Fotos do livro de Mendonça Torres dobre Moçâmedes.
João Duarte de Almeida, considerado um dos 1ºs colonos que se instalaram em Moçâmedes, em finais da década de 1840, era natural de Midões, (Beira Baixa - Portugal), onde nasceu em 26 de Março de 1822. Era com mais 4 irmãos, filho de João Duarte de Almeida (bacharel em medicina, natural de Castelo Branco, Beira Baixa), e de D. Ana Emília Duarte de Almeida (cujo nome de solteira era Ana Emília Brandão, natural de Midões, prima co-irmã do célebre João Brandão, político caído em desgraça, conforme vem descrito em GeneallNet.
João Duarte de Almeida casou com D. Amélia Josefina da Costa, filha de um seu companheiro de colonização, José Joaquim da Costa, chefe do segundo agrupamento de colonos ido de Pernambuco para Moçâmedes, e tiveram 6 filhos: Alfredo, Amélia, Laurentino, Adelaide, Albertina e Elisa Duarte de Almeida.
Os irmãos de João Duarte de Almeida eram Miguel Duarte de Almeida, e Luís Castelino Duarte de Almeida, que conforme acima referido, também foram para Moçâmedes.
João Duarte d' Almeida considerado um dos colonos fundadores, embora não tivesse feito parte de nenhum dos grupos de colonos vindos de Pernambuco, Brasil em 1849 e 1850, foi um grande agricultor, um empreendedor de sucesso, um desbravador de terras incultas, cujos produtos, alguns anos apenas a seguir à fundação já estavam presentes em várias exposições agrícolas e industriais (de Paris, de Antuérpia, do Porto, etc), onde foi contemplado com medalhas de ouro pela sua excelente boa apresentação. Produtos de Moçâmedes!
Sabe-se que João Duarte de Almeida, numa primeira fase tinha-se fixado em Benguela, e só depois seguiu para Moçâmedes onde se estabeleceu com duas fazendas agrícolas e onde se tornou um grande produtor de algodão e de cana-de-açúcar nas suas fazendas «S. João do Norte» e «S. João do Sul», no Coroca, em Porto Alexandre. Há referências que em 1859 era proprietário de três fazendas, em vias de desenvolvimento, uma, situada na Várzea dos Casados, outra, em S. Nicolau (1) e a terceira no Coroca. E que já no decénio de 1849-1859 se dedicava, no distrito, a outros ramos de actividade, como o da indústria de charqueação e a da colheita da urzela. Também há referências que na margem esquerda do rio Bero (Varzea dos Casados?), o 1º colono que aí se instalou foi João Duarte de Almeida, tendo mandado construir uma vala para aproveitamento da água do rio, ao longo do qual instalou comportas que forneciam a água necessária ao regadio das suas culturas agrícolas. Aliás, no princípio da década de 1860, 10 anos após a chegada dos primeiros colonos vindos de Pernambuco, João Duarte de Almeida possuía já 11 fazendas no distrito de Moçâmedes, onde cultivava algodão, empregando entre trabalhadores escravos e libertos o total de 350, sendo sua a maior das das fazendas da região. A produção anual nessa época calculava-se em 1780 arrobas de algodão. Em 1890, João Duarte de Almeida possuía o maior empreendimento agrícola da Colónia de Angola, com 1300 hectares de terreno cultivados e com 400 serviçais a trabalharem para si. Os seus esforços tiveram notável eficiência, cabendo-lhe, por isso, na opinião de Mendonça Torres, a reputação de maior cultivador de algodão, cultivador de cana de açúcar para aguardente, e ainda de activo descobridor da "almeidina" em 1883, um produto com uma boa percentagem de borracha, a partir de um suco leitoso, extraído por meio de incisões no tronco da caçoneira Euphorbea Thirucale que comercializo com êxito (vidé Relatório da Alfandega de Benguela, relativa ao ano de 1915, pág 96, José Napoleão do Sacramento e Sousa, Angola). A "almeidina" foi introduzida no mercado europeu por Edwards Brothers de Liverpool (correspondente). Duarte de Almeida e Alves de Bastos, eram à época os dois homens mais ricos da

Seguem algumas informações sobre esses dois produtos comerciáveis e naturais que aliviaram bastante a economia da época, e que em Moçâmedes foram explorados por Duarte d'Almeida: urzela e goma copal. A urzela é um liquen que medra nas pedras, do qual se obtém uma tinta azul arroxeada de forte concentração usada em carimbos e cópias tornando-as impossíveis de falsificação. Existe em rochas à beira mar. Cabo Verde foi um grande produtor de urzela. A goma copal é uma resina especial mas as savanas oferecem outras resinas, de várias densidades e consistências.. Os produtos sintetizados vibraram-lhes um duro golpe.
