(*) in “Paulo Dias de Novais e a Fundação de Luanda – 350 anos depois...”, 2 de Dezembro de 1926 – Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal
segunda-feira, 19 de outubro de 2020
O "BAIRRO DA FACADA" E A ORIGEM DO NOME
sexta-feira, 9 de outubro de 2020
"BAÍA DAS PIPAS" E A ORIGEM DO NOME
A denominação «Baía das Pipas», a norte da cidade de Moçâmedes, e a sul de Banguela, zona pesqueira no tempo colonial desde a chegada do portugueses de Pernambuco, Brasil, 1849, ficou a dever-se a um incidente ocorrido no ano de 1842, que levou a Estação Naval Portuguesa que por esse tempo patrulhava a costa de Angola, a mandar queimar grande número de pipas que ali se encontravam armazenadas.
Esta queima era à época perfeitamente justificável, de acordo com as disposições das leis do Decreto de 10 de Dezembro de 1836, de Sá da Bandeira (1), o grande politico do século XIX português, paladino da abolição do tráfico de escravos que durante 3 séculos correu na direcção do Brasil, a partir dos portos de Luanda e de Benguela. Aquela quantidade de pipas ou barris encontradas na baía então desértica não cumpria, por parte de um capitão de um qualquer navio, determinadas formalidades, ou seja, era maior do que a quantidade necessária para consumo da equipagem de um navio mercante, pelo que deveria considerar-se achado com indícios de tráfico clandestino de ecravos.
O vazio de poder nas colónias, desde o inicio do sec xix era enorme neste século XIX português atribulado , varrrido pelas invasões francesas (1908-11), que levaram à fuga do Rei e da Côrte para o Brasil, à revolução de 1820, â queda do absolutismo monárquico e ao triunfo do liberalismo (1834), após 14 anos de guerra civil entre liberais e abolutistas, seguidos de lutas fraticidas entre faccões no seio do liberalismo triunfante, que se arrastaram até 1851, deixando o país arrasado, sem agricultura, sem industria, afundado numa crise comercial , e sem paz para legislar.
Durante as décadas que vieram a seguir ao decreto de 12 de Dezembro de 1836, até à abolição definitiva em 1869, o tráfico clandestino envolveu comerciantes e elementos da burguesia angolana, de Luanda e de Benguela, que puderam contar com colaboração ou a tolerância de alguns Governadores Gerais, A luta contra o tráfico foi iniciada no "reinado" do Governador Geral de Angola, Pedro Alexandrino da Cunha (1845 e 1848), e foi a partir de então que este estado de coisas começou a mudar, ainda que na sua vigência os traficantes continuassem a subornar funcionários ou a encontrar pontos de embarque menos vigiados.
Teria sido esse o contexto em que foram encontradas as pipas armazenadas na "Baía das Pipas", 7 anos antes da chegada dos colonos fundadores a Moçâmedes , oriundos de Pernambuco, Brasil, em 04 de Agosto de 1849, para dar inicio ao povoamento branco da velha Angra do Negro. Não foi um acto conclusivo, contudo importa não deixar escapar que no ano de 1860, quando haviam decorrido 11 anos após o início da colonização, teve lugar no Carumjamba, a norte de Moçâmedes, um acto de tráfico ilícito que gerou grande alvoroço entre a população da recem formada povoação , essenciamente entre os produtores da Urzela espalhados pelo distrito, e que redundou num "Manifesto dos colonos fundadores de Moçâmedes sobre tráfico ilegal de escravos".
A urzela, musgo com aplicação tintorial , era então muito procurada pelas industrias têxteis da Europa, pelo que vários produtores de urzela do distrito de Moçâmedes mostravam a sua indignação ao sentirem-se grandemente prejudicados com a perda da mão de obra de serviçais indígenas que debandavam das plantações , mão de obra essa que necessitavam para manter activa a exploração.
Esta era uma fase de transição para um novo paradigma com a fixação de colonos e o desenvolimento e progresso de Angola, que veio deitar por terra o esclavagismo. Fase em os escravos eram libertados de navio apresados, e na condição de semi-libertos, se obrigavam a trabalhar durante 10 anos para o avanço da economia de Angola, findos os quais ganhariam a sua alforria.
