Foto tirada no decurso da visita em 1938 do General Carmona a Moçâmedes.
Foto tirada no decurso da visita em 1938 do General Carmona a Moçâmedes.
Um desfile enorme que
incluia alunos e alunas de todas as escolas do Distrito de Moçâmedes e
da Huila, ainda sem as fardas que viriam nos anos a seguir.
Salazar teve uma estratégia clara desde o início da Guerra de 1939-1945: a neutralidade. Mas também se preparou para uma Europa alemã! Até para uma retomada do Sudoeste Africano, fronteira com Angola, caso a Alemanha viesse a ganhar a guerra, e a retomar a região. Desde final da Guerra de 1914-18, com a derrota alemã na guerra, o Sudoeste Africano ficou sob a tutela da União Sul-Africana (atual África do Sul), a mandato da Liga das Nações para administrar o território. Porém, no pós 2ª Guerra de 1939-45, perdida de novo pela Alemanha, a União Sul-Africana não o substituiu por um mandato da Organização das Nações Unidas (a organização internacional que sucedeu a Liga das Nações nesse ano), ficou a ocupar o território ilegitimamente como se fosse uma quinta província sul-africana.
Eis como um texto da época descreve esta parada:
«...À
tarde, no lindo jardim da linda Moçâmedes, terra encantadora e de
encantos, coberto de flores do deserto, na expressão feliz de Vieira da
Cruz, realizou-se a parada infantil de que participaram mais de mil
crianças das escolas de Moçâmedes e da Huila. Apenas crianças das
escolas, porque, necessário é dizê-lo, se todas formassem, as da Huila e
de Moçâmedes, formariam uma legião de mais de quatro mil.
A Mocidade Portuguesa era uma organização de carácter milicial dirigida às camadas mais jovens da
população, foi criada por decreto em 1936, tendo a sua secção feminina
sido criada dois anos mais tarde. Em 1939 seria alargada às colónias. A criação e manutenção deste tipo de organização não era exclusiva do Estado Novo português. encontravam-se organizações do mesmo tipo quer na Itália de Mussolini , quer na Alemanha de Hitler . Tal não quer dizer que a organização criada sob a orientação de Salazar
fosse uma cópia fiel daquelas, embora tivesse havido algumas relações
entre a Mocidade Portuguesa e as organizações daqueles países e haja
algumas semelhanças de facto. A Mocidade Portuguesa
destinava-se a crianças entre os 7 e os 14 anos de idade, escolarizadas
ou não, e a frequência das suas atividades tinha carácter obrigatório. A MP e visava incutir
na
juventude o sentimento da ordem, o gosto pela disciplina e o culto do
dever militar, capaz de transmi- tiro o espírito de sacrifício, de
hierarquia e de devoção patriótica. O regime procurava enraizar uma nova mentalidade ao serviço do
Estado Novo que defendesse a trilogia do regime fundada em «Deus,
Pátria e Família». Para isso era necessário estimular o desenvolvimento
integral da capacidade física da juventude, a formação do carácter, a
devoção à Pátria, o sentimento da ordem, o gosto da disciplina, e o culto do dever cumprido.
No
início da década de 1940, a Mocidade Portuguesa em Moçâmedes era assim... As fardas verde e
caqui não chegavam para todos... Trata-se de um treino de marcha numa
manhã de domingo no antigo campo de futebol de terra batida, ao fundo
da Avenida da Republica. Vêem-se jovens de então, como Orlando Salvador, Angelino Jardim, Arménio Jardim
(são os da 2ª fila), Adriano Parreira, , Caparula, Carrisso, etc só
para citar os mais conhecidos.
O espírito da Mocidade Portuguesa masculina, ainda que sem farda já se fazia sentir por terras de Moçâmedes.
Foto
histórica das comemorações do 28 de Maio, no inicio da década de 1940,
no tempo em que a ditadura do Estado Novo atingia o seu apogeu.
Estudantes do Colégio Paula Frassinetti em Sá da Bandeira desfilando
pelas ruas da cidade em saudação olímpica (a saudação à época utilizada
na Alemanha nazi e na Itália de Mussolini) . A Europa estava em guerra contra a Alemanha de Hitler (1939-45). Em 1838 General Carmona havia feito uma digressão pelas
colónias a fim de mostrar ao mundo que as gentes de alem mar em África estavam
com Portugal.
