A ILHA DE SANTA HELENA
(alguns subsídios para a sua História)
A
Ilha de Santa Helena, a pequena e isolada ilha situada entre Angola e o
Brasil, quase a meio do Oceano Atlântico, pertencente ao arquipélago
com o mesmo nome, formado por três ilhas, distantes 5.000 quilômetros
entre si: Ilha de Santa Helena, ilha Ascensão, e ilha Tristão da Cunha,
foi descoberta por acaso, em 1502, por João da Nova, navegador turco
galego ao serviço de Portugal, que fez parte, no passado, da rota dos
navegadores portugueses a caminho da Índia. A descoberta
da Ilha por portugueses foi mantida em segredo durante bastante tempo,
para evitar que holandeses e ingleses se apossassem dela, e o
arquipélago era
ao tempo da sua descoberta desabitado. Santa Helena recebeu em 1515 o
seu primeiro habitante permanente, o soldado português Fernão Lopes, que
permaneceu isolado em na ilha até 1545, excepto por ocasião de uma
breve visita que fez à Europa, após 10 anos de isolamento na ilha. Mas
na verdade Portugal nunca a colonizou Santa Helena, e a ilha acabou
ocupada no século XVII, sucessivamente, por Holandeses, em seguida
por Ingleses, passando em 1673, definitivamente à posse da Inglaterra. Há notícias que no século XVI, a Ilha de Santa Helena foi usada como base para as aguadas e
para o abastecimento das tripulações, ponto
de passagem que se tornara dos navios negreiros ingleses a caminho das Américas. Os cidadãos de Santa Helena são pois, brancos, filhos de ingleses, não falam a língua dos portugueses que a descobriram. Ao arquipélago nunca chegaram as invasões banto, nem nunca lá esteve
algum banto. A escolha do nome para o arquipélago deve-se a Helena de
Tróia, santa da promiscuidade.
Santa
Helena foi também lugar de degredo, para onde a Inglaterra costumava
enviar seus presidiários de altíssima periculosidade. Aliás, a Ilha de
Santa Helena ficou famosa porque a determinada altura da ocupação
inglesa recebeu um hóspede muito especial, Napoleão Bonaparte, depois
de ser expulso da França, como "cidadão-non-grata e traidor da
república". Foi em Santa Helena, seu segundo exílio, o local onde o
envenenaram com os característicos copos de leite matinais com arsénico,
matando-o. A aproximação à ilha de Santa Helena foi
severamente bloqueada após o desembarque de Napoleão Bonaparte. Este
bloqueio durou até 1821, ano da morte deste prisioneiro especial,
em 05 de maio de 1821, no mesmo ano em que Dom João VI, que se
refugiara no Brasil com a corte, fugindo às invasões francesas,
regressou a Portugal, e desembarcou em Lisboa no dia 04 de Julho de
1821, após a queda do absolutismo em Portugal e triunfo dos liberais,
em 1820.
A ilha de Santa Helena é uma das emergências de uma cadeia de montanhas submersas que
existe entre a África e a América, possui uma população de
aproximadamente 4 mil habitantes, sendo a maioria descendentes dos
colonos britânicos, dos empregados da Companhia Britânica das Índias
Ocidentais e dos trabalhadores trazidos do sul da Ásia, Índias
Ocidentais, Madagáscar e China. A Ilha não possui riquezas, vive de ajuda da Inglaterra. Para se
ter uma noção, a Ilha não possui nenhuma praia, sendo o seu litoral
completamente rochoso, o que impede grandes projectos para
desenvolvimento do turismo. A economia local baseia-se no
turismo de pessoas endinheiradas que não se importam de viajar para o
fim do mundo, apenas para ver a última cama de Napoleão, o último copo
de Napoleão e vários outros apetrechos fim-napoleónicos mantidos
intactos. Para
os naturais da ilha onde chegaram os portugueses em Maio de 1502, o
turismo poderá mudar de maneira permanente o modo de vida local. A
construção de hotéis - há inaugurações já para este ano -, estâncias
balneares, a venda de propriedades, a própria pressão demográfica
deixarão marcas na ilha que tem uma superfície de 122 km2 (a do Faial,
nos Açores, tem 172 km2 e 15 mil residentes), paisagens deslumbrantes e
uma temperatura média entre os 20-27 graus. O arquipélago não possui
aeroporto, e para acudir a qualquer acontecimento que ocorra na ilha,
os habitantes servem-se de um barquinho pesqueiro denominado "RSS SOS".
No entanto chega-nos presentemente a notícia do fim da era de isolamento
em Santa Helena. Vôos regulares vão ter início em Maio de 2016, no
local onde viveu o "Robinson Crusoé português". Santa Helena, um
dos locais mais isolados e difíceis de visitar no planeta, quase a meio
do Atlântico Sul, a 2200 quilómetros da costa angolana, passará a ter
um aeroporto. Será o fim de séculos de reclusão.
