Manuel José Alves Bastos
Manuel José Alves Bastos, natural de Fermil, distrito de Vila Real (Trás-os-Montes), foi um dos componentes da primeira colónia chegadas a Moçâmedes em 1849, ida de Pernambuco, Brasil, em consequência da perseguições aos portugueses que se negavam em abdicar da sua nacionalidade (revolução praeira/mata-marinheiros/independência do Brasil). Comerciante e proprietário, estabeleceu-se na região, onde se dedicou ao comércio de marfim e do gado, às actividades agrícola com plantações e também à pesca e à exploração de salinas. Com João Duarte de Almeida, eram os dois homens mais ricos da região, na época. Repousa em jazigo de Família, no cemitério de Moçâmedes.
Manuel José Alves Bastos casou com Amélia Torres Bastos, filha de Manuel Joaquim Torres (09-04-1813) e de Maria José da Costa Torres (Açores, S. Miguel, 1827+24.07.1912), componente, como seus pais da segunda colónia ida do Brasil (Pernambuco) para Moçâmedes, em 1850. Sabemos que faleceu a 12 de Abril de 1896, e seus restos mortais repousam em mausoléu no Cemitério de Moçâmedes (Namibe).
Seguem alguns dados genealógicos do ramo Manuel Joaquim Torres encontrados disponíveis na Net. Estes dados não incluem o nome de Amélia Torres como sua filha, porquanto referem apenas que do casamento de Manuel Joaquim Torres (1815-1882) com Maria José da Costa Torres (1827-1912) nasceu António Florentino Torres (Angola, Moçâmedes, 27-08-1932). Ver GeneallNet
Da união de Eduardo de Mendonça Torres
Maria Salles Lane, iria derivar um dos ramos desta família pioneira da
colonização de Moçâmedes que ali se manteve até às independência de
Angola, em 1975.
Manuel José Alves Bastos, natural de Fermil, distrito de Vila Real (Trás-os-Montes), foi um dos componentes da primeira colónia chegadas a Moçâmedes em 1849, ida de Pernambuco, Brasil, em consequência da perseguições aos portugueses que se negavam em abdicar da sua nacionalidade (revolução praeira/mata-marinheiros/independência do Brasil). Comerciante e proprietário, estabeleceu-se na região, onde se dedicou ao comércio de marfim e do gado, às actividades agrícola com plantações e também à pesca e à exploração de salinas. Com João Duarte de Almeida, eram os dois homens mais ricos da região, na época. Repousa em jazigo de Família, no cemitério de Moçâmedes.
Amélia Torres Bastos
Manuel José Alves Bastos casou com Amélia Torres Bastos, filha de Manuel Joaquim Torres (09-04-1813) e de Maria José da Costa Torres (Açores, S. Miguel, 1827+24.07.1912), componente, como seus pais da segunda colónia ida do Brasil (Pernambuco) para Moçâmedes, em 1850. Sabemos que faleceu a 12 de Abril de 1896, e seus restos mortais repousam em mausoléu no Cemitério de Moçâmedes (Namibe).
Seguem alguns dados genealógicos do ramo Manuel Joaquim Torres encontrados disponíveis na Net. Estes dados não incluem o nome de Amélia Torres como sua filha, porquanto referem apenas que do casamento de Manuel Joaquim Torres (1815-1882) com Maria José da Costa Torres (1827-1912) nasceu António Florentino Torres (Angola, Moçâmedes, 27-08-1932). Ver GeneallNet
António Florentino Torres casou com Maria Júlia Mendonça. * 21.06.1866. Foram descendentes:
- Maria Adelaide Zuzarte de Mendonça Torres
* 01.05.1886 José Augusto de Miranda Cayolla
- António de Mendonça Torres
- Eduardo de Mendonça Torres
Maria Salles Lane
- Beatriz de Mendonça Torres
* 05.09.1887 Francisco Alexandrino da Silva
- Manuel de Mendonça Torres
N
- Maria Amélia de Mendonça Torres
- Albertina de Mendonça Torres
* 01.11.1900 Augusto Mendes Pereira Godinho
- Branca de Mendonça Torres
Carlos Laidley Guedes Águas
- Rui Duarte de Mendonça Torres
Maria Edite Serra
- Maria Antonieta de Mendonça Torres
- Maria Eduarda de Mendonça Torres
* 06.08.1917 Clemente Agostinho Branco Carmona, Moss. 23.09.1939
Manuel Joaaquim Torres, 2ª colónia de 1850
Maria José Torres 2ª colónia de 1850
Interior de uma da casa a casa da familia Torres , na Rua dos Pescadores, em Moçâmedes.
