A escolinha particular do cabo Almeida na Torre do Tombo, nos finais dos anos 1940
A escolinha do cabo Almeida na Torre do Tombo, nos finais anos 1940. Miúdos do Bairro da Torre do Tombo em Moçâmedes, Angola, nos tempos em que se jogava à bola no meio da rua, não havia asfalto e corria-se em cima de terra batida.

A Escola Portugal era a escola das nossas aflições na altura dos exames nacionais. Era ali que os alunos de todas as outras escolas iam prestar provas de exame, não apenas do primário e de admissão para o secundário, mas por vezes e em determinada altura, também do secundário. Naquele tempo em as aulas e os exames decorriam segundo o modelo e o calendário metropolitano, isto quer dizer que não só os programas eram os mesmos, como os períodos das férias escolares de três meses coincidiam com os da Metrópole. Neste caso, as férias na Metrópole decorriam no Verão, e as férias em Angola e demais colónias, decorriam em pleno Inverno, uma vez que as aulas terminavam para todos em Junho. Éramos os eternos sacrificados do sistema! Numa terra de clima quente, em vez de estarmos na praia, estávamos encerrados no interior das salas de aulas, enquanto na mesma altura as crianças metropolitanas se divertiam e colhiam os benefícios do sol e da praia. O regime tinha destas coisas! As colónias deviam estar eternamente submetidas às directivas da Metrópole, e nem os Governadores Gerais possuíam a mínima autonomia para legislar.
A escolinha do cabo Almeida na Torre do Tombo, nos finais anos 1940. Miúdos do Bairro da Torre do Tombo em Moçâmedes, Angola, nos tempos em que se jogava à bola no meio da rua, não havia asfalto e corria-se em cima de terra batida.
ESCOLA PRIMÁRIA, Nr 56 de Pinheiro Furtadi, na DA TORRE DO TOMBO, EM MOÇÂMEDES. Antigas e novas instalações...
Escola 56 de Pinheiro Furtado, na Torre do Tombo, Moçâmedes, antes e depois de desmobilizada em 1951, e ocupada por famlias recentemente chegadas a
Moçâmedes
A partir de fins da década de 1940, inicios da década de 1950, terminada a "2ª Grande Guerra", e o período belicista europeu em que as fábricas de onde vinha o material importado, entre 1939-45, estiveram voltadas para material bélico, arranca finalmente o plano quinquenal que havia sido aprovado e se encontrava paralizado. O mesmo é dizer , na década de 1950 em Moçâmedes iriam teve lugar uma série de construções de entre as quais as escolas primárias n. 56 de Pinheiro Furtado, na Torre do Tombo , a escola 49, e arranca também o edificio do Palácio da Justiça, os CTT, a Escola Secundária Infante D. Henrique, a ponte sobre o rio Bero, a introdução da luz eléctrica e da água canalizada, etc., e nesta corrida a cidade de Moçâmedes também iria beneficiar de obras levadas a cabo por particulares, como o Casino ou Clube Náutico, as sedes do Atlético e do Sporting, e mais adiante também o Pavilhã do Sport Moçâmedes e Benfica. E a Câmara Muncipal de Moçâmedes e o Governo do Distrito levaram a cabo também a construção do novo Estádio Municipal a substituir o velho cmpo de futebol de terra btidaa ao fundo da Avenida, junto da Estação dos CFM, e o edificio do Aeroporto da cidade, a substituir a velha e decadente Gare. Lá para os lados das "Furnas" de Santo António, aproveitando-se da fisionomia do local o Estádio Municipal.
Meninas do meu tempo que frequentavam a Escola Nr. 56 de Pinheiro
Furtado em Moçâmedes, na Torre do Tombo, 1950/51. São elas, da esq. para
a dt, atrás: Maria Luísa Almeida Bagarrão, Maria da Conceição Góis
Teles (Lili), Lidia, Vitória Rosa. Embaixo: Victória Franco, Maria do
Rosário Almeida (Zázá) e Guida Franco e Augusta.
Escola 56 de Pinheiro Furtadol na Torre do Tombo, Moçâmedes. Deste grupo de alunos, no ano de 1949/50, reconheço, da esq. para a dt.: Em cima:
Lopes?, Fernando Matias, Maria do Carmo Domingues, ? e Eduarda Vicente
Embaixo: Carlos Ferreira (Miroides), Ferreira Silva, Miga Calão e Dudu
Ferreira Silva
Escola 56 de Pinheiro Furtado, anos 1949/50. Outro grupo da mesma época e da mesma Escola da Torre do Tombo: São
elas, em cima e da esq para a dt: Maria do Rosário Almeida (Zázá), Zelda
Ferreira da Silva , Otília, Graciete Ilha Bagarrão, Guida
Franco, Mª Elizabete Ilha Bagarrão e Madalena Seixal. Embaixo; ? Seixal, Augusta, Vitória Franco, Georgete, Lidia, Vitória Rosa, Claudete e ?. Fui vizinha da Vitória e da Guida Franco, as meninas africanas , filhas do engermeiro Franco e D. Júlia, passei muitas tardes em sua casa e
deliciei-me com os doces de ginguba e com os suspiros feitos pela
senhora propositadamente para o nosso lanche. Revi a
Guida há dois anos atrás no Encontro dos moçamedenses em Caldas da
Rainha.