MariaNJardim (ass)
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Por curiosidade seguem alguns comentários relacionados com A ILHA DE SANTA HELENA, publicados no site"Ango Noticias":
"As fronteiras dos países africanos são resultado da colonização. De acordo com a Carta da União Africana, no seu artigo 4.º, alínea b), as fronteiras dos países africanos são as existentes desde o momento da acessão à independência, princípio que já havia sido invocado com a Carta da OUA. Antes nunca houve uma Angola. Muito menos uma Angola que integrasse essa distante ilha de Santa Helena. Aqueles que defender tal ideia absurda deviam pensar que Angola até vive o problema de Cabinda. É nosso dever cívico esclarecer essa situação. Cabinda fazia parte da Angola colonial Aquando da descolonização, em momento algum ficou discutido que se devia rever a titularidade daquele território. Nem sequer era um assunto"
"Santa Helena não é nossa!" :
De
acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os
países costeiros têm direito a declarar uma zona económica exclusiva
ZEE) de espaço marítimo para além das suas águas territoriais, na qual
têm prerrogativas na utilização dos recursos, tanto vivos como
não-vivos, e responsabilidade na sua gestão. A ZEE é delimitada por uma
linha imaginária situada a 200 milhas marítimas da costa. A ZEE separa
as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Santa Helena está
a 1.000 milhas da foz do Cunene, o ponto mais próximo da Costa. "
"Santa
Helena é de quem lá está!!! E se não estiver ninguém, é de quem lá
chegou primeiro. Senão, mudo de opinião e acabo por dar razão aos grupos
independentistas cabindeses."
"... na sua ZEE, Zona Económica Exclusiva. Junta outras ilhas, casos de Bouvet, Mone Maud e Terra da Nova Suécia, que se situam entre o território Sanae, pertença da África do Sul, e a Novalazareskaia, sob tutela da Rússia ":
"...O continente antártico deve pertencer também aos países africanos, pois dele depende a sobrevivência da Humanidade, e o seu uso deve ser para fins pacíficos", fundamenta Alberto Neto, que em tese compara a situação ao caso das ilhas Malvinas, cuja soberania é reivindicada pela Argentina, que durante a década de oitenta chegou mesmo a envolver-se numa guerra com a Grã-Bretanha. Polémica ou não, a ideia está posta à mesa. Embora muitas das ideias que Alberto expende no seu livro sejam velhas de anos, ao editá-las agora significa somente que este velho político as mantém. Algumas são mesmo alvo de recensões e actualizações. Folheando os arquivos da história, consta que Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola independente, terá tido isso em mente, chegando em determinada ocasião a mandar farpas ao Ocidente. Para Alberto Neto, que foi um discípulo de Agostinho Neto, não se trata de uma ideia estéril, sem qualquer utilidade prática para o país. Ele acha que Angola poderia estabelecer na Antártida uma base de estudo – à semelhança da África do Sul, Argentina e Chile – que serviria fundamentalmente para fazer um acompanhamento das riquezas desse continente. Serviria ainda, segundo ele, para coisas como o monitoramento da «corrente fria de Benguela e do plâncton acumulado no fundo do mar e depositado na nossa costa. "
"...O continente antártico deve pertencer também aos países africanos, pois dele depende a sobrevivência da Humanidade, e o seu uso deve ser para fins pacíficos", fundamenta Alberto Neto, que em tese compara a situação ao caso das ilhas Malvinas, cuja soberania é reivindicada pela Argentina, que durante a década de oitenta chegou mesmo a envolver-se numa guerra com a Grã-Bretanha. Polémica ou não, a ideia está posta à mesa. Embora muitas das ideias que Alberto expende no seu livro sejam velhas de anos, ao editá-las agora significa somente que este velho político as mantém. Algumas são mesmo alvo de recensões e actualizações. Folheando os arquivos da história, consta que Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola independente, terá tido isso em mente, chegando em determinada ocasião a mandar farpas ao Ocidente. Para Alberto Neto, que foi um discípulo de Agostinho Neto, não se trata de uma ideia estéril, sem qualquer utilidade prática para o país. Ele acha que Angola poderia estabelecer na Antártida uma base de estudo – à semelhança da África do Sul, Argentina e Chile – que serviria fundamentalmente para fazer um acompanhamento das riquezas desse continente. Serviria ainda, segundo ele, para coisas como o monitoramento da «corrente fria de Benguela e do plâncton acumulado no fundo do mar e depositado na nossa costa. "
FIM DE TRANSCRIÇÃO


Gostaria do esclarecimento.
ResponderEliminarObrigado, foi bom aprender isto.