Deste grupo de sete senhoras, em 1991, três ainda viviam a que está sentada à máquina de costura, e a que está sentada ao piano. (vidé foto e descrição, clicando AQUI). Ano provável: 1885. Do livro Moçâmedes de Mendonça Torres
Deste grupo de sete senhoras, em 1991, três ainda viviam a que está sentada à máquina de costura, e a que está sentada ao piano. (vidé foto e descrição, clicando AQUI). Ano provável: 1885. Do livro Moçâmedes de Mendonça Torres
Seguem algumas fotos antigas de elementos desta família qie se estabeleceu em Moçâmedes nos primórdios da colonização
Um casamento na Igreja de Santo Adrião
A chegada do noivo
Crianças da familia
Um casamento na Igreja de Santo Adrião
A chegada do noivo
Crianças da familia
Curiosidades:
João Chagas, jornalista exilado em Moçâmedes, dizia na sua obra
"Diário de um Condenado" que "...Mossâmedes não sendo uma colónia próspera ,
não fornecia borracha, marfim, cera, café, produzia em comparação
belas e saudáveis crianças que toleravam o sol ardente, e o interior das
casas da população branca, pintadas a cal, oca, anil, e vermelhão
mantêm quadros e móveis tradicionais dos interiores das familias
portuguesas."
Vivências nas Hortas de Moçâmedes
No Deserto do Namibe
Os Mendonça Torres foram
durante muito tempo uma das famílias melhor situadas, social e
materialmente, em Moçâmedes. Aliás, Manuel Joaquim
Torres e de Maria José da Costa Torres já eram pessoas endinheiradas
quando partiram do Brasil (Pernambuco) para Moçâmedes, em 1850,
integrados na 2ª colónia de luso-brasileiros que viera juntar-se aos pioneiros da fundação ali chegados em 04 de Agosto de 1849.
integrados na 2ª colónia de luso-brasileiros que viera juntar-se aos pioneiros da fundação ali chegados em 04 de Agosto de 1849.
Refere quem visitou a casa da Rua dos Pescadores, que esta família mantinha as características
dos lares da burguesia portuguesa da época, que chamara a si os modos de ser e de estar da aristocracia, e que se encontravam reflectidos
quer no mobiliário, quer na indumentária das suas femininas
representantes, quer nos serões familiares
à volta de uma grande mesa, onde jovens casadoiras coziam à máquina
e bordavam ao bastidor, faziam leituras em voz alta, tocavam, cantavam, etc.
etc.
Aliás, como referem os escritos da época, os colonos carregaram consigo para terras de África. não apenas usos e costumes, mas também móveis de jacarandá, (1) quadros a óleo, pratas e e cristais
cintilantes, etc. Ali o visitante, o familiar ou o amigo podiam encontrar objectos decorativos de valor, e nem o tradicional piano (instrumento que fazia parte da
educação de uma menina prendada destinada a um bom casamento) falta,
bem assim como a máquina de costura, etc.
Sabe-se que uma das condições impostas ao
Estado português pelos colonos de 1848 e 1850, na sua transferência de Pernambuco (Brasil) para
Moçâmedes, foi o de se fazerem
acompanhar pelo recheio das suas habitações e de todos os seus haveres, tendo
para os efeito a sua viagem sido acompanhada pelo vaso de guerra português
"Douro". Ao chegarem a Moçâmedes foram acolhidos em barracões, mas de
imediato aquela que iria ser a cidade de Moçâmedes começou a ser edificada.