Com o professor Duarte nas novas instalações da Escola 56 de Pinheiro Furtado, na Torre do Tombo, anos 1950
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ESCOLA PORTUGAL OU NR 55 de Fernando Leal
A Escola Portugal era a escola das nossas aflições na altura dos exames nacionais. Era ali que os alunos de todas as outras escolas iam prestar provas de exame, não apenas do primário e de admissão para o secundário, mas por vezes e em determinada altura, também do secundário. Naquele tempo em as aulas e os exames decorriam segundo o modelo e o calendário metropolitano, isto quer dizer que não só os programas eram os mesmos, como os períodos das férias escolares de três meses coincidiam com os da Metrópole. Neste caso, as férias na Metrópole decorriam no Verão, e as férias em Angola e demais colónias, decorriam em pleno Inverno, uma vez que as aulas terminavam para todos em Junho. Éramos os eternos sacrificados do sistema! Numa terra de clima quente, em vez de estarmos na praia, estávamos encerrados no interior das salas de aulas, enquanto na mesma altura as crianças metropolitanas se divertiam e colhiam os benefícios do sol e da praia. O regime tinha destas coisas! As colónias deviam estar eternamente submetidas às directivas da Metrópole, e nem os Governadores Gerais possuíam a mínima autonomia para legislar.
Escola 55. de Fernando Leal
Alunos da Escola n. 55 de Fernando Leal
A descer as escadarias da Escola Portugal, ou 55 de Fernando Leal,o Secretário Provincial
(1964.71), Pinheiro da Silva, de visita a Moçâmedes, no periodo do
Governador-Geral, Silvino Silvério Marques, coincidiu com a fase de
expansão do parque escolar, cuja população escolar, quase atingiu
600.000 estudantes,
em 1973. Coube-lhe também a tomada de
medidas que alteraram radicalmente conceitos, modelos e práticas em que o
sistema educativo se baseava, articulando-o melhor com a realidade
social, fruto da integração étnica da população estudantil. As Escolas
de
Habilitação de Professores de Posto, que espalhou pelo território com a
finalidade de formar docentes para as escolas rurais, foram obrigadas a
acolher alunos de diferentes partes e não apenas da área de implantação.
Diz que a medida foi inspirada por um episódio revelador da aversão que
existia entre cuamatos e ganguelas. Pô-los a viver uma vida comum,
desde a infância, seria uma forma de atenuar o fenómeno. E assim
aconteceu. É a época da criação e
implantação de muitos novos liceus e escolas técnicas, preparatórias,
institutos – todos dotados de instalações construídas de raiz; da
criação de cantinas escolares e o apoio às escolas das
missões; ou coisas mais simples como as campanhas de plantação de
árvores nos pátios das escolas, a atribuição de nomes de extracção
ultramarina como patronos de Escolas (Honório Barreto, Óscar Ribas,
Barão de Puna, Luis Gomes Sambo) ou o “salto” que a Mocidade Portuguesa
conheceu nos seus tempos, a ponto de ter passado a ser considerada como a
mais bem organizada e activa dos corpo então existentes nas partes do
país.
Na antiga Escola Nr 49, ao lado da Escola nr. 55, Escola Portugal, hoje Pioneiro Zeca. Miserável o aspecto desta Escola, como se pode ver pelo aspecto degradante e sujo dos vidros da janela, um deles partido .
UM POUCO DE HISTÓRIA...

" A ESCOLA PRIMÁRIA SUPERIOR "BARÃO DE
MOSSÂMEDES"
o edificio pintado de escuro, voltados para Avenida da República, que preenchia toda a Rua transversal .
«São autorizados os Governadores dos Distritos de Benguela,
Mossâmedes e Huila, a criar em cada um dos seus distritos uma Escola
Primária Superior, competindo às Câmaras e comissões municipais o
encargo do pagamento das respectivas despesas».
(Artº 1.0 da Portaria N. 269D, de 23 de Agosto de 1919, assinado pelo Governador Geral de Angola, Francisco Coelho do Amaral Reis, (Visconde de Penalva) e publicada no Boletim Oficial da Província de Angola, 1ª série n. 34, de 26 de Agosto de 1919)
Em 10 de Julho de 1930, a "Escola Primária Superior Barão de Mossâmedes" passou a adoptar períodos lectivos idênticos aos dos liceus, e as férias passaram a coincidir com as destes estabelecimentos de ensino, porém mantendo inalterada a situação anterior. Apesar da luta travada, a Escola acabou extinta pelo decreto de 30 de Novembro de 1936 que tinha em vista organizar em moldes novos o orçamento dos territórios ultramarinos, de acordo com princípios já experimentados em Portugal. Em sua substituição foi criada "Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes", cujo regulamento foi aprovado em 3 de Abril de 1937.