foram autorizadas a exportar urzela de Moçâmedes, numa lista encabeçada por João Duarte de Almeida uma das figuras mais prestigiadas de Moçâmedes , onde constava em seguindo lugar o nome de um colono vindo de Pernambuco com a primeira colónia, José Joaquim de Pinho, proprietário de uma fazenda na Várzea da Boa Esperança. João Duarte de Almeida foi presidente da Câmara de Moçâmedes e Juiz substituto. Amigo de Sá da Bandeira, era defensor do abolicionismo
"...Era contudo nas margens do rio São Nicolau, especialmente na margem esquerda, que se cultivaram as melhores árvores de fruto de todo o sul do distrito. Na margem esquerda cultivavam-se mamoeiros, diospiros, bananeiras, nespera-cereja-dendém, palmeira de óleo palma, etc, etc. A razão é que na margem esquerda, dada a inclinação do terreno e a presença de uma lage a cerca 5 km, havia um curso de água permanente, enquanto à direita, a água surgia mas apenas por infiltração. Na margem direita, foi necessário a Serafim Nunes de Figueiredo, accionista da "Companhia de Mossâmedes", proprietária da fazenda, abrir uns quantos poços para obter água que entretanto desaparecia, tendo que a aguardar de novo, que, por infiltração, as águas voltassem a ter o nível estático dos poços. Também a terramargem direita necessitava de mais qualidade de matéria orgânica e adubos químicos, e até os próprios animais diferenciavam o seu aspecto, porquanto nas margens esquerdas os corvos eram totalmente negros e menos brilhantes, e os da margem direita possuiam uma plumagem negra, luzidia e com uma gola branca no pescoço. Mesmo as rolas e piriquitos tinham aspecto, cor e tamanho diferentes. Estes pormenores vêm descritos no livro Memórias de Angra do Negro- Moçâmedes, de António A. M. Cristão.
Iremos abordar em seguida, uma outra faceta da vida de João Duarte de Almeida, ligada a aspectos de ordem cultural que importa reter.
O cemitério de São Nicolau, de existência intimamente ligada à fazenda de S. João do Norte de que João Duarte de Almeida era proprietário, depois do cemitério indígena de Moçâmedes, foi um dos locais mais interessantes para estudo da arte Mbali ou Mbari, a arte tumular do povo "quimbar", sobretudo a obra de um dos mais afamados canteiros negros – Victor Jamba, escravo mandado especializar-se em Lisboa em estelas funerárias.
A arte tumular Mbali ou Mbari, arte do povo africano aportuguesado "quimbar" do distrito de Moçâmedes, invulgar em África, surgiu numa altura do avanço da colonização, quando vivos eram ainda pioneiros como João Duarte de Almeida, falecido em 1898. Trata-se, segundo o sociólogo Gilberto Freyre, de um caso de cultura afro-cristã gerada em consequência do contacto cultural que se estabeleceu após a ocupação efectiva do Distrito, em 1849, entre os colonos luso-brasileiros e a mão-de-obra negra. Uma cultura de fusão que se traduz em cruzetas de pedra de filtro, ou pedra sabão, mas também em madeira ou cimento armado trabalhados, que eram colocadas nas sepulturas um ano após a óbito, por ocasião da "festa da cruzeta", à qual era atribuída a tríplice função de propiciação do espírito do morto, sua identificação e veneração. Os canteiros inseriam nas cruzetas, trabalhos em relevo que descreviam o que as pessoas haviam sido em vida, o que faziam, como eram fisicamente, os seus interesses, os acontecimentos que as marcaram, e tudo isso através da representação dos utensílios profissionais dos falecidos ou outros símbolos identificadores, tais como a"mão cortada" (em representação dos manetas); o "cachimbo de cangonha" (em representação dos fumadores); o "leão" (para os caçadores); a "bola" (para o futebolista), e outros símbolos mais como o "chicote", a "palmatória", o "cajado do capitão", a "cobra de que fora mordido", o oficio que possuía ao falecer, etc... Infelizmente as histórias que aí se contavam são frágeis face às chuvas e ventos fortes e muitas cruzetas acabavam partidas.