Visita de estudo de alunos da Mocidade Portuguesa da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes ao Padrão do Cabo Negro, no inicio dos anos 1940 . Este padrão foi em 1892
colocado ali para substituir o padrão original do Cabo Negro, que havia
sido colocado no decurso da viagem de Diogo Cão, em 1485 e fora
vandalizado. Foi em 1482 que Diogo Cão partiu de Lisboa com 2 caravelas, fazendo-se
acompanhar do notável cosmógrafo Martim Beheim, que introduziu o uso do
astrolábio na navegação e foi autor do afamado Globo de Nuremberg.
Estava empenhado em levar a cabo a continuação das descobertas
inauguradas sob os auspícios do Infante de Sagres, e o prosseguimento
das conquistas empreendidas por D. Afonso V, a fim de alongar os
domínios portugueses de além-mar. Chegaram nesse ano à foz do
Zaire, onde foi colocado um 1ºpadrão no extremo da margem esquerda
daquele rio, para solenizar a descoberta e atestar aos vindouros a
posse, em nome do Rei de Portugal, das terras contíguas. Esse primeiro padrão
foi denominado de S. Jorge pela devoção do rei ao santo do mesmo nome,
foi um primeiro marco de descoberta e senhorio dos territórios
ultramarinos. Construído de pedra e comportando inscrições, era já um monumento
duradouro e expressivo. Em seguida Diogo Cão colocou um 2º padrão, o padrão de Santo Agostinho, no Cabo de Santa Maria, a
14º 27' 15", tendo regressado em seguida a Lisboa, após dezanove meses
de viagem, sendo-lhe então conferido o título de cavaleiro e concedida a
tença anual. O Padrão de 1892 acabou igualmente vandalizado
em 1975. Os antigos mareantes erguiam cruzes de madeira nos lugares que
descobriram, e entalhavam nos troncos das árvores a divisa do Infante
Talent de bien faire.

Foto histórica onde podemos ver o Padre Guilhermino Galhano , no decurso de uma missa campal , no velho campo de futebol de terra batida de Moçâmedes, para onde tinha convergido a procissão que acompanhou a imagem de Nossa Senhora de Fátima desde o campo de aviação por ocasião da sua digressão por terras de África, no ano de 1949. Repare-se na guarda de honra, feita pela Mocidade Portuguesa (em armas!). Nesta foto reconhecemos José Pestana (fato branco), Carlitos Alves de Oliveira (MP, à), à dt.
Terminada a Missa a procissão dirige-se para a Igreja Paroquial de Santo Adrião. Aqui também a guarda de honra +e feita pela Mocidade
Portuguesa (em armas!)
Mocitários com familiares, no decurso da romagem anual à Capela de Nossa Senhora do QUIPOLA, em Moçâmedes: 08 de Dezembro de 1951. Ao
fundo vê-se o velho e ronceiro "camocouve", o primitivo combóio que
devido à pouca velocidade com que caminhava, demorava o dia inteiro para
completar os 250 Km, que era o percurso de Moçâmedes a Sá da Bandeira.
Nestas ocasiões os CFM colocavam o referido comboio gratuitamente à
disposição para transporte dos peregrinos. Era a forma de colaborarem
nas festividades, numa época em que a disponibilidade de automóveis era bastante restrita.

Esta
foto histórica e de grande significado ideológico, tirada na década de 1950, está aqui porque na equipa de Hóquei em Patins dos Maristas de Sá da Bandeira num jogo contra o Lobito.estão dois jovens de
Porto Alexandre (hoje Tombwa), que alí se encontravam a estudar no Liceu
Diogo Cão: O Mário Lopes e o Hernâni Silva. Mas também porque ela é um
testemunho vivo de uma época do pós 2ª Grande Guerra Mundial
(1939-45), em que os desportistas ainda eram obrigados (?), no início dos jogos, à
“saudação romana” ou "saudação olímpica" para uns, "saudação nazi"
para outros. que aquui se vê. A Mocidade Portuguesa (organização juvenil
de filiação obrigatória) já havia começado a perder o seu ímpulso inicial, enquanto organização para-militar, na década de 50 praticamente voltada para o Desporto.
Anos 1950 Os primos Robalo e Fonsecas em Moçâmedes. "De pequenino se torce o pepino" lá diz o ditado popular ...
.
Nos anos 60 junto à Escola Portugal em Moçâmedes
Esta foto na década de 1960 mostra um grupo de jovens estudantes de Moçâmedes com a farda da MP. incorporadas na procissão do Corpo de Deus, a mais cerimonioda da época.