A mesma situação de descontentamento se tinha verificado na vizinha Sá da Bandeira, onde população e docentes sonhavam persistentemente com a promoção e transformação da Escola Primária Superior Artur de Paiva em instituição Liceal, o que veio a tornar-se realidade em 6 de Abril de 1929 , por ocasião da visita à cidade do governador-geral e alto-comissário, Filomeno da Câmara Melo Cabral, que extinguiu a Escola Primária Superior Artur de Paiva, e criou em sua substituição, o Liceu Nacional da Huíla, o Diogo Cão.
1. Um número suficiente de edifícios escolares e de professores;
2. Uma escola de artes e ofícios adequada às características industriais e agrícolas do distrito;
3. A transformação da Escola Primária Superior «Barão de Mossâmedes» num sentido mais prático e mais desenvolvido.
E assim chegamos ao 3 de Abril de 1937, à data em que foi aprovado o Regulamento da "Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes", cujo ensino teria a organização seguinte:
No curso comercial, estudavam-se as mesmas matérias
acrescidas de Inglês, Elementos de Direito Comercial, Economia Política, Noções
Gerais de Comércio, Contabilidade e Escrituração Comercial, Caligrafia,
Dactilografia e Estenografia. Continuava a prestar-se atenção a tudo o que
dizia respeito à pesca e conserva de peixe, construção e reparação de barcos.
Quanto à instituição Liceal, foi criado o Liceu Almirante Américo Tomás em 21 de Outubro de 1961, por ocasião da visita do Ministro do Ultramar, Professor Adriano Moreira a Moçâmedes, numa época bastante grave para Portugal e para as Colónia, em que tinham acontecido os massacres perpretados pela UPA (União dos Povos de Angola) de Holden Roberto, de populações indefesas que trabalhavam em plantações no norte de Angola, que levaram ao inicio da luta armada contra os movimentos independentistas. Os jovens de Moçâmedes que pretendiam progredir para estudos superiores podiam finalmente deixar de se deslocar para a cidade vizinha de Sá da Bandeira, para frequentar o Liceu Diogo Cão. No dia 29 de Agosto de 1964, foi criado o terceiro ciclo no liceu de Moçâmedes, dizendo-se que viria a funcionar a partir do ano lectivo que estava prestes a iniciar-se, o de 1964-1965.
Podemos dizer que em
boa parte o ensino secundário nasceu em Moçâmedes com a "
Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes", criada em 23 de Agosto de
1919, mas posta a funcionar apenas em 1925, que veio em 30 de
Novembro de 1936 a ser extinta para dar lugar à "Escola Prática de
Pesca e
Comércio de Moçâmedes", Escola de cariz técnico, e que esta, por
natural evolução passou a ser denominada "Escola Comercial de Moçâmedes"
em 1952, passando mais tarde a "Escola Industrial e Comercial Infante
D. Henrique" em edificio própria.
(Artº 1.0 da Portaria N. 269D, de 23 de Agosto de 1919, assinado pelo Governador Geral de Angola, Francisco Coelho do Amaral Reis, (Visconde de Penalva) e publicada no Boletim Oficial da Província de Angola, 1ª série n. 34, de 26 de Agosto de 1919)
A CAMINHO DO ENSINO SECUNDÁRIO EM MOÇÂMEDES...
Foi a 23 de Agosto
de 1919, em plena 1ª República portuguesa implantada em 1910, que foi criada na sequência
da determinação de do visconde de Pedralva, Francisco
Coelho do Amaral Reis, aos
Governadores dos Distritos de Benguela,
Moçâmedes e Huila, foi autorizada a criação em cada um a das suas capitais de distrito, de uma Escola
Primária Superior, competindo às Câmaras e comissões municipais o
encargo do pagamento das respectivas despesas.
Em Moçâmedes a medida foi
aplicada, apenas em 30 de Março de 1925, sendo no dia
23 de Maio do mesmo ano, atribuído à Escola, como patrono, José de Almeida e
Vasconcelos Soveral de Carvalho da Maia Soares de Albergaria - vulgarmente
conhecido por "Barão de Mossâmedes" que aliás dera o no à cidade.
Nascia assim a "ESCOLA PRIMÁRIA SUPERIOR "BARÃO DE
MOSSÂMEDES"
Em Moçâmedes demorou bastante tempo para que a medida fosse
aplicada, e só em 30 de Março de 1925 foi decidido que a pretendida Escola entrasse em
funcionamento, e que o seu regulamento fosse aprovado e publicado, sendo no dia
23 de Maio do mesmo ano, atribuído à Escola, como patrono, o conhecido e prestigioso
governador-geral de Angola, cujo nome a cidade já ostentava - José de Almeida e
Vasconcelos Soveral de Carvalho da Maia Soares de Albergaria - vulgarmente
conhecido por "Barão de Mossâmedes".
