Francisco de Sousa Ganho Júnior
Para além de Francisco de Sousa Ganho e de Francisco de Sousa Ganho Junior, viajaram na mesma data na Barca "Dona Ana", António de Sousa Ganho, irmão do primeiro, António Fernandes Peixe e esposa Maria Catharina Peixe, e ainda Lourenço Fernandes Peixe e José Carne Viva.
Todas estas informações constam do livro de Athaíde de Abreu. Monigrafia do Concelho de Olhão e no estudo de Alfredo Felner, apontamentos sobre a colonização dos planaltos do Sul de Angola-, além de outras informações prestadas pelo autor da obra , tais como a carta do Dr Tolentino de Sousa Ganho, neto de Francisco de Sousa Ganho,
Com a vinda de Olhão de pescadores na Barca D. Ana, iniciou-se uma verdadeira revolução na actividade piscatória. Os algarvios substituem os indígenas que prestam serviço nas dezasseis pseudo-pescarias dos pernambucanos, e com o sucesso desta experiência, criaram-se as condições para o estabelecimento de uma relevante corrente migratória de algarvios para o sul de Angola, a qual revigorou a colónia e consolidou a industria piscatória. Estiveram na Baía das Salinas onde se dedicaram á pesca á linha e á extracção de óleo de fígado de cação. Rumaram depois para Porto Alexandre e Baía dos Tigres, sendo dos primeiros a fixarem-se nessas praias.
O Júnior teve a sua
primeira pescaria na Baía dos Tigres. Possuíam o caíque Restaurador que
fazia o comércio de cabotagem na costa até S. Tomé, Gabão e Congo
Francês. Estiveram no Mocuio, Baía das Pipas e Baba onde possuíam uma
armação à valenciana destinada à pesca da sardinha, a 3ª. que foi
montada no distrito.
Francisco de Sousa Ganho (pai) foi o 1º.olhanense a construir uma casa em Moçâmedes. Conta-se o seguinte episódio muito curioso:
"Em 3 de Fevereiro de 1871 o olhanense Francisco de Sousa Ganho indemnizou Maria da Cruz Rolão por ter lançado ao mar as madeiras para construção duma casa e mais utensílios de pesca que Maria da Cruz Rolão desembarcava na Praia do Sal ao norte da Vila de Moçâmedes". E a seguir "declarou perante testemunhas que promete sob palavra de honra viver bem com os seus visinhos residentes na Praia do Sal ou em qualquer parte deste distrito".(Maria da Cruz Rolão foi mais tarde heroína de Porto Alexandre e regedora).Pensa-se que sucederam alguns descontentamentos na fixação das populações em certas praia
Há ainda um registo de 1921 em que
foi concedido passaporte de Moçâmedes para Lisboa a Tolentino de Sousa
Ganho, médico, casado com uma brasileira do Rio de Janeiro D. Adelina
Salvatério Santos e a 2 filhas, Maria e Suzana, respectivamente de 7
anos e 14 meses. Tolentino era filho do Júnior.
Consultar a obra do Dr. Alberto Iria "Os caíques do Algarve no Sul de Angola".
É a experiência deste punhado de pioneiros que, a expensas suas, que tudo fizeram: aquisição de barcos, pagamento de passagens para a viagem, casas, utensílios para a pesca, etc etc. E, sem delegação de quem quer que fosse, eles acabaram instrumentalizados, ao constituíram-nos como garantes da soberania de Portugal nas áreas mais inóspitas do Pinda à Baía dos Tigres, numa altura em que não tardaria potencias europeias industrializadas encetassem a "Partilha de África". Mas também é preciso que se diga que a sua presença, e a de outros mais foi imprescindível para que a faixa do território a sul de Benguela. amplamente cobiçada pelos alemães, ficasse para sempre a integrar o território angolano.
!" (47)
Ver também:
http://www.myheritage.com.pt/photo-1000010_1_47578921/sousa-ganho

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