Terminada a guerra de 1039-45. a MP, que cedo abandonou a política e
descambou rapidamente para a prática do desporto.
mas é sabido que a Mocidade Portuguesa quando surgiu (aqui ainda sem a
farda que conhecemos) , não era inocente, e que a "fonte de inspiração"
da MP criada em 1936, residiu na sua congéneres alemã. Uma relação
embaraçosa , Segundo o livro "Mocidade Portuguesa - Homens Para um
Estado Novo" (Esfera dos Livros), de Joaquim Vieira, o Estado Novo
olhava para a organização juvenil hitleriana, "com simpatia" para uma
formação de jovens afectos ao regime, numa altura em que estava prestes a
eclodir a Guerra Civil de Espanha e os nazis procuravam aliados. Mas
naturalmente com suspeição diremos nós, e estrategicamente ja que Hitler
no poder representava uma ameaça para a Europa e para o mundo, como se
veio a verificar com o estalar da 2ª Grande Guerra de 1939-45, em
relação à qual Portugal se manteve neutral. A
partir de 1940 assiste-se a um progressivo afastamento com relação à
JH quando Marcelo Caetano assume funções de Comissário Nacional da MP e
terá seguido as directivas de Salazar em prol de uma neutralidade. E
também porque em face da Guerra temia a furia dos britânicos, embora no
contexto do conflito ao nivel da cupula da MP se verificasse a opção
por uma proximação com jovens franquistas da Juventude da Falande e do
Sindicato Espanhol Universitário.
Nessa
época não se vivia em Portugal em democracia, mas em regime de
partido único, e havia a policia politica que não brincava em serviço. A
MP enquanto organização para-militar juvenil, o surgiu no quadro
ditatorial, anti-democrático e
anti-parlamentar do Estado Novo, numa altura em que na Alemanha surgira a
juventude hitleriana, e Hitler no poder representava uma ameaça para a
Europa e para o mundo, como se veio a verificar com o estalar da 2ª
Grande Guerra de 1939-45, em relação à qual Portugal se manteve neutral.
Salazar era um homem da direita conservadora católica, um anti-liberal, antidemocrático, antissocialista, preocupado com o comunismo, com a liberdade sindical, com os partidos políticos, com o parlamentarismo, próximo do integralismo lusitano, viveu as duas guerras mundiais, e também temia o avanço da Alemanha na Europa, caso Hitler vencesse a guerra, e a recuperação pela Alemanha do Sudoeste Africano Alemão sob o protectorado da União Sul Africana, com base no mandato que lhe foi conferido pela sociedade das Nações no final da 1ª guerra. Tratar "com pinças" a situação taria lenado a uma aproximação
De início a organização da MP tinha por objectivo abranger toda a juventude escolar ou não, contudo acabou por recrutar quase exclusivamente os alunos dos ensinos primários e secundário, e com o pós Guerra (1939-1945) que veio logo a seguir, com a derrota da Alemanha, com o perigo dissipado, a MP foi perdendo o carácter para-militar pretendido, e tornou-se uma organização voltada para o lazer e para o Desporto, uma espécie de Escuteiros.
Terminada a guerra, a MP tornou-se uma instituição diferente , ainda que intrinsecamente ligada aos interesses e objectivoos do programa do regime.
Em Portugal, a Mocidade Portuguesa procurava enraizar uma nova mentalidade ao serviço do
Estado Novo que defendesse a trilogia do regime fundada em «Deus, Pátria
e Família». Para isso era necessário estimular o desenvolvimento
integral capacidade física da juventude, a formação do carácter, a
devoção à Pátria, o sentimento da ordem, o gosto da disciplina, e o
culto do dever cumprido, sendo a filiação imposta pelo regime, independentemente ou não da adesão das populações.
Através
da MP, os jovens ganhavam amigos, passavam momentos agradáveis, nos
acampamentos, nos passeios, no desporto, ou seja, em actividades que as
posses da maioria não permitiriam penetrar. Eles tinha acesso a muitas
coisas gratuitas que os jovens de agora para as terem tem que as pagar a
bom preço, e nesse aspecto a Mocidade Portuguesa era camaradagem,
alegria, desporto, a oportunidade de viajar, de disputar campeonatos
provinciais desportivos etc., etc. O que contava para a juventude era a
parte lúdica, e nada mais.
