AGOSTINHO DIAS QUINTAS
ALBINO LISBOA
ALEXANDRE JOSÉ DA COSTA
ALEXANDRE JOSÉ DA CRUZ
ALFREDO ALBUQUERQUE FELNER
ALFREDO DE ALBUQUERQUE LEITE
ALFREDO DA COSTA ALEMÃO COIMBRA
ÁLVARO JOSÉ DE SOUSA ANDRÊA
AMARO MOREIRA TORRES
ANTÓNIO AUGUSTO DE OLIVEIRA
ANTÓNIO CARLOS MARIA
ANTÓNIO CASTANHEIRA NUNES
ANTÓNIO FLORINDO TORRES
ANTÓNIO FRANCISCO NOGUEIRA
ANTÓNIO GUIMARÃES JÚNIOR
ANTÓNIO JOAQUIM DE CASTRO
ANTÓNIO JOAQUIM FONTOURA
ANTÓNIO JOAQUIM GUIMARÃES JÚNIOR ("GATO COM BOTAS ") ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA
ANTÓNIO JOSÉ VALENTE
ANTÓNIO MACHADO DE FARIA E MAIA
ANTÓNIO MANUEL ALVES
ANTÓNIO PEIXE
ANTÓNIO RODRIGUES ALGARVE
ANTÓNIO RODRIGUES JARDIM
ANTÓNIO ROMANO FRANCO
ANTÓNIO SÉRGIO DE SOUSA
ANTÓNIO TEIXEIRA DE CARVALHO
ARTUR DE MORAIS
ARTUR DE PAIVA
ARTUR TORRES
AUGUSTO JOSÉ DE ALMEIDA
AUGUSTO DE SOUSA
AURÉLIO ANTUNES
BASÍLIO CORREIA
BENEDITO BONNEFOUX (padre)
BERNARDINO DA CÂMARA
BERNARDINO FERNANDES FRAGA (também conhecido por MANUEL JOAQUIM DE CARVALHO)
BERNARDINO JOSÉ BROCHADO
BERNARDINO DO NASCIMENTO
CÂNDIDO PINHEIRO FURTADO
CARLOS DUPARQUET (padre)
CÉSAR DE ALMEIDA
CÉZAR AUGUSTO VILELA (médico)
CLEMENTE ELEUTÉRIO FREIRE
CLEMENTE TEIXEIRA
CRUZ ROLÃO (e sua mulher MARIA DA CRUZ ROLÃO)
DIOGO DAMIÃO RODOLFO DE SANTA BRÍGIDA E SOUSA ("padre RODOLFO")
DOMINGOS NOGUEIRA MACHADO (o "CANGIMBE")
EDUARDO TORRES
ELIAS FORTUNATO
EVARISTO SIMPLICIANO DE ALMEIDA
FELICIANO CARLOS FERNANDES DO COUTO
FELÍCIO MATOS DA CONCEIÇÃO
- FERNANDO CARDOSO DE GUIMARÃES
FERNANDO DA COSTA LEAL
FERNANDO JOSÉ CARDOSO GUIMARÃES
- FRANCISCO ANTÓNIO CORREIA
- FRANCISCO COIMBRA
- FRANCISCO DIOGO DE SÁ
FRANCISCO FLORES
FRANCISCO JOSÉ DE ALMEIDA
FRANCISCO LOPES
FRANCISCO DA SILVA ("CABUÇO")
FRANCISCO SOARES ROSA
FRANCISCO DE SOUSA GANHO
FRANCISCO XAVIER LOPES
GABRIEL DE BRAGA
GERMANO MOREIRA
GREGÓRIO JOSÉ MENDES
GUALDINO MARTINS MEDEIROS
GUILHERME A. BRITO CAPELO
HENRIQUE MOURA
HENRIQUE MITCHELL PAIVA COUCEIRO
HENRIQUES CASTRO
HERMENEGILDO CAPELO
IRENE BETTENCOURT DE MEDEIROS PORTELA
J. CLEMENTE DE ANDRADE
JÁCOME FILIPE TORRES
JOACHIM MONTEIRO
JOÃO AFONSO
JOÃO DE ALMEIDA
JOÃO ANTÓNIO DE MAGALHÃES
JOÃO ANTÓNIO DE SOUSA
JOÃO AUGUSTO MOURA
JOÃO BORDALO
JOÃO CABRAL P.LAPA E FARO
JOÃO CAETANO ALVES
JOÃO DE CARVALHO
JOÃO DA CRUZ
JOÃO DOLBETH E COSTA
JOÃO DUARTE DE ALMEIDA (médico)
JOÃO FONSECA PEREIRA DE MELO
JOÃO FRANCISCO DA COSTA ROXO
JOÃO FRANCISCO GARCIA
JOÃO GONÇALVES PINTO
JOÃO INÁCIO DO AMARAL
JOÃO JOSÉ DE PAIVA
JOÃO MARIA AGUIAR
JOÃO PINTO GONÇALVES
JOÃO PITA
JOÃO RODRIGUES RIBEIRO
JOÃO ROGADO DE OLIVEIRA LEITÃO
JOÃO TEIXEIRA PINTO
JOÃO TIERNO
JOAQUIM AFONSO LAGE
JOAQUIM FERREIRA DE ANDRADE
JOAQUIM GOMES BARATA FEIO
JOAQUIM JOSÉ DA GRAÇA
JOAQUIM JOSÉ MACHADO
JOAQUIM JOSÉ PINHO
JOAQUIM JÚLIO DA CUNHA MORAIS
JOAQUIM DE OLIVEIRA
JOAQUIM DE OLIVEIRA MOURA
JOAQUIM RODRIGUES VIEIRA - JOAQUIM DA SILVA COSTA FRADELOS JOSÉ A. SERRA - JOSÉ ALBERTO DE OLIVEIRA ANCHIETA - JOSÉ DE ALBUQUERQUE COUTO
JOSÉ ANTÓNIO LOPES DA SILVA - JOSÉ ASSUNÇÃO E MELO - JOSÉ AUGUSTO DA CÂMARA LEME
JOSÉ CARDOSO GUIMARÃES
JOSÉ CARDOSO MAGALHÃES
JOSÉ CORREIA(casado com JOAQUINA ROSA)
JOSÉ DA COSTA ALEMÃO COIMBRA (casado com JOANA FARIA)
JOSÉ EUGÉNIO DA SILVA
JOSÉ FRANCISCO DA COSTA ROXOJOSÉ DE FREITAS
JOSÉ GUERREIRO DE MENDONÇA
JOSÉ GUERREIRO NUNO
JOSÉ HERCULANO FERREIRA DA HORTA
JOSÉ INÁCIO DOS REIS
JOSÉ JOAQUIM DA COSTA ("O VELHO COSTA ")
JOSÉ JOAQUIM PINTO
JOSÉ LOPES
JOSÉ LÚCIO TRAVASSOS VALDEZ
JOSÉ MARIA ANTUNES (padre
JOSÉ MARIA LACERDA
JOSÉ MARIA SILVA MACEDO
JOSÉ MARIA DE SOUSA E ALMEIDA
JOSÉ MARIA TEIXEIRA CRAVELA
JOSÉ NOGUEIRA BOTELHO
JOSÉ PEREIRA DA FONSECA
JOSÉ PINTO
JOSÉ RODRIGUES
JOSÉ RODRIGUES TOMÁZ
JOSÉ DA SILVA VEIGA (e mulher)
JOSÉ VIDIGAL
JÚLIO PEDRO DA SILVA
JUSTINO TEIXEIRA DA SILVA
LADISLAU MAGYAR
LOURENÇO JUSTINIANO PADREL
LOURENÇO PEIXE - LUIS AUGUSTO SANGRIA
LUIS C.C. PINHEIRO FURTADO
LUIZ JOSÉ DE OLIVEIRA
LUNA DE CARVALHO
MANUEL A . MENEZES
MANUEL ARTUR DE CARVA-LHO
MANUEL DE ALMEIDA SOARES DE ARAÚJO LIMA BASTO
MANUEL FERREIRA PINTO
MANUEL JOAQUIM DE SOUSA MONTEIRO
MANUEL JOAQUIM TEIXEIRA
MANUEL JOAQUIM TORRES
MANUEL MARTINS ANTIAGO
MANUEL MENDES
MANUEL DE OLIVEIRA GOMES DA COSTA
MANUEL DOS SANTOS ALMEIDA
MARCELINO ANTÓNIO NORBERTO RUDZVI
MIGUEL ANTÓNIO BATISTA
MIGUEL DUARTE DE ALMEIDA
MONTEIRO MACEDO