A Escola Primária Superior «Barão de Mossâmedes» embora
ostentasse a designação depreciativa de
"Escola Primária Superior", dada a carga literária do seu curriculo, era
um pronúncio de um ensino secundário que a demarcava de um ensino quer
profissional quer primário, e a colocava a
par de um liceu, situação que caia no desânimo de uma
parte da população e dos respectivos professores que persistentemente insistiam que a referida escola assim deveria ser considerada. De
início administrada pela Câmara Municipal por portaria de 17 de Junho de 1927, mais tarde passou
a ser directamente administrada pelo
Estado, visto que a Câmara não reunia recursos monetários para a mantêr,
e os seus professores estavam sem receber os vencimentos desde Novembro
do ano
anterior. Em 10 de Julho de 1930, a "Escola Primária Superior Barão de Mossâmedes"
passou a
adoptar períodos lectivos idênticos aos dos
liceus, e as férias passaram a coincidir com as destes estabelecimentos
de ensino, porém mantendo inalterada a situação anterior. Apesar da
luta travada por pais e professores para que à semelhança daquilo que
se passou na cidade de Sá da Bandeira onde a Escola Primária Superior
deu lugar ao Liceu Diogo Cão, em Moçâmedes a Escola Barão de Mossâmedes acabou extinta pelo decreto de 30 de Novembro de
1936, que tinha em
vista organizar em moldes novos o orçamento dos territórios
ultramarinos, de
acordo com princípios já experimentados em Portugal.
Em sua substituição
foi criada a "Escola Prática
de Pesca e Comércio de Moçâmedes", cujo regulamento foi aprovado em 3 de
Abril de 1937.
Manuel Júlio de Mendonça
Torres
Manuel Júlio de Mendonça
Torres, descendente de colonos de Pernambuco, Brasil, chegados a Moçâmedes em 1849, foi um ardente apóstolo da causa que levou à
inauguração da solene da «Escola Primária Superior Barão de Mossâmedes» (in “O Mossamedense”, (vidé nº. 46, de 31.05.1925 - 4ª. Série Director: Alberto Trindade-Editor: Joaquim Augusto Monteiro). Foi professor de Português e História nesta Escola que
ficava situada nuns prédios voltados para Avenida da República,
paralela ao mar, e preenchia toda a Rua transversal até à Rua dos
Pescadores, onde leccionou desde
princípios dos anos 20 até princípios dos anos 40(?), quando resolveu
fixar-se em Lisboa, onde passou a escrever para os jornais e revistas
oficiais, e dedicou.se a escrever os dois volumes sobre a História da sua terra, e onde veio a falecer nos anos 50.
Em 10 de Julho de 1930, a "Escola Primária Superior Barão de Mossâmedes" passou a adoptar períodos lectivos idênticos aos dos liceus, e as férias passaram a coincidir com as destes estabelecimentos de ensino, porém mantendo inalterada a situação anterior. Apesar da luta travada, a Escola acabou extinta pelo decreto de 30 de Novembro de 1936 que tinha em vista organizar em moldes novos o orçamento dos territórios ultramarinos, de acordo com princípios já experimentados em Portugal. Em sua substituição foi criada "Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes", cujo regulamento foi aprovado em 3 de Abril de 1937.
A mesma situação de descontentamento se tinha verificado na vizinha Sá da Bandeira, onde população e docentes sonhavam persistentemente com a promoção e transformação da Escola Primária Superior Artur de Paiva em instituição Liceal, o que veio a tornar-se realidade em 6 de Abril de 1929 , por ocasião da visita à cidade do governador-geral e alto-comissário, Filomeno da Câmara Melo Cabral, que extinguiu a Escola Primária Superior Artur de Paiva, e criou em sua substituição, o Liceu Nacional da Huíla, o Diogo Cão.
Em Moçâmedes, e conforme se pode lêr pelo Boletim Geral das Colónias.
VIII -
088 - apenso de Legislação Colonial Nº 088A - Vol. VIII, 1932, 20 págs,
que
contempla a visita do Ministro das Colónias, Armindo Monteiro a
Moçâmedes, as «forças vivas» do Distrito tinham apresentado ao Ministro
uma
exposição em que chamam a sua atenção
para questões, cuja solução consideram de grande importância, entre as
quais:
(...)
Instrução Pública:
1. Um número suficiente de edifícios escolares e de professores;
2. Uma escola de artes e ofícios adequada às características industriais e agrícolas do distrito;
3. A transformação da Escola Primária Superior «Barão de Mossâmedes» num sentido mais prático e mais desenvolvido.
4. A criação, na colónia, de uma escola de preparação para o
preenchimento de quaisquer lugares do funcionalismo público e moldada
com as
características e com os mesmos fins da Escola Colonial existente na
Metrópole,
sendo dada a preferências aos seus alunos no preenchimento das vagas ou
lugares
a criar.
O que pedia Moçâmedes, em 1932, ao Ministro das Colónias, não
era um Liceu, mas uma Escola que ministrasse um tipo de ensino mais
prático e mais de acordo com as actividades do Distrito. A nova escola
deveria, pois, relacionar-se com as
actividades marítimas e o sector piscatório. Mantinha-se assim a velha
ideia de que o
ensino público deveria estar ligado às actividades inerentes ao local em
que os
alunos residissem, partindo-se do pressuposto que não haveria a
mobilidade
territorial entre as pessoas. Aliás, havia um texto legal que defendia
que o ensino ministrado em
cada meio social fosse o mais adaptado possível ao seu ambiente e às
suas
necessidades. Por isso entendeu-se que, sendo Moçâmedes uma terra
essencialmente dedicada às coisas do mar, não deveria ter um Liceu que
ministrasse um ensino de
cariz literário, mas sim uma Escola profissional que se considerava
então que melhor serviria as
aspirações das suas gentes.