Neste contexto, em finais dos anos 50, toda e qualquer suspeita de tráfico ilícito constituía um factor desestabilizador . Sabia-se que o tráfico ilegal vigorava ainda na região do Congo (Angola). Havia notícia de que os embarques que antes eram legalmente efectuados a partir dos portos de Luanda e de Benguela, desde 1836 tinham passado a fazer-se através de praias e pequenas enseadas desérticas, entre o Ambriz e o rio Zaire, através de traficantes que operavam na clandestinidade. Contudo fazê-lo no sul de Angola, numa zona desértica, onde era escassa a população indígena, era uma verdadeira anomalia.
Ora o que se passou então foi que moradores e donos das feitorias dos vários produtores de urzela (1) da região de Moçâmedes reclamavam, indignados, num manifesto endereçado ao Governador de Benguela, os prejuízos gerados pela tentativa de tráfico ilegal de escravos, levada a cabo por um tal Manuel José Correa, no sítio do Carumjaba, onde possuia a sua propriedade dedicada à exploração daquele musgo tintorial bastante procurado pelas industrias têxteis da Europa, e recebera um barco espanhol por ele convidado para embarcar acima de duzentos escravos para Havana, valendo-se da posição isolada e da ausência de patrulhas de cruzeiros anti-tráfico naquelas paragens, tendo como resultado que os serviçais das vizinhas feitorias que assistiram ao embarque, debandaram para as suas terras, tendo da propriedade do agricultor da urzela em S. Nicolau, Narciso Francisco de Sousa fugido de uma só vez, mais de 30 escravos, e da de Ladislau A. Magyar, na Lucira, fugido 7 . Visto pelos escravos de outras feitorias que temiam pelo retorno do tráfico ilegal, o embarque ilegal perpretado por Correa teve sérias consequências, porque não apenas levou a várias fugas das feitorias, o que mais afligia os produtores da urzela: perder a mão de obra que garantia a colecta da urzela. Tinha-se uma preocupação maior com os efeitos indirectos a partir das embarques ilegais na região: as fugas dos escravos.
Os vários produtores de urzela do distrito de Moçâmedes mostravam a sua indignação ao sentirem-se grandemente prejudicados com a perda da mão de obra de serviçais indígenas de que necessitavam para manter activa a exploração.Um caso considerado insólito o da manifestação formal de produtores de Moçâmedes contra o tráfico ilegal, impensável dez ou vinte anos antes, quando o tráfico era legal. Aconteceu quando já há muito os navios patrulha ingleses e portugueses vigiavam a costa em busca de eventuais prevaricadores. Por esta altura a economia de Angola já transitara do comércio lícito de escravos para o ilícito, e procurava enveredar para o trabalho livre, pelo que a presença de um navio negreiro espanhol, que fazia o tráfico ilegal para Cuba, nas águas próximas de Moçâmedes, atemorizava tanto os serviçais como os proprietários.
(Ass) MariaNJardim
(1) Foi em 1836 que, aproveitando a subida do Partido Progressista ao poder, o General Sá da Bandeira decretou a abolição do tráfico de escravos, mas a falta de condições para pôr a lei da abolição a funcionar levou a que os embarques passassem a fazer-se, na clandestinidade, desviando-se para praias desérticas a norte e a sul dos portos tradicionais de Luanda e Benguela.
(2)Urzela é um liquen que medra nas rochas à
beira mar., do qual se obtém uma tinta azul
arroxeada de forte concentração usada em carimbos
e cópias tornando-as impossíveis de falsificação, um musgo com aplicação tintorial muito procurado
pelas industrias têxteis da Europa, pelo que vários produtores de
urzela do distrito de Moçâmedes mostravam a sua indignação ao
sentirem-se grandemente prejudicados com a perda da mão de obra de
serviçais indígenas de que necessitavam para manter activa a
exploração. Seria o caso dos proprietários das feitorias destinadas exclusivamente
à colheita da urzela em Moçâmedes.
