Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"



(*) in
“Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal












segunda-feira, 19 de outubro de 2020

O "BAIRRO DA FACADA" E A ORIGEM DO NOME



O "BAIRRO DA FACADA"  E A ORIGEM DO NOME
 

Contavam as nossas avós que o termo "Facada", que deu origem ao nome do "Bairro da Facada" em Moçâmedes, advém de rixas de quando em quando ocorridas  naquele local, tendo como  protagonistas cabo-verdianos,  que no calor das suas lutas, chegavam, incluso, a puxar por navalhas e  a causar graves danos.  Estes episódios que estariam ligados a bebedeiras de fins de semana (1), deviam ter acontecido há muito temo atrás, porquanto na segunda metade do séc XX até 1975, não consta nem a presença de uma comunidade caboverdeana em Moçâmedes e muito menos rixas como acima são referidas.
 
No livro «O Distrito de Moçâmedes nas fases da Origem e da Primeira Organização, 1485-1859" , Júlio de Mendonça Torres, citando um Relatório do Governador Fernando da Costa Leal (o 5º Governador do Distrito), de 6 de Junho de 1857 , faz referência a navios baleeiros norte-americanos que operavam entre a Ilha de Santa Helena e a costa de Moçâmedes , zona abundante em cetáceos, sobretudo baleias, cachalotes e toninhas, na qual empregavam avultado número de navios com cerca de vinte a trinta marinheiros que os tripulavam, grande parte dos quais portugueses, naturais dos Açores e de Cabo Verde (açoreanos e caboverdianos), considerados pelos capitães norte-americanos como os mais destros arpoadores. Na perseguição das baleias, os navios navegavam, quase sempre, pouco afastados da costa, ora dirigindo-se para o Sul até ao Porto de Pinda e a Baía dos Tigres, ora encaminhando-se pelo norte até à baía de Moçâmedes, onde por vezes ancoravam para se abastecerem de refrescos. Seriam estes marinhos que veiculando a noticia da riqueza da fauna pesqueira naqueles mares, levaram os algarvios de Olhão em 1961 a partir para Moçàmedes tendo chamado a atenção para os mares da Baia dos Tigres onde se fixaram os pioneiros em 1865.   
 
Posto isto, pergunta.se : "Será que vem daí o nome de "BAIRRO DA FACADA"? Será que teve origem esse nome em alguma rixa ocorrida naquela zona, num desses momentos em que os marinheiros cabo-verdeanos iam a terra abastecerem-se de víveres e de água ? Ou até divertirem.se, antes de retomar a  actividade pesqueira?  Sabe-se, por exemplo, que o nome "AGUADA" vem desse tempo, e desses abastecimentos dos baleeiros, que ficavam ancorados na baía, em lugar próximo dessa zona, enquanto os marinheiros iam a terra.
 
José Fragata, um moçamedense, conta-nos na sua página do facebook como era no tempo colonial, a vida num bairro muito próximo do Bairro da Facada. Que leiam com atenção aqueles que vêem a História a preto e branco, dividem os indivíduos em bons e maus, e vivem na busca eterna de "bodes expiatórios" para todos os males: A vida nunca foi, e continua a não ser fácil, mas a todos os que querem aprender ela vai ensinando...
 


MariaNJardim (ass)
 
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"...DO BAIRRO DA GLÓRIA PARA O MUNDO !
 
 
"Lá longe, no Bairro da Glória, onde nasceu muita Gente, a Amizade eternizou-se e ninguém a conseguiu “matar”; Lá longe, onde os tamarineiros cresceram e se tornaram gigantes, guardando e acumulando histórias dos “escondidos” visitantes; Lá longe, onde o areal era preenchido pelos campos de futebol improvisados; Lá longe, onde na escola os professores usavam a menina dos cinco/sete olhos das quarenta reguadas, para ensinarem a ser Homens e Mulheres os meninos e meninas mal (e até os bem) comportados; Lá longe, perto dos Cabindas, da Soful e da Facada … Do Bairro da Glória para o Mundo!!!
Lá longe … onde o sol castiga mais, nasceu também o Guto!
Ali éramos todos irmãos; Ali reinávamos; Ali brincávamos; Ali Vivemos…
Ali aprendemos a crescer e a encarar com o crescimento que há assuntos sérios que a vida nos coloca; que há momentos difíceis a ultrapassar, a chorar ou de sorriso nos lábios mas que nos podem fragilizar.
Há sempre qualquer coisa que nos “toca”!
A vida nunca foi, e continua a não ser fácil, mas a todos os que querem aprender vai ensinando.
Desapareceste quando já não estávamos na Glória, e durante anos estiveste pela Europa, como outros pela América, Ásia e Oceânia e eu continuando por lá. Vim, como muitos outros para este rectângulo plantado à beira mar que me acolheu, e como sabes, perguntei por ti. Curiosamente, anos depois, vens tu viver para o mesmo “quimbo” e inevitavelmente um dia voltamo-nos a cruzar e a abraçar.
Destino?! Que seja, mas até parecia que tínhamos regressado aos velhos tempos do Bairro Maria da Glória!
Os Amigos, não são só amigos, são incondicionalmente Amigos e estão no nosso passado, no presente e no porvir, eternamente connosco.
Temos que ser fortes mas sensíveis, como os bons Amigos; ter coração, compreensão, e por vezes até compaixão; dando um pouco de nós na distribuição da Vida, na ajuda e no “ouvir” que necessita a Amizade, com um simples Obrigado.
Como alguém um dia ainda adolescente me fez ver, hoje há palavras que pouco se ouvem, mas fazem maravilhas e são tão fáceis de pronunciar – Amo-te; Desculpa; Ajuda-me.
Aqui somos todos felizes, mas onde está aquele sorriso que diz tudo; aquele Oi dos outros tempos; aquele abraço forte que me agrada e anima e que agora te volto a dar por momentos, MEU AMIGO GUTO?!
Escrevo aqui para ti só porque entendi e sei que me vais entender, sabendo quem sou.
Decerto neste dia em que celebravas o teu aniversário, outros se lembrarão de ti agora, porque todos nós teus amigos que bem te conhecemos e contigo privamos somos iguais, com os problemas e preocupações com a saúde, trabalho, vida … existência.
Meu Amigo, já não estás cá mas estou contigo … e, para além de tudo o resto e bem mais importante, sei que tens Deus contigo!
Até um dia!
Só AQUELE ABRAÇÃO do Bairro da Glória"  Fim de citação,




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