
Foto Salvador
Ruínas que entristecem... Foto Salvador
As novas e inacabadas instalações ficavam para os lados da "Sanzala dos Brancos"
Aqui podemos ver Celeste Gouveia (a Néné Carracinha) e Herondina Mangericão, entusiasmadíssimas no seu trabalho. Foto Salvador
Fernando Andrade Vieira, Orlando Salvador, Francisco Velhinho, Raúl de Sousa Fr/Lico Sousa, e... Lico de Sousa. Este chegou a ter um programa cómico em que vestia a figura do negro "Canganiça" no qual ficou célebre a sua frase "Cada um é como cada qual e ninguém é como evidentemente!. Foto Salvador
?, Frederico Costa, Rodolfo Ascenso, e à frente, Oliveira (Maboque), César (electricista do RCM), Rui Bauleth de Almeida e António José Carvalho Minas. Foto Salvador
Carlos Moutinho e Cecília Victos (ao centro) rodeado de outras figuras ligadas ao RCM, entre as quais Lico de Sousa, Arlete Pereira, à dt e Rui Bauleth de Almeida atrás. Foto Salvador
Entre outros, da esq. para a dt: Luciano Sena, Evaristo Sena Fernandes, Sousa Santos, Soares e Silva, Domingos Barra, Embaixo: Rui Bauleth de Almeida, ?, Carlos Moutinho, Cecília Victor, Calila, ?, Antóno José Minas. Em cima, 1ª fila, Bica, Salvador, ?, Rui Torres, ?. Foto Salvador
Imagens do arquivo PT-TT-AOS-D-N-2-23-1, com programa de 13 de março de 1954, sob a direção do chefe de produção Carlos Moutinho; Ana Liberato e Rui Torres; Orlando Salvador, José Roberto e Adriano Parreira (foto Salvador, a partir do blogue Namibe já foi Mossamedes).
O Rádio Clube de Moçâmedes, pela sua natureza associativa clubistica, com direções democraticamente eleitas, como bem dizia Leonel Cosme. "eram o único espaço de relativa autonomia onde se manifestava a "opinião pública" das populações angolanas. Mas havia um sonho difícil de concretizar: a construção da futura sede do Rádio Clube de Moçâmedes, obra que teve como seu grande impulsionador o radialista e Chefe de produção, Carlos Moutinho, e um punhado de "carolas" que graciosamente dirigiam aquela associação radiofónica, nunca chegou a ser concluída, e no ano da independência de Angola, devido à carência de verbas, reflexo da penúria dos meios e da ausência de ajuda do Estado à altura de projectos deste género, já se encontrava paralisada.
Em 15/08/1952 foi lançada a 1ª pedra a sede do Rádio Clube de Moçâmedes, um edifício a construir exclusivamente para o efeito. Eram sonhos que falavam demasiado alto, e não chegaram a ser concretizados, devido à carência de meios e à ausência de ajudas oficiais
Numa Angola riquíssima, Moçâmedes chegou-se à independência como uma cidade harmoniosa e com belas vivendas, em grande parte, graças aos esforços dos seus moradores. Ao nível da habitação, não fosse Mariano Pereira Craveiro e outros "carolas" fundadores da sociedade cooperativa "O Lar do Namibe", Moçâmedes chegaria a 1975 reduzida ao velho casario do seu centro histórico ou pouco mais, pois sequer havia créditos bancários destinados a habitação. O próprio Clube Nautico conseguiu completar o seu edifício, graças à ajuda dos industriais de Pesca, grande número dos quais a residir no bairro da Torre do Tombo, que contribuíram para tal com uma determinada percentagem que lhes era descontada por cada mala de peixe seco que entregavam no Grémio da pesca de Moçâmedes.
Visita do Governador Nunes da Ponte à antiga sede do Rádio Clube de Moçâmedes, em 1956/7 ? tendo à sua esq. e à sua dt, Albérico Sampaio e Mário Rocha, ambos elementos da Direcção do RCM na altura. A antiga sede ficava na Rua da Praia do Bonfim, ao fundo, próximo do velho campo de futebol, em frente da Avenida.
Vem referida nesta foto a visita Governador do Distrito Salles Grade às novas instalações do RCM
em 1956, acompanhado pelo "Capitão do Porto", comandante Marrecas
Ferreira, Joyce Chalupa, Newton da Silva, Mário Rocha e Ferreira da
Silva. Orlando Salvador e Sousa Jr. dão conta das modernas
características dos novos gira-discos.
Em meio a tanta carolice, alguns projectos surgiram em termos de organização e gestão do RCM, mas que não passaram de sonhos. O projecto do Rádio Clube de Moçâmedes foi um desses projectos que não passou disso mesmo: Projecto!
MariaNJardim
(1) Sebastião Coelho, à frente da emissora de Moçâmedes, dá guarida e colabora, em parceria com Leston Martins, então naquela cidade, num programa de divulgação dos jovens poetas angolanos, que era igualmente apresentado no Rádio Clube de Benguela, em colaboração com a jornalista Helena Soeiro (Mensurado, por casamento com outro jornalista, José Mensurado também ele um dos dinamizadores da Mensagem. Na pequena e mais puxada ao Sul cidade de Angola - fundada, só na segunda metade do século XIX, por colonos luso-brasileiros fugidos de Pernambuco às defenestrações nativistas e sem assinaláveis tradições culturais - tem particular significado a acção quase "missionária" de Sebastião Coelho, apoiando a entronização, no Namibe, de um Movimento da "novi-angolanidade", que os seus promotores já queriam ver distinto do "lusotropicalismo teorizado pelo brasileiro nordestino Gilberto Freyre, aproveitado pelo regime colonial e, ainda hoje, como que travestido numa difusa "crioulidade" que é, no fundo, um desvio da "angolanidade" defendida pelos "mensageiros" com o sentido de afirmação de uma personalidade autónoma e prospectivamente africana. (Leonel Cosme)
https://ojs.letras.up.pt/index.php/AfricanaStudia/article/download/10549/9611/35473
Ainda sobre o RCM: OUTROS SONHOS...
