1872-1917), meu bisavô materno.
José Júlio Zuzarte de Mendonça era filho ilegítimo.
Seu pai Honorato José Zuzarte de Mendonça, general de brigada, ajudante de campo do rei D. Luis e Chefe da Casa Militar do rei D. Carlos, receando a hostilidade da família em Portugal contra seu filho, na altura com 10 anos de idade, pede a sua transferência e parte em 1857 no brigue Velloz levando-o consigo para Moçâmedes.

Maria Rosa, de boa cepa, gerou ano após ano, pontualmente, 7 filhas e um filho. Cedo se finou, segundo então se pensou, devorada pelas febres, exangue pela sua fertilidade explosiva, mas rumores houve de que uma negra enciumada a envenenara ou lhe fizera mortal feitiço. Na verdade José Júlio deixou também descendência de uma nativa local (três filhos e duas filhas). Pequeno burguez honrado, legitimou-os e juntamente com seus filhos e filhas legítimas, brincavam e estudavam todos num colégio de freiras francesas existente em Moçâmedes. As "virgens de Moçâmedes" como eram chamadas, cantavam, tocavam piano e contavam os meses que separavam a passagem das fragatas inglesas que levavam uma nova guarnição para a ilha de Santa Helena no atlântico sul. Quando as fragatas chegavam, era sempre um acontecimento! Havia baile no palácio e ficavam sempre no ar vagos amores, esboçados ao de leve e todavia tão vividos e tão sofridos.

foi Ajudante de campo do Governador João de Mascarenhas Gaivão
Imagem: Genealnet
Em 1895, quando o velho governador de Moçâmedes,
Honorato Zuzarte de Mendonça (1) faleceu, foi substituido por João de Mascarenhas Gaivão, que trouxe consigo como ajudante de campo, António da França Pinto de Oliveira, filho de família de “sangue azul”, capitão de cavalaria.
Era suave, loiro de olhos verdes, parecia um dos oficiais ingleses da ilha de Santa Helena que costumavam passar por Moçâmedes. Logo conheceu uma das filha de José Júlio, Maria Clara de Oliveira Teixeira Pinto Zuzarte de Mendonça e enamoraram-se para toda a vida. Casaram na igreja de Santo Adrião em Moçâmedes e no palácio lhes nasceu o primeiro filho, Bento, antes de regressarem a Portugal.
António da França Pinto de Oliveira veio a ser comandante do Forte de S. Miguel e da Fortaleza de S. Pedro da Barra em Luanda, exerceu varias comissões de serviço em Macau, Africa Oriental e Ocidental, tendo sido agraciado e louvado repetidas vezes.
Veio a falecer em Lisboa em 1917 aos 45 anos de idade de doença cardiaca aguda. A sua esposa sobreviveu-lhe 57 anos, vindo a falecer também em Lisboa, com 90 anos de idade em 1964. Fim de citação.
MariaNJardim
Retirado daqui:Publicada por Nuno Pinto da França Craveiro LopesPublicada por Nuno Pinto da França Craveiro Lopes
Para mais informações, visitar esta página:
(1) http://mossamedes-do-antigamente.blogspot.pt/2010/07/mocamedenses-ilustres-honorato-jose.html

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