Como podemos ver pela transcrição que se segue retirada DAQUI ,
havia na altura em Moçâmedes (Mossâmedes), uma determinada burguesia
que já tinha ao seu dispôr um Colégio para a educação das suas filhas,
onde se ensinava Português, Francês, Inglês,
Geografia, História, Desenho, Música, etc., rivalizando com as melhores
de
Portugal e mesmo da Europa. E como não podia deixar de ser, na educação
de uma menina prendada da época, os desenhos e bordado tinham uma
importância muito especial... Sabe-se também que uma ou outra familia
melhor situada, até se recorria a preceptoras estrangeiras:
"... Para encerrar este capítulo, faremos referência muito especial a uma ilustre senhora católica, de origem irlandesa mas educada na França e cujo nome aportuguesado é Henriqueta Deehan. Miss Herriet (Herreeth) Deehan tinha maneiras muito distintas. (...)
"...Era uma professora muito consciente da sua missão, dedicada ao ensino e invulgarmente culta. Viajara por diversos países da Europa, Ásia, África e Oceania. Residira na Inglaterra e na França. Exercera o magistério em Lisboa. Deveria ter-se fixado em Moçâmedes pelo ano de 1880, mantendo-se ali em 1894. Ensinava Português, Francês, Inglês, Geografia, História, Desenho, Música, etc. A sua escola era frequentada pelas jovens do sexo feminino das mais distintas famílias da cidade, mantendo-se ali até bastante tarde, algumas só saíam para casarem... Este colégio, no dizer de um inspector, era a escola que em Angola ministrava mais vasto programa educativo, rivalizando com as melhores de Portugal e mesmo da Europa! Preenchia, por si só, o lugar de muitas mestras, emprestando ao ensino grande seriedade e importância, insistência e intensidade. Os desenhos e bordados das suas educandas poderiam colocar-se a par dos mais perfeitos das exposições escolares realizadas em qualquer país! Embora, em regra, recebesse só meninas, aceitava algumas vezes, por excepção, alguns rapazinhos, mas exclusivamente quando eram irmãos das suas alunas. »(3)
Ainda sobre a mesma Miss Herriet Deehen ou Henriqueta Deehen, encontramos esta passagem:
«...Vem a propósito dizer que trabalhava nessa altura em Mossâmedes uma senhora muito distinta, que se dizia ser a melhor e mais competente professora de Angola, Henriqueta Deehan, de origem irlandesa mas educada na França. No seu colégio ministrava-se o mais vasto programa educativo de toda a província, podendo comparar-se ao que havia de melhor na Europa. Preenchia só ela o lugar de muitas mestras. Manteve-se na cidade cerca de pelo menos quinze anos e a sua escola era frequentada pelas meninas das melhores famílias. Ali se conservavam até bastante tarde, saindo do colégio apenas quando casavam... »
À esq. a moradia da familia Torres, na Rua dos Pescadores, gaveto com a Rua 4 de Agosto. O Jardim que se vê era ainda na década de 1930 o "Jardim da Colónia", Nos anos 1940 foi construido aqui o Cine Teatro de Moçâmedes, de traça arquitectónica ART DÉCO, https://mossamedes-do-antigamente.blogspot.com/2008/07/cine-mocamedes-vulgo-cinema-do-eurico.html?m=1
Esta moradia, um
primeiro andar de arquitectura classizante, teria sido um dos primeiros prédios de dois pisos construídos em Moçâmedes (1885?). Situada num gaveto que convergia
com a Rua dos Pescadores e com a Rua 04 de Agosto, nas traseiras do edifício da Alfândega, ficava próximo do antigo
«Jardim da Colónia» (jardim, para o qual esteve projectado um monumento
à memória dos fundadores, e que na década de 1940 foi demolido para
dar lugar ao Cine Teatro de Moçâmedes). O rés-do-chão desta moradia, em tempos mais atrás, esteve alugado aos "Armazéns Primavera", que importavam artigos de moda "chic", etc., dos célebres "Armazéns Printemps" de Paris. Na década de 1950/60, o edifício esteve alugado à família Gouveia, passando a funcionar
como o "Hotel Central", enquanto os proprietários, se mudaram para uma outra residência que possuiam na fazenda «Nossa Senhora da Conceição», situada na várzea do rio Bero. Mais tarde, no rés-do-chão do mesmo edifício estiveram funcionaram os escritórios da fábrica S.O.S.