«Escola Marítima de Mossâmedes», depois «Escola Industrial Marítima de
Mossâmedes»
Recuando no tempo, convém referir que já em
18 de Abril de 1918 houve uma primeira e fugaz tentativa de criação da
«Escola Marítima de Mossâmedes», depois «Escola Industrial Marítima de
Mossâmedes», pelo
governador-geral Jaime Alberto de Castro Morais, estabelecimento de ensino que não deixou tradição e
conduziu a um impasse com relação à "Escola Primária Superior Barão de
Mossâmedes", que, sendo criada em 1919, acabou por ser posta a funcionar
apenas em 30 de Março de 1925.
O curso preparatório da "Escola Industrial Marítima de
Mossâmedes" tinha a duração de dois anos, pretendia
ministrar aos alunos o ensino primário complementar, e exigia que os mesmos
soubessem já ler e escrever correntemente e efectuar as operações aritméticas.
Estava previsto que, para além da parte literária propriamente dita, aprenderiam
outras coisas, tais como ginástica educativa, exercícios paramilitares,
natação, remo, trabalhos de velame, cordoaria e calafate. Deveriam estudar
também os acidentes geográficos litorais de Angola, sobretudo os da costa do
distrito de Mossâmedes, a influência e orientação predominante dos ventos,
correntes, etc, bem como noções relacionadas com a História da Colonização do
Sul de Angola. O curso especial, que durava também dois
anos, consistia no estudo de Aritmética e Geometria, Físico-Química,
Ciências Histórico-Naturais, Legislação, Contabilidade, Escrituração
Comercial, Desenho, Indústrias Marítimas, Construções Navais, etc.. A
parte prática do curso obrigava a aprender a fazer sondagens, medir a
força das correntes, treino na caça à baleia, fabricação de óleos,
guanos e colas, curtume de peles. etc.
"Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes
E assim chegamos ao 3 de Abril de 1937, à data em que foi aprovado o Regulamento da "Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes", cujo ensino teria a organização seguinte:
Sexo masculino
—Mestre de pesca e carpinteiro-calafate;
Sexo feminino
—Costura e bordados;
Os dois sexos
—Curso geral do comércio.
No curso de mestre de pesca, os alunos estudariam Português,
Francês, Ciências Geográfico-Naturais, Matemática, Desenho e Trabalhos Manuais,
e Educação Moral e Cívica.
Tomariam contacto com os trabalhos de construção e reparação
de barcos; treinariam nas actividades da navegação e pilotagem; atenderiam aos
trabalhos da pesca e conserva do peixe; seriam iniciados na reparação dos
instrumentos de bordo e outras tarefas afins. Os alunos do curso de
carpinteiro-calafate estudariam as mesmas disciplinas e ainda Desenho de
Projecções, Desenho Profissional e Estilos, e Tecnologia; nas oficinas,
aprenderiam o que dizia respeito à construção e reparação de barcos. As alunas de costura e bordados estudavam as
mesmas disciplinas e tinham trabalhos práticos, de cuja amplitude não podemos
aperceber-nos, pois o texto legal não é suficientemente claro.
A "Escola Prática de Pesca e Comércio de
Moçâmedes" era considerada no seu aspecto burocrático e estrutural,
como
uma escola de ensino técnico secundário, pois havia em Angola na altura,
pelo
menos uma escola de ensino técnico elementar, criada em 5 de Junho de
1930. Todavia, não chegou a criar tradição que a prestigiasse, e por
natural evolução foi convertida, em 17 de Março de 1952, na Escola
Comercial de Moçâmedes, tendo no dia 4 de Junho do mesmo ano sido
determinado que entrasse em funcionamento o primeiro ano do ciclo
preparatório elementar do ensino profissional, industrial e comercial. A
zona de influência de cada estabelecimento ficou assim definida:—Escola
Industrial e Comercial de Sá da Bandeira — distritos de Huíla e
Moçâmedes, sendo neste apenas para o ensino profissional
industrial;—Escola Comercial de Moçâmedes — distrito de Moçâmedes.
Estava-se em maré de alargar os cursos técnicos por essa Angola fora.
Em 13 de Agosto de 1960, a "Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes" passou a designar-se "Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique", passando a ocupar novas e modernas instalações, e tendo o Infante de Sagres, o Navegador, um apaixonado pelas ciências náuticas, por Patrono. Por isso se dizia ser a Escola Secundária de Moçâmedes a mais antiga de Angola, no seu grau. A sua inauguração integrou-se nas comemorações centenárias da morte do Infante, a célebre personagem que tão importante papel desempenhou na expansão ultramarina e na gesta dos Descobrimentos.