O que ficou a caracterizar a maior parte das esculturas do Cemitério de S. Nicolau foi o facto de apresentarem uma acentuada europeização das feições, cabelos e trajes, o que se deve ao facto de Victor Jamba, o canteiro da região, ter-se deslocado a Lisboa a mando de seu patrão João Duarte de Almeida, para se especializar, tendo a sua arte adquirido tais características. (1) Da sua autoria, são as estelas do "túmulo dos leõezinhos", as que representam um tractorista, um tanoeiro, etc.. Victor Jamba era o canteiro mais célebre e o mais perfeito, e também foi o mais convencional se comparado com outros canteiros que imprimiram aos seus trabalhos um cunho de originalidade.
Importante era também o espólio que no tempo colonial podia ser encontrado no Cemitério chamado dos Pretos de Moçâmedes, no Cemitério ao ar livre do Saco, e em outros espalhados pelo distrito. A Arte Mbali ou Mbari, de rara expressão em África, tinha no Cemitério de S. Nicolau um dos seus melhores documentos que importava a todo o custo preservar.
Uma outra faceta da vida de João Duarte de Almeida, que deve ser aqui mencionada, é a de que juntamente com Bernardino Abreu e Castro, foi um dos apóstolo da abolição do tráfico de escravos e da escravatura. Aliás, ambos sobre o assunto, fizeram diversas exposições ao Ministro Sá da Bandeira, enquanto no poder em Portugal, sob como se deveria agir na costa de Angola para acabar de vez com o vil negócio, conforme refere o padre José Vicente, que em seu livro se detém, por falta de espaço, apenas às exposições de Bernardino.
João Duarte de Almeida concorreu a várias exposições agrícolas e industriais (de Paris, de Antuérpia, do Porto, etc), sendo-lhe conferidas medalhas de ouro pela boa apresentação dos seus produtos. Foi testemunha presencial, na sua qualidade de negociante e de proprietário, juntamente com o Dr. João Cabral Pereira Lapa, Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro (chefe da 1ª colónia ida de Pernambuco na Barca Tentativa Feliz, em 1849) e José Joaquim da Costa (chefe da 2ª colónia ida de Pernambudo na Barca Bracarense chegada a Moçâmedes em 1850), da cerimonia da Escritura de Promessa e Voto , o acto solene do reconhecimento manifestado pelos antigos colonos na Escritura de Promessa e Voto, de 4 de Agosto de 1859, para que em todos os anos e no dia quatro de Agosto, se celebrasse, na Igreja Matriz de Moçâmedes, uma missa rezada e cantada com "Te Deum Laudamus" . Era agraciado com as comendas das "Ordens de Cristo" e de "Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa". Nos cargos de juiz substituto e de presidente da Câmara Municipal, Duarte de Almeida muito ajudou os colonos.
Este é o mausoléu da esposa de João Duarte de Almeida, D. Amélia Josefina da Costa Duarte de Almeida, filha do chefe da 2ª colónia
Pesquisa e texto de MariaNJardim (Este texto está protegido pelas leis de Copyright)
(1)
Bibliografia consultada:
Manuel Júlio de Mendonça Torres «Moçâmedes», 1º volume datado 1954
Exploração Geográfica e mineralógica do Distrito de Mossâmedes, 1894-1895" por J. Pereira do Nascimento, Médico da Armada Real.
Ver também: Os primeiros produtores na Exposição do Porto:
VER AQUI
OU AQUI
I – Bento Duarte de Almeida, de Mangualde, e de D. Antónia Rita, da Várzea de Candosa, onde residiram e onde nasceu o filho:
II – Dr. João Duarte de Almeida (Borges Belmiro Castelo Branco), médico em Mangualde, fidalgo de antiga linhagem (cfr. António Duarte de Almeida Veiga (seu neto), «Midões e o seu Velho Município», e J. M. Dias Ferrão, «João Brandão») cc (Midões 5 6 1821) D. Ana Emília Brandão, * Midões (prima co-irmã do célebre João Brandão, político caído em desgraça).