Hoje, revertido a favor da Angola independente, o rés do chão do
edifício serve de Museu Etnográfico do Namibe, onde repousam os restos
do Império.
Como podemos ver pela transcrição que se segue retirada DAQUI ,
havia na altura em Moçâmedes (Mossâmedes), uma determinada burguesia que já tinha ao seu dispôr um Colégio para a educação das suas filhas, onde se ensinava Português, Francês, Inglês,
Geografia, História, Desenho, Música, etc., rivalizando com as melhores de
Portugal e mesmo da Europa. E como não podia deixar de ser, na educação de uma menina prendada da época, os desenhos e bordado tinham uma importância muito especial... Sabe-se também que uma ou outra família melhor situada, até se recorria a preceptoras estrangeiras:
MariaNJardim
(Texto protegido pelas leis de copiright)
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Na foto: Almeida, Guiomar Zuzarte de Mendonça, Mª José Torres,...Lima, Teresa Mayo, Laura de Almeida, Elisa de Moura, Maria Julia Teixeira Pinto Zuzarte
de Mendonça, Ema Zuzarte de Mendonça, Pinto da França, Henriqueta Torres, Carmen Dias, Branca, Francisco Alexandrino, Manuel Alexandrino, João Torres, Bento Pinto da França (genro do General Honorato José de Mendonça). Foto gentilmente cedida por Vitor Torres. Proibida publicação para outros fins sem autorização do próprio.
Conforme dados colhidos em GeneallNet, em 1895, quando o velho governador de Moçâmedes, Honorato
Zuzarte de Mendonça faleceu, e foi substituido por João de Mascarenhas
Gaivão, que trouxe António da França consigo como ajudante de campo, este ali casou com M. Clara de Oliveira Teixeira Pinto Zuzarte de
Mendonça em 1897.
"As virgens de Moçâmedes cantavam e contavam os meses que separavam a passagem das fragatas inglesas que levavam uma nova guarnição para a ilha de Santa Helena. Havia sempre baile no Palácio. Ficavam sempre no ar vagos amores, esboçados ao de leve e todavia tão vividos e tão sofridos" (APF)
"Era suave, loiro de olhos verdes, parecia um dos oficiais ingleses da ilha de Santa Helena que costumavam passar por Moçâmedes. Logo conheceu a minha Avó (M. Clara), enamoraram-se para toda a vida, Casaram na igreja de Santo Adrião e no Palacio lhes nasceu o primeiro filho, Bento, antes de regressarem a Portugal"(APF).
"As virgens de Moçâmedes cantavam e contavam os meses que separavam a passagem das fragatas inglesas que levavam uma nova guarnição para a ilha de Santa Helena. Havia sempre baile no Palácio. Ficavam sempre no ar vagos amores, esboçados ao de leve e todavia tão vividos e tão sofridos" (APF)
"Era suave, loiro de olhos verdes, parecia um dos oficiais ingleses da ilha de Santa Helena que costumavam passar por Moçâmedes. Logo conheceu a minha Avó (M. Clara), enamoraram-se para toda a vida, Casaram na igreja de Santo Adrião e no Palacio lhes nasceu o primeiro filho, Bento, antes de regressarem a Portugal"(APF).