Em 13 de Agosto de 1960, a "Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes" passou a designar-se "Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique", passando a ocupar novas e modernas instalações, e tendo o Infante de Sagres, o Navegador, um apaixonado pelas ciências náuticas, por Patrono. Por isso se dizia ser a Escola Secundária de Moçâmedes a mais antiga de Angola, no seu grau. A sua inauguração integrou-se nas comemorações centenárias da morte do Infante, a célebre personagem que tão importante papel desempenhou na expansão ultramarina e na gesta dos Descobrimentos.
Quanto à instituição Liceal, foi criado o Liceu Almirante Américo Tomás em 21 de Outubro de 1961, por ocasião da visita do Ministro do Ultramar, Professor Adriano Moreira a Moçâmedes, numa época bastante grave para Portugal e para as Colónia, em que tinham acontecido os massacres perpretados pela UPA (União dos Povos de Angola) de Holden Roberto, de populações indefesas que trabalhavam em plantações no norte de Angola, que levaram ao inicio da luta armada contra os movimentos independentistas. Os jovens de Moçâmedes que pretendiam progredir para estudos superiores podiam finalmente deixar de se deslocar para a cidade vizinha de Sá da Bandeira, para frequentar o Liceu Diogo Cão. No dia 29 de Agosto de 1964, foi criado o terceiro ciclo no liceu de Moçâmedes, dizendo-se que viria a funcionar a partir do ano lectivo que estava prestes a iniciar-se, o de 1964-1965.
Bibliografia consultada:
-Boletim Geral das Colónias . VIII - 088 - apenso de
Legislação Colonial Nº 088A - Vol. VIII, 1932, 20 pgs.
MARTINS DOS SANTOS
,
à então Escola Industrial e Comercial de Moçâmedes, cujas instalações conhecemos já com algum
especto de laxismo e degradação, nos anos 1950... e que acabou
substituida, nessa década, pela Escola Industrial e Comercial Infante D.
Henrique... Mas convém antes saber que foi em
~
Escola Prática de Pesca e Comércio do Distrito de Moçâmedes

Escola Prática de Pesca e Comércio do Distrito de Moçâmedes
Alunos e alunas da Escola Prática de Pesca e Comércio do Distrito de Moçâmedes, em 1948. Este era o quintal interior para onde desembocava, as salas de aula da dita Escola, já em péssimas condições de conservação como se pode ver. Clicar sobre a foto para aumentar. É grande.
Esta interessantíssima foto, gentilmente cedida por Antonieta Bagarrão Lisboa, permite-nos ver o conjunto de alunos/as que frequentavam esta escola do 1º ao 5º ano, nesse ano lectivo de 1948/49. Actualmente já na casa dos 70 anos e mais , felizmente a maioria ainda vivos e cheios de vitalidade, talvez reflexo da boa alimentação que tiveram na infância em Moçâmedes /Angola), terra do bom peixe rico em omega3 etc etc. Vêem-se alguns dos professores que na altura leccionavam nesta Escola, a única escola secundária do distrito. Reconheço, entre outros, de baixo para cima, e da esq. para a dt: 1. Albino Aquino (Bio), Carlos Pinho Gomes, ?, Manuel Dias Monteiro (Neca), ?, Amilcar de Sousa Almeida, José Patrício, Arnaldo Van der Keller (Nado)?, Carlos Manuel Guedes Lisboa (Lolita, Nito Abreu, Bajouca, José Duarte (Zézinho), Manuel Rodrigues Araújo, António José de Carvalho Minas (Tó Zé) e Norberto Edgar Neves de Almeida (Nor). 2. Carlos Vieira Calão, ??????, Fernando Morais (7º de camisa escura), ???, Licas Freitas (de pé, ao centro), Dito Abano, Jaime Custódio, Zezo Freitas de Sousa, Carequeja,?, Elisio Soares, ???, Beto de Sousa, ??, Albertino Gomes, e?. 3. Antonieta Almeida Bagarrão (Dédé), Mimi Carvalho (5ª) Maximina Teixeira (8º),???. 4. Fátima Abrantes, ?, Nélinha Costa Santos, Salete Leitão, Fátima Duarte, Melanie Sacramento, Carolina Mangericão,?, Lucia Brazão Reis, ???, Raquel Martins Nunes, Mª Orbela Gomes Guedes da Silva, ???, Fernanda Vieira,... 5. Francelina da Costa Gomes, ???, Augusto Martins (func. da Escola), ??, Padre Guilhermino Galhano, Dr Domingos Borges (Director da Escola), ??, Professor Carrilho (Dact/Caligraf/Estenograf.), Luzete Sousa, e mais à dt, Bernardete Diogo, ?, e Fernandina Peyroteu.
Alunos da antiga Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, Aula prática de Construção Naval e regresso da aula, junto das velhas pescarias da Torre do Tombo (subida da S.O.S), em 1946, com o mestre Cecilio Moreira após uma aula
prática de Construção Naval, junto dos estaleiros da cidade. Reconheço
Sereeiro, à esq de Cecilio Moreira (mestre), e à sua esq, Cecilia Victor,Maria
Emilia Ramos, Edith Frota, Carriço e Humberto Pinho Gomes.
