Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












quarta-feira, 16 de setembro de 2020

CURIOSIDADES. PARA A HISTÓRIA DA CIDADE DE MOÇÂMEDES. A AVENIDA DOM LUIZ DE MOÇÂMEDES



D. Luís e D. Maria Pia, 1862. 
 
  AVENIDA DOM LUIZ

AVENIDA DA REPÚBLICA
 


DOM LUÍZ  emprestou o seu nome a esta Avenida, no período da sua vigência no trono de Portugal, desde Novembro de 1861, ainda que não tenhamos conseguido saber o momento exacto.
 
Na 2ª foto, a mesma AVENIDA já então denominada AVENIDA DA REPÚBLICA, após a Revolução de 5 de Outubro de 1910. (1)
 
DOM LUÍZ era filho de D. Maria II e de D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota;  herdou o trono quando tinha 23 anos, por morte do seu irmão mais velho, D. Pedro V, que não tinha descendentes, sendo aclamado REI a 22 de Dezembro do mesmo ano. 
 
A 27 de Setembro do ano seguinte DOM LUÍZ casou-se, por procuração, com D. Maria Pia de Sabóia, filha do rei Víctor Emmanuel II da Itália. 
 
Enquanto infante DOM LUÍZ serviu na Marinha, visitou a África Portuguesa e esteve em Angola. Exerceu o seu primeiro comando naval em 1858.  
 
Era um homem culto e de educação esmerada, calmo e conciliador, como todos os seus irmãos.  Era respeitador das liberdades individuais.  O seu reinado ficou marcado pela abolição da pena de morte, pela abolição da escravatura e pela publicação do primeiro Código Civil. 
 
De grande sensibilidade artística, pintava, compunha e tocava violoncelo e piano. Poliglota, falava correctamente algumas línguas europeias. Fez traduções de obras de William ShakespeareMas era principalmente um homem das Ciências, com paixão pela oceanografia, financiando projectos científicos e pesquisas oceanográficas em busca de espécimes dos “7 mares”.
 
Foi rei de Portugal até ao seu falecimento, em 19 de Outubro de 1889, no seu palácio de Verão, na Cidadela de Cascais. O povo deu-lhe o cognome de o Popular. Eça de Queiroz chamou-lhe o Bom.
 
 Pesquisa e texto de 
MariaNJardim
 
 
(1) Importa ainda referir  que com a subida do Estado Novo ao poder,na sequência do golpe militar que depôs a 1ª Republica , esta Avenida passou a ser conhecda por Avenida da Praia do Bonfim, tal como a rua paralema existente com o mesmo nome. Lembramos que em textos antigos de quando a Avenida   começou a ser delineada é conhecida como a Avenida da Praia. Igualmente passou por várias fases quanto a arborização. De inicio palmeiras, fase que perdurou até ao Estado Novo. Pensa-se que para dar um ar mais lusitano foi  fase em que a Avenida  se encheu de árvores diversas,  incluindo oliveiras, e a profusão de canteiros reenchidos com as mais diversas flores, cujas semente vinham da Europa, bem como  caramanchões , tanques com repuxos de água, etc, etc. Mais tarde,  coincidente com a 2ª fase do Estado Novo e com a aceitação por Salazar a tese do Lusotropicalismo, de Gilberto Freyre, finalmente, o retorno das palmeiras  à Avenida de Moçâmedes.

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