NESTOR JOSÉ DA COSTA
PAULO MARTINS PINHEIRO
PEDRO ALEXANDRINO DA CUNHA
PEDRO AUGUSTO CHAVES
PEDRO MOREIRA DA FONSECA
PEREIRA DO NASCIMENTO
PIETER JACOB VAN-DER-KELLEN
PORFÍRIO TEIXEIRA REBELO
ROBERTO IVENS
RODRIGUS CANIÇO
ROQUE SERRÃO
ROSA DE AVELAR
SEBASTIÃO NUNES DA MATA
SERAFIM JOSÉ DE OLIVEIRA
SERAFIM SIMÕES P. FIGUEIRED
SILVA GUARDADO
SIMÃO JOSÉ DA LUZ SORIANO
THOMÁZ NICOLAU BONFIM
TITO LÍVIO DA COSTA ALEMÃO
(e tantos outros que não foi possível detectar e mereceriam igual destaque !) ........-
------- ver em : "ANGOLA - DATAS E FACTOS"- 3º volume - 1837/1912) --------
Aqui procurarei depositar retalhos de Estórias e da História de Mossâmedes (Moçâmedes, actual Namibe), uns, resgatados às páginas de antigos livros e documentos retirados das prateleiras de alfarrabistas, ou rebuscados no interior de bibliotecas, reais e virtuais... e ainda outros, fundados em testemunhos de vivos e experiências vividas. Porque é nas estórias e na História, naquilo que de melhor ou pior aconteceu, que devemos, todos, portugueses e angolanos, europeus e africanos, buscar ensinamentos, para que, não repetindo os erros do passado, sejamos capazes de nos relançar e progredir no futuro, enquanto pessoas e cidadãos. Citando o Padre Ruela Pombo (*): "Os mortos guiam os vivos!... É verdade: sem freio nem chicote...O passado impõe-se ao presente, e garante o futuro.O homem egoísta é inimigo do verdadeiro Progresso e prejudicial à Sociedade. É esta a minha ...ilusão!"
(*) in “Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal
(*) in “Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal
domingo, 8 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
A Praça Leal em Moçâmedes nos anos 40
Na obra «O districto de Mossamedes» , de José Pereira do Nascimento. Typographia do jornal As Colonias Portuguezas, 1892 - 172 páginas, encontrámos a seguinte passagem que passamos a transcrever:
«...A
capital do districto e cabeça do concelho, denominada a Cintra d' Africa pela
amenidade do seu clima, está situada em bella prespectiva no fundo de uma ampla
e bem abrigada bahia em forma de ferradura na latitude do parallelo 15º.
Possue ruas espaçosas, compridas, bem
alinhadas e divididas em quarteirões simetricos, todas calçadas e illuminadas a
petróleo. Nota-se n'ellas extremo aceio e limpeza, que rivalisam com a
regular disposição e óptima divisão.
Possue uma bella avenida arborizada que se prolonga com a praia e dá lindo
aspecto ás suas casas, que se destacam por entre renques de palmeiras.
As casas são lindas construcções modernas, em que as boas condições hygienicas andam a par com o bom gosto e solidez. Quasi
todas são assoalhadas e forradas com boas madeiras da Europa. São bem
divididas, bem orientadas e aceadas. Os seus tectos são chatos e as frontarias,
pintadas com gosto, são dispostas com arte e belleza. Quasi todas possuem
jardim e quintal, que fornece excellentes hortaliças e tem uma ranma d'onde se
extrae a agua para os usos ordinários.
Existem largos e jardins públicos bem situados, com tanques d'agua para
uso do publico.
Foi fundada
em 1845 por um grupo de corajosos colonos que imigraram do Brazil e se estabeleceram
na bahia da Angra do Negro, onde apenas havia uma feitoria iniciada em 1840.
A leste da villa encontra-se um largo gradeado, em cujo centro foi
erigido por subscripção pública um monumento em honra do benemérito governador
Leal, que iniciou os grandes
melhoramentos que tornam Mossâmedes a mais formosa cidade europeia da costa
occidental da Africa e a única que pode compelir em aceio, regularidade e
hygiene com as cidades da Europa."
Na verdade desconhecemos a que largo o autor se refere, uma vez que, de um largo gradeado apenas temos notícia da existência do "Jardim da Colónia", no terreno onde na década de 1940 foi construido o Cine Teatro Moçâmedes, e mais atrás no tempo, entre 1869 e 1920, da existência da "Praça Sá da Bandeira", no terreno onde hoje fica a "Escola Pioneiro Zeca" , a anterior Escola Portugal, ou Escola n.55 de Fernando Leal. Este largo possuia ao centro um Obelisco erguido em memória do Marquês de Sá da Bandeira, que em 1836 tomou importantes medidas legislativas sobre a abolição do tráfico de escravos e a protecção do comércio entre as colónias e Lisboa.