Acrescenta-se ainda que o culto da arte de bem receber da família Torres foi sendo transmitido de geração em geração, e que em 1932, quando da visita a Moçâmedes do Presidente Óscar Fragoso Carmona à cidade foi servido um almoço na residência de Eduardo Mendonça Torres e de sua esposa, Maria Sales Lane, na Fazenda «Nossa Senhora da Conceição», na zona do rio Bero, e que decorreu conforme se pode ler no Boletim da Agência Geral das Colónias : vol xiv : nº 162, pgs. 328 a 330:
Foram estes usos e costumes burgueses "aristocratizados" *, que foram passando para as gerações seguintes já nascidas em Mossâmedes, que explicam algumas referências a este respeito na obra de António A. M. Cristão, «Memórias de Angra-do-Negro Moçâmedes», no cap. II.4-EDUCAÇÂO, pg.221 :«A psicologia de vida alegre e atraente da população deve-se, por altura de 1920, em parte, senão muito, à elite da época, constituida por um interessante elenco de Senhoras já dali naturais, que no exterior, e, especialmente em Londres, concluiram umas o curso de alta-costura, outras o do conservatório de música e dança, formação que, então, passaram a ministrar às jovens dali naturais. A beleza e o fino porte destas jovens encantavam todos aqueles com elas conviviam. Este facto, podia, até há bem pouco tempo, ser atestado pela Senhora Celeste Kressmann Rosa, descendente do Capitão José da Rosa Alcobaça, recentemente falecida com cerca de 100 anos. Várias destas senhoras uniram-se a ilustres figuras de Moçâmedes.» Neste livro, entre outros, são destacados nomes, como: Maria Sales Lane, casada com Eduardo de Mendonça Torres, economista; Ema Zuzarte Mendonça, solteira, diplomada com o curso do Conservatório de Música de Lisboa, que em Moçâmedes até à década de 50 foi professora particular de Música, Francisca Reis, casada com o Dr. Luiz Bobela da Mota, juiz da comarca; Judith Reis, casada com José Manuel da Costa, Governador Civil de Moçâmedes; Alice Reis, casada com Rogério Morgado, proprietário e filho de emigrante da 2ª colónia, Constantina Reis, casada com Júlio Rogado Leitão, importante comerciante na terra, etc, etc..
Isso
talvez explique que Moçâmedes durante bastante tempo primasse pelas suas
femininas representantes sempre prontas a aprender as boas regras de etiqueta, a bem
receber, vestir, etc. De facto ainda em meados da década de 50, era
facilmente detectável nas jovens raparigas da terra a preocupação das
mães na sua educação, ainda que não pertencessem a uma classe elevada, ainda que não fossem descendentes dos antigos colonos fundadores vindos do Brasil em 1849 e em 1850, mas sim de gente que também começou a fixar-se em Moçâmedes a partir dos anos 1860, vindas so Algarve, ou mais propriamente, de Olhão. Eram mães que se dedicavam inteiramente ao lar e à
família, e que, por mecanismos de imitação
social, aprenderam a cultivar algumas dessas qualidades que transmitiam
às suas filhas através das gerações. A partir de finais da década de 50, e mais decisivamente a partir dos anos 60, as raparigas já não
tinham tempo para o cultivo dessas «prendas domésticas» que faziam as
delícias dos seus admiradores... Com a entrada da mulher no
mundo do trabalho, uma consequência da industrialização e do progersso, abriam-se outras perspectivas para as suas vidas...
Maria Eduarda, Beatroz Radich e Maria Antonieta. Foto gentilmente cedida por Vitor Torres. Proibida publicação para outros fins sem autorização do próprio.
«...Na
residência, o Sr. Eduardo Mendonça Torres, sua esposa, Maria Sales Lane
Torres, suas gentis filhas, Maria Antónia e Maria Eduarda e demais
família, recebiam com extremos de gentileza. O almoço decorreu num
ambiente encantador de respeitosa deferência para com o ilustre
visitante, Sr. General Óscar Carmona, a quem acompanharam os Srs. Dr.
Francisco Vieira Machado, coronel Lopes Mateus, capitão Ferreira de
Carvalho e demais pessoas da comitiva.
A
ementa fora «composta» sobre lindos cartões com fotografias de diversos
aspectos da Fazenda e que constituíram uma interessante recordação do
encantador local, daquela deliciosa festa íntima. O
Sr. Eduardo de Mendonça Torres, agradecendo a subida honra que lhe dera
o Sr. General Óscar Carmona visitando a Fazenda, disse:(vidé discurso pg, do mesmo Boletim) .