"...Existe em Genea alguns elementos sobre outros Duartes de Almeida "... Edgard Duarte de Almeida, nascido em Moçâmedes, em 28.10.1903. Faria mais tarde em Lisboa o Curso de Arquitectura na Antiga Escola de Belas Artes e, segundo a GEPB, também teve uma carreira com algum relevo na época como artísta lírico, baixo, actuando no Teatro Nacional de São Carlos e noutros locais.
"..Eu já sabia entretanto da existência de uns nossos familiares de Moçâmedes, os Duarte de Almeida, mulatos. Dois deles constam da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, o pintor e ilustrador Álvaro de Figueiredo Duarte de Almeida (vol.v 9. págs. 322 e 323, vol.39 ( apêndice) pág. 494 e vol. 4 1ª actualização, pág. 260. Nasceu em M. a 20.01.1909, foi professor dos Cursos de Desenho da Sociedade Nacinal de Belas Artes. Foi o ilustrador da História da Tauromaquia, uma edição de luxo em dois grossos volumes, dirigida por Jaime Duarte de Almeida, que existe na casa do meu já falelecido avô, de quem além de primo era amigo.Tinha duas irmãs, que eu cheguei a conhecer , que tinham uma casa em Ranholas , Sintra , uma das quais também consta da dita Enciclopédia, cantora lírica, Maria Amélia Duarte de Almeida n. Moçamedes 26.08.1900 e + Lisboa, a 15.03.1979.
"... Olívia Simões Freire de Figueiredo, casada com um Eugénio Duarte de Almeida que tiveram uma filha Maria Adelaide Duarte de Almeida, n. em Moçâmedes a 19.11.1919 , casada e com geração, de quem nunca tinha ouvido falar. Terá alguma ligação com os Freires de Figueiredo? ass Luís Piçarra in GeneallNet
Esses Duartes de Almeida eram primos do meu avô, embora como disse, ignore como se establece a relação, mas julgo ser anterior à sua ida para Angola.
Os que eu refiro , tal como Maria Amélia, Álvaro , Edgard, já pertencem a uma geração nascida em Moçâmedes.
"...Pessoalmente só conheci essa prima Maria Amélia D.A. e a irmã ambas filhas de um casamento misto.
Quanto ao Álvaro Duarte de Almeida, também lá nascido, que iustrou a História da Tauromaquia , pintor e colaborador como ilustrador de revistas tauromáquicas nos anos 50 , era primo do meu avô, mas não estou certo se era irmão ou primo ou primos de Maria Amélia... ass. Luís Piçarra in GeneaNet.
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Sequem algumas fotos antigas de familiares do ramo Duarte de Almeida , e alguns recortes de livros e de jornais com interesse para esta familia, cedidos por um descendente a quem muito agradecemos.

Transcrevo algumas passagens do Livro intitulado "Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e
Castro", do Padre Vicente, José (Gil Duarte), página 1959, sobre a posição de Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro e de João Duarte d' Almeida
no que diz respeito à abolição do tráfico de escravos
para fora das possessões portuguesas africanas e ao fim da escravatura
dentro das mesmas possessões, que se fazia ainda entao, a partir de Angola, na clandestinidade, na direcção do Brasil e as
Américas. João
Duarte de Almeida
e Bernardino Abreu e Castro a este respeito tinham os mesmos ideais. A exposição
deve ser analisada não à luz dos nossos dias, mas à luz das mentalidade
da época em que estes dois homens viveram. Ei-la:
2º.- Acabar a escravatura dentro das mesmas possessões.
Sem me demorar em descrever os horrorosos delitos cometidos em um embarque – delitos que fazem corar de vergonha a quem tem sentimentos de homem, e que mal me poderia acreditar de que os mesmos homens os cometessem, se não vissem tantas vezes repetidos: sem me demorar a descrever o que sofrem os condenados a embarcar, sem saberem para onde, empilhados, mortos de fome e de sede, etc. - somente direi que tal tráfico, além do ferrete da ignomínia e da barbaridade, que acarreta aos que nele tomam parte, é de nenhuma utilidade, se não é de prejuízo para os que residem nas possessões, porquanto, raras vezes recebem o produto dos infelizes que uma louca ambição os faz sacrificar, e, se algum recebem, é tão cerceado e moroso, que não remedeia quase nunca as suas necessidades." Bernardino comprova a seguir as suas afirmações de forma irrefutável, denunciando os traficantes de escravos que obtinham, com pouco trabalho, meios abundantes para passarem uma vida folgada, senão licenciosa.