Houve um tempo em que um grupo de amigos teve um sonho que ficou sempre
no segredo dos deuses. Já não sei se a idéia terá sido minha, se do
Mário , se do Andrade, que fazia parte do corpo directo do Rádio Clube,
se do Alegria, locutor com o programa “O Calhambeque”, se a memória não
me atraiçoa. Éramos todos amigos e colegas no Banco, o que por si só
era meio caminho andado para transformar o sonho em realidade. Para lá
do próprio projecto em si, o plano para a sua concretização era
engenhoso, mas muito simples, e imbuído de boa fé e de um genuino
idealismo que só existe enquanto a juventude não nos foge.
Mas,
afinal, qual era o nosso sonho?
Se bem se lembram, a construção do
edifício do Rádio Clube de Moçâmedes foi uma iniciativa, a todos os
títulos louvável, do locutor Carlos Moutinho, professional competente
que revolucionou a rádio da cidade. Simplesmente, por falta de apoios e
vontade política, que era coisa que não existia naqueles tempos, o
edifício acabou por ficar a meio, transformando-se num autêntico escarro
no coração de uma zona que se estava a transformar num bairro bonito,
graças à Cooperativa “O Lar do Namibe”.
Por outro lado, o Clube
Náutico tinha sido projectado, de raíz, para levar um 1º andar,
destinado aos seus serviços administrativos, coisa que viria a não se
concretizar por falta também de verbas.
O nosso sonho era, pois,
vender ao Lar do Namibe o inacabado prédio do Rádio Clube, com os seus
terrenos adjacentes, e com os proventos daí resultantes construir o 1º
andar do Casino, nome popular do Clube Náutico, e ali instalar o Rádio
Clube. Ora, para se obter esse desiderato era necessário, obviamente,
conseguir-se a fusão dos dois clubes. que passaria, então, a designar-se
por “Rádio Clube Náutico de Moçâmedes”. Mas essa fusão era o principal
problema a ser ultrapassado, pois havia interesses instalados que tinham
de ser removidos . A maioria das pessoas não se dava conta, mas a
gestão do Rádio Clube girava à volta da publicidade, fonte substantiva
das receitas, que era facultada de modo pouco transparente e pro bono a
algumas, muito poucas, empresas da cidade; no Casino, o problema era de
outro cariz e de muito mais fácil resolução: o clube tinha poucos
associados, a maioria dos quais nem as quotas mensais pagava e estava
entregue a uma vintena de sócios, apaixonados pela sala de jogos e pelo
poquer. Os proventos resumiam-se às receitas originadas pela utilização
do salão de festas por ocasião do carnaval, fim de ano e matinés
dançantes aos fins de semana, suficientes para uma gestão equilibrada.
Havia, pois, necessidade de “tomarmos de assalto” de uma forma legal as
duas direccões, o que se presumia fácil dado que, pela nossa
experiência de sócios de ambos os clubes, sabíamos que nas assembleias
gerais anuais as presenças resumiam-se sempre a meia dúzia de sócios. E
no que toca ao Clube Náutico, era extremamente fácil vencer as
eleições. O mais complicado, e que exigia uma maior cautela na
manutenção do segredo, era o Rádio Clube, que possuia uma grande massa
de sócios facilmente manipulada com as conhecidas procurações de última
hora.
Era preciso, pois, que o nosso núcleo se expandisse em
segredo absoluto apenas e tão só até a um número mínimo que nos
garantisse a vitória na eleição do Rádio Clube. E sem nunca reveler o
propósito final nem qualquer ligação com a Assembleia Geral do Clube
Náutico, no qual detínhamos a maioria face ao irrisório número de sócios
nele existente. Era um plano talvez maquiavélico, mas de uma pureza
impoluta face ao idealismo que emanava da nossa juventude. E tínhamos a
forte convicção de que iríamos não só engrandecer os dois clubes, como
valorizar o edifício do Casino, em termos arquitectónicos, com reflexos
directos para toda a envolvência da Praia das Miragens.
Mas naquela
noite não houve nem lua cheia nem luar e o nosso sonho se esboroou
quando, ao cair do pano, apareceram na assembleia geral do Rádio Clube
as famigeradas procurações.
Sonhávamos um “Rádio Clube Náutico de
Moçâmedes” como verdadeiro ex-líbris da cidade do sol, sal e mar,
fundada por uns sonhadores que ali chegaram na Tentativa Feliz e a
erigiram a partir do absolutamente nada.
Mas, desgraçadamente, a
história mostra-nos que em todos os lados e em todas as latitudes
existe sempre um Miguel de Vasconcelos à mão de semear.
E nós tivemos o nosso. Por um prato de lentilhas
(ass) Arménio Jardim






















Bom dia. O meu nome é Rogério Santos e estou a escrever uma história da rádio de Angola até 1975. Há uma fotografia no seu blogue Namibe Já Foi Mossamedes que eu gostaria de publicar. O meu email é rogerio.santos@ntcabo.pt. Grato pela atenção
ResponderEliminarPode, por favor, responder a este meu pedido para o email rogerio.santos@netcabo.pt
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