Na verdade desconhecemos a que largo o autor se refere, uma vez que, de um largo gradeado apenas temos notícia da existência do "Jardim da Colónia", no terreno onde na década de 1940 foi construido o Cine Teatro Moçâmedes, e mais atrás no tempo, entre 1869 e 1920, da existência da "Praça Sá da Bandeira", no terreno onde hoje fica a "Escola Pioneiro Zeca" , a anterior Escola Portugal, ou Escola n.55 de Fernando Leal. Este largo possuia ao centro um Obelisco erguido em memória do Marquês de Sá da Bandeira, que em 1836 tomou importantes medidas legislativas sobre a abolição do tráfico de escravos e a protecção do comércio entre as colónias e Lisboa.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
ANTÓNIO AUGUSTO FRANCO , maçon das Lojas Lusíadas (Lubango) e Pátria Livre (Mossãmedes): 1916
António Augusto Franco nasceu em Figueira do Castelo Rodrigo a 16 de Junho de 1875. Era filho de Francisco Franco Veloso e de Mariana Vitória, trabalhadores [cf. "Um herói desconhecido: o capitão António Augusto Franco", por (n.s.) Emílio Costa da Loja Bomtempo, in revista Grémio Lusitano, nº15, 1º semestre de 2010, p.94]. Foi empregado do comércio, fundou uma "escola particular na freguesia de Marialva" (Meda).
Aos 19 anos (12 de Outubro de 1894, cf. ibidem) integra, como voluntário, o Regimento de Infantaria nº24 e faz o Curso da Escola Central de Sargentos. Segue para Angola, onde está de Agosto de 1898 a Setembro de 1902 [ibidem]. Em 1907 é promovido a alferes, participando na "coluna de operações dos Dembos", onde é ferido. Permanece em Angola até 1920, colaborando com Norton de Matos, sendo "responsável pelos serviços de contra-espionagem". É promovido a tenente (24 de Agosto de 1912) e a capitão a 10 de Fevereiro de 1917.
É iniciado [21 de Abril de 1913 – cf. ibidem] na maçonaria, ainda em Angola, na Loja Pátria Integral, nº363, de Luanda [loja do REAA fundada em 1912 em Luanda, capitular em 1915, areopagita em 1921. Abateu colunas durante a clandestinidade – cf. Dicionário da Maçonaria, de A. H. de Oliveira Marques, vol II, Delta, 1980], com o n.s. de "Pedro Nunes". Em 1917 [10 de Junho de 1917 – id. ibid.] está filiado na Loja Lusíadas nº388, de Lubango [loja do REAA, instalada no Lubango (Huíla) em 1916], tendo atingido em 22 de Junho de 1919 o grau 33º do REAA. Foi Venerável honorário das Lojas Lusíadas (Lubango) e Pátria Livre, de Moçâmedes [nº389, loja do REAA fundada em 1916].
Regressando ao Continente, torna-se comandante da Guarda-Fiscal (em Chaves), lugar que ocupava quando participa na revolta de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura. Preso [13 de Agosto de 1927 – cf. "Um herói desconhecido..."], acusado de ser o "elemento de ligação entre o comité revolucionário de Chaves e os ferroviários do Côa", é detido na Penitenciária de Lisboa. Mesmo aí, mantêm os seus contactos maçónicos, sendo regularizado [20 de Outubro de 1927 – ibid.] na Loja Cândido dos Reis (Lisboa) e é nomeado [pelo Decreto nº21, de 31 de Dezembro de 1927, in Boletim do GOLU, de Dezembro de 1927 – aliás in "Um herói desconhecido..., p. 94] Inspector Maçónico da Província de Trás-os-Montes e, após a sua libertação, integra a Comissão de Estudos Coloniais do GOLU. Pela participação na revolta de Fevereiro de 1927, é condenado, por sentença do Tribunal Militar Especial do Porto (23 de Março de 1928) a 20 dias de prisão disciplinar agravada, "depois de ter sofrido 223 dias de prisão preventiva, os quais foram cumpridos no Forte de São Julião da Barra" [ibidem]. É libertado a 17 de Abril de 1928.
Separado, então, do exército, participa no movimento revolucionário "Revolta do Castelo”" e, de novo, é preso [1 de Maio de 1928 – ibidem] quando se encontrava com "elementos do Comité Revolucionário de Lisboa". É deportado para São Tomé (4 de Maio), saindo depois com destino a Angola, chegando a 20 de Julho a Moçâmedes e a 24 de Julho a Sá da Bandeira. Restabelece os seus contactos maçónicos, tendo elaborado relatórios sobre as Lojas que "tão bem conhecia".
Regressa (22 de Dezembro de 1929) a Lisboa, via navio Pedro Gomes, apresentando-se no Ministério das Colónias, que lhe fixa residência em Coimbra. E de novo, "assumindo as tarefas de inspector Maçónico das Beiras", é preso em Coimbra a 11 de Junho de 1930 [na rua das Covas, nº15 – ibidem], juntamente com outros 17 maçons, "durante uma sessão da Loja Portugal” [nº 215, loja do RF, fundada em 1901] que foi invadida pela polícia. Na sua condição de militar é libertado, apresentando-se no Quartel-General que lhe fixa residência em Manteigas. Durante o governo de Vicente de Freitas é reintegrado no exército (nos termos do decreto nº18252, de 26 de Abril de 1930).
Em 1931 (13 de Fevereiro) fixa-se em Miranda do Corvo, onde se dedica "a tempo inteiro às tarefas inerentes à sua condição de membro do Supremo Conselho do 33.º Grau do REAA, de Inspector Maçónico das Beiras, confirmado pelo decreto nº29 de 20 de Junho de 1931, e também de Inspector Maçónico da Província de Trás-os-Montes, nomeado pelo decreto de 16 de Março de 1935 [ibidem]. Do seu trabalho "incansável", além de relatórios sobre as diferentes lojas, refira-se a instalação de inúmeros Triângulos e Lojas, caso de "Góis, Manteigas, Covilhã, Sabugal, Lousã, Vila Nova de Poiares, Coimbra, Pampilhosa da Serra, Trancoso, Idanha-a-Nova, Viseu, Batalha, Meda, Anadia, Penedono, Tábua, Cedovim, e mesmo no Alentejo, em Avis, Fronteira e Ponte de Sor" [cf. ibidem. Ver, ainda, "A Maçonaria no Distrito de Portalegre", 2007, de António Ventura].
A 24 de Maio de 1936 foi "preso na mata do Buçaco, juntamente com uma dezena de outros maçons, quando preparavam uma reunião clandestina com responsáveis de Triângulos de Vila Nova de Poiares, Lousã, Vagos, Mortágua, Sangalhos e Pampilhosa da Serra". Foi acusado, pela polícia, de "tentar organizar a Frente Popular das Beiras, sob instruções do Grande Oriente Lusitano Unido" [ibidem]. Libertado provisoriamente a 7 de Julho de 1936, é de novo detido pela PVDE, a 12 de Julho desse ano, "recolhendo à cadeia do Aljube a 14 de Julho de 1937". Refira-se que o então administrador do concelho de Miranda do Corvo "propunha o seu afastamento da localidade", dado a sua "periculosidade" contra a "situação".
Morre em Coimbra, no Hospital Militar Regional, a 5 de Março de 1941.
J.M.M.