Por
sua vez o Presidente da República erguendo-se, afirmou os seus melhores
agradecimentos pelas atenções de que fora alvo, e referindo-se ao que
na propriedade acabava de ver, disse todo o seu contentamento de
português. Depois condecorou o Sr. Eduardo Mendonça Torres com a Ordem de Mérito Agrícola.
Quanto
à impressão que causou aos visitantes a Fazenda desta família, fala por
si a pena de um dos jornalistas que nessa altura a visitaram:
«Os terrenos, como todos os do vale daquele rio, são férteis, mas ali encontra-se a inteligência e mão do homem a orientar e trabalhar.
A visita deixa uma magnifica impressão, pois ali mostram-se em
interessante companhia as árvores de frutos tropicais e as que se dão na
metrópole. Os talhões de cultura, de alinhamento impecável estão todos
aproveitados. A água, que um grande engenho a vapor tira do sub-solo
corre, abundante, pelas valas. As ruas, limitadas por filas de árvores
de alto porte, são enormes, rectilíneas, circulando à vontade, por entre
elas, os automóveis. O jardim, bem tratado, com lindas flores; as
dependências, os estábulos de gado de raça, tudo, enfim, que constitui
os elementos de uma fazenda agrícola, ali se encontra bem delineado, bem
tratado, numa amplitude e num conjunto que prende e encanta.» (vidé mesmo Boletim)
As «Hortas» da família Torres, junto do terrenos férteis do Rio Bero, eram verdadeiro Oásis em pleno deserto do Namibe, e estavam abertas à visita de todos os moçamedenses que a quisessem visitar. Ali junto ao bonito «challet», onde se estendiam longas fileiras de mesas, à sombra amena de frondosas árvores de frutos tropicais e mediterrânicos: mangueiras, tangerineiras, laranjeiras, nespereiras, goiabeiras, videiras (em latadas), etc., etc., faziam-se piqueniques que ajudavam a preencher, agradavelmente, os fins de semana de muitas famílias, numa terra onde a luta pela vida era o pão nosso de cada dia. Nas «Hortas» da família Mendonça Torres sequer faltava um mini-zoo com vários animais do deserto, cabrinhas de leque, zebras, guelengues, etc., que faziam o encanto de adultos e crianças, sem esquecer o grande tanque cheio de água (bebedouro dos animais) que servia de piscina onde os mais novos se iam banhar. Alí não havia restrições, e as crianças podiam correr, saltar, brincar, trepar às àrvores à vontade, colher frutos, comê-los, e, na hora do regresso a casa, as famílias sempre podiam contar com a graciosa oferta de saborosos frutos. Tenho notícias que já não existe o referido "chalet" e que até o portão da entrada, obra do século XIX com a data gravada, foi arrancado dali retirado não se sabe para onde.
As «Hortas» da família Torres, junto do terrenos férteis do Rio Bero, eram verdadeiro Oásis em pleno deserto do Namibe, e estavam abertas à visita de todos os moçamedenses que a quisessem visitar. Ali junto ao bonito «challet», onde se estendiam longas fileiras de mesas, à sombra amena de frondosas árvores de frutos tropicais e mediterrânicos: mangueiras, tangerineiras, laranjeiras, nespereiras, goiabeiras, videiras (em latadas), etc., etc., faziam-se piqueniques que ajudavam a preencher, agradavelmente, os fins de semana de muitas famílias, numa terra onde a luta pela vida era o pão nosso de cada dia. Nas «Hortas» da família Mendonça Torres sequer faltava um mini-zoo com vários animais do deserto, cabrinhas de leque, zebras, guelengues, etc., que faziam o encanto de adultos e crianças, sem esquecer o grande tanque cheio de água (bebedouro dos animais) que servia de piscina onde os mais novos se iam banhar. Alí não havia restrições, e as crianças podiam correr, saltar, brincar, trepar às àrvores à vontade, colher frutos, comê-los, e, na hora do regresso a casa, as famílias sempre podiam contar com a graciosa oferta de saborosos frutos. Tenho notícias que já não existe o referido "chalet" e que até o portão da entrada, obra do século XIX com a data gravada, foi arrancado dali retirado não se sabe para onde.
