Trata-se do padrão original do Cabo Negro assente em 1486,
que se encontra-se desde 1892, no átrio da Sociedade de Geografia, em Lisboa.
que se encontra-se desde 1892, no átrio da Sociedade de Geografia, em Lisboa.
A 16 de Janeiro de 1486, Diogo
Cão e os nautas dão com um cabo a que chamaram de Cabo Negro, 15º 42´
lat. sul, onde ergueram o Padrão do Cabo Negro, em cerimónia seguida de
celebração de missa. A seguir entraram numa Angra à qual deram o nome de
"Angra das duas Aldeias" ( nome primitivo dado a Porto Alexandre,
actual Tombwa, que perdurou ao século XIX, 1834, por nela os nautas
terem achado duas grandes aldeias de negros, gente pobre que se mantinha
de pescarias, única riqueza da terra, “ nesta terra nam há proveyto “
). O Cabo Negro foi sempre um ponto de referência, assinalando uma
etapa na navegação para o Oriente. Desde a sua descoberta pela guarnição
de Diogo Cão em Janeiro de 1486, nunca mais a navegação deixou de o
procurar. É ele que referencia, sem erro o local onde ora se situa Porto
Alexandre , a actual Tombwa), a que a guarnição do navegador Diogo Cão
deu o nome de “Angra das Aldeias” e que Bartolomeu Dias visitou na sua
viagem na descoberta do Cabo da Boa Esperança.
Esta é réplica do primitivo Padrão do Cabo Negro, colocada em 1892 em substituição do original que foi destruída no pós independência de Angola, em 1975.
Foi o governador Guilherme Augusto de Brito Capelo, que em 1891 ordenou a substituição, porque o original não apenas estava sofrendo a erosão natural como também fora alvo de mutilação por vândalos, tal como vinha acontecendo com os vários padrões assentes pela guarnição de Diogo Cão, que ao todo eram 4. A vandalização de símbolos da colonização foi uma constante ao longo dos séculos. Em 1975 tratou-se de um gesto anti-colonial em ambiente de euforia patriótica, com a conquista da independência, mas em outros tempos atrás a vandalização acontecia por outras motivações. Só para se fazer uma ideia, o padrão de D. Jorge, o 1º padrão que foi colocado por Diogo Cão a 26 de Abril de 1483, na foz do Zaire, num local conhecido por ponta do Padrão, perto da Moita Seca, foi objecto de 4 vandalizações, seguidas da colocação no mesmo local de 4 réplicas. Era dos quatro padrões o mais exposto à navegação estrangeira. Foi em 1642 destruído pelos holandeses e deu lugar a uma 1ª réplica que por sua vez, foi destruída em 1648, dando lugar a nova réplica. Em 1855, um navio de guerra inglês a vapor assinalou a sua passagem, despedaçando a tiros de artilharia essa nova réplica do Padrão de S. Jorge. Conta-se que por essa altura um escaler da marinha inglesa, tentou recuperar a parte superior do padrão, onde se encontravam as inscrições e a cruz original, mas ao dirigir-se para o navio maior, voltou-se e a parte superior padrão perdeu-se nas águas do rio”!. (Luciano Cordeiro, Diogo Cão, pág. 50). Em 1859, o governador de Angola mandou colocar no mesmo local outro padrão, uma 2ª réplica, mas este cinco anos depois, em 1864 desapareceu, destruído por uma grande cheia ou maré. Entretanto os pedaços do Padrão de S. Jorge que havia sido bombardeado a tiros de artilharia por um navio de guerra inglês, em 1855, haviam sido recolhidos por nativos do Soyo, que passaram a venerá-los como poderoso feitiço, um feitiço de branco, foram procurados e recuperados e os fragmentos em número de dois foram levados para o museu da Sociedade de Geografia em Lisboa. Em 1892, o governador de Angola mandou erigir novo padrão, uma 3ª réplica do padrão primitivo, que permaneceu até 1932 na Ponta do Padrão, num local mais afastado da margem das águas do rio. Mas esta 3ª réplica do padrão de S Jorge ainda iria ter lugar uma 4ª réplica. Por ocasião da primeira viagem do Presidente Carmona em 1938 a S. Tomé e a Angola foi erguido na foz do Rio Zaire um outro padrão, este uma cópia fiel do Padrão de S. Jorge de 1486 que ali havia sido colocado pela guarnição de Diogo Cão. O Presidente Carmona, no areal escaldante da foz do rio Zaire, na presença da marinha de guerra que prestava a guarda de honra, e na presença de muitas autoridades gentílicas, sobas das regiões nortenhas, e uma grande multidão compacta, ao som de tambores e clarins, depôs uma coroa de flores em bronze transportada pelos marinheiros vindos dos barcos de guerra, fundeados ao largo, e proferiu em seguida o seu patriótico discurso, por todos aplaudido.