Publicada por Almanaque Republicano
FONTE
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1ª gerações Moçâmedes,
Grémio Pátria Livre,
maçonaria Angola
quarta-feira, 30 de junho de 2010
O velho moinho de Mossãmedes
O moinho de vento de Mossãmedes
Era neste moinho de vento, o único moinho da cidade de Mosaâmedes, do qual ainda hoje restam escombros, com as velas a servirem de força motriz para movimentar as mós, que o milho colhido nas fazendas agrícolas dos arredoredes, era reduzido a farinha. Foi mandado construir por João da Costa Mangericão, nascido em 1817, seu primeiro proprietário, componente da 2ª colónia, vinda de Pernambuco, em 1850. À época ficava uma região praticamente desértica, Mossâmedes, onde haviam acabado de erguer um forte, simbolo da ocupação militar do distrito, que daria lugar à Fortaleza de S. Fernando.
O milho em bruto ou já transformado em farinha e ensacado, era transportado das fazendas para o moinho e do moinho para o mercado de consumo, no dorso de camelos que tinham conseguido adquirir com muito custo nas Ilhas Canárias, ou era transportado por carregadores autóctones quando se tratava de pequenas quantidades e de curtas distâncias. Referimo-nos a um tempo anterior à chegada dos boers às terras altas de Mossãmedes (Huíla), com as suas carroças puxadas por manadas de bois, que vieram revolucionar o sistema de transportes. Era também sobre o dorso de camelos, para além do transporte em barcos, que nesse tempo se faziam o transporte de viveres e de água potável para o Pinda, Porto Alexandre e outras zonas isoladas onde existiam pescarias, como o Chapéu Armado, Mucuio, Mariquita, Baía das Pipas, Bentiaba (S.Nicolau), Karunjamba, Lucira e zonas vizinhas. Este moinho era uma construção que constava das cartas de navegação como indicativo para a entrada de navios na baía de Mossâmedes, pous era visto ao longe.
Com o tempo a cidade foi crescendo, e o moinho acabou por ficar rodeado do conjunto de habitações, ainda que num largo descampado fronteiro às moradias do legado Pereira da Cruz, tenso por perto tambem o bairro erguido já na década de 1950, conhecido por «Sanzala dos Brancos».
Há referências de que João da Costa Mangericão viajou para Mossâmedes acompanhado de sua família e de seu genro e sócio, Manuel Joaquim Torres (casado com sua filha Maria José Mangericão), e foi quem mandou a construir este moinho e o pôs a trabalhar em 1851, mas devido aos insucessos agrícolas dos primeiros tempos, o moinho só teve regular funcionamento a partir de 1853, ano em que a agricultura distrital começou a desenvolver-se. João da Costa Mangericão e Manuel Joaquim Torres eram já sócios e construtores civis no Brasil e continuaram a sê-lo em Mossãmedes. Só muito mais tarde, por força, talvez, dos altos e baixos que tanto marcaram o início da história de Mossãmedes, é que a propriedade do Moinho passou a pertencer apenas do seu genro e sócio. Manuel da Costa Mangericão - Mangericão - grafia da época, visto que hoje se escreve com j) , porque usava na lapela uma flor dessa planta. No que se reporta ao delineamento da planta topográfica de Moçâmedes, refere-se a existência Travessa do Mangericão ede uma rua. também como o toponímico Mangericão.
Colocarei aqui a referência seguinte que poderá vir a ser útil em termos de pesquisa Net, que Manuel Joaquim Torres faleceu em Mossãmedes e seus restos mortais repousam em mausoléu no Cemitério da cidade, hoje Namibe (Angola) constando o seguinte:
Aqui jaz Manoel Joaquim Torres, natural da ilha de S. Miguel, filho de José Joaquim Torres e de Ignácia Leonor Torres. Nascido em 9 de abril de 1813 e falecido a 27 de Agosto de 1882. Cidadão digno e soldado valente, derramou o seu sangue pugnando pelas liberdades pátrias, nas lutas fratricidas de 1832. Depreende-se pois, que Manoel Joaquim Torres, (n.1813-f.1882) teria aos 19 anos de idade enfileirado nessas lutas fraticídas, entre liberais e absolutistas, que se seguiram ao golpe de estado de 1828, em que as forças fieis a D. Miguel sobem ao poder.
Em locais onde moinhos eram inexistentes, o milho era metido numa espécie de tigela enorme, feita manualmente a partir de um tronco de madeira dura, e batido com um pau (pilão) com cerca de 60/100 cm de altura, e uma das extremidades arredondada, até ser transformado em farinha. Esta prática ainda hoje é muito usada em toda a Angola entre os povos afastados das cidades e dos locais onde se pode comprar a farinha de milho (fuba).
MNJardim
Alguma bibliografia consultada:
Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres, «O Distrito de Moçâmedes - nas fases de origem e da Primeira organização 1485-1859, a pgs 344 e 345.)
Ass. Fernando in Geneallnet: Na relação de colonos consta um "João da Costa Mangericão, casado com Bernarda de Jesus e seus filhos Ana Teresa e José" (sic). Será que este João e o José Joaquim eram irmãos?... »
Etiquetas:
João da Costa Mangericão,
Manuel Joaquim Torres.,
Moçãmedes,
moinho antigo
sábado, 29 de maio de 2010
Moçâmedes: a demolição das primitivas pescarias, A delocalização para a zona do Canjeque e ss grandes «calemas» de Março de 1955 ...
Ano de 1955. Perspectiva feliz da baía de Moçâmedes, tal como era antes do desmantelamento das antigas pescarias e início das obras da construção do cais comercial e avenida marginal
Por esse tempo, em nome do progresso, a população da cidade de Moçâmedes em breve
iria assistir à demolição das antigas pescarias que circundavam a
baía, desde uma zona próxima da Ponta do Noronha, ou Pau do Sul, até
quase à base do morro da Ponta Negra, ou Ponta de S. Fernando, onde assenta a Fortaleza.
Eu vi, eu estava lá!
No ano de 1954, tendo em vista o arranque do processo da construção do cais acostável
e da futura avenida marginal, acontecimento que levou â demolição das antigas pescarias que circundavam a baía, a cidade de Moçâmedes recebeu a visita do Presidente da
República portuguesa, General Higino Craveiro Lopes, para presidir ao acto
solene do arranque dos trabalhos do citado cais.
Ver aqui a visita do PR:
Na foto abaixo podemos ver o momento em que o Presidente
Craveiro Lopes carrega no botão que fez explodir uma parte da
falésia, inugurando assim as obras do porto de cais.Em nome do progresso industrias de pesca e industriais.pescadores tiveram que fazer as malas e partir.... Mas para onde ? Interrogavam-se muitos.
Mais perto, bandeiras portuguesas desfraldadas ao vento, no cimo da falésia, povo a assistir...
Havia um
projecto da iniciativa do Ministro do Ultramar e do Governador Geral
de então, em colaboração com o Grémio da Pesca e com o Banco de Angola, que visava a instalação no distrito de uma importante empresa destinada a cerca de meia dúzia de industriais de Pesca, quase todos eles pescadores, cujas instalações na Torre do
Tombo iriam ser demolidas em consequência das obras do Porto e Avenida Marginal. Achava-se então que era uma
oportunidade a não perder, que traria lucros apreciáveis que seriam
repartidos por todos os industriais e industriais-pescadores, mas que os obrigaria a adquirir à poteriori embarcações modernas.