Ver tb: http://mocamedesregistosefactos.blogspot.com/2011/07/mocamedes-registos-e-factos-manifesto.html
quarta-feira, 16 de setembro de 2020
CURIOSIDADES. PARA A HISTÓRIA DA CIDADE DE MOÇÂMEDES. A AVENIDA DOM LUIZ DE MOÇÂMEDES
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
O REI QUE EMPRESTOU SEU NOME À FORTALEZA DE MOÇÂMEDES
S. M. el Rey Dom Fernando / A. Pinçon. - [Paris? : s.n., entre 1867 e 1877?]. - 1 gravura : litografia, aguarelada ; 40x31 cm (imagem sem letra). BN
quinta-feira, 20 de agosto de 2020
" OS VISCONDES DE GIRAÚL

resolvemos abordar aqui,
Em Moçâmedes, Joaquim Bernardo Cardoso Botelho da Costa , o 1º visconde de Giraúl casou, em cerimónia ocorrida na cidade de Moçâmedes, na Igreja de Santo Adrião, em 28 de Setembro de 1895, com Amélia do Carmo Torres Bstos, natural de Moçâmedes, onde nasceu em 6 de Março de 1872, filha de Manuel José Alves Bastos e de Amélia Torres Bastos, a célebre viuva Bastos, participantes da segunda colónia ida do Brasil (Pernambuco), em 1850. E ra neta materna de Manuel Joaquim Torres (09-04-1813) e de Maria José da Costa Torres (Açores, S. Miguel, 1827+24.07.1912). Amélia do Carmo Torres Bastos, em Moçâmedes foi também baptizada e ali faleceu a 12 de Abril de 1896, repousando seus restos mortais em mausoléu no Cemitério de Moçâmedes (Namibe).
Manuel José Alves Bastos, um dos componentes da primeira colónia chegada a Moçâmedes em 1849, vinda de Pernambuco, Brasil, em consequência da perseguições aos portugueses que se negavam em abdicar da sua nacionalidade, e se estabeleceu na região, onde foi comerciante e proprietário e se dedicou ao comércio de marfim e do gado, às actividades agrícola com plantações e também à pesca e à exploração de salinas. Com João Duarte de Almeida, eram os dois homens mais ricos da região, na época. Repousa em jazigo de Família, no cemitério de Moçâmedes.
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Foi um militar, engenheiro, professor e ferroviário português. Matriculou-se em 1914 no Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa e, em 1917, com o Curso Geral do referido Instituto, assentou praça no Corpo de Alunos da Armada e foi promovido a Aspirante de Marinha em Outubro do mesmo ano e a Guarda-Marinha em 1921, ano em que seguiu, a bordo do cruzador Carvalho Araújo, para Macau, viagem que, por ordem do governo, foi interrompida em Porto Said, em razão do movimento revolucionário de 19 de Outubro. Regressando a Lisboa, retirou-se do serviço da Armada, e em 1922 matriculou-se novamente no Instituto Superior Técnico, onde completou o curso de Engenharia Civil, em 1925. Entrou como Engenheiro Praticante na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses em 1926 e, ao mesmo tempo, foi Assistente Interino das Cadeiras de Caminhos de Ferro e de Estradas do IST, no impedimento do Efetivo, lugar de que pediu a demissão em 1928. Foi nomeado Engenheiro-Ajudante em 1928, Engenheiro-Adjunto em 1930, Subchefe em 1937 e Engenheiro-Chefe da Divisão de Exploração em 1943. Foi também Assistente do Instituto Comercial de Lisboa em 1930 e seu Professor Interino, e Professor do Instituto Industrial de Lisboa. Publicou vários trabalhos. Usou o título de 2.º Visconde de Giraúl por Autorização de D. Manuel II de Portugal no exílio de data desconhecida. Casamento e descendência: Casou em Lisboa a 30 de Janeiro de 1922 com Maria da Luz Poças Falcão Bicudo Correia (Ponta Delgada - ?), filha de Francisco Manuel Raposo Poças Falcão Bicudo Correia (filho de Francisco Manuel Raposo Bicudo Correia) e de sua mulher Ângela Maria Dias, da qual teve cinco filhos e filhas. https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Alves_Bastos_Botelho_da_Costa |
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