" ...A opinião do mundo reprova o infame e criminoso tráfico: a situação e ordem das coisas o não favorece: o interesse das mesmas possessões o estigmatiza: e só tem a seu favor, para o aconselharem, promoverem e animarem, aqueles a quem se consignam os desgraçados. Mas quem são estes? Que o digam aqueles que têm caído no laço de fazer tais consignações. Se não fora a verdade de que o número de loucos é infinito, se não fora a possibilidade de os negreiros de Havana enviarem dinheiro para fazerem os carregamentos -- como farão em último recurso, pois que não se limita a venda de escravos só àquela ilha, mas dali se vendem muitos para o sul da América do Norte, e por alto preço -- eu diria que o tráfico de escravos para o exterior acabaria por sua mesma natureza, porém em razão dessas duas considerações, é necessário ainda empregar meios, só lembro dois que me parecem por si só eficazes.
Bernardino escreveu estas palavras em 1857, como acima deixamos dito. Pois um ano decorrido, em 1858, Portugal decretou que, passados vinte anos não poderia haver mais escravos; mas onze anos depois, isto é, em 1869, foi abolido o estado de escravidão, pelo que passaram à condição de libertos todos os escravos, em todas as suas possessões.
Como escreveu Fernando Pessoa: "O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos".
Para saber mais sobre esta época:
http://www.africanos.eu/ceaup/uploads/EB087.pdf
Nota: recebi esta mensagem que deixo aqui, uma vez que me é impossível atender à rectificação solicitada por não poder fazer alterações no quadro acima, que não foi feito por mim, mas que foi em tempos colocado na Net por um familiar de João Duarte d'Almeida:
"....Olá, boa tarde! O meu nome é Manuela Duarte d'Almeida Guerreiro e sou trisneta de , filho de João e de Anna Emilia Duarte d'Almeida. Gostaria que corrigissem alguns dados, uma vez que o meu trisavô estava casado ( naturalmente com a minha trisavó) MARIA AMÁLIA de OLIVEIRA LOUREIRO e não como escrito com Ana Máxima da Costa. Nunca ouvi falar dum filho José!!!! A irmã mais nova do meu trisavô chamava-se EMILIA e não Maria Cecilia, como escrito. A minha bisavó Constança Bensabat Lapa Valente- Duarte d'Almeida ( do1. casamento) nasceu, segundo certidão de baptismo, a 06.09.1874. Melhores Cumprimentos, Manuela em Pioneiros da colonização de Mossâmedes (Moçâmedes, Namibe, Angola): João Duarte de Almeida, Amélia Duarte de Almeida. Alguma genealogia
Agradeço aos familiares de João Duarte de Almeida, especialmente ao Jorge, que nos proporcionaram o acesso a grande parte deste material (fotos) aqui exposto. Bem haja.
MariaNJardim
Este texto e estas imagens estão cobertas pelas leis de Copyright, pelo que nada daqui deve deve ser retirado para ser republicado, sem autorização da autora e das pessoas ao qual o mesmo refere.
João
Duarte d'Almeida foi protagonista de momentos-chave na História de
Moçâmedes, na qual deixou a sua marca. Eis, para memória futura, alguns
feitos ligados a Moçâmedes e à sua pessoa:
- Assinou a célebre "Escritura de Promessa e Voto", acto solene do
reconhecimento do 4 de Agosto de 1849, como dia de Moçâmedes, a celebrar
anualmente, na Igreja Matriz, com missa rezada e cantada com "Te Deum
Laudamus", costume que ainda perdura.
-Esteve investido nos cargos de juiz substituto e de Presidente da Câmara Municipal.
-E pelo alto
desempenho em favor do progresso de Moçâmedes foi agraciado com as
comendas das "Ordens de Cristo" e de "Nossa Senhora da Conceição de Vila
Viçosa".
- O seu nome bem como da sua fazenda de S. João do Norte, estão
intimamente ligados ao cemitério de São Nicolau, um dos locais mais
interessantes para estudo da arte tumular Mbali ou Mbari, a arte tumular
do povo "quimbar", e à obra de um dos mais afamados canteiros negros –
Victor Jamba - um ex-escravo, serviçal que ele mandou especializar-se em
Lisboa em estelas funerárias.