Ora, na óptica da dúzia e meia dos
pequenos industriais, a maioria pescadores-proprietários, tal projecto não tinha em conta as suas reais necessidades. Para além de ter chegado fora do tempo, dada a falta de um financiamento imediato, desenrolou-se tarde e a
más horas, e para agravar a situação, através de um projecto considerado irrealista, facto que os levou a desistir.
Nas reuniões que se seguiram em prol da «União dos Industriais de Pesca da Torre do Tombo», no Saco do Giraul, problemas
de vária ordem foram colocados pelos eventuais «novos associados» de tão
importante empreendimento, e que, pormenorizando, se resumiam mais ou menos no seguinte:
1. Entendia essa dúzia e meia de pequenos industriais-pescadores deslocalizados das suas pescarias na Torre do Tombo, que instalação no Saco de uma fábrica de farinhas e óleos de peixe para onde deveriam remeter o pescado, ficava fora de mão, e que o produto da pesca não daria para suprir as despesas com deslocaçõe , sendo grande a perda de tempo nas mesmas.
2. Entendiam que a dita fábrica, apenas com uma traineira, não seria rentável e que chegados ali os barcos para descarregarem o pescado na ponte existente, teriam que ficar à espera uns dos outros enquanto o peixe se deteriorava.
3. Queixavam-se os pequenos industrias que era ilusória a situação que se apregoava de virem a ser sócios participantes de uma excelente unidade de indústria munida de fábrica de farinhas e óleos de peixe nestas condições.
1. Entendia essa dúzia e meia de pequenos industriais-pescadores deslocalizados das suas pescarias na Torre do Tombo, que instalação no Saco de uma fábrica de farinhas e óleos de peixe para onde deveriam remeter o pescado, ficava fora de mão, e que o produto da pesca não daria para suprir as despesas com deslocaçõe , sendo grande a perda de tempo nas mesmas.
2. Entendiam que a dita fábrica, apenas com uma traineira, não seria rentável e que chegados ali os barcos para descarregarem o pescado na ponte existente, teriam que ficar à espera uns dos outros enquanto o peixe se deteriorava.
3. Queixavam-se os pequenos industrias que era ilusória a situação que se apregoava de virem a ser sócios participantes de uma excelente unidade de indústria munida de fábrica de farinhas e óleos de peixe nestas condições.
(...)
o que nos dizem os relatos da época:
Finalmente a cerimónia de lançamento da primeira pedra do edifício
para a instalação de uma moderna fábrica de farinhas e óleos de peixe teve lugar, a
"União dos Industriais de Pesca da Torre do Tombo" no Saco do Giraúl, conf. Boletim Geral do Ultramar nº 383, de 1957, pg
202.:
«No Saco do Giraul, com a presença do Governador Vasco Nunes da Ponte realizou-se a cerimonia de lançamento da primeira pedra do edifício que a União dos Industriais de Pesca da Torre do Tombo ali vai construir para a instalação de uma moderna fábrica de farinhas e óleos de peixe.
Depois das cerimónias da benção, lançada pelo Reverendo Pe. Rebelo, e do lançamento da primeira pedra pelo Sr. Dr. Nunes da Ponte, usou da palavra o Sr. João Martins Pereira Junior, seguindo-lhe o Sr. governador do distrito que proferiu seguinte alocução:
"As cerimonias de colocação da primeira pedra de uma obra são por vezes ingratas porque as segundas e demais pedras levam meses ou anos a seguir-se àquela primeira. E até acontece nunca mais chegarem . Se as pedras falassem, creio que por esse mundo fora se ouviriam os gritos de muitas primeiras pedras solitárias, a reclamar as companheiras.
Podemos
estar certos contudo, que tal não acontecerá com esta primeira pedra.
Está assegurado o financiamento da obra que hoje se inicia. E
brevemente será decidido o concurso para aquisição das máquinas ao
fabrico da farinha e óleos de peixe.
A fábrica que neste terreno irá ser construída não representa apenas outra instalação de pesca no distrito. Tem um especial significado. Será mais uma demonstração do que pode a união de esforços. O Ministério do Ultramar, o Governo Geral , o Banco de Angola, o Grémio da Pesca e cerca de meia dúzia de industriais de Pesca, quase todos modestos, conjugaram as suas vontades e as suas possibilidades para resolver os problemas desses industriais cujas instalações na Torre do Tombo tiveram que ser demolidas em consequência das obras do Porto. E dai vai nascer uma importante empresa. Alguns pequenos industriais tornar-se-ão, assim, participantes, sócios de uma excelente unidade da sua indústria. Creio que, noutras condições, isso constituiria, para a maior parte deles não só uma impossibilidade absoluta como uma oportunidade com que nem se ousaria sonhar. Espera-se que esta empresa tenha um bom futuro traduzida em lucros apreciáveis. Se assim for, a própria sociedade poderá e deverá adquirir embarcações modernas, essas embarcações serão de todos e os rendimentos da sua actividade serão repartidos igualmente por todos.
Esta fábrica assume ainda relevo por apontar o caminho do futuro , o caminho que a industria de pesca de Moçâmedes terá de seguir o mais rapidamente que for possível: a mecanização completa da produção dos derivados de pesca.
São conhecidas as dificuldades que são levantadas à exportação de farinhas de Angola, pelo facto de parte do produto não ser fabricado segundo os processos mais eficientes.
Ora, a industria da pesca para a qual Moçâmedes contribui com metade , ou pouco menos do valor total, é actualmente como actividade económica que interessa a grande numero de pessoas e firmas a segunda de Angola. Os valores da sua exportação revelam um progresso constante, e entram na casa ds centenas de milhares de contos. Apresenta portanto a pesca um profundo interesse geral.
O Grémio da Pesca em representação dos industriais do Distrito está conduzindo negociações para assegurar a esterilização das farinha de peixe. A esterilização será um solução imediata, que razões de urgencia exigem, mas não deve fazer esquecer a ínica solução plenamente satisfatória, que consiste, repito, na integral mecanização do fabrico. Só assim a industria de pesca angolana poderá competir com outros paises nos mercados comsumidores, onde a concorrência é cad vez maior.
Sei que a direcção do Grémio da Pesca e, creio , a maior parte dos industriais, estão conscientes desta verdade e dispostos a conjugar as suas energias e as suas possibilidades com o esforço, que o Estado projecta realizar para o reapetrechamento da industria.
Não me pareceu porem, receosa referência ao assunto , porque mesmo a verdade, para ter a aceitação geral, tem que ser repetida muitas vezes.
Mas voltemos à presente cerimónia.