Estudantes da Escola Prática de Pesca e
Comércio de Moçâmedes, em 1948 com corpo docente, vendo/se ao fundo, de
entre outros mestre Cecílio Moreira, o Dr Domingos da Ressurreição Borges,
director, o Padre Guilhermino Galhano e a dt o prof Carrilho. Os alunos
são ; Leonor Bajouca, Lucia Brazão, ?, Fátima Duarte, Salete Leitão.
Mais à frente apenas reconheço Carlitos Oliveira
Estudantes da Escola Prática de Pesca e
Comércio de Moçâmedes, em 1948, com mestre Cecilio Moreira. São
Cecilia Vitor, Maria Emilia Ramos, Edith Frota, Carriço, Humberto
Gomes, etc
Estudantes da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, em 1948
Estudantes da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, em 1948.
São Humberto Pinho Gomes, Cecilia Victor, Edth Frota, Maria Emilia
Ramos e Sereeiro. Atrás Orlando Salvador e Carriço.
Estudantes da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, em 1948,
junto a umbarco em construção nos estaleiros da cidade. São Carriço,
Humberto e Sereeiro. Atras Cecilia Victor, Edith Frota e Maria Emilia
Ramos
Cerimónia de despedida do Director da Escola Pratica de Pesca e Comércio de Moçâmedes, Domingos da Ressurreição Borges, e passagem do lugar ao Dr. Olimpio Nunes. De entre os presentes reconheço : Profs Carrrilho, Cecilio Moreira, Augusto Martins (Continuo) , Egidio Robalo e Prof Marques, de entre outros
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E para terminar, de ARMÉNIO JARDIM vai um texto que junta um pouco da ironia, que lhe é particular, na descrição que faz da “Escola de Pesca e Comércio de Moçâmedes”...
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E no princípio era o verbo, só o verbo…, e escolas não havia. Não havia na Lucira, nem na Vissonga; não havia escolas no Baba, nem na Mariquita; não havia no Mucuio, nem na Baía das Pipas. Nem sequer havia escolas na Praia Amélia ou no Saco do Giraul.
Mas havia três escolas primárias em Moçâmedes, o que eram muitas na percepção dos mucubais, para os quais, práticos como eram, só havia o um, dois e … muitos. Havia, pois, em Moçâmedes a Escola nº. 49; a Escola Portugal nº. 55, de Fernando Leal, mesmo ali ao lado, com um baldio de cerca de 100 metros a separá-las e um equidistante chafariz, em redor do qual existiam umas bonitas e frondosas árvores de castanhas do Pará. Havia, por último, a Escola Primária nº. 56, de Pinheiro Furtado, situada no Bairro Feio da Torre Tombo, construída sobre pilares à guisa de palafitas em terra seca e sob a qual a miudagem se aliviava das suas necessidades mais básicas, que as carochas e os rebola-caca acabavam por tratar delas.
A Escola nº. 49 era, no entanto, a mais pequena e humilde das três, com apenas duas salas de aulas. E tinha mesmo à sua frente, a não mais de 40 metros, a cadeia civil, ali construída não inocentemente mas sim para mostrar às inocentes criancinhas que o paraíso na terra não existe e que a vida e o futuro não eram coisas fáceis. Para o resto, estava lá o professor Canedo, de triste memória, sem paciência alguma para aturar miúdos e que se passava de tal modo que chegava ao cúmulo de atirar os tinteiros e as próprias réguas de cinco olhos contra os alunos, alguns dos quais acabaram por ser levados para o hospital. Mas não era só ele; também por lá andava a professora Berta, grande e macrocéfala, má e azeda, que debitava galhetas a torto e direito nas aulas em que as crianças tinham que cantar a tabuada a ritmo certo, mas que desgraçadamente havia muitas delas que só sabiam a música e nunca se lembravam das letras. E ademais, quem é que se atrevia, naquele tempo, a ir para casa fazer queixinhas aos pais? Era pior a emenda do que o soneto, pois acabava por levar dos dois lados; do professor, na escola; e dos pais, em casa.
Houve, entretanto, por volta de 1925, um pequeno salto qualitativo com a criação da Escola Primária Superior “Barão de Moçâmedes”, título pomposo e pretensioso, uma vez que o curso ministrado não ia além de três anos lectivos após a 4ª. classe, o que configurava já uma caricata projecção virtual daquilo que viria a ser, muitíssimos anos mais tarde, o malfadado Tratado de Bolonha. O seu programa curricular, ambicioso na sua matriz, era, contudo, anacrónico e desfasado do mundo real. Daí a não ter passado de um triste epifenómeno, sem ter conseguido criar nem raiz, nem tronco; nem folhas, nem flor. E acabou tristemente por se finar sem ter dado fruto algum.
As personalidades mais esclarecidas e empenhadas de Moçâmedes nada podiam contra este estado de coisas. O Poder estava centralizado em Lisboa, e a implantação da república com as subsequentes guerrilhas partidárias e interesses pessoais conduziram as possessões ultramarinas a um estado de estagnação miserável.