João
Duarte d'Almeida tee essa sensibilidade a nivel cultural, ou tinha outros projectos? Não sabemos. A Arte Mbali ou Mbari, arte invulgar em
África, surgida antes do seu falecimento em 1898, representa uma cultura de
fusão (afro-cristã) que se traduz em cruzetas de pedra de filtro, e em
madeira ou cimento armado trabalhados, que eram colocadas nas sepulturas
um ano após a morte, por ocasião da "festa da cruzeta", à qual era
atribuída a tríplice função de propiciação do espírito do morto, sua
identificação e veneração. Os canteiros "quimbares" de Moçâmedes
inseriam nas cruzetas, trabalhos em relevo que descreviam o que as
pessoas haviam sido em vida, o que faziam, como eram fisicamente, os
seus interesses, os acontecimentos que as marcaram, e tudo isso através
da representação dos utensílios profissionais dos falecidos ou outros
símbolos identificadores, tais como a"mão cortada" (em representação dos
manetas); o "cachimbo de cangonha" (em representação dos fumadores); o
"leão" (para os caçadores); a "bola" (para o futebolista), e outros
símbolos mais como o "chicote", a "palmatória", o "cajado do capitão", a
"cobra de que fora mordido", o oficio que possuía ao falecer, etc...
Infelizmente as histórias que ali se contam são frágeis face às chuvas e
ventos fortes e muitas cruzetas acabavam partidas. Da sua autoria, eram
as estelas do "túmulo dos leõezinhos", as que representam um
tractorista, um tanoeiro, etc que ilustram alguns textos dedicados ao
assunto. Desconhecemos o que foi feito delas, se ainda existem ou em que
estado se encontram . Uma preciosidade para a História de Moçâmedes.
Para além destes aspectos, João Duarte d' Almeida juntamente com
Bernardino Abreu e Castro, chefe da 1ª colonia de 1849, desenvolveram
esforços pela abolição total do tráfico de escravos e o fim da
escravatura interna. Ambos estiveram em contacto com o general
Sá da Bandeira, a quem iam dando conta da situação e solicitando o
estabelecimento de um regime de trabalho livre, contra situações de
escravatura interna, e de tráfico clandestino que se estabeleceram a
seguir à abolição do tráfico de escravos para o Brasil e Américas, em
1836.
Para os que não sabem, estes eram tempos de reconversão económica de
Angola, tempos de falta de braços de trabalho, de
fuga de escravos, em que o governo português fora levado a distribuir
os escravos libertados de navios negreiros apresados, pelas actividades
económicas em formação, e que Moçâmedes também recebeu escravos e
ex-escravos libertados de navios negreiros apresados, sem os quais a
economia do distrito estava em risco de tudo deitar a perder.
As ideias de João Duarte d' Almeida e de Bernardino Abreu e Castro,
desagradavam a uma burguesia africana que emergira na cidade de Luanda e de
Benguela de tráfico negreiros de à cuta de tráfico negreiro,
que não queria nem sabia lidar com outro tipo de
«mercadoria» se não o escravo e cujo decendente pretaram eriço na
aminitração num tempo em que nó haia colon . A exportação do marfim, da
cera, da goma
copal, da urzela não lhes interessava nem aos seus concessionários, uns e
outros habituados aos grandes lucros, com pouco esforço. A incapacidade
de reconversão conduziu ao desespero as burguesias destas duas cidades,
cujos textos históricos nos dizem que eram maioritariamente mestiças
que beneficiavam do vil negócio, em conluio sobas e intermediários
negros a partir do sertão. Esta organização que envolvia negociantes na
sua maioria com interesses no Brasil e que durante séculos alimentou a
economia angolana, e a Corôa portuguesa através dos direitos aduaneiros
cobrados, envolveu brancos, negros e uma maioria mestiça, gente do lado
de cá e de lá do Atlântico que acabaria por entrar em decadência com a
vigilância marítima internacional e as pressões por parte do Governo
central. Foi apenas em 1869, que foi abolido o estado de escravidão, mas
há notícia que o trabalho compelido se arrastou por muito mais tempo e
que alimentou a nova ordem a partir de então estabelecida.
https://core.ac.uk/download/pdf/268402353.pdf























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