A fábrica que neste terreno irá ser construída não representa apenas outra instalação de pesca no distrito. Tem um especial significado. Será mais uma demonstração do que pode a união de esforços. O Ministério do Ultramar, o Governo Geral , o Banco de Angola, o Grémio da Pesca e cerca de meia dúzia de industriais de Pesca, quase todos modestos, conjugaram as suas vontades e as suas possibilidades para resolver os problemas desses industriais cujas instalações na Torre do Tombo tiveram que ser demolidas em consequência das obras do Porto. E dai vai nascer uma importante empresa. Alguns pequenos industriais tornar-se-ão, assim, participantes, sócios de uma excelente unidade da sua indústria. Creio que, noutras condições, isso constituiria, para a maior parte deles não só uma impossibilidade absoluta como uma oportunidade com que nem se ousaria sonhar. Espera-se que esta empresa tenha um bom futuro traduzida em lucros apreciáveis. Se assim for, a própria sociedade poderá e deverá adquirir embarcações modernas, essas embarcações serão de todos e os rendimentos da sua actividade serão repartidos igualmente por todos.
Esta fábrica assume ainda relevo por apontar o caminho do futuro , o caminho que a industria de pesca de Moçâmedes terá de seguir o mais rapidamente que for possível: a mecanização completa da produção dos derivados de pesca.
São conhecidas as dificuldades que são levantadas à exportação de farinhas de Angola, pelo facto de parte do produto não ser fabricado segundo os processos mais eficientes.
Ora, a industria da pesca para a qual Moçâmedes contribui com metade , ou pouco menos do valor total, é actualmente como actividade económica que interessa a grande numero de pessoas e firmas a segunda de Angola. Os valores da sua exportação revelam um progresso constante, e entram na casa ds centenas de milhares de contos. Apresenta portanto a pesca um profundo interesse geral.
O Grémio da Pesca em representação dos industriais do Distrito está conduzindo negociações para assegurar a esterilização das farinha de peixe. A esterilização será um solução imediata, que razões de urgencia exigem, mas não deve fazer esquecer a ínica solução plenamente satisfatória, que consiste, repito, na integral mecanização do fabrico. Só assim a industria de pesca angolana poderá competir com outros paises nos mercados comsumidores, onde a concorrência é cad vez maior.
Sei que a direcção do Grémio da Pesca e, creio , a maior parte dos industriais, estão conscientes desta verdade e dispostos a conjugar as suas energias e as suas possibilidades com o esforço, que o Estado projecta realizar para o reapetrechamento da industria.
Não me pareceu porem, receosa referência ao assunto , porque mesmo a verdade, para ter a aceitação geral, tem que ser repetida muitas vezes.
Mas voltemos à presente cerimónia.
A ela preside a esperança e a confiança
no futuro. Dentro de alguns meses, quem passar aqui verá, no lugar
deste areal, uma fábrica excelente. E dentro de poucos anos, quem aqui
passar, na povoação do Saco, visitará certamente fábricas novas,
depósitos de carburantes, instalações portuárias e hortas verdejantes.
Na verdade, meus senhores, o desenvolvimento do Saco está ligado ao
desenvolvimento de Moçâmedes. E creio que o futuro não será ávaro com
Moçâmedes.»
(De o «Comércio de Angola»)-
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CONCLUINDO...
Os pescadores-industriais expoliados das suas pequenas pescarias na Torre do Tombo, e entregues a si mesmos, tiveram que se
afastar... Uns quantos juntaram-se em sociedade, compraram as instalações
da antiga «Sociedade Industrial da Ponta Negra» que havia entrado em
regime de falência, com dívidas de impostos ao Estado. E assim surgiu a "Projeque. Esses foram os
únicos que tiveram algum sucesso, porque se tratava de uma zona do
Canjeque mais abrigada, porém já lotada.
Outros, muito poucos, que possuiam pequenas
economias, e não podiam estar à espera das indemnizações do Estado,
que nunca chegaram, resolveram deslocalizar-se para a zona entre o
Canjeque e a Praia Amélia, a 5km das suas habitações, onde, sem qualquer ajuda, construiram as suas novas pescarias, nesse único local diponivel, sob pena de
terem que partir para zonas longínquas em relação ao seu habibat. Ou ali, ou afastarem-se para
longe da morada da familia, construindo as suas pescarias em praias
dispersas e semi-desérticas do Distrito, a norte e a sul da cidade de
Moçâmedes, num tempo em que as estradas não eram asfaltadas, os
tranportes públicos eram inexistentes, os transportes particulares escassos e dispendiosos.
Foto: Traineira
«Luminosa» da «Sociedade Industrial da Ponta Negra, Lda.», a 1ª grande
pescaria que surgiu na zona do Canjeque, cujos proprietários eram
de inicio, António Bernardino, Virgilio Nunes Almeida e ? Matos. Foi esta emprea que foi vendida à PROJEQUE, sociedade formada por um grupo de
deslocalizados das primitivas pescarias situadas na baía de Moçâmedes
que aqui podemos ver na 8ª e última foto. Quanto ao promissor "PROJECTO" que lhes estava reservado, acabaram por ser outros que nada tinham a ver com a situação gerada, mas com
poder económico, a beneficiar de referito projecto.
..................................................................................Quanto
aos restantes lesados, uns poucos deixaram as
suas baleeiras ao largo, na baía, e já sem
as suas pescarias, passaram a dedicar-se com elas à pesca à linha de
espécies
destinadas à venda em fresco nas peixarias da cidade, enquanto outros faliram pura e simplesmente,, e cairam na miséria.
Todos juntos tiveram a
surpresa de ver inatalar-se, em seguida no local onde ficavam algumas das suas
pescarias, a ARAN, de capitais metropolitanos. E com igual surpresa viram chegar
os arrastões a devastar os mares de Moçâmedes, com uma outra forma de
captura de peixe em grande escala, como testemunha o site Mar de Viena . Moçâmedes
tornou-se o porto base onde se passaram a fazer os abastecimentos e
descargas do pescado para os frigoríficos da ARAN (Associação dos
Armadores de Pesca de Angola, SARL), cujo homem forte, ou seja, o maior
proprietário, constava-se na Moçâmedes de então, era o Almirante Henrique Tenreiro, homem que fez
parte do triunvirato Salazar/Cardeal Cerejeira/Almirante Tenreiro. (????)
Do Estado, os pescadores-proprietários deslocalizados das suas pescarias na Torre do Tombo não receberam qualquer indemnização pelo seu desmantelamento, terrenos, instalações etc., alegando estarem as mesmas abrangidas pela faixa marítima.
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Passaremos a descrever a seguir o que se passou na zona entre o
Canjeque e a Praia Amélia, a 5km das suas habitações, onde, sem qualquer ajuda, alguns dos pescadores-proprietários conseguiram com muito sacrifício construir novas pescarias. Era o único local diponivel e acessível em termos de deslocação casa/local de trabalho. Foi então que...
Corria o mês de Março de de 1955, um ano após o Presidente da
República portuguesa, General Higino Craveiro Lopes ter presidido ao acto
solene do arranque dos trabalhos do cais de Moçâmedes... grandes calemas fustigaram as recentemente inauguradas pescarias, naquela zona (Canjeque sul)

A pescaria do meu pai...