MariaNJardim
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De Wikipédia
De JV, Rudzki, Major Commandante, segue a parte de um texto relacionado com o Padrão do Cabo Negro:
Rudzki, Major Commandante, deixou escrito a respeito do mesmo assunto...
(...) Resta-me dizer que no Cabo Negro ainda existe o padrão que alli foi collocado por Diogo Cam; fui vè-lo e mandei a descripção d'elle ao Governador Geral da Província, que a mandou reproduzir no Boletim Official n.° 629 de 17 de Outubro de 1857.
Quando em Agosto de 1855 o Governador Geral da Província se dignou dar
por acabada a minha commissão, deixei alli prompto o quartel militar com
muitas e boas acommodações, horta plantada de batata, cará, mandioca,
bananeiras, c muitas hortaliças, e os indígenas dos contornos, nas
melhores disposições de se relacionarem comnosco. As expedições de maior
importância tém desviado o Governo de ocupar-se d'este novo
estabelecimento; mas talvez venha um dia, em que a salubridade do clima
convide a irem para alli algumas pessoas, a quem bastará a pesca para
não perderem o seu tempo, até que relações mais intimas com os povos do
interior proporcionem mais avultadas vantagens.´
Sobre o padrão a que a precedente noticia se refere, lé-se no Boletim Official do Governo de Angola, de 17 de Outubro de 1857, o seguinte:
Sobre o padrão a que a precedente noticia se refere, lé-se no Boletim Official do Governo de Angola, de 17 de Outubro de 1857, o seguinte:
«Em 1485, reinando D. João II em Portugal, Diogo Cam, cavalleiro da Casa
d'EI-Rei, descobriu o rio Zaire, e levantou na foz delle, do lado do
sul um padrão, que denominou de S. Jorge. Foi d aqui que veio o nome de
Ponta do Padrão áquella localidade, que ainda o conserva. A vandalica
façanha da destruição do dito padrão foi praticada pelos hollandezes,
durante a sua ephemera usurpação d'estas conquistas de 1641 a 1648.
«No seguinte anno de 1486, voltou de Portugal Diogo Cam, e proseguindo
na sua navegação para o sul, descobriu toda a costa até Cabo Negro,
plantando dois novos padrões, um n'aquelle cabo, e outro mais ao norte,
fronteiro ao Ilheo de Pina, na bahia de Santa Maria, ao sul de
Benguella.
«Eram estes monumentos, como os descreve João de Barros: «Padrões de pedra de altura de
dois estados d'homem, com o escudo das Armas Reaes deste Reino, e nas
costas delle um letreiro em Latim, e outro em Portuguez, os quaes
diziam, que Rey mandara descubrir aquella terra, e em que tempo, e por
que capitão fôra aquelle padrão alli posto, e em cima no topo uma cruz
de pedra embutida com chumbo. «O padrão de Cabo Negro ainda
lá existe. Pela seguinte descripção que d'elle deu o Tenente Coronel
graduado d'esla Província, Marcellino Antonio Norberto Rudzki, quando
esteve commandando o presidio próximo de Porto de Pinda, em 1855, se
verá quanto concorda com a de João de Barros, acima citada, salvas as
differenças que devem de ser attribuidas á acção do tempo, em perto de
tres séculos.