E não creio que os objectivos de inculcação ideológica dos velhos tempos tivessem obtido algum sucesso entre os jovens de Moçâmedes. Em termos factuais, o que sei é que eles souberam aproveitar aquilo que era bom na MP, ou seja os já citados aspectos desportivos e lúdicos. Também sei que até houve alguns que nos anos 1960 se tornaram mesmo activistas contra o regime de Salazar e do Estado Novo quando tiveram que partir para a Metrópole para prosseguir os estudos para níveis superiores, uma vez que na altura Angola não possuía uma Universidade. Curiosamente, todos eles faziam parte de uma segunda geração de brancos nascidos em Angola, todos eles , portanto, rotulados à nascença como euro-africanos ou "brancos de 2ª". . Curiosamente também muitos deles estiveram ligados à Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa. O trauma da independência do Brasil era latente no EN.. Não eram apenas olhados com suspeição os negros, sobretudo os civilizados. Até 1960 perduraram leis que cindiam brancos com relação, negros com relação a negros, e brancos e negros. O Indiginato até 1961 impôs a divisão dos negros em indígenas e assimilados. Os assimilados à cultura portuguesa tinham os mesmos direitos que os brancos. Entre brancos, como atrás citado, distinguiam-se os filhos de portugueses originários de Portugal (reinóis), dos brancos nascidos em Angola para lhes limitar os direitos civis, reflexo da desconfiança e suspeição em relação aos naturais das colónias. Estes não podiam, por exemplo, concorrer aos cursos das escolas de oficiais das forças armadas nacionais, desempenhar funções de chefia a nível superior na administração pública colonial, etc., etc. O próprio facto de não haver em Angola uma Universidade era significativo...
Apesar de
existir repressão política, proibição de partidos e da liberdade de
expressão, o regime do Estado Novo e de Salazar não se pode comparar ao
que havia sobretudo na Alemanha de Hitler.
O 28 de maio de 1926 representa o pronunciamento militar que pôs termo à Primeira República, e deu os primeiros passos para o Estado Novo, regime que durou até 1974. Em 1932, Salazar é nomeado presidente do Conselho de Ministros e em 1933 é referendada uma nova Constituição, documento fundador do Estado Novo. Com Salazar e o Estado Novo, pelo menos até aos anos 1950, era assim...Para uns, "saudação olimpica", para outros "saudação nazi"!
Como propõe Torgal, Mendes e Catroga (1998), a implementação do Estado Novo em Portugal deu novos rumos para a história vivida e contada do país. Sofreram transformações e todas as esferas da sociedade e promoveram uma História revisionista e focada em enaltecer a religião, os valores, o líder, a nação e seus heróis. Todos estes aspectos partiram da aposta em uma educação doutrinária, escolhida como o melhor plano para criar uma nova elite e uma nova sociedade que viria a legitimar o Estado Novo português e as suas práticas, bem como impulsionar o movimento de “Revolução Nacional” que foram pensados ainda quando Salazar ocupava as cadeiras da Universidade de Coimbra como bacharelando em Direito. Um pouco do perfil do líder pode ser observado nas publicações d’O Imparcial – jornal acadêmico – onde trabalhou em conjunto com amigos de peso, como o futuro Cardeal Cerejeira (MENESES, 2011). Para além destas estratégias discursivas, é fato que em 1933 houve a implementação do Estado Novo, de onde Salazar colocou em prática os planos revolucionários dos quais ajudou a elaborar e propagandear.... A este respeito ver: "Mocidade Portuguesa: fundação, organização e atuação desta juventude salazarista (1936-1945) Marcos Maurício Costa Freitas
- Hoquei em Moçâmedes. 1955, alinhando pela Mocidade Portuguesa.Em cima : Cecilio Moreira, professor Educação Física e de Trabalhos Manuais da Escola Prática de Pesca e Comércio, mais tarde da Escola Comercial e Industrial, e dinamizados desportivo pela MP , Geni Gierra, Arménio Jardim, Daniel Santos, e Cunha. Embx: Rui Mangericão, Alvaro Jardim (Chamenga) e Rui Coelho de Oliveira.Esta foi a Equipa da Mocidade Portuguesa (Escola Comercial de Moçâmedes) no Campeonato de Angola da Mocidade Portuguesa em Nova Lisboa (Huambo), em 1955. Antes da fase final deste campeonato, em que a equipa de Moçâmedes saiu vencedora, houve uma pré-eliminatória com a equipa da Mocidade Portuguesa de Sá da Bandeira (Lubango).