Março de 1955 . A pescaria do meu pai...
O
que os proprietários das ditas pescarias não esperavam, era que, logo a seguir ao erguer das suas novas pescarias este desastre acontecesse! (vidé fotos
acima: calema). O resultado foi que a zona foi tragada pelo mar
enfurecido, as «calemas» foram avassaladoras, e, durante dois
longos dias destruiram pontes, arrancaram telheiros, partiram tanques
de salga, não sendo fácil avaliar o montante dos prejuízos
causados. A alternativa
era a deslocalização das pescarias para praias distantes do distrito, a
centenas de quilómetros das moradias dos proprietários, que na sua
maioria eram pescadores sem condições financeiras nem transporte
próprio para se poderem deslocar.
A zona entre o
Canjeque e a Praia Amélia era afinal uma zona desabrigada face a eventuais
calemas. O armazém e casa do pessoal, livre e contratado, os giraus, etc, que ficavam no cimo da falésía, nada sofreram. O Estado, com seu séquito de engenheiros e técnicos de toda a ordem que andaram a estudar a baía, nada fizeram para evitar. o acontecido, desaconselhando o local. Na
escolha do local para a construção do cais-acostável, o Estado
acautelou, dando a preferência à zona das primitivas pescarias, por ser a
mais protegida das «calemas», não obstante menos espaçosa e arejada que a do Saco do Giraúl.
A saber, a sul da Ponta do Noronha, corre a
Praia Amélia e o respectivo e perigoso baixio onde naufragou a escuna de
guerra Amélia, que lhe deu o nome. Sobre o baixo Amélia onde, com bom
tempo se vêem numerosas barcos em plena faina pesca, na época de calemas
erguem-se alterosas vagas de rebentação com capelo assustador.
"...Em altura de 14 graus. e tres quartos está a Angra do Negro, que tem da parte do Sul humas barreiras escalvadas, em que o rnar arrebenta muito ; e a derradeira ponta destas barreiras se parece com o Pontal de Cacilhas em Lisboa; e avante desta ponta está a dita Angra, que tem huma ribeira de agua, que vem ao mar. A terra nesta paragem he verde, e parece fresca com as arvores. De Angola vinhão a esta Angra fazer resgate com búzios da índia, e com os miúdos de Angola, que chamão Zimbo."In Roteiro das Viagens às costas da Guiné, Angola e Brasil"


Março de 1955 . A pecaria do meu pai...
Março de 1955 . A pescaria recentemente inaugurada do meu pai...

Março de 1955 . Foto: A nova pescaria recentemente inaugurada do meu pai... e outras pescarias recentemente inauguradas na zona mais fustigada.
.Mas será que não havia uma solução viável para todos? Se houve solução para alguns que vieram depois...
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Contextualizando...
O
desenvolvimento dos territórios ultramarinos estavam completamente dependentes das
directivas da Metrópole, no quadro de um sistema excessivamente
centralizado que não permitia a miínima autonomia. A agravar a situação, os créditos bancários não eram prática corrente. Existia uma flagrante falta de capitais, e não
havia onde os obter. Só havia um único banco, o Banco de Angola, o emissor da colónia, mas com sede em Lisboa, e este não proporcionava crédito a
longo prazo, o único que fomenta riqueza firme, e nem pagava juros
nem recebia deposito das pequenas poupanças. Angola apresentava na época uma deflação (vazio monetário) crónica. As pessoas para contornarem o flagrante vazio de moeda. e
conseguiam solver os seus compromissos, recorriam a letras e a sucessivas
reformas das mesmas. Ter-se uma letra protestada (que não foi paga dentro do
prazo) era uma enorme vergonha! Mesmo na indústria de Pesca que era a
base da economia citadina era comum o uso do vale onde o devedor punha a
assinatura e a data, para que o fornecedor/credor permitisse levantar
a compra da mercadoria e pagá-la mais tarde.
A concentração de todas as decisões em Lisboa foi total durante o tempo colonial e tornou-se uma obsessão. Angola nunca teve uma simples autonomia e ai do governador que ousasse ir um pouco mais longe auscultando os anseios das populações e agindo em conformidade. Em Lisboa sempre imperou uma mentalidade de poder absoluto e desconfiança total com relação às colónias. Os povos coloniais eram encarados como crianças que precisavam de ser tuteladas e não eram ouvidos nem achados para nada. Por outro lado, o conhecimento científico da colónia deixava muito a desejar. Todos os estudos eram efectuados em Lisboa, daí os falhanços em algumas iniciativas mesmo que efectuadas com a melhor das intenções, como seria o caso aqui abordado.
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Fica aqui mais esta recordação de um tempo em que a vida em Moçâmedes não era fácil para ninguém, a despeito do mito da "África das mil oportunidades", obviamente, pela boca de quem ali não viveu, não assistiu, nem sabe o que diz!
Clicar para ver as primitivas pescarias, na Torre do Tombo.
Fotos inéditas, gentilmente cedidas por A.S.Almeida.
(1) CALEMA - Fenómeno natural da costa ocidental africana, caracterizado por grandes vagas de mar. A ondulação forma-se no alto-mar e a ressaca origina correntes muito fortes que, dirigindo-se para a costa, rebentam estrondosamente, provocando graves estragos.
(2) Em Angola, tudo era importado da Metrópole e do estrangeiro. Portugal não era um país indutrializado , durante a Guerra de 1939-45 as fabricas europeias haviam estado ao serviço da guerra, no país e colónias tudo estagnou, eram enormes as carências de que a industria de pesca se debatia. A partir de meados da década de 1950 assiste-se a uma recuperação económica. Por esse tempo, a arte da SACADA e industria do Peixe Seco a eram os ingredientes principais que faziam andar a economia Moçâmedes.
terça-feira, 13 de abril de 2010
História de Mossâmedes (Moçâmedes, Namibe, Angola) in O Panorama, Viagens Na Africa E Na America. XIX.
Viagens Na Africa E Na America. XIX. 1854
(Clicar sobre o livro para abrir)
Velejemos para Mossamedes. Fique pela pôpa o Sombreiro, a enseada de Monos, a bahia Farta, as Salinas, ponto bem conhecido, mas de difficil desembarque, a bahia da Torre, a angra de Santa Maria, e suas altissimas montanhas ao longo do mar, o rio Padrão e o ilhéu do Pina, dous elevados picos, que destacam da terra baixa, que corre para o sul até á angra do Negro; fmalmente eis-nos em Mossamedes, o lille fish bay dos inglezes.
Se o leitor não quer fazer por mar este trajecto de Benguella a Mossamedes, acompanhe-nos por terra, que temos para guia da viagem do major Garcia pelo sertão, de que eu tomei apontamentos nas conversações que com elie tive. Crêmos que será isto mais agradavel ao leitor do que um relatorio official, que quando não é mentiroso, é, pelo menos, quasi sempre exagerado. Depois diremos algumas palavras acerca d'esta nova colonia, do estado em que a conhecemos, e dos progressos que tem feito em treze annos.