«Quando cheguei a esta terra fiquei logo desejoso de ver o padrão de
Cabo-Negro, collocado alli por Bartholomeu Dias, em tempos mais ditosos.
Os muitos objectos a meu cargo não me permittiram faze-lo até agora,
porém em 27 do mez próximo lindo alli fui. Saí do presidio ás seis horas
da manhã, e apesar de ir montado em boi-cavallo de boa marcha, andando
sempre a passo largo, cheguei ao cabo ás nove horas e meia, o que me faz
crer que a distancia é de tres léguas para mais. «O Cabo-Ncgro é a
ponta mais saida ao mar, da cordilheira de rochedos que corre do
nordeste ao sudoeste, descrevendo um arco, junto do qual, pelo lado do
sul, passa o rio Kroque. Estes rochedos foram, na sua origem, elevadas
dunas de areia, as quaes, por ajuntamento de outras matérias, se
petrificaram, organisando-se em diversas camadas de massa compacta e
dura, e de seixos mui variados em cor, tamanho e configuração, e também
em penedos de pedra esponjosa e frágil. Estes últimos, amontoados uns
sobre os outros em caprichosa desordem, e cobertos com uma casca escura e
áspera, saem ao mar em fórma de lingueta com tres a quatro braças
apenas de largura, constituindo o Cabo-Negro. No cimo o chão é de areia,
com pedras soltas, e na extremidade sobre o mar, aonde forma um pequeno
taboleiro plano, é aonde está collocado o padrão da antiga gloria
nacional dos portuguezes.
«Se bem me recordo da historia, os padrões1
Da aqui equivoco, o padrão de Cabo Negro, e os dois do Zaire e da bahia
dc Sanla Maria, foram postos por Diogo Cam, como jà o dissemos;
Bartholomeu Dias, que continuou as explorações de Diogo Cam, até
descobrir o Cabo da Boa Esperança em 1487, collocou o padrão do Santiago
na Angra dos llhéos, áquem do dito cabo, aondo parece que ainda existe
que Barlholomeu Dias plantou eram de ferro ': n'este caso, o que aqui se
acha não é já primitivo. Este é de mármore branco venoso, c levanta do
chão, sem pedestal, entre algumas pedras soltas: tem a fórma cylindrica,
com cinco pés de altura fóra da terra, e trinta c duas pollegadas de
circumferencia. Este pilar termina reclangularmente no topo, tendo
dezoito pollegadas em cada lado da face, e oito de espessura, no
parallelipipedo de que se trata. Tudo é de uma só peça inteiriça.
Conhece-se que teve inscripções gravadas, mas estão de tal modo
deterioradas, que se não pódem distinguir as letras. Do centro da pedra
superior ergue-se uma cruz de quarenta pollegadas dc alto, havendo vinte
e oito pollegadas dope da cruz aos braços, e doze por cima. Cada braço
leni tambem este ultimo comprimento. A cruz é de barra de ferro, obra
bastante tosca, sendo unidas as suas duas partes por um prego rebatido.
Uma placa redonda de cobre forma resplendor no cruzamento dos braços. A
barra tem duas pollegadas de largura, e unia de grossura, achando-se já
mui carcomida da ferrugem. No braço horisontal da cruz, olhando para o
mar, está o seguinte letreiro, em letras recortadas em cobre e soldadas á
harra de ferro,=MERCURE— 27 J.er 18í8=» a
«Tenho a honra de apresentar a V. Ex." o desenho d'este monumento, como
elle agora se mostra aos olhos do viajante; do que teria acanhamento se
não estivesse certo que V. Ex. o receberá com indulgência, considerando a
minha inhabilidade n'esta sorte de trabalho.»
Porto-Pinda, 18 de Março de 1855.=.V. A. JV, Rudzki, Major Commandante.
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