Contudo, no decurso de 1937, com o Estado Novo já consolidado, viria a ser criada a “Escola de Pesca e Comércio de Moçâmedes”, implementando um curso com a duração de 5 anos, o que acrescentados os 4 anos da primária lhe conferia uma escolaridade total de 9 anos. Conforme o seu próprio nome indicava, era uma escola criada com a finalidade de habilitar os seus estudantes com os conhecimentos tidos como suficientes no quadro das actividades ligadas ao comércio, à indústria piscatoria e à função pública. Faziam, no entanto, parte do seu programa curricular, disciplinas tão díspares como: “Salga e Seca” , sobre a qual os miúdos de 13 ou 14 anos aprenderiam muito mais em 2 dias passados numa pescaria da Torre do Tombo ou do Canjeque, do que durante todo o curso; com a “Construção Naval” pretendia-se que os alunos aprendessem a fazer projectos, com base em desenhos cotados e escala, de canoas, baleeiras e até de traineiras; da “Estenografia”, não me lembro de nenhum aluno se ter servido dela, em termos práticos. No entanto, a disciplina tinha o seu lado positivo na disputa de quem conseguia escrever mais palavras por minuto. Se bem me lembro, a vencedora era sempre a Fátima Latinhas, que parecia uma autêntica metralhadora a debitar caracteres. De resto, na vida prática acabou por não ter prática nenhuma; No que toca à “Construção Naval”, que eu saiba, só a Maria Emília Ramos, que morava no Bairro Feio, da Torre do Tombo , se afirmou como projectora de barcos, e com nível muito elevado. Quanto à “Salga e Seca”, até a avó Catarina, que até era analfabeta, sabia muito mais sobre peixe seco e meia-cura do que qualquer estudante que acabava o seu curso e arrumava a correr os seus livros de estudo.
Mas havia, obviamente, umas quantas disciplinas adequadas e bem enquadradas com relação à época, embora no seu todo acabassem por ser à volta de 12 cadeiras, só no último ano.
Mas o curso da Escola de Pesca sofria de três males, qual deles o pior, que levavam a grande maioria a não concluir os seus estudos. O primeiro, desde logo, prendia-se com a indisciplina reinante de alguns alunos mais matulões, verdadeiros “mavericks” que praticavam o booling a torto e a direito contra os mais novinhos, de entre os quais avultavam: o Tó Coribeca, o Mário Bagarrão, o Helder Cabordé, o Romualdo Parreira, o Caparula, o Turra, o Quito Costa Santos, o Adriano Parreira, e mais um ou outro que agora não me ocorre. Era uma autêntica quadrilha sempre pronta a dar porrada aos mais miúdos. Nem o dr. Borges, director da Escola, que tinha fama de grande disciplinador, conseguiu dar-lhes a volta. E nenhum deles, obviamente, concluiu o curso. Mas o padre Galhano, santo homem, fazia verdadeiros milagres. E conseguiu trazer à superfície a bondade que existia dentro daquelas almas. O segundo mal tinha a ver com o facto de, no 5º. ano, isto é, no último ano do curso, os alunos serem obrigados a fazer exames de 12 cadeiras, o que era manifestamente um exagero. E com a agravante de só poderem reprovar numa única disciplina, sob pena de terem de repetir todas elas no ano lectivo seguinte. Finalmente, havia a questão do perfil e das mentalidades dos professores, alguns dos quais se compraziam em humilhar e reprovar os alunos com requintes de malvadez.
Ainda recordo, com profunda mágoa, uma cena que assisti num exame de geografia, cujo professor era um tal dr. Lameirão, do Porto, que devia pesar à volta dos 120 kgs, e tinha uma cara de poucos amigos que não enganava ninguém:
Foi num ano em que, por imperativos das suas carreiras profissionais, apareceram a exame, em regime de autopropositura, adultos já casados que tentavam por essa via terminar um curso que em devido tempo e por razões várias não o tinham conseguido. Um deles, natural de Moçâmedes, casado e pai de filhos, tinha vindo do Huambo com esse propósito, e encontrava-se agora ali no meio da garotada, a aguardar a chamada. Ao iniciar o exame, o dr. Lameirão, sem bom dia, nem boa tarde, pergunta-lhe secamente:
- Diga-me lá onde fica o rio Amarelo?
- O rio Amarelo…, não sei, sr. dr.
- Então, e onde fica o rio Vístula?
- O rio Vístula, sr. dr…? Não me lembro..
O dr. Lameirão, vermelhudo, passa-se, e começa aos berros: - Então, você, vai à minha casa, à noite, meter cunhas, e nem sequer sabe onde fica o rio Amarelo, nem o rio Vístula!? Está à espera que lhe pergunte onde fica o rio Bero ou o rio Curoca? Pode sentar-se.
Sr. Albertino Gomes – chama o dr Lameirão pelo seguinte adulto, também já casado e pai de filhos.
Albertino Gomes levanta-se e diz em tom forte e bem silabado: - DESISTO.
E a miudagem desatou toda em altas gargalhadas.
E contra isto nada havia a fazer!
ass. Arménio Aires Jardim (Outubro de 1916)
https://princesa-do-namibe.blogspot.com/2009/04/escola-nr-55-de-fernando-leai-vulgo.html?zx=8a0b6808c3bbe741























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