XX.
Partindo de Benguella com direcção a Huila, percorrem-se quinze ou dezesseis leguas de terreno arido, sem vegetação nem agua. São dous dias de marcha em rêde, ou mais de tres a pé. Depois encontra-se o rio de S. Francisco (os negros chumam-lhe cuporólo) cujas margens são cobertas de arvoredo, e o terreno começa a ser vegetal até ao nosso prezidio de Quilengues. Antes porém de chegar a este logar, encontra-se outro rio, o Nimbo, que, juntando-se ao de S. Francisco, vem confundido com elle desaguar nas Salinas ao sul de Benguella. No tempo das cheias torna-se difficil a communicação entre as suas margens, e por falta de barcos, atravessam-n'o os negros agarrados ás caudas dos bois. Seguindo a riba esquerda do rio Quitouco, chega-se com sete dias de jornada ao prezidio de Quilengues. Este paiz é sadio, em geral, o que os europeus não suppõem; são apenas vulgares ali as inflammações de olhos, e é tal a fertilidade do seu clima que produz todos os generos da America, como pequenas experiencias tem mostrado. A cultura porém está em total abandono, a provincia de Quilengues participa da sorte geral de todas as nossas colonias. O prezidio está situado sobre uma montanha, entre dous rios, tem uma fortaleza de madeira, com quatro baluartes de entulho e quatro fortins exteriores, que communicam com a praça; foi concluida em 1835. Um chefe portuguez, com 30 soldados de linha, uma companhia movel, e 4 bocas de fogo, eis toda a defeza daquella posição sertaneja. Entre os habitantes encontram-se alguns homens brancos.
De Quilengues a Huila ha cinco dias de marcha (quarenta leguas), quasi tudo deserto; porém, ao cabo d'esta penosa viagem, encontra-se um paiz saudavel, temperado, cortado de riachos de excedente agua, aonde até, na estação invernosa, chega a nevar. D'aqui ao Jau são tres leguas de terreno fertil; e o caminho que até ahi fôra, proximamente, ao SSE., começa a declinar para o SSO. até Faiôna, e de lá para Mossamedes segue quasi a oeste. Saindo do Jau, desce se o grande despenhadeiro de Quiácuto, todo matizado de arvoredo, com muita urzella, depois estende-se uma grande planicie, fertil e amena, aonde, por muitos dias de caminho, se encontram rios, arvores de fructo, e innumero gado, até chegar a Faiôna, que é uma povoação importante d'aquelles sertões. D'ahi para o poente o terreno torna a ser arido, e apenas se encontra arvoredo ao aproximar de um rio, que vae lançar se na bahia de Mossamedes. Ao sul d'este ponto estende-sc um mar d'areia.
XXI.
O clima de Mossamedes, isto é, do logar em que está a residencia do governador, a fortaleza e a igreja (incompletas) e algumas barracas de moradores, é saudavel, e até pouco quente, porque quotidianamente sopra ahi uma viração agradavel, mas logo na extremidade da bahia, para o norte, se encontram sitios doentios nas margens do rio dos Mortos.
Por fins do anno de 1840 aportei eu a Mossamedes. Haviam apenas ali algumas palhoças, em uma das quaes morava o commandante do prezidio, e estava começada a fortaleza de S. Fernando. Foi a guarnição do nosso brigue que levantou a primeira casa de pedra e cal n'aquelles areaes, e que cultivou com successo uma pequena horta, perto do rio, a qual todavia foi fatal a mui tus dos agricultores. Hoje é difterente. Com a chegada dos colonos de Pernambuco em 1849, e ulteriores providencias do governo da melropole, tem não só crescido consideravelmente o numero de habitações, e o commercio de marfim, gado, urzella, rêra, e gomma copal com o interior, mas as communicações com o sertão tera-se tornado mais frequentes, e os proprios colonos avançam as suas plantações de assucar, algodão e mandioca até 35 leguas distante de Mossamedes com feliz resultado; o café é que não produz bem n'este terreno.
Crêmos que, com algum sacrificio da parte da metropole, para se desenvolver em maior escala a colonisação, e prudencia nos meios de a encaminhar, por parte do governador dodistricto, se tornaria este ponto de grande importancia agricola e commercial, util a si e a nós todos.
Não e aqui logar de desenvolver as idéas de colonisação com brancos não degradados, porque seria longo, e provavelmente não passaria de uma repetição do muito que já se tem dito sobre o objecto; é porém de absoluta necessidade que, entre as oppostas opiniões de tantos que tem visitado Mossamedes, se escolha a que merecer preferencia; e se essa for favoravel ao progresso da colonisação, o governo empregue a maior energia em fazer desenvolver na maxima escala possivel a agricultura d'aquelles ferteis sertões, por onde se chega ao Jau e á Huila, e aos nossos saudaveis prezidios de Quilengues e Cacunda, muito mais depressa e por melhores terrenos, do que partindo de Benguella, que era até agora o centro do commercio daquellas paragens.
E este um objecto digno da maior attenção dos governantes.
XXII.
Vou terminar estas noticias de Africa, reminiscencias dos tres annos, que por ali vagueei. Grande parte d'esse tempo estive em Loanda, porém fui cinco vezes a Benguella, duas a Mossamedes, duas a Novo Redondo, e uma ao Ambriz, afora os cruzeiros na costa, durante um dos quaes aprezamos o patacho Nereyda, que se destinava ao trafico da escravatura. O capitão e o piloto deste navio, tendo sido encarcerados na fortaleza de S. Miguel, d'ahi fugiram com a sentinella da prizão e o cabo da guarda!
Fóra de Loanda não ha diversões. No resto da provincia, ha apenas os grandes jantares e ceias, tantas vezes fataes aos convivas! Na capital ha algumas reuniões, e se não fòra a intriga que reina sempre entre os bandos rivaes de commerciantes, podia ser um logar de agradavel residencia. São poucas, é verdade, as mulheres, tanto europeas como nativas, que ahi se encontram, e que se possam chamar de boa sociedade, e a falta d'este elemento civilisador não deixa amaciar a grosseria dos costumes africanos, e torna menos attrahente para o europeu esta bonita cidade; porém, se não fora a intriga, e quasi sempre a prepotencia das auctoridades, ainda assim Loanda seria um logar de grata recordação para o forasteiro.
Agora, vamos collocar toda a largura do oceano entre estas paragens e as que vamos demandar. A America nos convida a encetar debaixo de seu gigantesco arvoredo a segunda parte deste trabalho, tão humilde, quanto despido de pretenções. Se a alguem agradou o que escrevemos acerca da Africa, não lhe desagradará por certo este novo passeio pelas margens do rio da Prata, pelo imperio do Brazil, e ilhas dos Açores; se porém não merecemos a complacencia dos leitores só nos resta lamentar a nossa gauchinie, o papel que inutilizámos ao Panorama.
In O Panorama: semanario de litteratura e instruccão, Volume 11 Por Sociedade Propagadora dos Conhecimentos
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