A exploração pecuária desta família situava-se na zona semi-desértica do Caraculo onde possuía uma casa de tipo colonial situada no topo de um enorme rochedo granítico.
No decurso dessa visita, Eduardo Mendonça Torres acompanhou o Presidente da República na tradicional caçada no deserto de Mossâmedes, onde, no Pico do Azevedo foi servido o pequeno almoço e no local onde faleceu o Dr. Luiz Carriço, - Os morros Paralelos – foi prestada homenagem à memória do professor e naturalista, tendo-se seguido a caçada propriamente dita, com o abate de várias gazelas e guelengues, enquanto operadores cinematográficos filmavam. Ao almoço o General Carmona ergueu um brinde a Eduardo Mendonça Torres, felicitando-o pelo «belo tiro certeiro».(vidé o mesmo Boletim)
Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres enquanto ainda jovem
Outra figura de destaque desta família foi o Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres, cuja
obra “O Distrito de Moçâmedes”, de sua autoria (edição da Agência-Geral
do Ultramar, Lisboa, 1974 (reprodução fac-similada da edição de 1950),
são dois volumes considerados o melhor e mais completo estudo sobre a
história do Distrito de Moçâmedes, hoje Namibe. Manuel Júlio de Mendonça
Torres, sabe-se também, foi um ardente apóstolo da causa que levou à
inauguração da solene da «Escola Primária Superior Barão de Mossãmedes» (in “O Mossamedense”, (vidé nº. 46, de 31.05.1925 - 4ª. Série Director: Alberto Trindade-Editor: Joaquim Augusto Monteiro). Foi professor de Português e História nessa «famosa» Escola que
ficava situada nuns prédios voltados para Avenida da República,
paralela ao mar, e que preenchia toda a Rua transversal até à Rua dos
Pescadores, onde leccionou desde
princípios dos anos 20 até princípios dos anos 40(?), quando resolveu
fixar-se em Lisboa, onde passou a escrever para os jornais e revistas
oficiais, e se dedicou a escrever os dois volumes do seu belo livro
sobre a História da nossa Terra (*). E onde veio a falecer nos anos 50.
Rui Duarte de Mendonça Torres, filho de Eduardode Mendonça Torre e de Maria Salles Lane foi o último gestor dos negócios e bens deste ramo da família, nas áreas da indústria pesca e agropecuária
.
Rui Duarte de Mendonça Torres e o autmobilismo
As décadas de 40 e 50 d0 século XX foram férteis no âmbito desportivo moçâamedense, em função do progresso económico do Distrito. A criação de um "sector desportivo" no âmago do Rádio Clube de Moçâmedes, especialmente dedicado ao desenvolvimento ao "automobilismo" e aproveitando-se das qualidades da Terra, trouxe muitos momentos de júbilo, independentemente dos reais benefícios para o turismo do Sul de Angola.
O primeiro campeonato de automóvel de Moçâmedes realizou-se em 1955, com inexcedível entusisamo, atribuindo-se tres classes -A,B,C-, de acordo com a cilindragem dos automóveis concorrentes, em número de dezasseis.
MariaNJardim
Nota:
Respeitem este blog e o trabalho de pesquisa da sua autora. Se
retirarem algo daqui não se esqueçam de citar a proveniência da
informação de acordo com as leis de Copyright. Plágio é crime!
Fotogravuras extraidas do livro «O distrito de Moçâmedes» da autoria do Dr. Manuel Julio de Mandonça Torres.
Alguma bibliografia consultada:
-«O Distrito de Moçâmedes» da autoria do Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres»
-“O Mossamedense”, nº. 46, de 31.05.1925 - 4ª. Série Director: Alberto Trindade-Editor: Joaq uim Augusto Monteiro
- Boletim da Agência Geral das Colónias : vol xiv : nº 162, pgs. 328 a 330
-GeneallNet
Clicar AQUI para ver: Lista dos 1ºs. colonos chegados a Moçâmedes, provenientes de Pernambuco (Brasil).
HORTAS DE MOÇÂMEDES
MariaNJardim
(Texto protegido pelas leis de copyright)







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