É evidente que a Mocidade Portuguesa não era inocente, a filiação era imposta pelo regime, tal como as leis que recaiam sobre as populações, não adivinha da vontade das pessoas. Vivia-se em regime de ditadura de partido único, e havia a policia politica. A organização da Mocidade Portugiesa surgiu no quadro, anti-democrático e anti-parlamentar do Estado Novo, numa altura em que na Alemanha surgira a juventude hitleriana, e Hitler no poder representava uma ameaça para a Europa e para o mundo, como se veio a verificar com o estalar da 2ª Grande Guerra de 1939-45, no decurso da qual Portugal se manteve neutral.
Salazar era um homem da direita conservadora católica, um anti-liberal, antidemocrático, antissocialista, preocupado com o comunismo, com a liberdade sindical, com os partidos políticos, com o parlamentarismo, próximo do integralismo lusitano, viveu as duas guerras mundiais, e também temia o avanço da Alemanha na Europa, caso Hitler vencesse a guerra, e a recuperação pela Alemanha do Sudoeste Africano Alemão sob o protectorado da União Sul Africana, com base no mandato que lhe foi conferido pela sociedade das Nações no final da 1ª guerra.Em face a eventuais perigos tinha que agir com cautela.
De início a organização da MP tinha por objectivo abranger toda a juventude escolar ou não, contudo acabou por recrutar quase exclusivamente os alunos dos ensinos primários e secundário, e com o pós Guerra (1939-1945) que veio logo a seguir, com a derrota da Alemanha, com o perigo dissipado, a organização juvenil foi perdendo o carácter para-milit, tornou-se uma organização voltada para o lazer e para o Desporto, uma espécie de Escuteiros. Através da MP, os jovens ganhavam amigos, passavam momentos agradáveis, nos acampamentos, nos passeios, no desporto, ou seja, em actividades que as posses da maioria não permitiriam penetrar. Eles tinha acesso a muitas coisas gratuitas que os jovens de agora para as terem tem que as pagar a bom preço, e nesse aspecto a Mocidade Portuguesa era camaradagem, alegria, desporto, a oportunidade de viajar, de disputar campeonatos provinciais desportivos etc., etc. O que contava para a juventude era a parte lúdica, e nada mais. E não creio que os objectivos de inculcação ideológica dos velhos tempos tivessem obtido algum sucesso entre os jovens de Moçâmedes. Em termos factuais, o que sei é que eles souberam aproveitar aquilo que era bom na MP, ou seja os já citados aspectos desportivos e lúdicos. Também sei que até houve alguns mociitários que nos anos 1960 se tornaram mesmo activistas contra o regime de Salazar e do Estado Novo quando tiveram que partir para a Metrópole para prosseguir os estudos para níveis superiores, uma vez que na altura Angola não possuía uma Universidade. Curiosamente, todos eles faziam parte de uma segunda geração de brancos nascidos em Angola, todos eles, portanto, rotulados à nascença como euro-africanos ou "brancos de 2ª". . Curiosamente também muitos deles estiveram ligados à Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa.
O trauma da independência do Brasil afectara os nossos governantes, pelo que as gerações de brancos nascidos nas colónias era olhadas com suspeição, como com suspeição olhavam para os negros e os mestiços civilizados. Até 1961 perduraram leis que cindiam brancos com relação, negros com relação a negros, como o Indiginato que impôs a divisão dos negros em indígenas e assimilados, estes com mesmos direitos de cidadania que os brancos. Entre brancos, como atrás citado, distinguiam-se os filhos de portugueses originários de Portugal (reinóis), e os nascidos em Angola para lhes limitar os direitos civis, reflexo da desconfiança e suspeição em relação aos naturais das colónias. Estes não podiam, por exemplo, concorrer aos cursos das escolas de oficiais das forças armadas nacionais, desempenhar funções de chefia a nível superior na administração pública colonial, etc., etc. O próprio facto de não haver em Angola uma Universidade era significativo. Apesar de existir repressão política, proibição de partidos e da liberdade de expressão, o regime do Estado Novo e de Salazar não se pode comparar ao da Alemanha de Hitler.
No meu tempo (foto de 1957) só os rapazes eram abrangidos pela MP. Porém sabe-se que houve um em Moçâmedes um ressurgimento da MP feminina , como a masculina igualmente voltada para o desporto e actividades recreativas, excursões, etc que perdurou até 1975.
Na foto que segue , eu
e as minhas colegas dos cursos de Formação Comercial e Formação
Feminina , na Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes. Só os rapazes ostentam a fatda da MP. Estava-se no ano de 1956, em Moçâmedes.
Sem comentários:
Enviar um comentário